terça-feira, 13 de outubro de 2009

Identidade de gênero - identidade cultural

Freud nos aponta que ao nascer somos todos bissexuais. Podemos ser do sexo masculino ou feminino de acordo com nosso órgão sexual e as diferenças hormonais, mas no que diz respeito ao gênero homem ou mulher, somos indiferentes. No entanto, ao ser lançado nesse mundo a cultura escolhe por nós, nos impõe o que devemos ser e qual o papel sexual a ser desempenhado. O patriarcalismo separou o mundo em dois pólos, o mundo do homem e o mundo da mulher.
Se colocarmos dois bebês de sexos diferentes lado a lado, ambos com o órgão sexual ocultado e o restante do corpo nu, e perguntarmos a alguém quem é do sexo masculino e feminino a chance de acerto será de 50%. Não há nada que os diferencie enquanto homem e mulher. Mas os pais se empenharão intensamente em fazer a diferenção de acordo com o sexo, usando os adornamentos e roupas possíveis para caracterizá-los. – Além de definir o gênero, a sociedade também impõe a orientação sexual do sujeito ao nascer; para sexo masculino o gênero homem e a orientação heterossexual, para sexo feminino o gênero mulher e a orientação também heterossexual.
A partir daí homens e mulheres percorrerão caminhos diferentes no que diz respeito à constituição física e psíquica, construção de valores, crenças, hábitos, comportamentos, preferências, imagem corporal, etc.

Homens e mulheres são condicionados a mundos diferentes um do outro, quase sempre, antagônicos. A cultura é responsável por uma forma extremamente violenta e invasiva no que diz respeito à educação sexual. Suas formas de conseguir tanto êxito a ponto de fazer as pessoas acreditarem que existem diferenças entre homens e mulheres que sobrepujam àquelas dos elementos biológicos, se mostram explicitamente e, sobretudo, em suas formas veladas, inconscientes e implícitas.
Homens e mulheres podem ter os mesmos potenciais e os mais variados comportamentos. Não há comportamentos, sentimentos, profissões, preferências e valores que são para homens e outros para mulheres. Nossa cultura e, sobretudo, a supremacia masculina ilegítima advinda do patriarcado, prejudica todas as relações humanas, trazendo danos incalculáveis para homens e mulheres.
É legítimo sermos masculinos e femininos. Homem e mulher são invenções humanas, não se trata apenas de diferenciações de acordo com o órgão sexual. Nascer com pênis ou vagina não determina o gênero homem e mulher. Não há o que é de homem e o que é de mulher, todas as coisas de gênero que nos determinam são dadas pela cultura e pelo nosso meio social. Antes de tudo somos todos humanos, com potenciais iguais.
A educação de homens e mulheres são tão diferentes e deterministas que torna difícil identificar o que desejamos por nós mesmos ou o que desejamos porque nos ensinaram a desejar. Embora todos nós sejamos cúmplices em maior ou menor grau dessa “educação” que impõe uma série de “normalidades” de acordo com o sexo que nascemos, podemos mudar nossa realidade e para isso se faz fundamental um conhecimento crítico acerca da sexualidade. Felizmente, muitas coisas têm contribuindo para superar o patriarcalismo e os determinismo autoritários de muitas religiões, mas ainda, muita coisa precisa ser superada.
Dentro desse contexto, não estou dizendo que homens e mulheres que foram educados sexualmente a considerarem enquanto legítimas apenas as relações heterossexuais devem mudar. Mas o que deve ficar claro é que não podemos aceitar os padrões de normalidade que nos impõem, colocando todos aqueles que não se encaixam em categorias de anormalidade.

Copiado de Log MSN.

Um comentário:

Adília disse...

Em consonância com este tema, publiquei hoje no meu blog um texto sobre um velho estereótipo acerca da «natureza» das mulheres que as caracteriza como predominantemente intuitivas, e portanto impulsivas e preconceituosas o que as tornaria muito pouco aptas para o exercício de certas profissões, sobretudo aquelas em que a exclusividade tem pertencido aos homens, o que não deixa de ser curioso.