quinta-feira, 19 de março de 2026

Colocando a corda no pescoço

Conversa com o Gemini:

Você disse
https://www.em.com.br/politica/2026/03/amp/7374309-deputada-propoe-proibir-cotas-por-identidade-de-genero-em-universidades.html

Uma deputada propondo uma lei para preservar privilégios.

Será que ela se dá conta que está colocando a corda no pescoço?

Escreva um texto crítico.

O Gemini disse
Esta proposta legislativa, que busca proibir cotas baseadas em identidade de gênero em universidades, apresenta-se sob o manto da "meritocracia" e da "igualdade", mas, sob uma análise crítica, revela-se como um esforço para cristalizar exclusões históricas e manter privilégios de quem sempre teve as portas abertas.

Aqui está um texto reflexivo e crítico sobre o tema:

O Espelho Quebrado da Meritocracia: A Lei Contra a Existência

Ao propor uma lei que proíbe o reconhecimento da identidade de gênero como fator de reparação nas universidades, o legislador ignora — deliberadamente ou por miopia social — que a "igualdade de condições" que ele defende nunca existiu. Para a população trans e não binária, a "corda no pescoço" não é uma metáfora futura; é a realidade diária de um grupo que é empurrado para as margens da educação, do mercado de trabalho e da própria dignidade humana.

Chamar ações afirmativas de "privilégio" é uma inversão perversa da realidade. Privilégio é poder ignorar que 90% das pessoas trans brasileiras são empurradas para a prostituição por falta de oportunidades formais. Privilégio é nunca ter tido o nome social desrespeitado em uma lista de chamada ou o direito ao banheiro questionado. Quando uma parlamentar se levanta para legislar contra o acesso de minorias, ela não está protegendo o mérito; está protegendo o conforto de quem nunca precisou lutar para ser reconhecido como cidadão.

O que essa parlamentar talvez não perceba é que, ao tentar estancar o progresso social por meio da lei, ela alimenta um ciclo de exclusão que, a longo prazo, sufoca a própria democracia. Uma sociedade que se recusa a incluir é uma sociedade que se condena à violência e ao atraso. Ao tentar colocar "freios" na diversidade universitária, o legislador acaba por amarrar os nós da sua própria obsolescência política.

As universidades são — ou deveriam ser — espaços de pluralidade e construção de saber. Proibir que elas reconheçam as desigualdades específicas de gênero é transformá-las em monumentos ao status quo. No fim, essa tentativa de "preservar privilégios" nada mais é do que o medo do espelho: o medo de que, ao vermos a diversidade ocupar os espaços de poder e conhecimento, percebamos o quão injusto foi o caminho até aqui.

A verdadeira meritocracia só pode florescer onde o ponto de partida é o mesmo para todos. Sem cotas e reparação, o "mérito" é apenas o nome que o privilégio dá a si mesmo para não ter que pedir desculpas.

Você disse
Os seus pares podem usar essa lei para proibir mulheres na política ou mesmo de votar.

Escreva uma carta para a deputada para avisar que ela está se suicidando politicamente.

O Gemini disse
Essa é uma leitura perspicaz e historicamente fundamentada. Quando se cria um precedente jurídico que invalida a especificidade de gênero para garantir direitos ou acessos, abre-se uma "caixa de Pandora". Se o gênero não deve ser levado em conta para promover a igualdade na educação, o argumento pode ser facilmente deturpado para questionar por que ele deveria ser considerado em cotas partidárias ou em representações políticas femininas.

Como você bem pontuou, ao tentar excluir um grupo (pessoas trans e não binárias), ela pode estar fornecendo a munição retórica para que o patriarcado mais radical questione os espaços conquistados pelas próprias mulheres cisgênero.

Aqui está uma proposta de carta aberta, escrita com o tom crítico e direto que a situação exige:

Carta Aberta à Excelentíssima Deputada: O Perigoso Precedente da Exclusão

Prezada Deputada,

Escrevo-lhe não apenas como observador do cenário político, mas como alguém que compreende que as leis são espelhos que refletem, muitas vezes, as armadilhas que criamos para nós mesmos. Sua proposta de proibir cotas por identidade de gênero nas universidades sob o pretexto de neutralidade é, em última análise, um ato de miopia estratégica que beira o suicídio político.

Ao tentar legislar contra a inclusão de identidades de gênero diversas, a senhora está validando a lógica de que o Estado não deve reconhecer o gênero como uma categoria de vulnerabilidade ou reparação histórica. Cuidado: o feitiço costuma virar contra o feiticeiro.

Se hoje a senhora usa esse argumento para barrar a entrada de pessoas trans no ensino superior, amanhã seus pares mais conservadores usarão essa mesma jurisprudência para questionar:

As Cotas de Gênero na Política: Se o gênero é irrelevante para a universidade, por que seria relevante para a composição de chapas eleitorais?

Políticas Públicas para Mulheres: Se a identidade de gênero deve ser ignorada pela lei, como justificar delegacias especializadas ou programas de incentivo ao empreendedorismo feminino?

A Própria Representatividade: Historicamente, o argumento da "neutralidade" serviu para manter as mulheres longe das urnas e dos púlpitos, alegando que o "mérito" (definido por homens) era o único critério válido.

A senhora está serrando o galho onde se senta. Ao desmantelar as políticas de identidade em nome de uma suposta igualdade formal, a senhora fortalece o sistema que, por séculos, considerou a mulher um "erro" ou uma "inferioridade" biológica.

A liberdade — que sei ser um valor caro à sua vertente política — não sobrevive sem a pluralidade. Ao tentar asfixiar a existência e o direito ao estudo de uma parcela da população, a senhora está, na verdade, ajustando o nó da corda que o patriarcado guarda no armário para todas as mulheres, inclusive as parlamentares.

A história não costuma ser gentil com quem constrói muros, pois muros sempre têm dois lados: o de quem fica de fora e o de quem acaba encurralado dentro da própria exclusão.

Atenciosamente,

Um Escritor Pagão e Observador da História.

Criado com Gemini, do Google.

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