terça-feira, 4 de junho de 2024

A raiz da misoginia cristã

O cânon 1024 do Código de Direito Canônico, conjunto de leis que regem o funcionamento da Igreja Católica, é claro: “só um varão batizado pode receber validamente a ordenação sagrada”. O artigo está no cerne dos itens que vão do número 1008 ao número 1053 e organizam as regras para o recebimento do sacramento da ordem, ou seja, aqueles aptos a exercer as funções sacerdotais dentro do catolicismo.

Não há nada no horizonte da Santa Sé que indique uma mudança, embora o papa Francisco conviva com pressões de alguns setores mais progressistas da Igreja que entendem que a presença feminina deve ser maior do que a atual, inclusive com a possibilidade de que elas ocupem postos na hierarquia do altar — e, de quebra, supram a carência de padres em regiões onde faltam religiosos ordenados.

No fim do ano passado, o tema voltou à tona com a publicação do livro El Pastor: Desafíos, Razones y Reflexiones Sobre su Pontificado (O Pastor, na edição brasileira), em que o papa deu entrevista aos jornalistas Sergio Rubin e Francesca Ambrogetti, que assinam a autoria da obra.

Nele, Francisco comenta que a questão de saber se mulheres na Igreja primitiva chegaram a ter posições mais elevadas “não é irrelevante, porque as ordens sagradas são reservadas aos homens”.

O papa conta que formou comissões em 2016 e em 2020 para analisar mais a fundo essa questão. Quando os jornalistas perguntam diretamente se ele é contrário ao sacerdócio feminino, Francisco sai pela tangente. “Acho que a essência da Igreja seria minada se considerássemos apenas o ministério sacerdotal, ou seja, a via ministerial”. Para o papa, o papel das mulheres seria o de “espelhar a noiva de Jesus”, que seria a própria Igreja.

“O fato de a mulher não ter acesso à vida ministerial não é uma privação, pois seu lugar é ainda muito mais importante. Acredito que erramos em nossa catequese ao explicar essas coisas e, em última análise, recorremos a um critério administrativo que não funciona a longo prazo”, argumenta o pontífice.

“Por outro lado, sobre o carisma das mulheres, digo muito claramente que, por minha experiência pessoal, elas têm uma grande intuição eclesial”, prossegue.

Há uma pressão de algumas frentes. Pelo menos desde 2002 há um movimento de “mulheres padres” com grande visibilidade enfrentando o Vaticano. Naquele ano, sete delas foram ordenadas, em cerimônia nunca reconhecida pela Santa Sé, a bordo de um cruzeiro no rio Danúbio. Na Alemanha, o debate se intensificou nos últimos quatro anos, com um grupo de bispos progressistas encampando a causa.

No Sínodo para a Amazônia, encontro de bispos realizado em 2019 no Vaticano, a ideia do diaconato feminino foi abordada, mas acabou, no relatório final, relegada a um segundo plano. O diaconato é uma espécie de primeiro nível na ordenação — diáconos permanentes podem ser casados, mas aqueles que um dia se tornarão padres, ou seja, celibatários, também passam por esse estágio.

Para especialistas em história do cristianismo, essa impossibilidade hoje vista como teológica e institucional é decorrente do contexto de como acabou sendo construída a religião cristã — nesse sentido, nos primeiros séculos depois da morte de Jesus.

“Sacerdócio [feminino] oficialmente ordenado creio que não existiu. Porém, mais uma vez, é preciso voltar à distinção entre o movimento Jesus e o cristianismo institucionalizado”, afirma à BBC News Brasil a freira, filósofa e teóloga feminista Ivone Gebara, religiosa da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora.

Ou seja: é preciso distinguir como se organizava aquele protocristianismo com Jesus vivo — ou logo após a sua morte — em que havia uma certa horizontalidade, com homens e mulheres ocupando postos semelhantes, e o cristianismo que começou a se institucionalizar como religião em um contexto dominado por homens, comandado por homens e a serviço de homens.

Professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, o historiador e teólogo Gerson Leite de Moraes diz à BBC News Brasil que até mesmo os relatos da época podem ter sofrido um “apagamento” intencional da presença feminina.

“Ao longo do tempo, as mulheres foram sendo apagadas, o que revela uma tradição androcêntrica, machistas e misógina que acompanhou a história da Igreja”, analisa ele.

“Foi feita uma opção ao longo da trajetória da Igreja que via na mulher uma inferioridade moral, representada por exemplo na figura de Eva [do livro do Gênesis], vista como a responsável pelo pecado, pelo mal do mundo. Sua contraposição é a figura de Maria [a mãe de Jesus], apresentada como um símbolo de uma esposa obediente, colocada no seu ‘devido lugar’, obedecendo e cumprindo seu papel.”

Na verdade não foi um contexto único, mas a soma de alguns em que a misoginia era preponderante. A princípio, a própria organização judaica, da qual o cristianismo descende diretamente. No judaísmo a voz masculina também está acima dos papéis femininos.

Mas se Jesus, em vida, parecia transgredir essa norma, pela forma como ele tendia a incluir mulheres em seu grupo e também por passagens bíblicas em que ele interage com elas, é preciso lembrar que a base da Igreja, nos primeiros séculos, foi construída a partir de ideias deixadas pela filosofia grega e, claro, pelo status quo da Roma Antiga, principalmente quando o cristianismo deixa de ser perseguido e passa a ser considerado a fé oficial do império.

“O ambiente refletia uma visão antropológica dualista, androcêntrica. O mundo antigo tomava como referência o modelo masculino, em que o homem era visto como o sexo eminente. Todo o discurso girava em torno disso. Os principais cargos eram ocupados por homens. E a tradição deixava isso claro, também a partir de como o judaísmo se organizou”, pontua Moraes.

“O movimento de Jesus sem Jesus [ou seja, após a morte dele] começa a ganhar contornos que dialogam com o Império Romano”, completa à BBC News Brasil o historiador André Leonardo Chevitarese, professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Assume-se percepções que não estavam previstas lá atrás, com Jesus. Portanto, a hierarquização.”

Ele aponta que, num primeiro momento, “passa a existir um corpo de sábios”, em detrimento dos leigos, “com divisões muito claras e nítidas entre homens e mulheres”. “Havia uma distinção entre quem podia falar e quem devia ou vir. E elas vão ficar à margem, de forma que perdurou por séculos.”

Uma condição importante precisa ser acrescentada a esse caldo: o fato de que se trata de um período histórico em que pouquíssimos eram alfabetizados. “E quem estava produzindo a literatura e a documentação, os documentos públicos e governamentais, eram basicamente homens. Isto explica o protagonismo masculino no interior desses textos [que hoje constam da Bíblia]”, explica o historiador. “Os homens são apresentados como os portadores das falas, enquanto as mulheres aparecem de maneira secundária, sempre em posições subalternas.”

“O letramento era masculino”, define.

Quando o cristianismo passou a estar organizado como uma religião, em um processo que vai do século 2º ao 5º, “as mulheres estavam absolutamente excluídas dos altares”, frisa Chevitarese.

“Elas jamais foram pensadas, lidas, concebidas para serem sacerdotisas. Este processo de hierarquização [da Igreja] ocorreu a partir de um intenso diálogo com as estruturas imperiais romanas, culminando com a Igreja Católica sendo o Império Romano e o Império Romano sendo essa Igreja Católica”, diz.

“Creio que é importante ter presente que na maioria das culturas humanas o fenômeno das hierarquias de gênero existiu. Em algumas se acentuou mais do que em outras. O mundo doméstico e o mundo da sociedade das muitas atividades profissionais, em alguns grupos sofreu uma assimilação à filosofias idealistas, como por exemplo o platonismo, que colocavam o trabalho doméstico como um nível baixíssimo na escala da classificação dos serviços humanos. Por isso em geral eram os escravos, homens e mulheres, que faziam o trabalho doméstico, a limpeza, a cozinha, etc.”, comenta Gebara.

