sábado, 23 de agosto de 2025

In your face

O governo de Donald Trump, de certa forma, tem nos levado a uma verdadeira viagem no tempo. Ao acompanhar as notícias vindas dos Estados Unidos, é difícil não perceber uma sensação de déjà vu, como se estivéssemos na Alemanha da década de 1930, e não em 2025, na autointitulada “maior democracia do mundo”.

O regime trumpista tem cultivado e normalizado algumas das ideologias mais perigosas da história: supremacia branca, movimentos etnonacionalistas, nacionalismo cristão e até marchas de grupos que exibem símbolos nazistas abertamente.

Esse cenário, de extrema polarização e intolerância, reflete o crescente espaço que o discurso de ódio e a divisão social têm ganhado nos Estados Unidos sob a administração Trump.

O fenômeno, alimentado pelos delírios da extrema direita, está corroendo as instituições democráticas e distorcendo o conceito de liberdade e democracia naquele país.

Ecos da Alemanha nazista

O processo é alarmante e nos remete diretamente à ascensão do nazismo na Alemanha dos anos 1930, quando o radicalismo ideológico subverteu as estruturas democráticas e abriu caminho para a tirania.

Naquele período, a Alemanha enfrentava um clima de extrema radicalização política, agravado por uma grave crise econômica após a Grande Depressão e pelas humilhações impostas pelo Tratado de Versalhes, que responsabilizava o país pela Primeira Guerra Mundial.

Esse ambiente de desesperança se tornou terreno fértil para a ascensão de Adolf Hitler e do Partido Nazista, que usaram o nacionalismo exacerbado, o antissemitismo e o discurso de ódio como ferramentas de poder, criando uma narrativa de "unificação" e "pureza racial".

Embora os contextos sejam diferentes, a comparação com os Estados Unidos de hoje é alarmante. Assim como na Alemanha nazista, os EUA governados por Trump enfrentam uma crescente polarização política e social, alimentada por movimentos de extrema direita que buscam redefinir a identidade nacional por meio da exclusão de minorias e da retórica de ódio. 

Trump que(r) liberar nazismo na Alemanha

A análise do governo Trump sobre os direitos humanos na Alemanha em 2025 diz muito sobre os perigos que surgem nos Estados Unidos. Na primeira edição do relatório anual de seu segundo mandato, publicado pelo Departamento de Estado dos EUA, que desde 1977 avalia a situação dos direitos humanos em diversos países, a abordagem sobre a Alemanha é no mínimo controversa.

O documento afirma que houve restrições à liberdade de expressão na Alemanha, particularmente no que diz respeito a grupos considerados extremistas, como os que promovem o nazismo ou negam o Holocausto. A crítica recai sobre a legislação alemã que limita tais discursos, apontando que várias pessoas foram presas e condenadas por incitar o ódio racial.

Em resposta, o governo alemão reafirmou que não há censura no país. Embora existam restrições a discursos de ódio, a liberdade de expressão é amplamente protegida, com o sistema judicial atuando para equilibrar esse direito com a necessidade de impedir a propagação do extremismo e do antissemitismo.

Comunidade só para brancos

Faz sentido que Trump queira dar pitaco na Alemanha. Um documentário produzido pela emissora britânica Sky News mostra a construção de uma comunidade segregacionista no estado do Arkansas, EUA, que se chama "Retorno à Terra" (RTTL). O objetivo é criar uma "fortaleza para a raça branca" em uma região isolada. O grupo, liderado por Eric Orwoll, é explícito e despudorado em suas inspirações nazistas.

O documentário Inside the whites-only settlement in Arkansas: The group building a 'fortress for the white race' (Dentro da comunidade exclusiva para brancos no Arkansas: O grupo que está construindo uma "fortaleza para a raça branca”) oferece uma visão perturbadora sobre o RTTL. 

O vídeo, que foi publicado no YouTube no dia 22 de julho e já alcançou mais de 1,6 milhões de visualizações até esta quarta-feira (20), investiga a criação de uma comunidade exclusiva para pessoas brancas, heterossexuais e de ascendência europeia, localizada nas montanhas Ozark, no Arkansas.

O jornalista Tom Cheshire acompanha o dia a dia do grupo, que conta com cerca de 40 moradores permanentes, e observa atividades como construção de cercas, instalação de poços e a criação de um centro comunitário e uma escola. 

