domingo, 19 de maio de 2024

Reino Unido veta educação sexual

O governo conservador do Reino Unido anunciou, nesta quinta-feira (16), planos para proibir aulas sobre identidade de gênero nas escolas, descrevendo o conceito como "uma teoria controversa". Além disso, propõe restringir a educação sexual para estudantes com menos de nove anos, em uma revisão que marca a primeira grande mudança em cinco anos na educação sexual do país.

A ministra da Educação, Gillian Keegan, destacou à rede de televisão Sky News que há muitas opiniões divergentes sobre a identidade de gênero e a ideologia de gênero.

Segundo o governo, a partir do Ensino Médio, serão oferecidas aulas sobre orientação sexual, permitindo a discussão sobre mudança de gênero, porém com uma abordagem cautelosa para não apresentar opiniões controversas como fatos.

No entanto, as propostas geraram preocupações entre profissionais da educação. Elizabeth West, diretora de um grupo de 17 escolas, expressou sua preocupação, afirmando não ter visto evidências claras de que as escolas atualmente exponham os alunos a conteúdos inadequados. Paul Whiteman, secretário-geral do sindicato da Associação Nacional de Diretores Escolares, alertou que tais restrições podem levar as crianças a buscar informações em fontes menos confiáveis.

O governo britânico defende a medida como uma forma de garantir que as crianças não sejam expostas a conteúdos complexos ou sensíveis antes de estarem prontas, visando oferecer um ambiente escolar seguro e adequado para cada faixa etária.

As propostas surgem em um momento crucial, poucos meses antes das eleições gerais previstas para ocorrer antes do final de janeiro de 2025.

Fonte: https://www.brasil247.com/mundo/reino-unido-propoe-restricoes-a-educacao-sexual-e-identidade-de-genero-nas-escolas

Racismo religioso

Em uma sociedade vibrante e diversificada como a brasileira, a intolerância ainda encontra raízes profundas que afetam diversas esferas da vida social. Recentemente, a cantora Anitta enfrentou uma onda de desaprovação que resultou na perda de cerca de 200 mil seguidores em suas redes sociais, um evento que destaca não apenas a intolerância religiosa, mas também o racismo velado que permeia essas atitudes.

Anitta, uma artista brasileira reconhecida mundialmente, é uma adepta e defensora do Candomblé, uma religião de origem africana continuamente mal interpretada e estigmatizada no Brasil. Em seu novo videoclipe 'Aceita', Anitta presta homenagem a essa fé, particularmente ao orixá Exu, frequentemente e erroneamente associado à figura do diabo no imaginário cristão. Ao proclamar "Laroyê Exu, tirando dos meus caminhos tudo o que já não me serve mais", a cantora não apenas invoca a proteção espiritual, mas também destaca uma escolha consciente pela qualidade de vida e autenticidade cultural em detrimento da quantidade de seguidores ou aprovação superficial.

Este episódio é um triste espelho da sociedade brasileira, refletindo a persistente marginalização das práticas africanas e de seus seguidores. O gesto de Anitta, embora pessoal e artístico, transcende sua individualidade e se torna um símbolo de resistência contra o racismo religioso. A africanidade, que corre nas veias do Brasil e molda parte significativa de sua cultura e história, ainda é frequentemente desvalorizada e inferiorizada. Ignorar a dimensão do problema seria perpetuar o apagamento dessa rica herança cultural.

Adicionalmente, Anitta compartilhou imagens do videoclipe que incluem uma homenagem ao orixá Logun Edé, revelando "Eu sou Logun Edé, o grande príncipe herdeiro da raça dos meus pais! Tenho a sensibilidade e a inteligência da minha mãe e a bravura e astúcia do meu pai. Como caçador e pescador, sou minha própria natureza. Eu sou o único capaz de reunir todos os mundos. Eu sou o equilíbrio entre homens e mulheres." Este trecho não apenas destaca a riqueza e profundidade da mitologia do Candomblé, mas também celebra a dualidade e a harmonia, princípios frequentemente ausentes no discurso público sobre religião e raça.

