quarta-feira, 24 de junho de 2026

O diário do lorde


Rei Leão VI: "Venha, tem espaço para meu lorde com as duquesas e condessas. Meu lorde do comércio interreinos também precisa se divertir."

Theodore sentiu um leve arrepio percorrer sua espinha aristocrática. O convite do monarca, embora soasse como uma honraria para qualquer outro nobre, para ele era um teste de resistência mental. A ideia de se ver cercado por perfumes florais excessivos e pelos eriçados de excitação das condessas era quase tão aterrorizante quanto um banho gelado.

Mantendo sua elegância vitoriana, ele fez um leve movimento com a cauda — um sinal de hesitação que apenas os mais atentos perceberiam — e respondeu com sua voz mais aveludada:

— "Vossa Majestade é de uma generosidade que ultrapassa as fronteiras da França. No entanto, temo que minha 'diversão' seja de uma natureza um tanto mais... cerebral. Como um escritor dedicado à preservação das tradições e da liberdade de pensamento, os documentos que acabo de selar exigem uma meditação imediata em meu escritório."

Ele lançou um olhar rápido para a mesa de condessas, onde uma siamesa de olhos azuis intensos parecia pronta para "inspecionar" sua casaca.

— "Vou deixá-lo com suas... investigações, Majestade. O destino da França repousa em boas mãos, e o meu em minha biblioteca," concluiu Theodore, retirando-se antes que o Rei pudesse insistir.

Ao cruzar o umbral do salão e sentir o ar fresco do corredor, ele soltou um longo suspiro de alívio. O Lorde Theodore Fluffybutt III preferia mil vezes enfrentar a fúria dos castores holandeses do que dez minutos de fofocas na mesa das condessas.

Após trancar as pesadas portas de carvalho de sua biblioteca particular, acender uma única vela e se servir de uma generosa dose de leite de cabra morno com um toque de valeriana, Lord Theodore Fluffybutt III abriu seu caderno de couro. Com a pose reflexiva de quem domina o conhecimento oculto, ele molhou a pena de ganso e começou a escrever.

1º de Junho de 1789 — Madrugada

Que os Deuses Antigos e as forças da Natureza me deem paciência, pois a fidalguia deste reino esgotou a minha cota diária. Mais uma noite no Palácio, e mais uma vez o salão de espelhos provou ser o epicentro da hipocrisia felina. O Rei Leão VI continua governando com o que tem entre as pernas e não com o que tem entre as orelhas. É de uma heresia intelectual sem tamanho ver um monarca abdicar de sua soberania mental para passar a noite inspecionando anatomias cortesãs, enquanto o destino econômico da França balança por um fio de lã.

O dogmatismo religioso e moral daquela corte me sufoca. Eles se dizem puros e civilizados, mas segregam os roedores plebeus e condenam qualquer pensamento que escape de suas tradições medievais e de sua teologia de aparências. Mal sabem que minha devoção pertence à liberdade natural, à emancipação sexual que eles tanto praticam às escondidas mas condenam em público, e aos antigos ritos da noite. Se soubessem das minhas convicções heréticas e pagãs, aquelas condessas siamesas cruzariam os braços e arrepiariam os pelos em sinal de pavor bizarro.

Felizmente, a estupidez deles é o meu maior ativo financeiro.

Consegui enredar o pomposo Sir Barnaby em seu próprio orgulho canino. O bulldog assinou a Cláusula de Proteção Mercantil sem perceber que estava cavando o fosso financeiro de sua própria ilha. Joguei Don Flopito contra ele usando o fantasma dos castores holandeses — roedores astutos, admito, mas previsíveis. No final da noite, eu tinha os caninos ingleses e os coelhos espanhóis operando sob a minha batuta aduaneira. A França lucrará, e a minha comissão de dez por cento sobre as tarifas de grãos garantirá que minhas propriedades permaneçam independentes da coroa. Uma vitória magnífica para a diplomacia do ronrom.

No entanto, nem tudo foi perfeito. Minhas pupilas dilataram quando notei o reflexo nos vidros da varanda.

[REGISTRO DE INTRUSAO GEOPOLÍTICA: AS RAPOSAS AUSTRÍACAS]

Sinal visual: Cauda peluda de ponta branca sob a cortina de damasco carmesim.
Identificação presumida: Conde von Fuchs, o espião-mor de Viena.
Grau de ameaça: Crítico. Raposas não caçam por esporte; elas caçam por cálculo.

As raposas austríacas estavam observando. Elas viram quando afastei Barnaby. Aqueles caninos selvagens de Viena possuem um intelecto refinado e sádico. Se eles descobrirem que usei a farsa da "perseguição austríaca aos coelhos" para forçar Don Flopito a me entregar o tratado ibérico, a aliança com o Sacro Império poderá ruir antes da próxima colheita.

O leite esfriou. A vela está no fim. A noite é das sombras, e o amanhã... bom, o amanhã pertence a quem sabe manipular os fios do novelo.

Lord Theodore fechou o diário com um baque surdo, soprou a vela e, com um salto ágil e silencioso, recolheu-se para o merecido descanso.

Criado com Gemini, do Google.

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