“Acho importante igualmente distinguir o cristianismo do movimento Jesus. O movimento Jesus nasce dentro do judaísmo e foi uma espécie de volta à tradição ético-profética. Jesus de Nazaré não era cristão, era judeu. O cristianismo vai se afirmar através do Império Romano notadamente a partir de Constantino e Teodosio. Nessa perspectiva jamais perdeu seu caráter institucional imperial, salvo as pequenas exceções ao longo da história”, conclui a teóloga.

Antes dessa institucionalização, as reuniões dos primeiros cristãos não tinham a figura do sacerdote. Mas, como pontua à BBC News Brasil o teólogo e filósofo Pedro Lima Vasconcellos, professor na Universidade Federal de Alagoas e ex-presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica, os encontros dessas comunidades tinham uma presidência.

“Em um primeiro tempo, essa distinção de gênero não era algo decisivo”, afirma ele. Ou seja: mulheres podiam estar à frente. “Mas, no decorrer do processo [de formação da Igreja], cada vez mais o protagonismo na presidência dos rituais foi sendo confiado a homens. E grupos que insistissem na manutenção do protagonismo feminino tendiam a ser vistos com maus olhos, colocados de escanteio, excluídos de uma comunidade e de uma rede de comunidades mais ampla.”

Em outras palavras, passaram a ser tratados como seitas, como grupos heréticos. Não como a religião que se organizava e ganhava poder e status social.

No artigo o acadêmico ‘O Sacramento da Ordem na Legislação Canônica’, publicado em 2013 pela Revista de Cultura Teológica, o teólogo Denilson Geraldo, hoje bispo auxiliar de Brasília, lembra que a discussão sobre o sacerdócio feminino foi trazida pelo papa João Paulo 2º (1920-2005) em uma carta apostólica na qual ele afirmou que “para eliminar toda dúvida sobre uma questão de grande importância, que está na divina constituição da Igreja, […] declaro que a Igreja não tem em nenhum modo a faculdade de conferir às mulheres a ordenação sacerdotal e que esta afirmação deve ser tida em modo definitivo para todos os fiéis da Igreja”.

“A Congregação para a Doutrina da Fé [em outubro de 1995] precisou a afirmação papal de que a doutrina segundo a qual a Igreja não tem a faculdade de conferir ordenação sacerdotal às mulheres deve ser considerada pertencente ao depósito da fé”, escreve Geraldo. “A exclusão das mulheres para a ordenação presbiterial e episcopal é considerada de modo certo, irrevogável e de direito divino, por isso é para todos os fiéis.”

Sobre o mesmo tema, a congregação ainda determinou a pena de excomunhão “seja àquele que tenha tentado conferir a ordem sagrada a uma mulher, seja à própria mulher que tenha tentado receber a ordem sagrada”.

Geraldo pontua que “do ponto de vista teológico e existencial é considerável aprofundar a figura paterna do sacerdote”.

Mas se as mulheres perderam espaço hierárquico à medida que o cristianismo se tornou Igreja, isso não significa que a discussão sobre o papel secundário delas tenha ficado adormecido por todos esses séculos. Uma pista sobre isso está nos textos deixados por Tomás de Aquino (1225-1274), frade que se tornou um dos mais importantes teólogos e filósofos do catolicismo.

Em pleno século 13 ele se debruçou sobre a questão. De forma desfavorável às mulheres, diga-se. Em sua ‘Suma Teológica’, na questão de número 99 do livro 1º, Aquino as conceitua como seres inferiores, partindo do princípio de que “a fêmea é um macho falho, nascida como que contra a intenção da natureza”.

“A mulher chama-se macho falho por ser contra a intenção da natureza particular”, acrescenta, comentando que “a geração da mulher se dá, não só por deficiência da virtude ativa ou pela indisposição da matéria, como refere a objeção, mas também, às vezes, por algum acidente extrínseco”.