Um levantamento da startup JusRacial revelou que a intolerância religiosa representa um terço (33%) dos processos por racismo em andamento nos tribunais brasileiros, conforme levantamento recente. Este estudo identificou um total de 176 mil processos por racismo em todo o país. No âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), a intolerância religiosa corresponde a 43% dos 1,9 mil processos de racismo em trâmite na corte, de acordo com a mesma pesquisa. Nos tribunais estaduais, foram identificados 76,6 mil processos relacionados ao tema, dos quais 29,5 mil estão relacionados à intolerância religiosa.

Entre 2022 e 2023, o número de denúncias sobre intolerância religiosa feitas ao Disque 100, um serviço governamental, registrou um crescimento significativo. Durante esse período, houve um aumento de 64,5% nas denúncias e de 80,7% nas violações relatadas. Em 2023, os registros alcançaram um novo patamar. Notavelmente, os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia lideram em número de denúncias. Esses dados e a repercussão do caso de Anitta mostram que o debate sobre intolerância e racismo religioso precisa ser feito em todas as esferas sociais: nas escolas, nas casas, pela cultura e, principalmente, com políticas públicas de combate ao preconceito.

A frase "Aceita", então, torna-se um desafio lançado à sociedade, um convite à aceitação e ao respeito pela diversidade religiosa e cultural. Entretanto, como visto pela reação adversa de parte do público, esse aceite ainda é um caminho árduo, onde o preconceito ainda é uma máquina estruturada que a sociedade precisa levar de maneira séria.

Este caso de Anitta é um exemplo vívido de como a prática da africanidade é um problema sério para muitas pessoas no Brasil, provocando aversão e desejo de expurgar aquilo que é essencial e verdadeiro para muitos brasileiros. Em última análise, enfrentar o racismo religioso é um passo crucial não apenas para proteger as liberdades individuais, mas também para enriquecer a sociedade com a aceitação e valorização da pluralidade que define o Brasil.

Fonte: https://revistaforum.com.br/debates/2024/5/15/racismo-religioso-caso-de-anitta-os-desafios-da-africanidade-no-brasil-por-bba-vitor-ifasola-158894.html

Nota: enquanto isso, no Evangequistão, páginas direcionadas aos evanjegues vivem de falar da "igreja perseguida".

Putaria eterna

Eu quase voltei ao tempo do Orkut e da comunidade Evangelize-me se for capaz.

Uma notícia intrigante que acertou 50%.
Citando:

Quando se fala em cristianismo, algumas pessoas mais conservadoras tendem a enxergar o tema sexualidade como algo imoral. Existe, inclusive, a crença de que a relação sexual dentro do casamento deveria existir apenas para a procriação. Essa mentalidade, de acordo com o pastor Osiel Gomes, é “antibíblica” e vai contra a intenção de Deus para o homem e a mulher dentro do casamento.

Osiel é teólogo e pastor presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Tirirical, em São Luís, no Maranhão, e autor do livro O melhor do sexo. Na obra, ele apresenta o ponto de vista de que os casais não deveriam se privar do prazer e dos desejos dentro da vida a dois.

Segundo Osiel, a ideia de alguns cristãos de que a sexualidade, por si só, seja algo “sujo”, “imoral” ou “errado” não vem do texto bíblico, mas sim de crenças mal estruturadas a partir de opiniões pessoais de alguns teólogos e pensadores que, muitas vezes, vendiam a abstinência e transformação de mulheres casadas em “Marias”, enxergando-as apenas como santidades — e salientando que o sexo teria apenas a finalidade de procriação.

Retomando.
Isso quase me faz querer conhecer essa igreja.
Mas o pastor estragou meu sonho.
Citando:

Contudo, o pastor alerta: o entendimento de que o sexo é para o prazer e não só para a reprodução não deve ser confundido com a crença de que isso daria espaço para “libertinagem”.

(https://www.metropoles.com/colunas/pouca-vergonha/sexo-apenas-para-procriar-e-contra-preceitos-biblicos-defende-pastor)

Aqui eu mantenho a campanha pela implantação da onigamia.

sábado, 18 de maio de 2024

Dia Internacional de Luta

Nesta sexta-feira, 17 de maio, é celebrado o Dia Internacional de Luta contra Homofobia,Transfobia e Bifobia, que tem como objetivo chamar atenção para o enfrentamento a essas formas de discriminação e violência. 

