sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Respostas honestas para perguntas imbecis

Os cristãos [católicos e evangélicos] são criaturas divertidas. Frequentemente sustentam opiniões fortemente influenciadas pela doutrina. A questão do aborto, por exemplo. Eu encontrei essas "perguntas", como se os cristãos estivessem realmente interessados nas respostas ou em algum debate. Não se engane, caro dileto e eventual leitor. Os cristãos não estão querendo saber de respostas [estas são fornecidas por suas instituições religiosas] nem estão interessados em debater questões. Todo discurso, texto, artigo ou pesquisa "científica" que divulgam serve com o único propósito de afirmar suas posições arrogantes, arbitrárias e prepotentes.
Vamos às perguntas, com respostas dadas por este vosso humilde escritor:
  1. Do que deveríamos chamar aquele que ainda não nasceu e está no útero?
Depende. Se o senhor se dispusesse a ter um conhecimento, ainda que básico, sobre embriologia, saberia que existem diversas fases.
  1. Se aquela entidade é um ser vivente, não é uma vida?
Uma bactéria também é um ser vivente. O senhor por acaso deixaria de tomar antibióticos?
  1. Se você é um ser humano e surgiu primeiramente como uma simples célula, como pode aquele óvulo fertilizado ser algo diferente de um ser humano, como pode não ser você?
Um câncer também surge de uma simples célula. Então remover o câncer seria suicídio?
  1. Não é mais correto dizer que você era um embrião, em vez de dizer que simplesmente veio de um embrião?
Não, pois um embrião não é uma pessoa, a menos que o senhor tenha sérios problemas psicológicos.
  1. Então quando é que um ser humano passa a ter o direito de viver?
Pergunta capciosa, vindo de uma instituição que matou centenas de pessoas adultas inocentes. De acordo com a medicina e a neurologia um “ser humano” tem “direito de viver” a partir da presença de sinais sinápticos.
  1. Devemos dizer que o tamanho de um ser humano é o que importa?
Tamanho não importa, desde que seja um ser humano, uma pessoa, o que um embrião não é.
  1. Por que um feto é pequeno demais para merecer nossa proteção?
Por que um feto deve merecer mais nossa proteção do que as crianças carentes?
  1. Pessoas grandes valem mais do que pessoas pequenas?
O valor de uma pessoa é sua humanidade, um embrião não é uma pessoa.
  1. Homens são mais humanos do que mulheres ou vice-versa?
Humanos são humanos. Inclusive as mulheres vítimas de estupro. Os defensores pró-vida deveriam pensar nisso.
  1. Um jogador de basquete grandão tem mais direito à vida do que um pequenino jóquei?
São várias perguntas sobre “pessoas pequenas”. Seria isto um ato falho de uma instituição que acoberta pedófilos?
  1. Uma vida num útero não pode ser levada em conta simplesmente porque você não pode segurá-la em seus braços, ou colocá-la em suas mãos, ou vê-la em uma tela?
Repetido. Vide pergunta #1
  1. Desenvolvimento intelectual e capacidade mental deveriam se tornar a medida de nossa dignidade?
Não, mas a presença de sinais sinápticos e cérebro ajudam muito a distinguir um ser humano de um vegetal.
  1. Seres humanos com três anos de idade valem menos que outros de trinta anos de idade?
A idade é irrelevante, mas primeiro devemos ter certeza de que é um ser humano, uma pessoa. Um embrião não é uma pessoa.
  1. Um feto vale menos do que um ser humano formado porque não pode falar, contar ou ter consciência própria?
Definição errada. A questão não é de “valor”, mas se é um ser humano.
  1. Um bebê brincando no berço tem de sorrir, ou acenar com a mão, ou recitar o alfabeto antes de merecer mais um dia de vida?
Centenas de pessoas adultas não mereceram sequer um dia a mais de vida simplesmente por ter uma crença diferente da imposta pela Igreja.
  1. Se uma expressão de acuidade mental básica é necessária para se ter o direito de ser um membro da comunidade humana, o que deveríamos fazer com pessoas em estado de coma, pessoas muito idosas, ou a mamãe de cinquenta anos com Alzheimer?
Situações diferentes, questões diferentes. Nos casos citados, falamos de pessoas, seres humanos que, por circunstâncias diversas, tiveram diminuição ou perda da capacidade cognitiva. Em um embrião este sistema ainda está em formação, portanto incabível a comparação.
  1. E o que dizer de todos nós quando dormimos?
Se o senhor não sabe a diferença entre uma pessoa que dorme e um embrião, um feto, não é de se admirar que o senhor defenda quimeras.
