terça-feira, 4 de agosto de 2009

Falsas promessas

Existe um texto na internet que faz uma comparação mitológica entre os Deuses Antigos e o Deus Cristão, encontrando mais semelhanças do que diferenças. Deixando de lado os exageros e as lacunas da análise, eis que me deparo com uma tentativa de refutação de um cristão que, evidentemente e deliberadamente, recorre à velha distorção dos fatos ou citação tendenciosa de textos, não para dar embasamento à sua crença, mas de ocultar os defeitos dela perante o público.
Citando apenas a parte mais interessante dos argumentos desse menino, eu vou anotar as lacunas e falhas dessse raciocínio.
Nenhum dos denominados “deuses salvadores” morreu por outra pessoa. A noção do Filho de Deus, que morre no lugar das criaturas que ele próprio criou, não tem paralelos na mitologia pagã.
Apenas Jesus morreu por causa do pecado.
Nem poderiam. O conceito espiritual de que todos nascem pecadores não fazia parte da Antiguidade, salvo pelos adoradores de Ormuz e de Yahveh. Mas o conceito de que Deus tenha filhos é frequente no mundo antigo. O problema é que o Deus Cristão diz ser o Único, então, ou Ele sofre de esquizofrenia ou mente sobre ser o único. O conceito de que o Deus Cristão criou a todos mas convenientemente se exime da responsabilidade quando a criatura erra no mínimo demonstra falta de caráter. Um Deus que cria suas criaturas, as culpa de falhas por um erro do projetista e ainda "oferece" uma solução discutível demonstra que o Deus Cristão é sádico.
Jesus morreu de uma vez por todas, enquanto os deuses de mistério eram divindades relacionadas à vegetação e suas repetidas mortes e ressurreições descreviam e se conformavam ao ciclo anual da natureza.
Evidente, essa era o foco do mundo antigo: o constante ciclo da vida. Nascimento, crescimento, morte e reencarnação. Não uma vida cheia de restrições e agrúrias, vivida sem alegria ou plenitude, por causa do medo de cometer um "pecado", de ofender o tirânico Deus Cristão e de ser condenado a um sofrimento eterno no Inferno.
A morte de Jesus foi um evento real, enquanto a morte dos deuses de mistério somente consta em dramas míticos, sem vínculos históricos. Suas continuadas encenações celebram a recorrente morte e nascimento da natureza. O fato incontestável de que a Igreja primitiva acreditou que a proclamação da morte e ressurreição de Jesus tinha fundamento histórico, torna absurda qualquer tentativa de comparação que vise apresentar o relato bíblico como produto dos mitos pagãos.
Não há comprovações históricas confiáveis sequer de que Cristo tenha sido real, quanto mais de sua execução, que mais parece uma cena de ópera conveniente para a doutrinação. A morte de Cristo é um mito como a morte dos demais Deuses Antigos, especialmente os ligados aos Mistérios Antigos.
Diferentemente dos deuses de mistério, Jesus morreu voluntariamente. Nada semelhante a isso é mencionado, nem mesmo implicitamente, nas religiões de mistério.
Nem tanto. Há um trecho nos evangelhos onde Cristo afirma que é necessário que ele se sacrifique para que todos possam ser libertos do pecado. Assim como o Deus Rei Sacrificado, ele existe apenas para cumprir com seu dever sagrado. O que o autor não discute é se Cristo estava habilitado para tal obra.
A morte de Jesus não foi uma derrota, mas um triunfo. Nisso também há um contraste nítido, já que, nas religiões de mistério, os seguidores pranteavam e lamentavam pelo destino terrível que acometia seus deuses.
Considerando que sua morte sacrificial não foi suficiente para eliminar o "pecado" do mundo, tanto que ainda vivemos sob esse "perigo", senão não haveria tanta obcessão na pregação dos evangelhos e no proselitismo, o triunfo mais parece o falso orgulho de um competidor que recebeu apenas uma mera citação de honra ao mérito.
Existe em outros tópicos mais análises sobre o mito de Cristo e sobre as falhas da doutrina cristã, o dileto visitante fique à vontade para pesquisar.

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