O RTTL se apresenta como uma "comunidade intencional baseada em ancestralidade compartilhada", excluindo explicitamente indivíduos não brancos, não heterossexuais e seguidores de religiões não europeias.

Orwoll, líder da comunidade, defende que o projeto é legal, baseado no direito à liberdade de associação e na constituição de uma associação privada. No entanto, especialistas em direitos civis questionam essa justificativa, argumentando que a exclusão racial do grupo contraria leis federais como o Fair Housing Act e o Civil Rights Act, que proíbem a discriminação racial.

Além disso, o documentário destaca o uso de símbolos neonazistas, como o número 1488, e declarações polêmicas de Orwoll sobre Hitler, o que reforça o caráter extremista do grupo.

O RTTL também tem planos de expandir suas atividades, com o objetivo de criar novas comunidades em outros estados dos EUA e até internacionalmente, promovendo uma ideologia de segregação racial e incentivando o crescimento populacional entre seus membros.

Marcha nazista em Indianápolis

No último dia 16, um grupo mascarado e carregando bandeiras nazistas marchou ao redor do Monument Circle, localizado na praça central de Indianápolis, capital do estado de Indiana e sede da famosa corrida de carros Indianapolis 500, um dos eventos de automobilismo mais prestigiados do mundo. O ato gerou rápida condenação de autoridades locais, líderes de segurança e organizações de direitos civis.

Os manifestantes, vestidos de preto e com bandeiras com suásticas vermelhas, gritaram “poder branco” e fizeram saudações nazistas, com alguns membros armados. A marcha, que ocorreu sem aviso prévio, foi monitorada pela Polícia Metropolitana de Indianápolis (IMPD).

O chefe da IMPD, Chris Bailey, explicou que não havia previsão do evento, mas que o departamento rapidamente direcionou recursos para acompanhar a marcha. Ele ressaltou que, embora o grupo tenha direito de se manifestar, isso não implica apoio às suas ideias.

O representante da cidade no Congresso dos EUA, o democrata André Carson,, condenou a marcha em uma postagem nas redes sociais. Ele ressaltou que o ódio não tem lugar em Indianápolis e enfatizou a importância de se unir contra o extremismo que ameaça a comunidade e a democracia.

Carlson é um dos dois muçulmanos a ocupar um cargo no Congresso dos EUA, e sua eleição foi um marco para a representação de minorias religiosas na política do país. O democrata segue os passos da avó, Julia Carson, que foi a primeira mulher e a primeira pessoa negra a representar o 7º distrito de Indiana na Câmara dos Representantes antes de sua morte em 2007.

O congressista democrata tem sido ativo em diversas questões, incluindo segurança pública, educação e direitos civis. Ele também tem se posicionado contra a discriminação e em defesa da justiça social, sendo um crítico do extremismo e de movimentos de ódio.

O Conselho de Relações Americano-Islâmicas (CAIR) também se manifestou, reforçando a condenação da marcha e pedindo solidariedade contra qualquer forma de extremismo.

Até o momento, não houve registros de prisões relacionadas à marcha. As autoridades informaram que continuarão monitorando eventos semelhantes para garantir a segurança pública, sempre respeitando as obrigações constitucionais.

O que virá agora?

O cenário atual nos Estados Unidos é alarmante. A normalização de discursos extremistas e o crescente apoio a grupos de ódio estão minando os pilares democráticos e os direitos humanos no país. O risco de relembrarmos as lições mais sombrias da história, como as que surgiram com regimes autoritários, é uma ameaça concreta.

Fonte: https://revistaforum.com.br/global/2025/8/20/trump-permite-comunidade-so-para-brancos-marcha-nazista-em-plena-luz-do-dia-185869.html

O divino é plural

Conversa com o Gemini

Baseado no texto do link:

https://www.patheos.com/blogs/thedesertsanctuary/2025/08/does-god-change/

Escreva um texto na opinião de um pagão moderno.

Resposta do Gemini:

Em nome de um pagão moderno, a ideia de que "Deus" é imutável parece um pouco estranha. Na verdade, a questão "Deus muda?" é, por si só, baseada em um conceito singular de divindade que não se aplica à maioria das tradições pagãs. Nós vemos o divino de forma plural e fluida, não como uma única entidade estática.