Na questão 177, o teólogo afirma que “as graças dadas por Deus cada um as aplica diversamente segundo a diversidade das condições”. “Por isso, as mulheres, que receberam a graça da sabedoria ou da ciência, podem aplicá-la ensinando particularmente, mas não em público”, define.

Ele também pontua que a palavra pode ter “dois usos”. “Um privado, quando falamos familiarmente a um ou a poucos. E, então, as mulheres podem receber a graça da palavra”, defende. “Outro público, quando a palavra é dirigida a toda a Igreja. E isto não é permitido à mulher.”

Moraes explica que Tomás de Aquino tinha essa visão porque seguia o modelo aristotélico. “Para Aristóteles [filósofo grego que viveu entre 384 a.C. e 322 a.C.], a mulher é um homem falho porque ela vem para o mundo sem o falo. Portanto, seria um homem que falhou, um homem com uma limitação”, contextualiza. “Aquino vai nessa direção porque era defensor das ideias de Aristóteles. E isso mostra como o corpo feminino era tratado não só dentro da Igreja mas dentro de uma tradição filosófica também.”

“Essa posição de Aquino reflete coisas maiores. A tradição da Igreja foi construída no apagamento do feminino, na construção de arquétipos de mulheres subservientes. Se Eva nos fez pecar, Maria obedeceu, então é o modelo”, analisa Moraes.

Em conversa com a BBC News Brasil, o frade dominicano, jornalista e escritor Frei Betto, conhecido por sua postura social progressista, diz que “o único grande equívoco de São Tomás foi adotar a visão misógina da filosofia grega e considerar a mulher um ser inferior ao homem, inclusive no uso da razão”.

“E isso ainda hoje reverbera na misoginia da Igreja Católica, que ainda impede as mulhers de acesso ao sacerdócio e a outras escalas hierárquicas”, critica ele.

Tomás de Aquino também ecoava o entendimento religioso de seu tempo, é verdade. Precursor do Direito Canônico, o Decreto de Graciano, escrito pelo monge e jurista de mesmo nome entre 1140 e 1142, também se ocupou do assunto.

“O texto reforça a ideia desse machismo, afirmando que a imagem de Deus está no homem, criado único e origem de todos os outros homens”, diz Moraes. “É por isso que a mulher não teria sido feita à imagem de Deus, mas sim tirada do homem.”

“No fim das contas, ali se tinha o modelo masculino prevalecendo. Então caberia à mulher o espaço reservado. E esse fundamento jurídico deu ao homem autoridade e serviu durante muito tempo para justificar a subordinação feminina nos campos familiar, civil e religioso”, diz o teólogo.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cd135x5qql8o.amp

segunda-feira, 3 de junho de 2024

O chefe de Estado ateu

Alex Solnik escreve no Brasil 247:

"Presidente do Brasil pode ser mulher, negro, trans, gay, cristão, evangélico, judeu, muçulmano; ateu, jamais!”

A pergunta que fica é, o ateu tem algum atributo em si mesmo para ser um bom chefe de Estado?

Nós tivemos o Fernando Henrique Cardoso que se dizia ateu e não foi bom chefe de Estado.

Nós podemos incluir aqui a China e a Coréia do Norte. As condições de liberdade e democracia nesses países são exíguas.

Talvez o Alex esteja reclamando de uma rejeição circunstancial. Repete a ladainha dos “males” da religião e, como é de costume, fala dos crimes cometidos pelas religiões abraâmicas.

Diz Alex que os ateus não discriminam os religiosos de qualquer religião.
Ele esqueceu dos chamados Quatro Cavaleiros do Ateísmo. Richard Dawnkins, Daniel Dennett, Sam Harris e Christopher Hitchens.

Alex: “Vai que ele (ou ela) resolve seguir a sério o conceito de que o estado é laico e tirar todos os crucifixos que decoram as paredes dos Três Poderes de Brasília.”

Alex parece perdido no conceito de Estado laico. Em um Estado laico, nenhuma religião tem preferência, o que é bem diferente de ser irreligioso ou ateu. Um Estado laico não teria datas comemorativas nem feriados vinculados a qualquer religião. Mas como ficaria a cultura nativa?

