sexta-feira, 25 de setembro de 2009

As transformações religiosas no helenismo

O período helenístico trouxe profundas transformações na religião grega. As diversas correntes filosóficas, em especial o contato com as religiões do Oriente, foram criar uma íntima relação entre moralidade e religião. Morte, vida futura, conduta do homem em sua existência, passaram a ser valores morais ligados à religião.
O próprio cristianismo, com o elevado ensinamento moral, sofreu influência dos valores novos da religião helenística. Descobertas arqueológicas recentes comprovam, através de inscrições em santuários de natureza helenística, orações e indicações acerca da vida futura. As crenças gregas e egípcias se fundiram quanto às ideias relativas a essa questão. Com isso, cultos orientais foram introduzidos no mundo grego.
Isso não quer dizer que os cultos orientais tenham sido adotados integralmente. Incorporaram e corporificaram as ideias morais das religiões do Oriente em figuras divinas, femininas e masculinas, que representavam justiça, purezae ações virtuosas. Assim, foi evoluindo cada vez mais para o plano abstrato e espiritual. Os antigos deuses e semideuses continuaram a existir na poesia, na arte e na crença dos incultos. De outra forma, a influência religiosa no mundo helenico explica por que muitos reis helenísticos foram adorados como divinos: "salvador", "deus", "o relevado" e tantos outros adjetivos pios. Essas inscrições ficaram inclusive registradas no verso do numerário amoedado emitido pelos imperadores.
O culto de veneração perdeu significação após Augusto. Nem por isso morreu o interesse pela religião. Pelo contrário, foi cada vez maior. O culto estatal do imperador e de governantes mortos, elevados ao extremo da veneração divina, não satisfazia o homem em seu sentimento de auto-ajuda às dificuldades e consolo no sofrimento. O homem sempre se preocupou com a vida futura. Exigia a sua consciência, muito mais que o culto ao imperador. O racionalismo estóico, o misticismo platónico, o agnosticismo e o esoterismo, bem como o domínio da superstição e da astrologia satisfaziam as classes ilustradas apenas. Nas classes mais baixas nota-se, entretanto, um crescimento rápido de atitudes religiosas a partir do século II da era cristã.
Foram notórias, nessa fase, o ressurgimento do culto doméstico, a adoração cada vez maior às divindades greco-romanas e outras figuras simbólicas de novas divindades ligadas à vida diária, como boas colheitas, saúde, prosperidade, etc. Esse processo de ressurgimento do fervor nessa época, foi notado também na Grécia e em outras províncias orientais. E o que se observa através da arquitetura, literatura, pintura e escultura.
O tráfego de povos, facilitado pela natureza do estado mundial romano, de dinâmico comércio, favoreceu a difusão do misticismo oriental por todos os lados. A dominação imperial romana, nesse sentido, foi de tolerância, sendo qualquer culto permitido, desde que houvesse obediência à sua supremacia. O século III mostra o florescimento de grande número de crenças adaptadas, especialmente as de fundo oriental.
As crenças se fundem. Enquanto isso, uma sociedade religiosa doOriente se destacava, a Igreja Cristã. A partir do Oriente, bem organizados, os cristãos penetraram na Itália, porque tinha caráter universal, fundamentada tecnologicamente em bases escatológicas adequadas ao momento histórico. Religiões orientais, mais o cristianismo, mais as religiões primitivas, acentuam o clima religioso. Os deuses e deusas das diversas crenças, ao invés de se tornarem rivais, acabam se associando. Um exemplo de associação religiosa foi dado pelo imperador Alexandre Severo que, em seu palácio, honrava ao mesmo tempo Abraão e Cristo, Orfeu e os deuses cultuados nas cerimónias domésticas. O sincretismo e a confusão religiosa chegou a tal ponto que Aureliano, adotou a adoração do sol para simplificar.

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