segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Reprise de 2018

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Reprise de 2018. Eu não gosto de reprise. Nem quero ver mais 700 mil mortes.

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.

A proposta de Flávio Bolsonaro de recrutar fiscais para acompanhar as urnas em 2026 retoma uma estratégia já usada pelo pai e volta a colocar suspeitas sobre o processo eleitoral no centro do discurso. 
 O detalhe é que a Justiça Eleitoral mantém mecanismos públicos de auditoria, testes de segurança, boletins de urna e fiscalização do processo. 

Reprise de 2018

Eu não gosto de reprise.

Principalmente quando a reprise começa com aquele conhecido anúncio: “E agora, uma nova temporada de desconfiança nas urnas!”

Flávio Bolsonaro resolveu ressuscitar o roteiro que o pai já conhecia de cor: recrutar uma tropa de fiscais para acompanhar as urnas eletrônicas, especialmente no encerramento da votação. A justificativa oficial é fiscalizar e impedir irregularidades.

Até aí, fiscalizar eleição é perfeitamente legítimo.

O problema é quando a fiscalização vem acompanhada daquele clima de “hmmm... será que essa urna está tramando alguma coisa?”.

É a velha fórmula: primeiro se lança a suspeita, depois se procura a prova. Se a prova não aparecer, paciência. A suspeita já fez carreira.

E lá vamos nós outra vez.

2018: reprise.
2022: reprise da reprise.
2026: “remake definitivo”, agora em 4K.

Só falta aparecer aquela musiquinha de abertura:

🎵 “Você não viu nada ainda... porque a urna pode ter feito!” 🎵

O curioso é que o sistema eleitoral brasileiro não ficou parado tomando café enquanto a família Bolsonaro preparava a nova temporada. Existem testes públicos, fiscalização, abertura do código-fonte, assinatura digital, lacração dos sistemas, testes de integridade e emissão dos boletins de urna.

Mas aparentemente nada disso é suficientemente emocionante.

É muito mais cinematográfico imaginar uma urna eletrônica escondida numa sala escura, de sobretudo, sussurrando:

— “Senhor eleitor... eu tenho um plano.”

E o fiscal:

— “Eu sabia!”

Enquanto isso, a realidade insiste naquela coisa inconveniente chamada evidência.

Evidência de fraude capaz de alterar o resultado das eleições? Até hoje, não apareceu.

Mas quem precisa de evidência quando se pode produzir suspense eleitoral?

E aqui está a parte que realmente me preocupa.

Eu já assisti a esse filme.

E não gostei do final.

Não quero outra temporada de paranoia política, desconfiança institucional, briga sobre urna, suspeita sem prova, gente discutindo resultado antes mesmo da apuração terminar e, depois, um país inteiro pagando a conta da irresponsabilidade política.

E definitivamente não quero outra reprise da tragédia da pandemia.

Porque daquela vez não foram apenas memes, lives, discursos e discussões de internet.

Foram mais de 700 mil brasileiros mortos pela Covid-19.

Isso não é reprise.

Isso é trauma nacional.

Então, por favor, Netflix da política brasileira: cancelem essa série.

Já vimos.

Já sabemos onde esse roteiro pode chegar.

E, sinceramente, eu preferia assistir a qualquer coisa mais leve.

Até reprise de Chaves.

Porque pelo menos no episódio do Seu Madruga ninguém termina discutindo a legitimidade da urna eletrônica enquanto o país inteiro entra em combustão.

Eu não quero outra temporada de 2018.
Não quero 2022 — versão estendida.
E muito menos 2020–2021: o retorno das 700 mil mortes.

Quero uma eleição.

Com fiscalização, transparência, crítica, disputa política e resultado apurado.

Sem precisar transformar cada urna em personagem suspeita de uma novela policial.

Porque, convenhamos:

já basta de reprise.