  1. Deveríamos negar o direito de viver de um feto apenas pelo lugar onde vive?
A Igreja negou o direito de viver de centenas de pessoas adultas apenas pela crença que tinham. O “direito de viver” é garantido a uma pessoa, um ser humano. Um embrião não é uma pessoa.
  1. O meio onde vivemos pode nos dar ou retirar algum valor da nossa vida?
Diversas premissas misturadas. A vida de um ser humano tem valor independente do meio em que vive. Um embrião não é uma pessoa. O ventre não é um “meio”, no sentido de ambiente, mas um invólucro.
  1. Valemos menos do lado de dentro do que do lado de fora do útero?
O útero é um involucro. Seu conteúdo é um embrião. Um embrião não é uma pessoa.
  1. Podemos simplesmente ser mortos quando estamos nadando debaixo d’água?
Isso pode acontecer por diversas razões. Ainda assim, estamos falando de pessoas. Um embrião não é uma pessoa.
  1. O lugar onde estamos determina quem somos e o quanto vale nossa vida?
Somos o que somos e isso não é determinado pelo lugar onde estamos, mas é necessário ser um “lugar”, não um invólucro e é necessário ser uma pessoa. O útero é um invólucro, não um “lugar”. Um embrião não é uma pessoa.
  1. Então uma travessia de vinte centímetros no momento do parto nos torna humanos?
Não, a presença de sinais sinápticos nos torna humanos, segundo a medicina.
  1. Essa mudança de cenário transforma “coisas” em pessoas?
Não dá pra transformar um embrião, um feto, em pessoa, a partir da concepção.
  1. O amor é condicionado pela localização?
O amor é incondicional. A Igreja devia saber disso ao invés de condenar a homossexualidade.
  1. Deveríamos reservar a dignidade humana apenas para aqueles que não são dependentes de outros?
A dignidade humana está vinculada a um ser humano. Um embrião não é uma pessoa, um ser humano.
  1. Apenas merecemos viver quando podemos viver por conta própria?
Todas as pessoas, seres humanos, merecem viver, até mesmo aqueles que professam crenças diferentes da Igreja. Um embrião não é uma pessoa.
  1. Um feto de quatro meses é inferior a um ser humano porque precisa de sua mãe para viver?
Definição errada. A questão não é de inferioridade ou superioridade, mas se ali se encontra um ser humano.
  1. Uma criança de quatro meses é inferior a um ser humano quando ainda precisa de sua mãe para viver?
Definição errada. A idade é irrelevante, desde que estejamos lidando com seres humanos, pessoas. Um embrião não é uma pessoa.
  1. E se você precisar de uma diálise, ou insulina, ou um aparelho respiratório, tornou-se um ser humano inferior ou sua vida perdeu dignidade?
Diversas premissas misturadas. Nos casos citados, falamos de pessoas, seres humanos que, por circunstâncias diversas, tiveram seu metabolismo prejudicado. Em um embrião este sistema ainda está em formação, portanto incabível a comparação.
  1. A dignidade é fruto do pleno funcionamento das nossas capacidades vitais?
A dignidade pertence ao ser humano, pessoa. Um embrião não é uma pessoa.
  1. A independência é um pré-requisito para nos identificar como seres humanos?
Não, a presença de sinais sinápticos é um pré-requisito para nos considerarmos seres humanos.
  1. Somos valiosos apenas quando podemos pensar, realizar tarefas, ou fazer as coisas por conta própria?
O valor de uma pessoa, um ser humano, independe de sua capacidade cognitiva. Um embrião ainda não possui sequer sistema nervoso central ou cérebro, portanto, incapaz de qualquer cognição.
  1. Se a vida de um feto é vida humana, o que justifica arrancá-la fora?
O problema está no “se”. A Igreja quer que seja. Mas a biologia, a embriologia e a medicina dizem outra coisa. Crença não deve servir de base de argumento.
  1. Seria justo tirar a vida de seu filho no aniversário de um ano porque ele veio à vida por meio de circunstâncias tristes e trágicas?
Não foi Javé quem mandou passar a fio de espada mulheres e crianças [1 Samuel 22:19, Josué 6:21, Juízes 21:10, 2 Reis 8:12] ? Um filho é bem diferente de um embrião.
  1. Você jogaria sua filhinha de um ano e seis meses no meio dos carros em tráfego porque ela tornou nossa vida difícil?
Você acataria as ordens de uma instituição que acoberta pedófilos?
  1. Uma criança de três anos de idade merece morrer porque pensamos que merecemos uma escolha?
Uma criança é um ser humano. Um embrião não é uma pessoa. Uma grávida tem o direito e o médico tem o dever de proceder ao aborto nos casos definidos por lei.