Uma verdade inconveniente. O ateísmo surgiu dentro da cultura ocidental, mas nenhuma cultura surgiria do ateísmo 🤭😏.

domingo, 2 de junho de 2024

Selo Cidadania LGBT

Nesta quarta-feira (29), o governo Lula apresenta o selo ‘LGBTQIA+ Cidadania’ em São Paulo, para abranger todas as ações estratégicas e prioritárias para os próximos anos, visando combater as desigualdades que impactam as pessoas LGBTQIA+. Symmy Larrat, secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, e Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, estão entre os participantes do evento.

Com o objetivo de divulgar amplamente as ações, projetos e programas que beneficiam as pessoas LGBTQIA+, um levantamento de todas as ações acerca da garantia dos direitos das pessoas LGBTQIA+ foi realizado pelos ministérios e instituições públicas, que compilaram em um QR Code os materiais da campanha.

A iniciativa ocorre em um contexto histórico, onde, pela primeira vez, o governo federal prevê ações específicas no Plano Plurianual (PPA 2024-2027) voltadas para o público LGBTQIA+. O Programa Finalístico 5812 - Promoção e Defesa dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ é representado pela logomarca do governo ‘LGBTQIA+ Cidadania’, que faz parte do Plano Plurianual do governo federal.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em parceria com o Banco do Brasil (BB), lançará a 2ª edição do Cartão do Orgulho LGBTQIA+, cuja parte dos fundos será destinada a editais voltados para a comunidade LGBTQIA+. A nova logomarca representa três projetos-piloto da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do MDHC: Acolher+, Empodera+ e Bem-Viver+, que são parte das estratégias implementadas pelo MDHC.

Na quinta-feira (30), às 15h, ocorrerá o lançamento do projeto-piloto do Programa Empodera+: Trabalho Digno, Educação e Geração de Renda para Pessoas LGBTQIA+. O evento, que contará com a presença do ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida.

Durante o evento, serão feitos dois anúncios significativos que integram a Estratégia Nacional de Trabalho Digno, Educação e Geração de Renda para pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade social: a assinatura do Termo de Execução Descentralizada com a Fundacentro e a assinatura do Protocolo de Intenções com o Banco do Brasil, segundo informações do governo.

Fonte: https://revistaforum.com.br/brasil/2024/5/28/governo-lula-lana-programa-em-defesa-dos-direitos-do-publico-lgbtqia-159576.html

A propaganda da Melissa

De acordo com o site Westwing:

A Melissa, com seu nome científico Melissa officinalis, nasceu na região do Mediterrâneo, mas agora cresce amplamente em várias partes do mundo devido ao seu valor medicinal e aromático. Seu nome, “Melissa”, deriva do grego antigo e significa “abelha”, em referência à atração que essa planta exerce sobre esses insetos.

Suas propriedades incluem ação calmante e sedativa; alívio de distúrbios digestivos, ação antioxidante, antiviral e antifúngico.

Retomando.
Abelhas ou moscas? Pois os textos da Melissa Ann Argay são reflexos do “pânico satânico”.

De acordo com a Wikipédia:

O pânico satânico é um pânico moral envolvendo acusações infundadas de abuso em ritual satânico (em inglês: satanic ritual abuse - SRA, às vezes conhecido como ritual de abuso satânico, abuso ritualístico, abuso organizado, ritual de abuso sádico e outras variantes) que se originou nos Estados Unidos na década de 1980, espalhando-se por todo o país e, finalmente, para muitas partes do mundo, depois diminuindo em sua maioria no final de 1990. Alegações de abusos por rituais satânicos envolveram relatos de abuso físico e abuso sexual de pessoas no contexto de rituais de ocultismo ou satânicos.

Melissa deixa claro que sofreu abuso sexual. Com “pessoas envolvidas em práticas ocultas”. E foi buscar refúgio na igreja cristã. Que volta e meia tem um padre ou pastor envolvido em abuso sexual.

