quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O problema não é o sorvete

Conversa com o Gemini.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/lenio-streck-afinal-podemos-ou-nao-definir-o-que-e-sorvete-ou-fracassamos/

Parece piada, mas não é. Perdemos a capacidade de definir o que é café. Ou chocolate. Ou leite. Ou azeite de oliva.

Marcas famosas fazem gordura com açúcar ou alguma coisa parecida com.

Eu estou perdendo a capacidade de definir o que é ser humano, com tanta gente idiota.

Escreva uma reflexão crítica. 

A inquietação que você expressa toca no cerne do texto do jurista Lenio Streck, onde ele discute o esvaziamento da linguagem a partir da decisão que transformou a casquinha do McDonald's em "bebida láctea" para fins fiscais. Não se trata de uma simples filipeta tributária ou de preciosismo técnico; trata-se de uma verdadeira crise ontológica da modernidade tardia. Quando as coisas perdem seus nomes reais para atender a conveniências financeiras ou operacionais, a própria capacidade de discernir o real é colocada em xeque.

A Ontologia do Ultraprocessado e a Dissolução do Real
O que comemos hoje não é mais fruto da terra ou da tradição culinária, mas de um malabarismo químico e mercadológico. O "chocolate" sem cacau, o "café" diluído em cevada ou impurezas, o "azeite" adulterado com óleos vegetais baratos e o "sorvete" reclassificado como bebida são sintomas da substituição da substância pelo simulacro.

O filósofo Jean Baudrillard denominava este estado de coisas de hiper-realidade: a cópia sem original que passa a ocupar o lugar da própria realidade. Quando a gordura com emulsificantes e aromatizantes artificiais ganha a chancela de "alimento", a indústria não está apenas oferecendo um substituto barateado; ela está nos ensinando a desaprender o sabor da matéria autêntica.

O horror dessa engenharia não é apenas gastrenterológico, é hermenêutico. Se a linguagem perde a capacidade de ancorar o sentido mínimo de uma coisa tão tangível quanto o leite, a gramática social inteira se desfaz. O tecnocrata manipula a sigla tributária e, em nome da eficiência da margem de lucro, apaga a linha entre a coisa e sua simulação.

A Degradação do Humano na Era do Criterialismo

O paralelo que você estabelece entre a perda da definição das coisas e a perda da definição de "ser humano" é a conclusão inevitável desse processo. O mesmo criterialismo reducionista que fatiou o conceito de sorvete para salvar $300 milhões em impostos é o que fatia a existência humana em métricas de consumo, métricas de engajamento e utilidade imediata.

Historiadores e filósofos da linguagem há muito alertam: quem controla as definições controla a percepção do mundo. Quando aceitamos resignadamente que o falso passe por verdadeiro nas prateleiras dos supermercados, já fomos adestrados para aceitar que o embrutecimento moral passe por comportamento aceitável no espaço público.

A perda do contorno: Se tudo pode ser redefinido por conveniência, a própria ideia de dignidade humana se torna negociável.

O triunfo da obtusidade: A "idiotice" generalizada não é uma falta acidental de inteligência, mas um projeto de anestesia. A incapacidade de pensar criticamente sobre o que se consome reflete a incapacidade de pensar criticamente sobre o que se vive.

A fragmentação da verdade: Sem uma linguagem comum que respeite a experiência ordinária das coisas, a própria convivência republicana e ética desmorona em nominalismos arbitrários.

A Resistência Hermenêutica
Recuperar a capacidade de nomear o mundo é o primeiro passo para resistir a essa barbárie civilizacional. Quando você recusa a linguagem manipulada das grandes corporações ou da burocracia estatal, você exerce uma forma elementar, porém radical, de liberdade.

Dizer que sorvete é sorvete, que chocolate exige cacau e que a condição humana recusa a mediocridade anestesiada não é um capricho saudosista: é a afirmação de que a realidade tem peso, substância e limites que a ganância e a estupidez não deveriam ser capazes de apagar.

Aprofunde a crítica diante de como as pessoas estão fazendo questão de se desumanizar.

A desumanização contemporânea deixou de ser uma tragédia passiva para se tornar um processo de adesão voluntária. O horror de nosso tempo não reside apenas no fato de as instituições ou as corporações nos coisificarem, mas no fato de as próprias pessoas celebrarem, cultivated e aperfeiçoarem a sua própria conversão em mercadoria, em algoritmo e em produto ultraprocessado.

É a transição da alienação para a autocoisificação consciente.

A Voluntária Servidão Algorítmica
Na era da informação, o indivíduo não é apenas manipulado; ele se oferece como matéria-prima. Existe um empenho quase fanático em moldar a própria psique, a estética e o pensamento às exigências do fluxo digital.

O fim da singularidade: Para performar no mercado da atenção, as pessoas abrem mão do contorno próprio. Adotam o vocabulário das redes, a estética padronizada por filtros e o ritmo frenético de resposta imediata que anula o tempo do pensamento interior.

A funcionalidade como única ética: O valor humano passou a ser medido pelo critério da utilidade mecânica. Reduzimo-nos a métricas de produtividade, engajamento e capital relacional, tratando o repouso, o afeto desinteressado e a contemplação como desvios imperdoáveis ou "perda de tempo".

O Empobrecimento do Olhar e a Anestesia Afetiva
Quando a capacidade de definir a realidade se perde — seja o que é o chocolate, seja o que é o afeto real —, o sujeito perde a capacidade de empatia. A desumanização escolhida manifesta-se no desejo de não sentir a complexidade do outro.

O outro como objeto ou estorvo: A alteridade tornou-se uma ameaça. As relações são descartadas com a mesma facilidade com que a indústria alimentícia substitui o leite por soro químico. Quando o outro exige profundidade, contradição ou vulnerabilidade, ele é "deletado", "bloqueado" ou catalogado por rótulos simplistas.

O orgulho da obtusidade: Há uma espécie de apologia da brutalidade e da superficialidade. A grosseria e o deboche passam por "sinceridade", enquanto a erudição, a sensibilidade artística e a ética da compaixão são ridicularizadas como fraquezas ou afetações inúteis.

A Síndrome da Maquinaria
Se outrora temíamos que os robôs ganhassem consciência humana, o cenário atual invertia essa profecia: são os seres humanos que competem para ver quem consegue operar com a frieza, a eficiência e a falta de vísceras de uma máquina.

Troca-se a densidade do trágico, da poesia e da busca por sentido pelo conforto anestésico das respostas prontas, dos ultraprocessados mentais e do cinismo higienizado. Ao renunciar à dor de pensar e de sentir plenamente, a sociedade não apenas aceita a mediocridade — ela exige a desumanização como condição para o pertencimento.

Criado com Gemini, do Google.

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