quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Paganismo e Nova Era

Jason Mankey escreveu no Patheos o artigo “Paganism and New Age” e eu acho interessante para os pagãos brasileiros não traduzir o que Jason escreveu, mas analisar e comparar esses caminhos ou tendências do Mundo Contemporâneo e talvez colocar um contexto mais preciso para diferenciar um de outro.

Eu vou recorrer ao Oráculo Virtual [Google].

O movimento da Nova Era (do inglês New Age) tem como característica uma fusão de ensinos metafísicos de influência oriental, de linhas teológicas, de crenças espiritualistas, animistas e paracientíficas, com uma proposta de um novo modelo de consciência moral, psicológica e social além de integração e simbiose com o meio envolvente, a Natureza e até o Cosmos. Tendo muitas vezes como base um caráter liberal e de oposição à ortodoxia e o conservadorismo das religiões organizadas.

O movimento em si ocorreu nas décadas de 1960 e 1970, tendo como inspiração princípios teosóficos e escritos sincréticos do século XIX e início do século XX. Fazendo parte dos movimentos de contracultura da época e servindo como ferramenta de contestação às religiões e valores tradicionais.

Embora tenha deixado marcas que ainda se refletem na atualidade, o movimento nunca existiu de forma centralizada ou como uma só organização. Nota-se também que nem todas as religiões e filosofias sincréticas ou místicas apoiam ou se identificam com movimentos da nova era, embora muitas vezes sejam rotuladas dessa forma. [Wikipédia]

Paganismo (do latim paganus, que significa "camponês", "rústico" ) é um termo geral, normalmente usado para se referir a tradições religiosas politeístas.

É usado principalmente em um contexto histórico, referindo-se a mitologia greco-romana, bem como as tradições politeístas da Europa e do Norte da África antes da cristianização. Num sentido mais amplo, seu significado estende-se às religiões contemporâneas, que incluem a maioria das religiões orientais e as tradições indígenas das Américas, da Ásia Central, Austrália e África, bem como às religiões étnicas não-abraâmicas em geral. Definições mais estreitas não incluem nenhuma das religiões mundiais e restringem o termo às correntes locais ou rurais que não são organizadas como religiões civis. Uma característica das tradições pagãs é a ausência de proselitismo e a presença de uma mitologia viva, que explica a prática religiosa. [Wikipédia]

Neopaganismo, [ou Paganismo Moderno] por vezes referido simplesmente como paganismo, é um termo utilizado para identificar uma grande variedade de movimentos religiosos modernos, particularmente aqueles influenciados pelas crenças pagãs pré-cristãs da Europa. Os movimentos religiosos neo-pagãos são extremamente diversificados, com uma vasta gama de crenças, incluindo o politeísmo, o animismo, o panteísmo e outros paradigmas. Muitos neopagãos praticam uma espiritualidade que é completamente moderna em sua origem, enquanto outros tentam reconstruir precisamente ou reviver, religiões étnicas como os encontrados em fontes históricas e folclóricas.

A maior parte das religiões neopagãs são tentativas de reconstrução, ressurgimento ou - mais comumente - adaptação de antigas religiões pagãs, principalmente as da antigüidade pré-cristã européia, mas não restritas a estas, sem perder de vista as experiências e as necessidades apresentadas pelo mundo contemporâneo. Alguns neopagãos enfatizam sua conexão com formas antigas do paganismo, em uma forma de continuidade histórica marginal. [Wikipédia]

Agora vamos colocar o andor em marcha. Esse “orientalismo” apareceu na mesma época da Contracultura e do Paganismo Moderno. Mais fruto da colonização inglesa e fruto da cultura pop [os Beatles e outras bandas contribuíram e muito para ascender as inúmeras práticas do “oriente” para consumo da classe média e até intelectuais], a Nova Era pode montar seus primórdios ao Ocultismo do século XVIII e as muitas ordens místicas esotéricas que apareceram em decorrência desse Movimento Romântico. Maçonaria, Rosacruz, Teosofia e congêneres misturaram sem dó nem piedade as mais diversas práticas espirituais vindas do “oriente”, muitas vezes desprovidas de sua base, origem ou doutrina religiosa.

Muito do que sabemos e resgatamos do Paganismo Clássico e da Bruxaria Tradicional pode até ter sido trazido pela Nova Era, mas o estudo da história, da arqueologia, da antropologia e da etnologia pode filtrar muito do bagaço que é vendido com a embalagem de Wicca, Bruxaria e Paganismo. O mais provável é que o Ocultismo e a Teosofia copiaram partes do Paganismo Clássico, especialmente os ensinamentos esotéricos e partes das Religiões de Mistério, especialmente as práticas mágicas, com uma embalagem mais comercial e atrativa para o público que procurava formas de espiritualidade alternativas.

O Paganismo Moderno, em seus primórdios, sofreu bastante com essa falta de fontes, de bases e de estudos mais aprofundados e, infelizmente, ainda existe muita confusão e ecletismo que coloca o Paganismo Moderno com uma inconveniente proximidade com a Nova Era. Por isso que é necessário divulgar e esclarecer ao público que práticas espirituais têm sua origem e sentido por si mesmas. Ainda que façamos uso dessas práticas, isto não pode alterar nem distorcer nosso sentido de identidade, de origem, de prática e de propósito.

Por isso que eu tenho uma postura tradicionalista e politeísta. A ideia de Monismo ou Henoteísmo é uma influência desse “orientalismo”, dessa Nova Era comercializada. A prática espiritual é um acessório que ajuda, complementa, aprimora nossa experiência com o divino, mas não pode tomar o lugar dos princípios e valores que caracterizam nossa religião. A Nova Era é simplesmente uma espiritualidade de conveniência que beira a histeria kitsch. O Paganismo Moderno é uma religião, com Deuses, rituais e práticas com um objetivo mais coerente.

2 comentários:

Anderson_creiATIVE disse...

Olá roberto, meu nome é anderson, estudo o paganismo faz um tempo. Aqui está o meu contato para podermos dialogar sobre tal tema: anderson.igor.leal.costa@gmail.com

roberto quintas disse...

Ola Anderson. Agradeço o convite, mas eu irei declinar. A experiencia nesse sentido nunca foi proveitosa.