terça-feira, 25 de agosto de 2015

Esses malvados Romanos

Beto: Eu não vi qualquer pagão perseguindo, matando, torturando ou queimando outro pagão por práticas ou crenças diferentes.
Mark Green: Você não deve ter ouvido dos Romanos.
Uma evidente distorção e deturpação da História. Se fosse um cristão eu não ficaria espantado. Mas Mark alega ser “ateu pagão”. Vamos aos fatos.
1)   Roma não tinha uma religião oficial única. A religião romana, tal como a grega, tinha a sua expressão pública e a particular, a familiar.
2)    Os Romanos não se identificavam como pagãos nem sua religião como Paganismo. A religião de Roma era tradicional, estava intrinsecamente conectada com a cidadania romana e com a Urbe. O “pagão” era como o caipira da nossa época.
3)  Roma não tinha uma organização religiosa central, altamente hierarquizada ou com dogmas centrais. Roma era politeísta, cada Deus tinha seu próprio templo, corpo sacerdotal e ritual.
4)   Roma tinha uma tolerância com as religiões dos povos dominados. Muitas vezes os Romanos adotaram ou assimilaram religiões e Deuses de outros povos.
Mesmo assim, Roma tinha uma política rígida.
Roma perseguiu e destruiu o culto a Dioniso. Um Culto de Mistério, Iniciático e Estático. Não era um culto divergente da “religião oficial romana”, nem tampouco pode ser considerada “pagã”, pelos termos da época. O culto a Dioniso foi exterminado por que foi considerada uma ameaça à sociedade romana, não por motivos religiosos.
O Senado mandou destruir o templo de Isis e Osíris, Júlio Cesar mandou destruir os livros sibilinos e Tibério César ordenou a destruição do templo de Isis e Serapis.
O culto de Isis e Osíris é Egípcio, portanto não é Romano, portanto não pode ser considerado uma “pratica diferente” da religião romana. O culto de Isis e Osíris era um culto que pertenciam às cidades do Egito, portanto, não eram “pagãs”, pelos termos da época. As Sibilinas eram videntes Gregas, portanto não são Romanas. Os Romanos possuíam seu próprio sistema de vidência e os livros sibilinos não eram um “desvio” da crença romana. O culto de Isis e Serapis foi instituído pelos Gregos e Macedônios, portanto não é Romano. O culto de Isis e Serapis tinha seu centro na cidade de Alexandria, Egito, portanto, não era Romano nem “pagão”, pelos termos da época.
O Senado ordenou a destruição do templo de Isis e Osíris porque estava localizado na mesma colina onde estava o templo de Júpiter. Júlio Cesar acabara de centralizar o poder, o livro sibilinos ameaçavam seu poder máximo. Tibério Cesar ordenara a destruição do templo de Isis e Serapis por consequência da derrota de Cleópatra.
Em contraponto, Roma ordenou que fosse trazido a estatua da Magna Mater para que a Bonna Dea fosse adorada. Roma adotou o culto de Mithra no seu exército. Roma adotou e assimilou a mitologia Grega, bem como rituais e templos da religião grega. O culto de Isis chegou a se tornar uma religião de massas graças a Roma. Quando Roma expandiu seu território e se tornou um Império, permitiu que os povos dominados mantivessem sua religião.
Roma apenas se tornou religiosamente intolerante depois que o Império Romano instituiu o Cristianismo como religião oficial. Foi nesta época que se deu o nome de “pagão” e “paganismo” a todas as crenças antigas e originais que existiram antes do Cristianismo.
Cristão ignorar que sua religião teve suas origens nas diversas religiões antigas é até aceitável. Mas alguém que alega ser ateu pagão ignorar a diferença entre as Religiões Antigas e o que nós orgulhosamente chamamos de Paganismo Moderno, é inaceitável.

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