quinta-feira, 12 de novembro de 2009

As 12 teses da violação

Martin Kugler escreveu 12 teses pelas quais, segundo ele, o crucifixo não viola a liberdade religiosa.
Deixando um pouco de lado o fato que o autor é cristão, eu vou citar e refutar cada uma das teses.
1. O direito a liberdade religiosa pode apenas significar seu exercício, não a liberdade de confrontação.
O direito a liberdade religiosa deve incluir a liberdade de confrontação, do contrário ocorre uma ditadura. Mesmo o Cristianismo teve em sua história diversas confrontações, tanto entre Cristãos, quanto entre estes e outras religiões.
2. O significado de "liberdade religiosa" não tem relação com criar uma sociedade que está "livre da religião"!
O significado da liberdade religiosa deve incluir até mesmo a ausência de uma religião. O cerne da liberdade religiosa consiste na convivência e tolerância de todas as opiniões, inclusive as contrárias à religião.
3. Forçosamente remover o simbolo da cruz é uma violação do mesmo nível que forçar um ateu a elevá-lo [o autor usa "mount", montar, trepar, copular, subir, escalar] . A parede vazia também é uma afirmação ideológica - especialmente, se depois de tantos séculos, não esteve vazia. Um Estado "com valores neutros" é uma ficção, que é frequentemente usado para fins propagandísticos.
O símbolo da cruz não foi colocado na parede por devoção das pessoas, mas por imposição tanto do poder secular quanto do poder sacerdotal. A retirada do símbolo da cruz do serviço público o recoloca no seu devido lugar, que são os templos cristãos.
4. Um direito alegado [que] não [pode] ser confrontado com um conteúdo religioso não pode ser mais forte do que o direito de livre exercício da religião.
O conteúdo religioso em suas alegações de direitos não pode ser mais forte do que os direitos dos demais grupos sociais. Nem pode estar isento de confrontação ou contestação.
5. Os Estados, que assinaram a Conveção Européia de Direitos Humanos, entenderam que o "direito de liberdade religiosa" não é certamente uma "liberdade da religião".
A Declaração de Direitos Humanos e seus Estados participantes entendem perfeitamente que é um crime contra os direitos humanos a imposição de uma doutrina religiosa, então a liberdade religiosa inclui a liberdade da religião.
6. Juristas falam da "ladeira escorregadia". Impeça que comece! Atualmente as instituições estão afetadas pelas tentativas iconoclásticas, amanhã eu não terei a permissão de usar um pingente religioso [o autor usa "chain", cadeia, corrente] em volta de meu pescoço.
Vale a pena lembrar que a maior parte dessa "iconoclastia" foi manifestada por Cristãos. Vale a pena lembrar que estamos falando de logradouros, autarquias e serviços públicos, que não deveriam favorecer um credo [ou mesmo qualquer credo] nas sociedades contemporâneas.
7. Ao invés de lutar contra a intolerância religiosa, a religião, pelos seus símbolos, está sendo atacada.
Quando uma sociedade privilegia um símbolo religioso desautoriza-se a existência de qualquer outro símbolo religioso, o que fomenta a intolerância.
8. Ninguém pode lutar contra problemas políticos lutando contra a religião.
Ninguém pode evitar problemas políticos deixando de lado a questão da religião.
9. O fundamentalismo anti-religioso torna-se um cúmplice do fundamentalismo religioso quando provoca pela intolerância.
As posturas e opiniões contrárias à religião existem para denunciar e desmascarar as pretensões dos que a usam para seus propósitos políticos e sociais. Estas opiniões se baseiam em fatos, argumentos e evidências, não em crenças infundadas, portanto, não podem ser fundamentalistas.
10. O Cristianismo por sua própria natureza estimula sua exteriorização - ele nunca pode ser repudiado como privado nem ser trancado em um gueto!
O gueto existe porque o Cristianismo criou-os na Idade Média para confinar os Judeus. A exteriorização do Cristianismo de forma pública foi a causa da morte de milhares de inocentes pela acusação de heresia e bruxaria.
11. A maioria da população afetada gostaria de manter a cruz! Este é um problema para a democracia, ao dar prioridade a interesses individuais [de forma] tão evidente.
A maioria da população da China gostaria de banir a cruz. O problema é que uma democracia deve garantir os direitos dos que professam outra crença [ou não tem nenhuma]. Se a cruz deve ser mantida em locais públicos, um espaço equivalente deve ser dado a outros credos.
12. A cruz é o símbolo da Europa. Ela é um símbolo religioso, mas ainda assim mais do que isso.
A cruz é um símbolo do Cristianismo, não da Europa. Existem muitos símbolos da Europa, a maioria são Pagãos. Faz muito mais sentido então colocar símbolos religiosos ligados às crenças da Europa que existiam antes do Cristianismo. E isto eu apoio.

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