No dia, são realizadas atividades e manifestações com diversas temáticas em torno da comunidade LGBTQIAPN+ que possibilitam maior diálogo com a sociedade civil e o poder público.

A data remete a um acontecimento histórico, há 34 anos, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade (que antes era chamada de "homossexualismo" porque o sufixo -ismo refere-se à doença na medicina) da lista de enfermidades.

A medida se tornou um marco significativo, uma vez que a maior organização de saúde do mundo reforçava que ser LGBTQIAPN+ não era uma doença e que não precisava de cura.

Como conceito, a data surgiu em 2004 e começou a ser celebrada um ano depois por meio de uma campanha liderada por organizações LGBTQIAPN+, como a Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA), a Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays e Lésbicas (IGLHRC), o Congresso Mundial de Judeus LGBT e a Coalizão de Lésbicas Africanas.

Essas entidades assinaram a criação da iniciativa IDAHO (Dia Internacional contra a Homofobia, em português). A partir dali, diversos países começaram a celebrar a data no dia 17 de maio em referência à ação da OMS.

Em 2009, a transfobia foi incluída no nome da data. Naquele ano, as ações da iniciativa ficaram concentradas na luta contra a discriminação e violência contra a população trans. Um manifesto foi lançado pelas organizações LGBTQIAPN+ e apoiado por mais de 300 ONGs de 75 países. Na véspera da data, a França se tornou o primeiro país a retirar a transexualidade da lista de doenças mentais.

Já em 2015, a bifobia foi adicionada ao nome da campanha.

No Brasil, a data foi instituída oficialmente no dia 4 de junho de 2010 pelo presidente Lula.

Atualmente, mais de 60 países ainda criminalizam a população LGBTQIAPN+. Dentre eles, 11 punem com pena de morte.a relação entre pessoas do mesmo sexo, de acordo com organizações de direitos humanos.

Um relatório da ACNUR de novembro de 2018 mostrou que 89% dos estrangeiros que pediram refúgio no Brasil tiveram como razão a perseguição e violência por serem LGBTQIAPN+.

Apesar do Brasil não criminalizar legalmente pessoas LGBTQIAPN+ e ter políticas públicas voltadas à proteção e promoção de direitos dessa população, há um movimento liderado pela extrema direita e avançando pelo Legislativo que propõe uma série de violações contra os direitos da comunidade.

Uma delas, por exemplo, é a proibição do casamento homoafetivo, que é assegurado pela própria Constituição Federal desde 2011, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união homoafetiva. No entanto, parlamentares LGBTfóbicos aprovaram, na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados, um projeto que proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A data, então, é um momento em que se celebra os avanços da comunidade LGBTQIAPN+ mas também se reforça que ainda há muito o que se fazer para que os direitos dessa população sejam realmente assegurados, sem espaço para que sejam questionados e atacados.

Fonte: https://revistaforum.com.br/lgbt/2024/5/17/17-de-maio-dia-internacional-de-luta-contra-homofobia-transfobia-bifobia-entenda-origem-158945.html

Questão de direito

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados debateu, nesta quarta-feira (15), a situação das políticas públicas voltadas à comunidade LGBTQIAPN+.

Presidida pela deputada Erika Kokay (PT-DF), a audiência pública contou com diversos representantes do poder Legislativo e de organizações da sociedade civil. O debate foi voltado às políticas públicas conquistadas pela comunidade LGBTQIAPN+ nos âmbitos estadual e federal, mas também aos antigos desafios que ainda não foram ultrapassados e aos novos colocados pela forte presença da extrema direita na Casa Lesgislativa.

Cláudio Nascimento e Rogério Sganzerla, ambos da Aliança Nacional LGBTI, apresentaram os resultados da última pesquisa do Programa Atena sobre a estrutura das políticas voltadas à comunidade LGBTQIAPN+ nos estados.