  1. O que você merece agora?
Eu mereço um prêmio por aguentar perguntas tão imbecis.
  1. Quais são seus direitos como ser humano?
Leia a Constituição Federal Brasileira e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
  1. Você tinha esses mesmos direitos há cinco anos?
Incoerente. As leis são feitas para pessoas, seres humanos, não para embriões.
  1. E quando você era um adolescente e nem podia dirigir?
Incoerente. Faixa etária e leis de transito são questões discutíveis entre pessoas.
  1. E naquele tempo em que sua bicicleta tinha rodinhas de apoio?
Incoerente. Crianças usam rodinhas de apoio para aprender a usar bicicleta.
  1. Você era menos do que um ser plenamente humano quando brincava com terra?
Incoerente. Crianças brincam com várias coisas, mas são crianças, seres humanos, pessoas. Um embrião não é uma pessoa.
  1. E quando você usava babador?
Incoerente. Bebês babam porque não tem domínio de seu corpo. Mas não são embriões nem fetos..
  1. E quando ainda mamava?
Incoerente. Bebês são amamentados em toda espécie mamífera. Mas não são embriões nem fetos.
  1. E quando cortaram seu cordão umbilical?
Ato cirúrgico normal de um parto, caso o senhor não saiba. No parto, não se fala mais em “embrião”, nem em “feto”, mas em bebê.
  1. E quando você boiava no liquido amniótico e chutava aquela parede elástica?
Depende do estágio. Se “eu” não tinha sinais sinápticos, não havia um “eu”.
  1. E quando seu coração bateu pela primeira vez no monitor?
O senhor pode ter certeza de que eu não podia ver.
  1. E quando cresceram suas primeiras unhas?
Muitas coisas crescem e se desenvolvem em um embrião, um feto e nem por isso pode se afirmar que ali há um ser humano.
  1. E quando se desenvolveram suas primeiras células?
Ato normal da gestação. O problema é que, para a Igreja, existe um ser humano a partir da concepção. Um absurdo que não encontra respaldo na biologia, na embriologia e na medicina.
  1. Do que deveríamos chamar a criança no útero?
Depende da fase. O senhor devia se informar.
  1. Um feto?
Depende da fase. O senhor devia se informar.
  1. Um mistério?
Mistério é entender essa confusa mistura de doutrina e pseudo-ciência que fazem os defensores pró-vida.
  1. Um erro?
Erro é deixar uma instituição religiosa se imiscuir em assuntos médicos.
  1. Uma questão ideológica controversa?
Eu diria questão doutrinária, visto que a Igreja tenta impor sua doutrina.
  1. E se a ciência, as Escrituras e o consenso chamarem-na de pessoa?
Eu aceito com reservas as descobertas da ciência. Eu não aceito os ditames das Escrituras. O consenso é burro.
  1. E se um feto, o bebê desastrado, a criança inocente, o adolescente indisciplinado, o calouro universitário, a noiva maquiada, a mãe de primeira viagem, a mulher trabalhadora, a vovó orgulhosa, e o velho amigo esclerosado não diferirem em tipo, mas apenas em tempo?
Definição errada. A questão não é “tempo”, mas humanidade.
  1. Onde na evolução a humanidade começa e termina?
De acordo com a medicina e a neurologia, quando existe a presença de sinais sinápticos.
  1. Quando a vida passa a ter valor?
Incompleto. Não há uma definição do que se considera “vida”. Valor é algo que seres humanos atribuem a algo ou alguém.
  1. Quando começamos a valer alguma coisa?
Incoerente. Valor é algo que seres humanos atribuem a algo ou alguém.
  1. Quando os direitos humanos se tornam nossos direitos?
O próprio nome diz: direitos humanos. A presença de um ser humano, uma pessoa, é fundamental. Um embrião, um feto, não é uma pessoa.
  1. E se Dr. Seuss estiver certo e uma pessoa for uma pessoa, sem importar o tamanho que tenha?
Dr Seuss é um personagem fictício. Não é um médico. Definição erada. A questão não é tamanho e sim se há uma pessoa.
  1. Por que celebrar o direito de matar o que você foi um dia?
Não se trata de “celebração”, mas de um procedimento médico necessário, em casos definidos por lei. Ali o que há é um amontoado de células, um embrião, um feto, não é uma pessoa. Este amontoado de células tem tanto “direito de viver” quanto um tumor cancerígeno. Os cristãos celebram constantemente em suas missas a morte do Cristo e se escandalizam por procedimentos médicos necessários simplesmente por que cismaram de que um embrião é uma pessoa.
  1. Por que negar os direitos do pequenino que é o que você é?
Um embrião não é uma pessoa. Não tem direitos.