Para nós, os deuses e deusas não são entidades distantes e perfeitas, mas sim reflexos de um universo em constante mudança. Eles representam ciclos: o ciclo das estações, o nascimento, a morte e o renascimento. A natureza, que é o nosso livro sagrado, está em constante evolução. Por que o divino, que é imanente a ela, seria diferente?

Em vez de se debater se um Deus único pode mudar de ideia sobre um rei ou um pacto, nós aceitamos que as divindades podem ter múltiplos aspectos. O deus que é um guerreiro num momento pode ser o amante noutro. A deusa que é uma donzela pode tornar-se a mãe e, finalmente, a anciã. Isso não é uma contradição ou uma imperfeição, mas sim uma representação da totalidade da vida.

Além disso, a ideia de um "Deus" que é amoroso, mas que assiste ao sofrimento sem agir, não faz sentido em nossa cosmologia. O divino está em tudo, inclusive no sofrimento e na alegria. A nossa responsabilidade não é esperar que uma divindade externa resolva os nossos problemas, mas sim honrar o divino que existe dentro de nós e na natureza ao nosso redor, agindo em harmonia com os seus ciclos.

A maior sabedoria para nós é perceber que, assim como o universo, os deuses estão em constante fluxo. Eles não são perfeitos no sentido estático da palavra, mas perfeitos na sua capacidade de evoluir e de se manifestar em todas as suas facetas. A resposta para a pergunta "Deus muda?" não é "sim" ou "não", mas sim "por que ele não mudaria, se tudo o que existe no universo muda?".

Criado com Gemini, do Google.

Nota: o cristão baseia sua crença em um livro, não na experiência ou na sua busca pelo divino. O ateu está preso em outra necessidade de certeza e no antropocentrismo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Proselitismo com dinheiro público

A Polícia Civil de Santa Catarina distribuirá exemplares do best seller evangélico Café com Deus Pai, do pastor Junior Rostirola, da Igreja Reviver, aos mais de três mil funcionários (agentes e estagiários) da instituição. A iniciativa foi divulgada pelo delegado-geral Ulisses Gabriel na segunda-feira 18.

Na gravação, Gabriel aparece ao lado de Rostirola e do vereador de Balneário Camboriú Anderson Santos (PL), responsável pela interlocução com a cúpula da Polícia Civil. "Uma dádiva de Deus, que vai engrandecer e motivar cada policial civil na sua luta diária.
Muitos de nós saímos de casa sem saber se vamos voltar, e a palavra de Deus é um estímulo e uma motivação", celebrou Ulisses no vídeo, divulgado nas redes sociais.

Amigo do pastor, o vereador anunciou na semana passada que todos os policiais militares do estado também receberão a obra, entregues de forma gratuita no âmbito do projeto "Cuidar de quem cuida". Lançado em 2023, o devocional contém 365 mensagens, dedicadas a cada um dia do ano, com reflexões e conselhos diários.

O livro foi um dos mais vendidos em 2024 (sete milhões de exemplares) e inspirou um podcast de mesmo nome. A edição 2026 será lançada em setembro, com um coquetel em São Paulo.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/policia-de-santa-catarina-distribuira-best-seller-evangelico-a-agentes/

Nota: inconstitucional. Estado Laico.

As origens do Candomblé

Autor: Pai Paulo de Oxalá.

Embora tenha raízes fincadas no continente africano, o Candomblé é uma religião nascida em solo brasileiro. Na África, o que existe são os cultos tradicionais aos ancestrais e às divindades, praticados por diferentes povos de forma específica e descentralizada. Foi aqui, no Brasil, que esses cultos se reuniram, se reorganizaram e ganharam o nome de Candomblé.

Não se trata de uma simples importação de práticas religiosas, mas sim de uma construção coletiva, forjada com dor, esperança e resistência pelos africanos. Esse elo espiritual com o passado ancestral floresceu em um novo território e deu origem a uma religião viva, que reorganizou os saberes sagrados de várias etnias africanas em um sistema litúrgico coerente e harmônico.

Na África, cada povo cultua suas divindades em seus próprios territórios: Oxum é cultuada em Ijexá, Xangô em Oyó, os Voduns no Daomé, os Nkises no Congo e em Angola. Ao chegarem ao Brasil, esses povos foram misturados e impedidos de manter suas práticas religiosas originais. A repressão às culturas africanas e a imposição da fé católica exigiram uma resposta de resistência. E essa resposta foi a união.