Em algum momento, enquanto tentava superar as marcas físicas, mentais e espirituais, Melissa certamente deve ter conhecido algum pastor ou padre. E comprou essa teoria de conspiração sobre o governo ser controlado por uma elite satanista.

O “ocultismo” virou uma categoria e um conceito amplo, incluindo esoterismo, Santeria ou qualquer outra religião não cristã. Melissa está um passo de se tornar uma fundamentalista, pronta para disseminar o discurso de ódio, tendo como alvo tudo que é considerado satânico, incluindo a comunidade LGBT.

O Patheos, que surgiu para tornar possível a conversa e o debate entre as crenças, virou mais uma página de fundamentalismo cristão.

sábado, 1 de junho de 2024

Evangelismo gourmet

Nesta semana, uma jovem viralizou por fazer propaganda de uma igreja de ricos em Balneário Camboriú (SC). Ela mostra a enorme fila para entrar no evento e diz que a instituição, chamada “Reino”, oferece soda italiana e cafezinho na recepção.

O vídeo ainda mostra que a igreja usa diversos termos em inglês, como “we are reino” ou “Jesus in the center”, e até os fiéis usam expressões do tipo, como “worship” (adorar). A instituição alega que o objetivo é “pregar o Evangelho do Reino a todas as nações”.

Segundo a jovem que gravou o vídeo, ao fim do evento os fiéis são “direcionados a expressar generosidade ofertando junto com a igreja”: entregar um envelope com dinheiro à instituição.

O vídeo gerou repercussão e críticas nas redes. Usuários do X (ex-Twitter) avaliam que a igreja mostra uma “linkedização” e “startupização” da fé. Outros avaliam que o local “parece um shopping”.

Fonte, citado parcialmente: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/startup-da-universal-igreja-de-ricos-em-balneario-camboriu-vira-piada-nas-redes/

Pelo direito de mentir

O Congresso Nacional decidiu na noite desta terça-feira (28) manter os vetos de Jair Bolsonaro aos trechos do Projeto de Lei 2462/91, que punia crimes direcionados ao Estado Democrático de Direito. Entre os itens vetados destacam-se medidas importantes, como a criminalização da disseminação de fake news durante campanhas eleitorais, que poderia acarretar penas de reclusão de 1 a 5 anos. Também ficou de fora a punição para pessoas que, por meio de violência ou ameaças graves, buscam impedir o exercício livre e pacífico de manifestações políticas, sociais e culturais, com penas que variariam de 1 a 4 anos de reclusão, podendo chegar a 12 anos em casos de lesão grave ou morte. Além disso, os vetos mantêm a ausência de agravantes para crimes contra o Estado de Direito envolvendo o uso de violência ou grave ameaça com armas de fogo, assim como a falta de sanções de perda de cargo para funcionários públicos ou militares envolvidos.

A decisão dos parlamentares impede a inclusão de uma lista de "crimes contra a democracia" no Código Penal, revelando uma lacuna significativa na legislação brasileira quanto à proteção contra práticas que ameaçam os fundamentos democráticos. Surpreendentemente, os vetos, datados de 2021, foram analisados apenas nesta terça-feira, quase três anos após sua emissão. A votação, que contou com 317 votos de deputados a favor da manutenção do veto de Bolsonaro e 139 para sua derrubada, ressalta a divisão e a complexidade política envolvidas nessa questão.

Como lembrou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), Jair Bolsonaro, que deve sua eleição em 2018 à disseminação em escala industrial de mentiras, das mais diversas e estapafúrdias formas, vetou a criminalização das fake News num ano, e no outro iniciou uma ação orquestrada para deslegitimar as eleições de 2022, da qual saiu fugido e derrotado. Esta ação criminosa de impingir suspeição às urnas eletrônicas e ao processo eleitoral, que culminou com a tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro de 2023, teve a participação direta de muitos dos 317 congressistas que votaram para manter a impunidade com fake news.