domingo, 8 de dezembro de 2013

A seguir, cenas dos próximos capítulos

Então chegamos ao fim de mais um ano e nos aproximamos de outro.
O ano que vem teremos copa do mundo e eleição.
Pouco depois das manifestações de junho, os partidos trataram de tentar capitalizar o movimento e, conforme os dias passam, vão aparecendo escândalos de nossa vida nessa brasilidade de tentar levar vantagem, a qualquer custo.
Ao lembrar que, por dizer a verdade, que o buraco é mais embaixo, eu tive que sair do FB e pessoas que diziam ser minhas amigas não me apoiaram.
Eu sei que boa parte disso tudo foi responsabilidade minha, eu sei que não sou uma pessoa fácil de conviver [e nem poderia ser, eu abomino essa mediocridade que impera]. Passados os dias de recuperação da cirurgia [14 dias] nenhuma das pessoas do meu serviço que se diziam ser minhas amigas sequer fizeram uma ligação. E isso não diz muito das pessoas com quem convivo, mas de mim.
O que eu espero do ano que vem é mais do mesmo.
A programação de televisão e a cultura popular cada vez mais sendo emburrecida.
O brasileiro contribuindo para o fracasso de nossa nação.
Crentes e descrentes trocando elogios.
Locais de diversão, como estádios de futebol e boates, servindo cada vez mais como ringue para idiotas extravasarem suas frustrações.
Burguesinho patrocinando [pelo seu vício] o tráfico de drogas.
Eleição das mesmas figurinhas marcadas.
Omissão, negligência, imperícia e imprudência nos atos de nossos governantes.
Caos na saúde, transporte e educação pública.
Nosso povo cada vez mais com falta de educação e cidadania.
Aquilo que fazemos de bom e notável não passa de maquiagem, de fachada.
O brasileiro não quer saber do projeto trabalhoso que é fazer esse país chamado Brasil.
O brasileiro não quer saber de ética, honra, cidadania.
O brasileiro quer continuar a ser tratado como imbecil e viver sua vida medíocre.
Mas vamos combinar uma coisa:
Tendo eu passado por este ordálio, vamos combinar que ninguém deve mais coisa alguma pra mim, nem eu devo mais coisa alguma, para quem quer que seja.
O último a sair, apague a luz.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O que os Deuses estão fazendo hoje em dia?

Uma vez que não são adorados [cofcof neopaganismo - NT], e considerando que eles são imortais e provavelmente entediados até a morte, eu acho que os deuses antigos têm de descobrir novos métodos para se manterem entretidos. O alado Nike está mergulhado profundamente na produção de calçados esportivos, a vingativa Eris arrumou um droid, e Nero está queimando CDs (bem, não o faz como um deus, mas está tão relacionado que eu acho que ele conseguiu esgueirar-se pela porta dos fundos depois de tudo).

Então eu queria saber o que os doze grandes deuses da Grécia e Roma estão fazendo, além do óbvio (cuidar de seus respectivos planetas, dias da semana, meses do ano, convidados para história em quadrinhos e séries de televisão e assim por diante) .