Os dados evidenciam que, apesar dos avanços, o chamado "tripé da cidadania", que engloba os órgãos gestores, conselhos e planos/programas, ainda se encontra muito longe de uma verdadeira efetivação. Sganzerla reforça que apesar de, às vezes, as políticas públicas existirem, elas não são colocadas em prática. Além disso, há uma falta de órgãos que supram a especificamente a questão LGBTQIAPN+.

"Apesar de avanços em algumas políticas nos estados, ainda estamos muito aquém do que é necessário para o enfrentamento da LGBTfobia e a promoção dos direitos", afirmou Sganzerla, que ressaltou que os os dados se colocam como ferramentas para as comunidades pressionarem por políticas públicas.

Nesse sentido, o procurador da República e coordenador do GT População LGBTQIA+ e Proteção de Direitos, Lucas Costa, chamou atenção para o avanço do fascimo e da extrema direita principalmente no espaço da Câmara dos Deputados, e como isso representa uma série de ataques e retrocessos aos direitos da população LGBTQIAPN+. Ele destacou a aprovação - inconstitucional - da proibição do casamento LGBT pela Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família em outubro do ano passado.

Por outro lado, Costa defendeu que também é preciso focar não somente na violência, mas justamente em políticas públicas que a combatam. Para ele, os dados do Programa Atena são uma "luz no fim do túnel" que podem fortalecer ações que tirem a comunidade LGBTQIAPN+ da invisibilidade.

Em relação a essa questão, o procurador sugeriu que o Brasil deveria seguir o exemplo de alguns países, como a Austrália, que fizeram um pedido oficial de desculpa à população LGBTQIAPN+ através do Congresso e das polícias. efeito simbólico; a população não vive só às margens, mas também está dentro desses espaços.

Ivan Ferreira, representante da Defensoria Pública da União, levou para o debate a questão da População LGBTQIAPN+ encarcerada, que necessita de programas específicos para garantir seus direitos. Muitas vezes, direitos básicos como acesso à saúde e higiene pessoal são privados. 

Nessa questão, a secretária estadual da Diversidade do Ceará, Mitchelle Meira, citou o exemplo do estado que possui sete unidades prisionais que recebem a população LGBTQIAPN+ e realizam ações para promoção de direitos dessas pessoas. Uma dessas unidades é a Unidade Prisional Irmã Imelda, referência nesse tema.

O deputado distrital Fábio Félix (PSOL) afirmou que, hoje, a população LGBTQIAPN+ representa um impasse dentro do Congresso Nacional e precisa enfrentar uma saga de ataques da extrema direita. "Somos um impasse porque hoje a população LGBTIAPN+ está no espaço púbico e está fora do armário no espaço público", afirmou. "Então eles estão num impasse porque não têm mais como negar a nossa cidadania, a não ser de forma descarada e violenta como muitas vezes fazem", acrescentou o deputado.

Para ele, a população LGBTQIAPN+ deve aproveitar o momento para avançar e não retroagir."Tudo que conquistamos é importante e agora nós queremos mais", declarou. "Queremos entrar no orçamento público com prioridade".

O professor e doutorando Victor Hugo Leite trouxe essa questão dos ataques da extrema direita para o contexto dos colégios. "O chão da escola tem crianças e adolescentes tendo seus direitos violados a todo o tempo e o resultado dessa LGBTfobia institucionalizada é a morte", declarou. "Hoje, nós trabalhamos com medo de exaltar a diversidade e de proclamar a isonomia de crianças LGBT+".

Leite reforçou que é preciso que os Três Poderes trabalhem na defesa dessas crianças para que casos de violência sejam tratados na base e não precisem virar caso do Supremo Tribunal Federal (STF).

A advogada e presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Nacional, Amanda Souto Baliza, destacou que a Aliança Nacional vem realizando um trabalho para processar os projetos LGBTfóbicos que tramitam no Congresso Nacional. Nesta terça-feira (14), a organização entrou com ações contra todas as leis que proíbem a linguagem neutra nos lugares educacionais.

Amanda também citou os projetos que proíbem pessoas trans de usarem banheiro no país. Hoje, há pelos menos 20 ações sobre esse tema.

