quinta-feira, 3 de março de 2016

O “patriarca” do Paganismo Moderno

Aqui eu citei no artigo “intervalo Autocrítico” um trecho do livro “História da Bruxaria”, de Jeffrey Russel e Brooks Alexander. Basicamente os autores atribuem o ressurgimento da Bruxaria como consequência do Movimento Romântico por volta do século XVIII.
A título de esclarecimento, na sequencia eu escrevi o artigo “Ensaio de História”, sem contar com inúmeras citações do livro de Stuart Clark que servem como um contraponto ao texto de Russel e Alexander. Ainda assim são meras hipóteses, não uma tese.
O Paganismo Moderno também é considerado como tendo origem nesse Movimento Romântico, tanto no meio acadêmico como no meio pagão. Mas um evento histórico não pode ser compreendido sendo alijado e afastado do processo histórico, ou das causas e contextos que resultaram neste fato histórico. O Movimento Romântico foi precedido pela Renascença, cuja cultura artística, literária e acadêmica recebeu influência dos mitos antigos, dos pensadores antigos, mas também do Neoplatonismo, a escola de pensamento que estruturou a filosofia e a teologia do Cristianismo.
Conforme eu vou buscando, pesquisando, lendo e estudando, eis que eu me deparo com um nome: Jorge Gemisto Pleton.
Jorge Gemisto Pleton foi um filósofo e erudito grego neoplatônico, um dos pioneiros no renascimento do aprendizado dos mestres gregos no início da Renascença na Europa Ocidental.
Pleton participou do Concílio de Ferrara, onde iniciou sua lições de filosofia platônica, que impulsionaram a criação da Academia Florentina por Cosme I de Médici, em 1459. Seu platonismo, no qual se mesclam elementos neoplatônicos, neopitagóricos e aristotélicos, configura-se como um emanatismo aonde a alma é uma emanação das idéias, que por sua vez emanam do Uno, ou de Deus e aspira a uma restauração do politeísmo grego, ao qual devia subordinar-se o cristianismo. [Wikipédia]
Antes dele, apenas o imperador Flávio Cláudio Juliano, chamado de Juliano, o Apóstata, tentou fazer algo parecido.
Em 12 de dezembro de 361, Juliano entrou em Constantinopla como imperador único, sem precisar vencer nenhuma batalha , como um eleito dos deuses para defender o império das provações que se apresentassem. Ao assumir o comando do império, Juliano assumiu sua crença no paganismo e se colocou sob a proteção de Zeus e Hélio. O período em que Juliano governou ficou conhecido “restauração pagã”, pois houve uma tentativa por parte do imperador de restaurar a cultura pagã do império. O novo imperador, embora batizado e educado no cristianismo, adotou as antigas crenças pagãs greco-romanas, o que lhe valeu posteriormente o apelido de "Apóstata". Apesar de ter tomado medidas como a proibição do exercício do ensino pelos mestres cristãos, e das ordens para que abrissem os templos e restituíssem o culto aos deuses, o governo de Juliano não foi marcado pela intolerância religiosa ou perseguição aos cristãos. [Wikipédia]
Há que se salientar que, embora muitos patriarcas do Cristianismo foram neoplatônicos, os pensadores neoplatônicos não eram, necessariamente, cristãos. O preguiçoso e intelectualmente desonesto verá neles algo como um ateísmo antigo, só que não. Muito do que na atualidade é consumido como esoterismo e ocultismo está presente nas obras neoplatônicas. Os famigerados livros de magia, chamados grimórios, foram coletâneas de textos de escolas de mistério, como o Orfismo, o Gnosticismo e o Hermetismo, de onde surgiu a alquimia e diversas ordens místicas do ocidente.
Ainda é uma hipótese, não uma tese, mas derruba a teoria de Russel e Alexander. Gemisto Pleton demonstra que o Paganismo ainda estava bem vivo, mesmo depois da supressão cultural cometida pelo Cristianismo. Gemisto Pleton mostra que havia muitas diferenças entre aquilo que a Igreja mandava crer e o que os cristãos efetivamente acreditavam e praticavam e foi na religião, crença e folclore popular que a religião antiga sobrevive até hoje.

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