Apolo é de longe o mais bem sucedido com o seu programa de exploração espacial. Apesar de ser um pouco estranho uma tentativa de pouso na Lua nomeada em homenagem ao deus-sol. Por que não chamá-la de Artemis, a deusa da lua? Misóginos.

Ares/Marte tem uma barra de chocolate. E uma empresa que produz a barra de chocolate. Bom o suficiente, até a próxima guerra mundial.

Atena/Minerva tem o projeto de pesquisa CERN de antimatéria. Muito adequado, para a deusa da sabedoria e do ofício, mas só se ela se provar muito, muito bem-sucedida e fizer um enorme impacto. Caso contrário, Athena está maciçamente sub-avaliada nestes dias. Misóginos.

Artemis/Diana ... desempregada, para ser honesto, especialmente desde que a caça foi proibida em um de seus principais territórios. Há um bordel famoso em Berlim chamada Artemis. Estranho para a deusa virgem, mas os tempos são difíceis, até mesmo deuses assumir tudo o que empregos estão disponíveis.

Hefesto/Vulcano fizeram nome no showbiz, com os vulcanos de Star Trek. Eles estão em toda parte! Acho que foi o seu retorno, depois do insulto de um planeta hipotético levar seu nome (no século 19, o planeta Vulcano era suposto estar escondido entre o Sol e Mercúrio). Um plano hipotético para uma grande divindade! Horrivel.

Hermes/Mercúrio tem um elemento químico. Quem teria imaginado o deus travesso de ladrões em um laboratório?

Hades/Plutão perdeu seu planeta, mas ainda pode mostrar seu famoso personagem da Disney. Sim, é um cão, escada de um rato, mas de longe o mais famoso personagem de desenho animado em homenagem a um deus. E alegre, também, para alguém que vive no inferno.

Hestia/Vesta se divertiu quando seu nome grego foi usado como o nome informal de Himalia, uma das luas de Júpiter. Espere. Luas têm nomes informais? Nós devíamos chamá-la de Sra. Moon?

Poseidon/Netuno é realmente entusiasmado com a evolução da música e lançou seu próprio selo de gravadora para promover novos talentos. Eu suspeito que tem algo a ver com a sua mulher ter sonhado com uma carreira de cantora desde que ela era apenas uma jovem nereida.

Demeter/Ceres está experimentando com algumas cervejarias e empresas produtoras de suco, mas nenhum deles teve qualquer sucesso ainda.

Zeus/Júpiter e Hera/Juno levaram um milênio sabático para explorar outras galáxias e reconectar-se um com o outro, antes que seja tarde demais para salvar seu casamento.
Original do Ancient Links

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O substrato do abstrato

O que há em comum entre alguns evangélicos e alguns ateus? Radicalismo. Este é um texto baseado na tentativa de debate que tive com um desses seguidores de Dawkins.

- Ensinar ateísmo é o mesmo que ensinar uma crença: imposição.

- Não exatamente. A escola ensina o que é ateísmo, e não a ser ateu, o que é bem diferente. Ao invés de ensinar uma "verdade", imaginária, lendas antigas, ensina a pensar racionalmente e as bases do pensamento crítico.
Na verdade, nem é preciso ensinar ateísmo propriamente, pois somos todos ateus ao nascer, e é preciso muita doutrinação e lavagem cerebral para deixar esse ateísmo natural e passar a acreditar em superstições ancestrais e em seres imaginários.

- Se ensina-se apenas uma ideologia, sem contraste, sem controvérsias, não deixa de ser igual à inculcação doutrinária feita pela Igreja. Segundo estudos com crianças, todas apresentam a ideia de um ser superior, então essa bravata falaciosa de que se nasce ateu não cola.

- Não existem 'controvérsias" sobre a lógica e o pensamento racional não levarem em consideração a existência de coisas sem evidências.
Crianças podem ter uma idéia de "ser superior" apenas se isso for algo comum a seu ambiente.

- Falar em evidências é método cientifico. Fala-se em visões e interpretações sobre o mundo. O ser humano não é feito apenas de pensamento racional, mas do abstrato também, senão não tem arte, poesia, literatura, teatro e até mesmo matemática.