Bom, eu peguei a época do voto no papel. Terrível. Três ou quatro dias para fazer a apuração. Urnas sendo encontradas jogadas em terrenos baldios. Votos que sumiam enquanto uma seção aparecia mais votos do que eleitores inscritos. 🙀

Sim — e há um ponto histórico importante aí. O próprio TSE registra que, antes da urna eletrônica, a apuração manual podia levar dias ou até semanas, além de haver registros de urnas de lona roubadas ou substituídas, votos preenchidos indevidamente e manipulações durante a contagem. 

Dá para transformar sua lembrança numa crônica bem mais mordaz:

Eu vivi a época da urna de lona

Eu peguei a época do voto em papel.

Sim, eu sou sobrevivente.

Eu me lembro daquele maravilhoso sistema eleitoral em que você votava no domingo e passava os dias seguintes contemplando o resultado com a mesma ansiedade de quem espera perícia de acidente.

“E aí, já acabou a apuração?”

— Não.

“Mas falta muito?”

— Só mais algumas centenas de milhares de votos para contar manualmente.

Que maravilha.

Hoje a pessoa reclama que o resultado sai rápido demais.

Meu amigo, eu vivi a época em que a eleição parecia uma obra pública: você começava num domingo e ninguém sabia exatamente quando terminaria.

E tinha a parte realmente divertida: as urnas de lona.

Urnas que precisavam ser transportadas, armazenadas, abertas, conferidas e ter cada cédula contada manualmente.

E, segundo o próprio TSE, havia registros de urnas roubadas ou substituídas, cédulas preenchidas previamente, votos manipulados durante a apuração e até situações em que votos em branco eram preenchidos indevidamente.

Ou seja: havia muito mais espaço para a velha e querida variável chamada “ser humano mexendo na papelada”.

E ainda tinha aquela sensação maravilhosa de:

“Será que todos os votos chegaram?”

Porque, quando tudo depende de papel, transporte, armazenamento, conferência, contagem manual, anotação e posterior transmissão dos resultados, existem muitos pontos em que alguma coisa pode dar errado.

A urna eletrônica foi implantada gradualmente a partir de 1996 justamente para informatizar a votação e a apuração. Desde então, o resultado passou a ser conhecido em poucas horas, em vez de exigir aquela procissão de dias de contagem manual.

E hoje ainda existem mecanismos de auditoria: boletim de urna, testes públicos, testes de integridade e outras formas de fiscalização. No Teste de Integridade, por exemplo, votos simulados em papel são comparados com o resultado produzido pela urna eletrônica.

Então, quando alguém fala em voltar romanticamente ao passado, eu fico imaginando:

“Que saudade daquela época!”

Saudade de quê?

De esperar três dias?

De contar voto por voto?

De procurar urna?

De discutir cédula rasurada?

De depender de dezenas de etapas manuais?

De descobrir que a matemática eleitoral estava tendo uma crise existencial?

Obrigado. Já vivi essa experiência.

Não preciso de remake.

Muito menos de uma versão director's cut.

Se quiserem me vender nostalgia, ofereçam fita cassete, telefone com fio e televisão de tubo.

Urna de lona, não.

Essa nostalgia eu dispenso.

Eu já vi esse filme.

E lembro que demorava muito para terminar. 🙀

Se quiser, também dá para deixar essa versão ainda mais ácida, explorando especificamente a ideia de que algumas pessoas parecem ter desenvolvido uma memória seletiva sobre como era o voto em papel.


O pior é que eu conheço a história do Brasil. Da época em que o voto era restrito. Da época do chamado "voto de cabresto". Do costume de candidatos comprarem votos. Mas nós vivemos em um país sem memória e sem educação.🤦

E é justamente aí que a história eleitoral brasileira fica importante — porque ela mostra que fraude eleitoral não é uma invenção da era digital. A Primeira República teve voto aberto, restrições ao sufrágio, controle por chefes políticos e práticas como o voto de cabresto. A FGV CPDOC também registra a chamada “eleição a bico de pena”, na qual resultados podiam ser definidos pelas próprias mesas eleitorais. 

