sábado, 25 de junho de 2011

Memorial na Noruega

Na pequena cidade de Vardoe (ou Vardø), da Noruega, no centro de uma casa com paredes de vidros há uma insólita cadeira em chamas para lembrar que exatamente ali, no século 16, a Igreja Católica queimava mulheres (sobretudo elas) e homens acusados de bruxaria.
Esta instalação, projetada pela americana Louise Bourgeois, faz parte do Memorial Steilneset que Sônia Haraldsen, 74, a rainha do país, inaugurou ontem (24) em homenagem às vítimas da fúria católica.
Em um anexo à casa, há um corredor (concebido pelo arquiteto suíço Peter Zumthor) onde estão figuras de 77 mulheres e 14 homens que arderam no local em nome de Deus. Estima-se que essas 91 pessoas correspondam a um terço das vítimas da Inquisição na Noruega. Em nenhum outro lugar do país os representantes da igreja caçaram e queimaram tantas bruxas.
Na Idade Média, os eclesiásticos escolheram aquele local para julgar e queimar os acusados de heresia ou de ter feito pacto com o diabo por ser de fácil acesso. A ideia era de que o máximo de pessoas vissem à punição de modo a ficarem atentas às tentações do diabo, mantendo-se, obviamente, obedientes à igreja.
Sônia comentou que sentiu um mal-estar porque era como tivesse retrocedido no tempo, na época da Inquisição.
Stein Ovesen, um dos responsáveis pelo memorial, disse que hoje a igreja e a sociedade assumem a responsabilidade pelo vergonhoso atentado contra aquelas pessoas e a dignidade humana. E acrescentou que a atual Noruega condena “a violência contra com base em raça, gênero, fé e convicção”.
Fonte: Paulopes
Nota da casa: Ao menos, na Noruega, há um memorial e não se tenta negar/revisar a história. Ato contínuo, há um excelente texto falando da necessidade dos fundamentalistas em ter alguém a apedrejar. Estes, católicos ou cristãos, se valem de tudo [de tudo, mesmo, sem qualquer limite ou vergonha] para justificarem/explicarem/indultarem suas manifestações de ódio, intolerância e preconceito.
MUDE A IGREJA OU MUDE-SE DELA!

2 comentários:

FireHead disse...

Não se pode negar a História e muito menos esquerdizá-la, princípio válido para os pagãos. Essas mulheres e homens acusados de bruxarias e feitiçarias e mortos pela Santa Igreja também matavam muita gente, ou não sabe o caro autor que a Santa Inquisição surgiu para acabar com um movimento gnóstico (pagão) conhecido por catarismo que tinha como hobby... perseguir e matar as mulheres por elas permitirem a continuidade da espécie humana (ou seja, a continuação da desprezível "matéria")? E depois havia os montanistas, os monofisistas, os nestorianos, os valentinianos, enfim, um sem fim de grupos pagãos que não tinham um mínimo de respeito pela vida humana e que tiveram de ser aniquilados.
Se um homem é um assassino em série e matou imensa gente, não é o dever das autoridades detê-lo e evitar que ele volte a cometer atrocidades?
A Inquisição foi útil e se não fosse ela os malucos teriam dominado o mundo.

Beto disse...

Ora, eu não nego a história e certamente não leio apenas livros tendenciosos. Primeiro que o movimento Gnóstico não pode ser, a priori, ser chamado de pagão, visto que procedeu de uma vertente do Maniqueísmo. O Catarismo foi um movimento cristão que foi tachado de herege e a conta de que estes perseguiam e matavam mulheres apenas consta de documentos...da Igreja! Os demais grupos também eram cristãos que foram tratados como hereges pela Igreja e não há documentos, salvos os produzidos pela Igreja, que possam confirmar tais acusações.
Entretanto, fica registrada sua opinião.