- O ser humano, dadas as evidências disponíveis, é sim formado apenas por matéria, e as abstrações que produz, com sua mente, são, bem, apenas de sua mente. Arte, poesia, etc, são abstrações da mente humana, não elementos concretos deste mundo. Não é preciso evidência de existência.

- O argumento foi o de que ensinar ateísmo é ensinar o pensamento racional, o que remete a anular ou ignorar o pensamento abstrato que, como você atesta, faz parte da matemática.
Querer limitar o entendimento do mundo e do universo a algo tão pobre é mais típico das "malvadas religiões" que você tanto critica. O ser humano não é formado apenas por matéria, senão não há como entender a mente, o pensamento, a ideia.

- Nada implica que o pensamento racional não inclua o abstrato. Matemáticos pensam racionalmente. Escritores, ao criar suas obras, abstratas, pensam racionalmente. Um matemático sabe que o número "1" é uma abstração, não um elemento real, concreto, deste universo. Um escritor sabe que seus personagens não existem de verdade.

- Você mesmo em seus argumentos acaba fazendo essa suposição. Voltando um pouco: crianças acreditam em um ser superior devido ao ambiente, então o ateu está desambientado ou é um alienígena. Você argumentou que só existe o que está evidenciado. Portanto, aquilo que é abstrato não pode ser aceito pelo pensamento racional, o que inviabiliza os conhecimentos humanos que listei.

- Para existir, para que se conclua pela existência, é preciso evidências, mas abstrações, imaginação, nada tem a ver com isso.

- Você tenta ignorar seus próprios argumentos, nos quais se pode concluir que apenas o pensamento racional e válido, onde apenas o que é evidenciado é aceitável, portanto tudo o que é abstrato é irracional, invalido, inaceitável. Eu não toquei no tema filosófico/teológico das crenças, mas abordado que o pensamento racional deve incluir o pensamento abstrato, o que, de acordo com você, não faz parte do ateísmo.

- A existência de algo, existência real, só pode ser objeto de conclusão confiável, se apresentar evidências. Pensamentos abstratos, conceitos abstratos, nada tem a ver com isso, sejam matemáticos, sejam imaginativos. ‘Existir’ na imaginação nada tem a ver com a existência real. Evidências, é o que importa, quer você acredite ou não. Pode acreditar que pular de um prédio não vai causar dano a você, mas se pular, vai se machucar.

- Muito bem. Apenas evidências que importam. Então evidencie o numero 1. Evidencie uma soma. Se eu lembro bem, você concorda que são conceitos abstratos, portanto, não existem, portanto não são importantes para a matemática. Se eu acreditasse que posso pular de um prédio, eu procuraria uma forma de poder pular sem me machucar. Crer e saber não estão em conflito.

-  Somas não existem, não são reais, são descrições de relações numéricas, matemáticas. Coloque duas maçãs sobre a mesa, depois coloque mais duas. E quando precisar explicar o que aconteceu, e quantas maças tem sobre a mesa, vai usar um conceito que chamamos de 'soma’. Mas, a soma propriamente, não existe, não pode colocar uma 'soma’ em um saco, ou bater com a soma na cabeça de alguém. Algo que não 'existe’ de forma concreta, ainda pode ser importante como idéia ou abstração, como o conceito de honra. Mas continua a não existir materialmente, concretamente, apenas como conceito. Não tem evidências de existir.

- Vamos dividir o tema em "evidência" e "existência". Evidência é assunto do método cientifico. A ciência não afirma que Deuses não existe, apenas que não tem evidências, afinal o homem aceita idéia de abstrato numa boa. A soma é um conceito abstrato, uma convenção, não existe no sentido de ser algo concreto. Mas são usados para se explicar algo. A existência também é algo a ser explicado e não apenas por evidências, por elementos concretos, pois muitas "coisas" existem e não são concretas, como elétrons, ondas, diversas energias. Estes elementos podem ter a existência evidenciada pelo efeito que causam, ou seja, uma evidência secundária. Então não deveria haver tanta resistência em aceitar que a existência dos Deuses pode ser evidenciado pelo efeito causado, que é a própria natureza. Da mesma forma que cessam os efeitos com a ausência destes elementos, da mesma forma cessaria a natureza, o mundo, o universo, a vida tal como conhecemos na ausência dos Deuses. E isto explica apenas o aspecto material da natureza, não da existência. A existência é um tema da filosofia, visto que procede de conceitos e convenções humanas, não de evidências, da ciência, do método cientifico. Você não quer compreender que nem tudo que existe tem evidência, conceitos abstratos existem embora sem evidência. Existência está além da ciência. Não é função ou preocupação da ciência explorar questões existencialistas, metafísicas ou sobrenaturais, mas tudo isso faz parte do questionamento e natureza humana.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O circulo do coração