"É um sofrimento você não ter acesso ao banheiro dentro da escola", disse a deputada Erika Kokay, que afirmou que as crianças trans estão adoecendo por terem o banheiro negado. "As crianças e adolescentes não bebem água e não se sentem no conforto para ir ao banheiro, o que é um direito absolutamente fundamental e básico que está sendo negado", declarou.

Ao final, os representantes reforçaram a importância de espaços como a audiência pública para debater estratégias para avançar nas políticas públicas da população LGBTQIAPN+. "É importante que avançemos em ações afirmativas para ter concretude para estabelecer patamares e fortalecer toda a luta contra a discriminação", finalizou a deputada Erika Kokay.

Fonte: https://revistaforum.com.br/lgbt/2024/5/16/comisso-discute-avanos-desafios-das-politicas-publicas-para-populao-lgbt-158940.html

Vivendo em Squaredom

Duas notícias mostram que não estamos preparados para a transição planetária.

Citando:

Em um mundo cada vez mais conectado, as fronteiras entre as nações se conectam no ciberespaço, possibilitando interações inusitadas. Recentemente, um episódio incomum mostrou essa realidade.

A norte-americana Ava Louise, que conta com mais de 400 mil seguidores no Instagram, mostrou seus seios para os irlandeses e forçou os organizadores a desligar o portal que une em tempo real as cidades de Nova York (EUA) e Dublin (Irlanda), inaugurado há uma semana.

A musa mostrou a imagem em que aparece levantando a blusa em frente ao portal na Big Apple, por meio de um vídeo publicado nas redes sociais. "Achei que o povo de Dublin merecia ver duas batatas cultivadas localmente em Nova York", disse Ava Louise.

No entanto, os organizadores da Portals Organization, empresa sediada na Lituânia que configurou a instalação, dizem que uma "falha técnica" interrompeu a transmissão. Em comunicado, se comprometeram a investigar e garantir operações tranquilas e consistentes, a fim de chegar o mais próximo possível de uma transmissão ao vivo ativa 24 horas por dia, 7 dias por semana.

(https://dol.com.br/entretenimento/fama/859674/musa-do-olyfans-desliga-portal-apos-ato-obsceno)

Cadê os boçais que gritaram pela liberdade de expressão?

Nós ainda estamos vivendo debaixo de um sistema repleto de repressão e opressão sexual. Efeito colateral do predomínio da doutrina cristã.
Nem parece que tivemos Freud e Kinsey.
Simplesmente nos recusamos a encarar nossas libidos e pulsões. O que serve de gancho para outra notícia.
Citando:

Bruna Gabriella, influenciadora da produtora Love Funk House, revelou na segunda-feira (13) que seu relacionamento com Ruan de Farias, de 20 anos, era “uma obra de ficção” para arrecadar dinheiro para o Rio Grande do Sul. Na semana passada, a adolescente de 12 chocou a web ao anunciar que havia se casado com o rapaz.

“Iremos contar a nossa realidade e o que está por trás do [assunto] que chocou o Brasil inteiro. Todos esses conteúdos foram roteirizados e gravados para a gente entregar o melhor conteúdo pra vocês, de uma obra de ficção”, disse a dupla em um vídeo publicado no Instagram.

“O porquê disso foi para algo maior, para você, que veio parar no meu perfil, ajudar a quem realmente precisa”, afirmou Bruna. “Afinal de contas, é nós por nós. Todo o dinheiro arrecado com publicidades [engajamento por causa da polêmica do casamento] vai ser doado”, completou Ruan.

(https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/influencer-de-12-anos-diz-que-casou-se-por-causa-das-chuvas-no-rs-entenda/)

Cadê os paladinos da justiça? Brincadeira? A influencer fez apologia de algo considerado crime, mas é aceitável porque teve um propósito maior?
Ou vamos começar a discutir sério sobre essa visão romântica que idealiza a criança e o adolescente como um indivíduo inocente, ingênuo e assexuado?

Peru transtornado

A comunidade LGBTQIA+ no Peru criticou um decreto do Ministério da Saúde do país sul-americano que qualifica a transexualidade e outras categorias de identidade de gênero como “pessoas com problema de saúde mental”.

