quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O mistério do logotipo do Jagermeister

Dizem da lenda de Santo Humberto que ele, perseguindo um veado em pleno bosque, se deteve repentinamente o que fez parar os cães e os cavalos. Entre os cornos do veado apareceu uma cruz luminosa e Huberto ouviu uma voz que lhe dizia: “Se não voltares para Deus cairás no Inferno”.
Dizem a lenda de Santo Egídio que ele encontrou abrigo de seus perseguidores em uma floresta e foi sustentado pelo leite de uma corça.
Dizem a lenda de Santo Eustáquio que ele era antes conhecido como Placidus e estava sob o comando dos imperadores Tito e Trajano. Como ele fazia muitas obras caridosas, Cristo teve piedade dele de forma que, enquanto ele caçava, ele viu um cervo e o acertou entre os olhos. No entanto o cervo fugiu, no que Placidus tentou persegui-lo, sem sucesso, quando desistiu depois que o cervo pulou por sobre um abismo, quando então o cervo olhou para ele e este tinha uma cruz entre a galhada. A lenda de Santo Eustáquio foi absorvida pela lenda de Santo Humberto, mas foi das pinturas medievais votivas a Santo Eustáquio que surgiu o logotipo do Jagermeister.
Como no caso do logotipo da Starbucks, o logotipo do Jagermeister tem origens mais remotas, vindas dos mitos europeus pagãos envolvendo o cervo.
Os animes são avidamente consumidos pelo mundo ocidental cristão, a despeito de terem em si muito da espiritualidade oriental e asiática. Um bom apreciador de anime verá com facilidade como os animes são carregados com símbolos da religião xintoísta, onde tudo possui espírito. Um bastante explicito que deve ser visto por pagãos modernos do ocidente é “Princesa Mononoke”, especialmente as cenas onde aparecem o Espírito da Floresta, que se manifesta como um cervo com feições humanas.
O leitor pode até pensar: e daí? São orientais, nós somos ocidentais. No entanto o cervo está presente em diversas lendas e mitos europeus, tal como se pode ver no filme “Branca de Neve e o Caçador” a presença do Espírito da Floresta como um cervo branco, ou então no vulto que apareceu quando Harry Potter evocou o seu Espírito Patrono.
O cervo é um símbolo da busca [caça] pela sabedoria, tendo sido considerado pelos Celtas um dos animais mais antigos. Em tempos quando as tribos dependiam da carne e do couro para sobreviver, a dependência da vida das tribos pelo cervo fez com que este animal se transformasse no símbolo da vida em si mesma. Então caçar o cervo era o símbolo do conhecimento necessário para a vida. Os chifres do cervo são comparados aos ramos das árvores, pois da mesma forma caem e voltam a crescer, ficando simbolicamente ligados ao ciclo da natureza de rejuvenescimento e renascimento. Os chifres são um símbolo portado por diversos Deuses como sinal de poder, nobreza, honra, virilidade e fecundidade, por isso que Herne e Cernunnos são representados com chifres de cervo. Os cervos são também simbolicamente conectados ao zelo com a criação e cuidado com crianças; com o balanço da lei e o rigor da justiça; com a gentileza, amor carinhoso, sensitividade, beleza graciosa, inocência e observação aguçada capaz de decidir com sabedoria diante de uma situação caótica.
Evidente que a Igreja não poderia permitir isso, então forjou diversas lendas que suprimiram ou apagaram as lendas europeias originais com cervos, como as lendas de Santo Humberto, Santo Eustáquio e Santo Egídio. Os pagãos modernos devem resgatar suas verdadeiras raízes culturais, espirituais e religiosas. Os pagãos modernos devem arrancar do Cristianismo aquilo que foi roubado e devolver ao seu devido lugar.

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