O TSE descreve o voto de cabresto como a imposição da escolha por chefes políticos ou cabos eleitorais e registra a existência dos chamados currais eleitorais. 
 E compra de votos continua sendo tipificada como ilícito eleitoral — hoje com regras e mecanismos de fiscalização completamente diferentes daqueles períodos históricos. 

O problema da memória histórica é que, sem ela, qualquer passado pode ser vendido como “bons velhos tempos”. E aí dá para fazer uma crônica bem venenosa sobre essa nostalgia seletiva:

A maravilhosa máquina do tempo eleitoral

Eu às vezes tenho a impressão de que parte do Brasil descobriu uma máquina do tempo.

E, como toda boa máquina do tempo brasileira, ela aparentemente só funciona para voltar ao passado que convém.

“Ah, antigamente era melhor!”

Antigamente quando, criatura?

Porque se for para voltar bastante, podemos começar numa época em que uma parcela enorme da população simplesmente não participava do processo eleitoral.

Depois avançamos para o maravilhoso período do voto de cabresto, quando o eleitor podia descobrir que sua consciência política coincidia milagrosamente com a vontade do coronel local. O TSE registra justamente essa prática de controle do voto por chefes políticos e cabos eleitorais.

E, se ainda estivermos com saudade, podemos experimentar a “eleição a bico de pena”, registrada pela FGV CPDOC: eleições marcadas por fraudes e resultados que podiam ser determinados pelas mesas eleitorais.

Que nostalgia!

Aí alguém pode dizer:

— Mas eu só quero voltar ao voto de papel!

Ah, sim.

O papel.

Esse material maravilhoso, absolutamente incapaz de desaparecer misteriosamente de uma gaveta, ser extraviado, rasurado, transportado para outro lugar ou simplesmente virar uma pequena tragédia burocrática.

E eu digo isso tendo vivido parte dessa época.

Eu lembro.

Não preciso que alguém me conte uma versão vintage da história eleitoral brasileira com filtro sépia e trilha sonora nostálgica.

Eu estava lá.

E justamente por conhecer essa história, fico desconfiado quando alguém transforma o passado em propaganda de si mesmo.

Porque o Brasil não inventou a fraude eleitoral com a urna eletrônica.

Muito pelo contrário.

A própria criação da Justiça Eleitoral, em 1932, veio acompanhada de mudanças destinadas a enfrentar problemas históricos do sistema, incluindo a implantação do voto secreto e mecanismos de organização e controle do processo eleitoral.

Portanto, antes de alguém começar a vender “Brasil Raiz — Edição Eleitoral”, talvez seja interessante abrir um livro de História.

Não precisa nem ser grosso.

Pode ser daqueles que cabem no bolso.

Porque existe uma coisa particularmente perigosa em um país:

ter pouca memória e muita certeza sobre um passado que não conhece.

Aí acontece o milagre.

A pessoa olha para uma fotografia em preto e branco e pensa:

— “Naquele tempo era tudo mais simples.”

Sim.

Também era mais simples excluir gente do voto.

Era mais simples controlar eleitor.

Era mais simples fraudar processo.

Era mais simples esconder irregularidade.

Era mais simples porque havia menos mecanismos de controle.

Não era necessariamente melhor. Era simplesmente outro Brasil.

E se vamos discutir eleições, tecnologia, fiscalização e transparência, ótimo.

Mas vamos discutir com memória.

Porque democracia não se fortalece apagando a própria história.

E eu, particularmente, já tenho idade suficiente para não sentir saudade de certas coisas que eu mesmo vi acontecer.

Minha máquina do tempo pode ficar desligada.

Obrigado.

Já conheço o passado.

E, sinceramente?

Prefiro que a História continue sendo História.


Criado com ChatGPT.

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