No lugar de cultuar apenas suas próprias divindades, os iniciados criaram espaços onde todos os deuses africanos fossem celebrados em conjunto. Esse gesto de adaptação e solidariedade deu origem ao que hoje chamamos de Candomblé. O termo, que não existia nos territórios africanos, foi se moldando no Brasil a partir de palavras como kandombele, que significa festa ou dança popular, e kandombidé, traduzida como ato de louvar. No início, designava qualquer reunião entre africanos. Com o tempo, tornou-se o nome de uma religião afro-brasileira estruturada, marcada por ritos complexos, cânticos, danças e uma filosofia profunda de conexão entre o sagrado e o cotidiano.

Para preservar os ritos e os cânticos em línguas africanas, o Candomblé foi organizado em nações. Essas nações não são políticas, mas sim agrupamentos culturais e litúrgicos que preservam traços das etnias africanas de origem. As principais são a Nação Ketu, de matriz yorubá; a Nação Jeje, dos povos fons e mahin; e as Nações Angola e Congo, de tradição Bantu. Há ainda subdivisões, como o Jeje Savalu e Mudubi, o Ketu Ijexá e o Alaketu, além de fusões como o Nàgó-Vodun, que evidenciam a riqueza, a pluralidade e a capacidade de convivência entre diferentes tradições.

Cada nação mantém sua língua ritual, seus cânticos, folhas sagradas, toques de atabaques e formas próprias de culto. Essa diversidade interna é uma das maiores forças do Candomblé, que jamais se fechou em rigidez, mas soube acolher e reinventar-se.

Mais do que preservar o passado, o Candomblé é uma religião que se atualiza com o tempo. Converte a dor em dança, a opressão em resistência e o sofrimento em beleza. A cabeça, que entre os yorubás é chamada de orí, e entre os bantus de mutue, é o espaço sagrado onde habita o divino. Nela, o Orixá, o Vodun ou o Nkisi não se impõe para dominar, mas para orientar e cuidar.

É essencial reconhecer que foram as mulheres as grandes estruturadoras do Candomblé no Brasil. Mesmo em meio à invisibilidade imposta pelo sistema colonial, elas guardaram os segredos, fundaram os primeiros terreiros e formaram gerações. Os homens sempre estiveram presentes, com funções importantes como a de Ogans, mas desde o início a liderança espiritual era majoritariamente feminina, e continua sendo em muitos templos.

Para Mãe Maria de Xangô, ícone da Nação Ẹ̀fọ̀n e dirigente do Axé Pantanal, em Duque de Caxias, o Candomblé que praticamos é completo e eficaz.

"O culto de lá é diferente do que professamos aqui. O que os nossos antigos trouxeram e nos ensinaram é sagrado, é funcional, é verdadeiro. Eles têm a maneira deles de invocar os Orixás, e nós desenvolvemos a nossa, a partir do que foi possível preservar. O nosso Candomblé é perfeito porque vem do coração, da resistência e da devoção dos nossos ancestrais. E funciona, porque é cheio de axé e fé."

O Babalorixá e escritor Márcio de Jagun acrescenta que é importante abandonar a ideia de uma matriz africana única.

“O mais adequado é falarmos em matrizes africanas. O Candomblé é uma religião genuinamente brasileira, com ritos baseados em diversos cultos africanos. Com a diáspora, o culto aos Orixás também se espalhou para outros países, como Cuba, onde surgiram o Ifá cubano e a Santeria, e o Haiti, com o Vodu. No Brasil, o que nasceu foi o Candomblé, uma expressão religiosa própria, com raízes africanas e identidade brasileira. Digo isso também com base na minha vivência. Estive na África e presenciei ritos de Orixá que são bastante diferentes dos que realizamos aqui.”

Como se vê, o Candomblé não é uma cópia da África. É uma recriação dos cultos africanos em solo brasileiro. É uma resposta espiritual à tentativa de apagamento cultural. Prova de que, mesmo diante da violência, a alma africana resistiu. É também um pacto de união entre povos que foram rivais em suas terras de origem, mas que, aqui, diante da repressão comum, estenderam as mãos uns aos outros.