O governo peruano emitiu um decreto na sexta-feira (10) que atualiza o Plano Essencial de Saúde (PEAS). Este plano, assinado pela presidente Dina Boluarte, que representa o plano de benefícios mínimos que uma pessoa recebe ao aderir a um seguro de saúde público, privado ou misto.

No PEAS, são especificados os procedimentos médicos básicos que uma pessoa pode acessar.

A atualização inclui o que o governo chama de “transexualismo, travestismo de duplo papel, transtorno de identidade de gênero infantil, transtorno de identidade de gênero sem outra especificação, travestismo fetichista e orientação sexual egodistônica” em “pessoas com problemas de saúde mental” no PEAS.

No domingo (12), o Ministério da Saúde pontuou em comunicado que a diversidade de gênero e sexual “não são doenças” ou “distúrbios”.

“Expressamos o nosso respeito pelas identidades de gênero, assim como a nossa rejeição à estigmatização da diversidade sexual no país”, diz o comunicado.

No comunicado do Ministério da Saúde, a pasta afirma que os regulamentos foram atualizados para “garantir que a cobertura dos cuidados de saúde mental seja completa”.

A nota não esclarece se haverá modificação na norma já publicada no jornal oficial, destacando apenas que, para o ministério, “gênero e diversidade sexual não são doenças”.

Ainda assim, sustenta que a atualização da norma se baseia na CID-10, regulamentação da Organização Mundial da Saúde (OMS) que estabeleceu o “transexualismo” como um “transtorno de identidade sexual” e que não é válido desde 2022.

O que diz a norma?

Segundo o decreto, esta incorporação é feita com base na CID-10, regulamento da OMS que inclui uma Classificação Internacional de Doenças composta por códigos utilizados em todo o mundo.

A instituição explica, no comunicado, que a CID-10 permanece “em vigor no nosso país” enquanto se inicia a implementação progressiva da CID-11, assim como em outros países da região.

A Organização Mundial da Saúde publicou a CID-11 como uma nova Classificação Internacional de Doenças que entrou em vigor em 2022, que elimina categorias de identidade de gênero do capítulo das doenças.

Possíveis protestos

A comunidade LGBQIA+ no Peru não excluiu a realização de um protesto pacífico, destacando que a decisão do governo os coloca “em grave perigo”.

A CNN conversou com Jorge Apolaya, porta-voz do coletivo Marcha do Orgulho LGBTI, que disse que é “um sério perigo e um retrocesso aplicar a CID-10 em todo o aparato estatal”.

Apolaya explica que os novos regulamentos da OMS, ou seja, a CID-11, deixam de “considerar a orientação sexual, a identidade de gênero e a expressão de gênero como uma doença”.

“Ou seja, um funcionário que cuida de uma pessoa LGBTI poderá confiar com tranquilidade na CID-10 para poder dizer ‘na verdade, o que você tem é uma doença, porque somos regidos pela CID-10, portanto, é uma porta aberta para a patologização [da transsexualidade]”, avaliou.

“É também uma porta aberta para o perigo que isso significa, porque a terapia de conversão tenta converter pessoas, supostamente, em heterossexuais”, adicionou.

No comunicado de domingo, o Ministério da Saúde afirmou que a orientação sexual e identidade de gênero de uma pessoa “não constitui por si só um distúrbio de saúde física e mental” e que, portanto, “não deve ser submetida a tratamento, cuidados médicos ou às chamadas terapias de conversão”.

As organizações LGBTQIA+ “têm se reunido numa plataforma e provavelmente hoje em dia seremos capazes de concordar em sair num protesto ou marcha pacífica”, disse o porta-voz do grupo.

Por sua vez, a organização Más Igualdad Perú apresentou na segunda-feira (13) uma carta dirigida ao Ministério da Saúde do Peru em protesto contra a inclusão da CID-10 no decreto.

A carta é assinada por 414 profissionais de saúde mental e conta com o apoio de 176 organizações de direitos humanos, observou o grupo.

A CNN entrou em contato com o Ministério da Saúde do Peru, mas não obteve retorno.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/grupos-lgbt-do-peru-criticam-decreto-que-classifica-transexualidade-como-doenca/