Para o pagão, o bruxo, o mundo dos sonhos não é um mero espasmo da mente, mas um canal para a Sabedoria, a Verdade e a Realidade Divina.
A habilidade e a consciência dessa ferramenta não é simples nem é fácil de dominar. Quando eu fazia meus jornais oníricos, tudo o que eu percebia é a constância e a insistência dos temas e tipos de sonhos que eu tinha.
Pois bem, depois que eu parei de escrever os jornais, depois que eu saí da vida de cobaia de um treinamento, depois que eu zerei e reiniciei por conta própria minha jornada é que me veio uma compreensão, durante um estado de vigília, em um dia qualquer.
A miríade de sonhos são laços de um único, central e singular sonho. Como tudo na vida, nós criamos incessantemente elos em torno daquilo que realmente necessitamos.
Adquirimos conhecimento material necessário, mas insistimos em querer saber mais, crentes de que a ciência vai nos dar a resposta sobre tudo.
Procuramos aprimorar cada vez mais a capacidade e a eficiência de produção, confiantes no inesgotável potencial laborativo humano e fertilidade agrária natural.
Tentamos administrar com consciência, responsabilidade e ética nossa família, empresa e cidade, certos de que nossos parentes, colegas e cidadãos farão sua parte.
Escolhemos e seguimos uma espiritualidade, uma crença, uma religião. Falamos e divulgamos proficuamente os beneficios do que acreditamos e promovemos o Amor, fiéis de que há um propósito maior.
A cada anel que construímos, nos afastamos do que é essencial e recheamos o vazio com diversas ilusões para sustentar essa subrotina. Nos dedicamos de tal forma na execução e no aperfeiçoamento dessas atividades que nos esquecemos dos motivos e finalidade delas.
Os descrentes se aferram na ciência, na evidencia, mas estas coisas não servem para explorar o ser, a percepção, a consciência, a existência.
Os burgueses se isolam na riqueza, na expropriação, mas este sistema não produz condições para a justiça, a segurança, a satisfação, a felicidade.
Os governantes se deslumbram no poder, no mandato, mas esta política não legitima a autoridade, a influencia, o prestigio.
Os crentes se vangloriam na benção, na promessa, mas esta disciplina não garante a virtude, a graça, a redenção.
Nossa vida tornar-se-ia bem mais simples e nossa sociedade aproximar-se-ia da utopia se nos atessemos ao que é necessário e fundamental, que é o que eu chamo de círculo do coração.
Neste círculo, há saber e crer, ocupação e produção, representação e participação, razão e imaginação em proporções equilibradas e harmoniosas. Aqui, o Amor é a única lei, sem condições, sem limites, sem fronteiras, irrestrito.
O dileto e eventual leitor esperto há de protestar que este círculo ainda constitui um laço em volta de algo. Bom, não há outra forma de falar do que seria o centro de tudo senão os Deuses.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