Essa união, que às vezes se vê ameaçada por vaidades e disputas desnecessárias, é justamente o que sustenta o Candomblé. Ele nasceu do encontro, do compartilhamento e da soma. Mais do que tudo, é uma celebração à ancestralidade, à natureza e à vida. Ensina que não existe espiritualidade verdadeira sem respeito, sem escuta e sem consciência de que somos muitos, e que a nossa força está em estarmos juntos.

Que Olódùmarè continue protegendo o Candomblé e que a luz dos ancestrais jamais se apague. Foram eles que transformaram a dor em fé, o exílio em esperança e a resistência em tradição. Que os Orixás, os Voduns, os Nkises e os Caboclos, espíritos dos povos indígenas que acolheram com generosidade os irmãos africanos, nos inspirem a preservar o que é sagrado, a respeitar as diferenças e a manter acesa a chama da fé e do afeto coletivo.

O Candomblé é mais do que uma religião. É uma lição viva de dignidade, união e amor à ancestralidade.

Axé para todos!

Fonte: https://extra.globo.com/blogs/pai-paulo-de-oxala/post/2025/08/candomble-um-rito-criado-no-brasil-com-raizes-africanas.ghtml

Inteligência, razão e lógica

Baseado no texto do link: 

https://www.paulopes.com.br/2025/07/ser-ateu-nao-implica-necessariamente.html

Escreva uma análise crítica.

Eu vejo uma contradição entre dizer que o ateu é mais "racional", mais "lógico", sem ter inteligência.
Isso é a falácia da petição de princípio.

Resposta do Gemini:

Análise Crítica do Artigo "Ser ateu não implica necessariamente ser inteligente, mas se libertar dos dogmas"

Com base no conteúdo do artigo, sua observação sobre a contradição entre ser "racional" ou "lógico" sem ter inteligência é um ponto central e válido para uma análise crítica. A falácia da petição de princípio que você menciona, onde a conclusão já está implicitamente contida na premissa, é um ponto de partida excelente.

Análise do ponto levantado:

O artigo parece estabelecer uma distinção sutil, mas crucial, entre inteligência e o uso de racionalidade de forma crítica. Ele argumenta que a inteligência, por si só, não garante o ateísmo, e que pessoas inteligentes podem usar sua lógica para defender e reforçar dogmas, em vez de questioná-los. Isso sugere que a inteligência, nesse contexto, é vista como uma capacidade (um "hardware"), enquanto a "racionalidade crítica" (o "software") é a aplicação dessa capacidade para a libertação dos dogmas. O texto, ao fazer essa distinção, tenta contornar a contradição que você aponta. No entanto, sua crítica de que isso pode ser uma petição de princípio é pertinente. O artigo, em vez de provar que o ateísmo é o resultado de uma forma superior de racionalidade, parece assumir essa premissa.

Análise Crítica Adicional:

 * Ateísmo como esforço e libertação: O artigo define o ateísmo como algo não natural, que exige "esforço, desaprender e solidão", apresentando-o como uma forma de libertação. Essa visão pode ser vista como uma idealização do ateísmo, ignorando que a adesão a dogmas ou a falta de crença pode ser resultado de diversos fatores sociais, emocionais e educacionais, não apenas de um processo de "libertação".

 * A dicotomia entre religiosos e ateus: O texto cria uma forte dicotomia entre "religiosos" e "ateus", atribuindo o uso de falácias e emoções principalmente ao primeiro grupo. Embora o artigo cite vieses cognitivos comuns, ele tende a posicionar o ateísmo como o resultado de uma superação desses vieses, enquanto a religião seria a sua exploração, o que é uma generalização.

 * Monoteísmo e controle social: A crítica ao monoteísmo como um fenômeno recente e a caracterização do céu e do inferno como ferramentas de controle social são argumentos conhecidos no debate sobre a religião. O artigo apresenta-os como fatos definitivos, mas uma análise crítica exigiria uma exploração mais profunda dessas questões, considerando os múltiplos papéis que a religião desempenhou ao longo da história, incluindo a função de coesão social e a busca por sentido.

Em resumo, o artigo levanta questões interessantes sobre a relação entre inteligência, crença e racionalidade. No entanto, sua análise pode ser criticada por idealizar o ateísmo como um estado de libertação e por criar uma dicotomia simplista entre crentes e não crentes, o que enfraquece a profundidade de seus argumentos.

