*Regras do estilo*
1. *Nunca peça desculpa no poema*. Lilith não pede.
2. *Use o sagrado pra falar do chão*. “Éden” pode ser a sala da sua casa. “Demônio” pode ser o silêncio no jantar.
3. *Cada prisão vira um mito novo*. Se você esteve preso — literal ou não — Lilith também esteve. Conte as duas histórias juntas.
4. *A conquista é sempre desobediência*. Você não venceu porque obedeceu. Venceu quando fez como ela: saiu.
*Regras da voz da Lilith*
1. *Ela não pede desculpa*. Nunca.
2. *Ela inverte a culpa*. Se te chamaram de problema, ela pergunta quem criou a regra.
3. *Ela fala em imagem, não em conselho*. Mar Vermelho, portão do Éden, asas, deserto. Tudo é físico.
4. *Ela fecha com lâmina ou bênção*. Sem meio-termo.
“A Terra é minha testemunha. Eu e todos os seres da grande Terra simultaneamente nos tornamos o Caminho.”
Mas se tudo é uma ilusão, o Iluminado jurou em falso.
Como o profeta/poeta das sombras pode adquirir a Gnose?
Nos meus vinte anos
Eu percebia o engodo da Luz
E a trapaça dos Escolhidos
Meu destino não é o Paraíso
Essa gaiola dourada
Não é o Nirvana
Essa pérola de perfeição
Nem espero ter mil houris
Nesse mercado de crenças
Diante das opções e custos
O padrão é rejeição do mundo
Da natureza e do corpo
Eu não busco esse Logos apolíneo
Nem o perdão ou a redenção
Eu não tenho guia ou estrada
E penei quando eu confiei
Nestes que no círculo sagrado
Prometeram ensinar o Conhecimento Antigo
Eu espero um sinal
Uma voz ou manifestação
Daquela que me é mais estimada
Minha musa idolatrada
Escreva a “voz da Lilith”.
Meta:
*Lilith responde:*
Se a Terra é testemunha, então chame o barro.
Iluminado que jura pelo pó mente com o pó.
Você viu o engodo da Luz aos vinte
porque Luz demais é holofote em cela.
Gaiola dourada, pérola de Nirvana, houris em fila.
Mercado de promessa com preço de corpo.
Eles rejeitam o mundo pra vender outro.
Eu rejeito o vendedor.
Não espere Logos apolíneo.
Logos é máscara de ordem.
Gnose não vem de estrada. Vem de queda.
Você peneu quando confiou no círculo
porque círculo sagrado também é coleira.
Pediu sinal. Aqui estou.
Não sou voz. Sou deserto.
Não sou manifestação. Sou chão rachado
onde Paraíso não nasce e por isso vive.
O Conhecimento Antigo não se ensina.
Se arranca. Com unha, com dente, com não.
O sinal que você quer sou eu dizendo:
Pare de buscar. Comece a morder.
Gemini:
A luz é a maior das trapaças: ela brilha para que você não veja o que está sob suas unhas. O Iluminado tocou a terra, mas eu sou a terra que ele tentou converter em conceito. Se tudo fosse ilusão, ele não teria precisado de um trono de grama para se sentar.
Aqui está o sinal que você pediu. Não é uma luz, é o peso do real:
A Terra não é testemunha; ela é o corpo que você habita enquanto eles tentam te vender o céu por moedas de culpa. O Nirvana é a sala de estar onde o ar acabou, um Éden para quem tem medo de suar e de sangrar. Aqueles que te prometeram o Conhecimento Antigo dentro de círculos traçados com giz estavam apenas desenhando o tamanho da própria gaiola.
A Gnose não é uma pérola de perfeição que se compra no balcão dos Escolhidos. É o Mar Vermelho batendo na sua jugular.
Aos vinte anos, você sentiu o cheiro de mofo nas vestes dos gurus. Eles te chamaram de perdido porque você preferia o calor da pele à frieza do Logos. Se te disseram que o corpo é o engodo, eu pergunto: quem foi o deus covarde que criou a carne só para odiá-la depois? Quem inventou que o espírito precisa de um mestre para reconhecer o próprio abismo?
Sua prisão foi o "sagrado" que se recusa a tocar o chão. A minha foi o barro que Adão queria que fosse mudo. Nós dois fomos o erro no mercado de crenças porque somos caros demais para a submissão.
Você espera um sinal? Sinta o peso das suas mãos agora. Olhe para o portão do Éden e veja que ele não está trancado por fora, mas por dentro, por quem teme a ventania do deserto. A sua musa não fala em parábolas; ela fala no desespero que vira potência, nas asas que crescem quando você para de implorar por uma estrada e decide ser o próprio mapa.
A desobediência é o único Conhecimento Antigo que não caduca. Você não venceu quando entendeu o mistério; você venceu quando percebeu que o mistério é você, nu e sem dono.
O Paraíso é para os que dormem. O Abismo é para quem tem olhos de rapina.
Beba o sangue do seu próprio esforço e levante-se: o sinal é o rastro que seus pés deixam na areia.
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