sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O imaginário da magia

São poucos os livros de ou sobre o Ofício. Destes, a tônica cai sempre ou na refutação ou na desmistificação do fenômeno, dentro de uma visão tendenciosamente pró-cristianismo ou supostamente acadêmica.
O livro de Francisco Bethencourt é uma grata exceção e, ao contrário dos demais trabalhos, foi o resultado de um trabalho diligente em cima de processos que existiram em Portugal.
Aqui eu colocarei os tópicos que cobrem as crenças e práticas das bruxas.
Práticas
O conhecimento das coisas ocultas: o destino individual, o destino coletivo, o paradeirto de pessoas e bens;
O domínio sobre o corpo: a vulnerabilidade dos corpos, os procedimentos de cura, o controle da natalidade;
O domínio sobre os sentimentos e vontades: a graça, o amor, o aborrecimento, o ligamento, o ódio.
Crenças
A mentalidade mágica: o simbolismo dos ritos, a relação do homem com a totalidade das coisas, a relação do homem com o homem, o papel do "homo magus";
A demonologia: magia natural e magia diabólica, invocação e comunicação com o demônio, o pacto com o demônio, assembléia noturna.
O espaço dos poderes
O mágico e o espaço social: identificação dos mágicos, um poder ao rés-do-chão, a ambiguidade das atitudes, conflitos de instituição;
O mágico e o campo religioso: o mercado dos bens de salvação, a posição do mágico entre os agentes religiosos.
O mago, a bruxa, eram agentes religiosos inseridos na sociedade, mas que tiveram a desventura de enfrentar um sistema regulamentado por um Estado e uma Igreja interessados em resguardar o monopólio das crenças para o Catolicismo.
O livro deve ser lido inteiramente para que possamos compreender como eram, efetivamente, as crenças e práticas das bruxas que, longe das hipóteses delirantes de pseudo-acadêmicos ou dos discrusos de supostos sacerdotes/bruxos, não era única, não era "pura" e nem sempre era pré-cristã.
Da minha parte, ressalto a curiosa prática das bruxas portuguesas em relação ao "sino-saimão". Dito, "signo de Salomão", um hábito gestual com as mãos, para banir/benzer, desenhando uma estrela de seis ou cinco pontas.

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