sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Somos todos intersexuais

Depois dos heterossexuais, dos homossexuais e dos transexuais, chegou a vez dos “intersexuais”. Para o imunologista Gerald Callahan, professor da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, não somos homem ou mulher. O pesquisador chegou a essa conclusão ao estudar as pessoas que nascem com genitália ambígua. “Pode acontecer de a pessoa ter a genitália interna feminina e a externa masculina”, diz o imunologista. Por isso, não são, de cara, identificadas como homens ou mulheres. Em seu livro Between XX and XY - Intersexuality and the Myth of Two Sexes (Entre XX e XY - Intersexualidade e o Mito dos Dois Sexos), lançado neste mês nos Estados Unidos, Callahan conta a história de algumas pessoas nessa situação e convida todos a repensar a rígida divisão das pessoas em apenas dois extremos. “Hoje penso no sexo de uma pessoa como se pensasse em sua posição política ou na cor de seus olhos ou cabelos. Há todo um espectro”.
Cientificamente, o que nos define como homens ou como mulheres?
Callahan – No final da minha pesquisa, senti que não havia critério para definir claramente se uma pessoa era homem ou mulher. A maioria das pessoas cita os cromossomos: mulheres são XX e homens são XY. Mas uma mulher que foi corajosa o suficiente para falar comigo em minha pesquisa era XY. Ela foi tomada como uma menina e cresceu como uma menina. Só depois os testes apontaram características masculinas, como o cromossomo Y e a testotesrona. Mas o fato é que ela não tinha células para receber esse hormônio. Há também casos de homens que são XX. Pode acontecer, também, de a pessoa ter a genitália interna feminina e a externa masculina, por causa da superprodução de hormônios masculinos durante o desenvolvimento. Portanto, a aparência da genitália pode não ser suficiente para definir uma pessoa como macho ou fêmea… E tudo vai ficando muito complicado. Encontrei mesmo um caso nos Estados Unidos em que a certidão teve que ser corrigida anos depois do nascimento da criança.
O senhor acha que sua argumentação poderia, por exemplo, servir de base para a liberação do casamento entre homossexuais?

Callahan – Sim. Se você estivesse tentando aprovar uma lei sobre isso, eu incentivaria a questionar como se define se alguém é homem ou mulher. Em muitos casos, é preciso levar em consideração o comportamento, a percepção das pessoas sobre si mesmas, para definir o gênero. Uma das pessoas com quem falei para o meu estudo, por exemplo, era XXXY. Isso significa que, no útero, ela começou seu desenvolvimento como um par de gêmeos, mas se tornou um único indivíduo. Ela tem genitália ambígua, mas pensa em si mesma como uma mulher. O sexo, no fim das contas, pode ser mais social do que biológico. Por isso, acho que a opinião da pessoa é um fator determinante.
O senhor acredita que a ciência saberá explicar melhor a homossexualidade, por exemplo?
Callahan – Um dos pontos relacionados ao gênero é a orientação sexual e não entendemos a biologia envolvida nisso. Se entendermos o sexo como um espectro, podemos entender a orientação sexual da mesma maneira – e não dividida apenas em homossexuais e heterossexuais. É importante lembrar também que, mesmo não havendo nenhuma chance reprodutiva, o comportamento homossexual deve ter vantagens biológicas. Se elas não existissem, ele teria sido eliminado muito tempo atrás. Há outras funções do sexo que não enxergamos nessa tentativa de simplificar. Tentamos dividir em preto e branco, mas a realidade não é assim.
Fonte: Epoca [transcrição apenas das partes interessantes]

2 comentários:

z disse...

Olá Beto Quinhas,

devo dizer que, embora seja um defensor dos direitos dos homossexuais, achei essa entrevista uma grande bobagem. Dizer que podemos escolher o nosso sexo (e que a biologia tem pouco ou nada a ver com isso) é de um exagero escandaloso. Além disso, biólogos como esse acabam dando motivo p/ os conservadores mais idiotas continuarem sua cruzada contra a "ditadura gay". Nem tudo é construção social.

Beto disse...

na verdade, o autor coloca o fator biológico e genético no campo da sexualidade e identidade de genero. a informação é ampla e certamente será usada e distorcida pelos cristãos conservadores/fundamentalistas.