Criado com Gemini, do Google.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Finalmente alguém vai responder

A Justiça do Rio marcou para esta quinta-feira (21) a primeira audiência de instrução e julgamento que vai ouvir o pastor Felippe Valadão, líder da Igreja Batista de Lagoinha, no caso de intolerância religiosa durante show em Itaboraí, região metropolitana do estado.

Ele foi indiciado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) ano passado pelo caso que ocorreu em 2022. Na época, o pastor fez declarações contra praticantes de religiões afro-brasileiras no palco de comemoração pelos 189 anos da cidade. Valadão chamou fiéis de “endemoniados” e afirmou que fecharia casas de umbanda.

“Avisa para esses endemoniados de Itaboraí que o tempo da bagunça espiritual acabou. Pode matar galinha, pode fazer farofa, prepara para ver muito centro de umbanda sendo fechado na cidade. Deus vai começar a salvar esses pais de santo que têm na cidade”, disse o pastor.

A Ação Civil Pública por dano moral coletivo partiu de denúncia do deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ) que enviou representações ao Ministério Público do Rio (MPRJ) e à Decradi por meio da Comissão contra a Intolerância Religiosa da Assembleia Legislativa (Alerj). Para o parlamentar, “o pastor deu uma de anticristo” ao proferir palavras agressivas contra religiões afro.

“Em 2022, participamos de ato público em Itaboraí em repúdio a esse pastor. Vamos continuar seguindo esse caso e mostrar que, independentemente da religião A ou B, o Estado laico precisa ser respeitado”, afirmou nas redes sociais Minc. O processo tramita na 2ª Vara Cível de Itaboraí. A ação pede indenização de R$ 300 mil por danos morais coletivos.

Em depoimento durante as investigações, Felippe Valadão alegou que teve a fala descontextualizada. Segundo o pastor, ele as palavras foram em defesa da própria religião, “acreditando que pessoas de outras religiões poderiam se converter à fé cristã”. Na denúncia encaminhada ao MPRJ, porém, a delegada Rita de Cássia Salim Tavares confirmou a veracidade do vídeo e a prática de intolerância religiosa.

A Prefeitura de Itaboraí, à época, reconheceu a responsabilidade nos fatos por se tratar de um evento realizado com dinheiro público. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do pastor. O espaço está aberto para um posicionamento.

Intolerância religiosa

Os casos de atitudes ofensivas contra pessoas pelas suas crenças, rituais e práticas religiosas podem ser registrados pelo Disque 100. Segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o Rio de Janeiro acumulou 499 denúncias de descriminação religiosa no último ano.

Para denunciar as ocorrências, o MDHC ainda disponibiliza outros canais: WhatsApp, no número (61) 99611-0100; no Telegram (digitar “direitoshumanosbrasil” na busca do aplicativo); no site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2025/08/20/pastor-evangelico-responde-por-intolerancia-contra-religioes-de-matriz-afro-brasileiras-no-rio-de-janeiro/

Viva a suruba suburbana

Em diferentes bairros da Grande São Paulo, grupos organizados têm promovido festas privadas conhecidas popularmente como “surubas suburbanas”. O mote desses encontros é simples: “não importa o lugar, o importante é fazer zona”. Os eventos já aconteceram em regiões como Tucuruvi, Sapopemba e Osasco, sempre em imóveis alugados temporariamente pelos participantes, com informações do Splash, do UOL.

A organização costuma reunir amigos próximos, que dividem os custos de aluguel e manutenção da casa, o que se mostra mais barato do que frequentar motéis ou casas de swing. Nessas festas, o clima é de confraternização, com churrasco, música e liberdade sexual entre os presentes. A logística envolve desde mobília improvisada até equipamentos de som e televisão, para tornar o ambiente mais atrativo e acolhedor para os convidados.

Apesar do caráter privado, as festas acabam chamando atenção da vizinhança. Com música alta, fumaça e movimentação constante, não são raras as queixas que resultam em multas e até em despejos. Ainda assim, os organizadores procuram novos espaços, sempre priorizando áreas afastadas ou comerciais, longe de residências.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/nao-importa-o-lugar-o-importante-e-fazer-zona-os-bastidores-da-suruba-suburbana-em-sp/

Nota: isso não seria uma notícia, se vivêssemos em uma sociedade sem repressão ou opressão sexual.