No mundo dos errados

No mundo dos errados, os idiotas e medíocres usam e abusam da liberdade de expressão. Os sábios e estudiosos são patrulhados pelo Politicamente Correto e, para não suscitar melindres, acabam se censurando.
No mundo dos errados, os estudantes saem às ruas para protestarem contra o governo e o sistema, como se não tivessem participado na construção dessa estrutura e cultura, como se esquema, suborno e corrupção não fizessem parte da rotina do cidadão.
No mundo dos errados, mendigos analfabetos pregam em praça pública a retórica do evangelho, como se fossem porta-vozes da mais pristina verdade. O Cristianismo deve muito de seu sucesso à miséria mental, física e espiritual.
No mundo dos errados, se investe mais em futebol e novela do que em educação, saúde e transporte público.
No mundo dos errados, os partidos são legendas, no fundo são associações criminosas, sustentadas pelo voto do rebanho. Séculos de história nos contam a omissão, imperícia, negligência, incapacidade e incompetência de nossos governantes.
No mundo dos errados, a tecnologia para comunicação e informação avança inversamente proporcional à qualidade dos programas e notícias divulgadas.
No mundo dos errados, se faz concurso para entrar no serviço público, mas não para concorrer a cargos públicos. Os funcionários públicos são muito cobrados e tem que ser excelentes, apesar da falta de recursos materiais, tecnológicos e humanos.
No mundo dos errados, o mesmo jovem que faz passeata contra a violência e o crime é o mesmo que sustenta o tráfico,  dirige depois de beber e engrossa o numero das torcidas organizadas.
No mundo dos errados, falar de violência faz mais sucesso do que falar de amor.
No mundo dos errados, a sociedade impõe a monogamia e a fidelidade ao mesmo tempo que produz a pornografia e tolera a troca de casais.
No mundo dos errados, saber da novela ou do resultado do jogo é mais importante do que saber do seu bairro ou de política.
No mundo dos errados, aquele que se esforça para ser humano é o mais criticado e cobrado.
No mundo dos errados, escritor é aquele que agrada ao público, não aquele que tem talento e conteúdo.
No mundo dos errados, os que se põe no cargo de tutor, orientador, professor está mais perdido do que seu aluno.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Arrumando a casa

Passado um mês a casa está quase arrumada. Nós estamos ambientados. Nem estou sentindo falta de telefone fixo, facebook, sky. Setembro está transcorrendo tranquilamente, nem parece que eu passei por um período de turbulência.

Eu digo constantemente que não existem coincidências, os três meses anteriores me ensinaram a ter paciência, a não criar expectativas, a fazer aos poucos, a de não inventar problemas (ou vê-los aonde não existem) e fazer o que deve ser feito (reclamar em nada adianta).
As empresas Vivo e Sky bem que tentam nos arrebanhar de volta, mas quando eu era cliente não tinham tanta gentileza assim. Quem dependeu de assistência técnica de empresas sabe do que eu falo.

Esta é uma verdade inconveniente. Nós somos procurados pelas empresas (sejam organizações politicas, comerciais ou religiosas) enquanto formos consumidores em potencial. Adquirido o vicio, seremos tratados com desídia.
Imaginem como seria se fabricantes de cigarro e bebida fizessem o mesmo para reconquistar os otá... digo, clientes assíduos de seus produtos? Alhures neste blog eu escrevi um texto questionando sobre o que realmente necessitamos.

O truque das empresas (comerciais, políticas, religiosas) consiste em criar uma necessidade inexistente em seus consumidores em potencial. A isca é quase irresistível. Criada a dependência, recebemos o tratamento dispensado a viciados.

Como comunicólogo eu posso afirmar que, para isso, a propaganda e a publicidade ajudam a vender produtos, serviços e ideias.  Mas seria incompleto, o próprio sentido e razão dos meios de comunicação de massa consiste em criar esse mundo maravilhoso  irreal. Cris Polly que me desculpe, mas eu não engulo "Supernanny" que, em um mês, consegue transformar uma família. Eu tentei por dois anos essa "terapia behaviorista" e não aconteceu milagre algum.

Recentemente tentaram empurrar a ideia de que o Brasil (e os brasileiros) ia mudar. Meu caro e eventual leitor deve ter lido o que aconteceu quando eu simplesmente apontei o óbvio. Passados alguns meses, nos deparamos com o escândalo Donadon, o deputado-presidiário. Cadê os "black blocks"? Só o que vejo são propagandas partidárias tomando partido (desculpem o trocadalho) das manifestações de rua. Ou seja, vamos ficar na mesma, como este profeta vos disse.

A mídia eletrônica é profícua em divulgar esse mundo ideal, impossível e irreal, onde somos todos iguais, podemos ser felizes (mediante o uso de um produto, serviço ou comportamento) e somos importantes. Somos constrangidos a aceitar um ideal, diante de historias de superação. Somos constrangidos pela exposição das mazelas, misérias, sofrimentos e exclusões que esse sistema mesmo produz. Caridade é um suborno moral à consciência pequeno-burguesa. Apenas medíocres precisam ver a miséria alheia para mitigar e aceitar a própria miséria.
De algum jeito eu sabia que o resultado de uma mudança (física, mental ou espiritual) será sempre uma conquista e vitória individual e solitária.