A definição de comunicação enganosa em massa, presente no texto vetado, procurava coibir a promoção ou financiamento de campanhas que deliberadamente disseminassem informações falsas, capazes de comprometer o processo eleitoral. Embora a legislação vigente já prevê punições para a disseminação de fake news com o intuito de prejudicar candidatos, o veto impediu a tipificação de um novo crime, a comunicação enganosa em massa, na esfera penal.

Na mesma linha extremista que domina o Poder Legislativo, os parlamentares derrubaram o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que sobre saídas temporárias de presos do regime semiaberto, que agora passam a ser proibidas, inclusive para visita à família e para participação em atividades que contribuam para o retorno ao convívio social.

Ao manter os vetos de Jair Bolsonaro e derrubar os de Lula, o Congresso Nacional, ao mesmo tempo em que deixa clara sua tolerância com práticas que minam a integridade do processo democrático, permitindo a desinformação e a manipulação, também direciona a atuação do Estado como agente repressor e anti ressocializador no sistema prisional. Não há outra saída senão a organização e maior conscientização política para, por meio do voto democrático, minar a hegemonia da extrema-direita na nossa Casa de Leis.

Fonte: https://www.brasil247.com/blog/dominado-pela-extrema-direita-congresso-mantem-direito-de-mentir-impunemente

A carolice do DCM

DCM diz ser um jornal progressista. Mas eu desconfio que não.

Duas notícias dão o tom careta e carola do DCM.

Citando:

Prestes a completar 20 anos juntos, Angélica e Luciano Huck estão discutindo a possibilidade de explorar uma relação não monogâmica. O casal “fala” sobre o assunto, mas ainda considera abrir o casamento de fato, pelo menos por enquanto.

“Temos amigos que são (não monogâmicos). Porém, dois desses casais adeptos da não monogamia não deram certo e os exemplos ficaram esquisitos”, disse Angélica em entrevista à revista “Ela”.

Retomando.
A turma do Chaves pergunta:
-E o Kiko?
DCM tem alguma bronca com o Huck. Sim, ele é intragável como apresentador e como pessoa. Típico burguês isentão. Ou o bolsonarista moderado estimado pela Folha.

Vamos para a segunda notícia. Citando:

Após um evento no Distrito Federal, prefeitos e suas comitivas concluíram as agendas oficiais em uma boate de prostituição a cerca de 800 metros da Esplanada dos Ministérios. Na madrugada da última quarta-feira (22), ao menos 50 garotas de programa se esforçavam para chamar a atenção dos políticos. Com informações da coluna Na Mira, do Metrópoles.

Os chefes de dezenas de municípios de todo o país chegaram ao Distrito Federal para participar da 25ª Marcha dos Prefeitos, um evento de três dias. Como é de costume, após os compromissos oficiais, as noites são marcadas por festas regadas a álcool e sexo, negociados a preços altos com as prostitutas.

Durante os shows de striptease, assessores gritavam “vai prefeito” e encorajavam o chefe da comitiva a abraçar e beijar as garotas.

Retomando.
A turma do Chaves pergunta:
-E o Kiko?
Os editores do DCM vão tentar argumentar que o salário desses prefeitos são pagos com dinheiro público.
Queridos/as, o dinheiro que os empresários ganham com produtos ou serviços é público.
Quem tiver entendimento, que entenda.

Disse o Nário:
Progressista.
Pessoa que defende o progresso social e político.
Quem propaga ideologias de progresso, especialmente de desenvolvimento e crescimento de um país, de uma região, da civilização etc.

Nário não explica que essa é uma concepção abstrata, pois não existe uma única direção certa ao que seja o “progresso”.
Quem tiver entendimento, que entenda.

Você certamente deve ter visto uma placa dizendo “cuidado, chão molhado”.
Em português (e castelhano) não tem tradução, mas em inglês a frase “slippery when whet” tem duplo sentido, uma conotação sexual.

DCM é um caminhão GMC que escorregou na curva e tombou 😏🤭.