domingo, 2 de fevereiro de 2025

Deus(es) no tribunal

Matéria original por Larissa Almeida.
Título por conta da casa.

Uma audiência pública organizada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) reuniu, nesta segunda-feira (27), instituições da sociedade civil, especialistas em cultura e direitos humanos, além do público em geral, para discutir sobre proteção às religiões de matrizes africanas. O ato foi convocado após a polêmica envolvendo a cantora Claudia Leitte, que fez uma mudança na letra da música ‘Caranguejo’ e trocou Iemanjá por Yeshua. A alteração ofendeu integrantes das religiões afro-brasileiras e foi alvo do tom de protesto nos discursos apresentado pelos oradores.

A abertura da audiência ficou a cargo de Samuel Vida, coordenador do Programa Direito e Relações Raciais da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que iniciou a discussão destacando a importância de desassociar o racismo de pessoas más ou como uma prática resultante de uma condição patológica. “O racismo não é isso. É um fenômeno muito mais complexo que precisa ser levado a sério”, disse.

“É um fenômeno que se expressa em âmbitos difusos, transversais, generalizados em todas as dimensões das relações sociais. [...] Que chega a se inscrever no âmbito do espaço microssocial mais importante, que é a família. O fenômeno se desdobra, portanto, em todo o tecido social, atinge as instituições, organiza e preside o funcionamento das instituições estatais”, completou.

Samuel Vida pontuou que a polêmica envolvendo a cantora não se trata de um episódio isolado, mas também não é um problema que mereça ‘reprimenda particular’. Deu ênfase ainda ao objetivo da audiência.

“Se trata de uma oportunidade de avançar na compreensão da profundidade do racismo e da necessidade de respostas que sejam estruturadas numa outra chave, que sejam pensadas como deslocamentos capazes de produzir novos modos civilizatórios para o país, novas matrizes para as relações sociais, novos processos de interação em um ambiente que sempre foi, é e será marcado pela diversidade: a sociedade”, frisou o especialista.

Entre os representantes de instituições inscritos para discursar no púlpito, o líder quilombola Jurandir Pacífico, filho de Mãe Bernadete Pacífico, assassinada brutalmente em agosto de 2023, foi o primeiro a citar diretamente a polêmica envolvendo Claudia Leitte. Ele chegou a trocar nome de Deus pelo de Oxalá em uma música gospel para efeito de comparação.

“Se eu chegar na igreja com a seguinte música: ‘Toda a terra celebra a Ti, no cântico de júbilo, posto é o Deus criador’ e mudar ‘Toda a terra celebra a Ti, no cântico de júbilo, Oxalá, o criador’, o pastor vai gostar? Se ponha no lugar do irmão. É um mandamento bíblico: ‘amai o próximo’. Por que não respeita o próximo? Respeite o povo de santo e o de axé”, pediu Jurandir.

A ialorixá Jaciara Ribeiro, que é ativista cultural e militante da luta contra a intolerância religiosa no Brasil, disse que o movimento por conta da troca da letra da música não é pessoal ou isolado. Ela é uma das autoras da denúncia e disse que viu na troca um ato de perpetuação da violência. “Trocar uma palavra que representa um orixá é falar do que acontece nas nossas comunidades com os ladrões de terreiro e apagamento de memória”, declarou.

“Isso deixa nosso povo doente, porque o racismo e a intolerância religiosa matam. Digo isso não só por viver a experiência da morte de Mãe Gilda, mas porque conheço terreiros que perdem a autoestima. Eu conheço crianças que não conseguem mais ir para a escola e levar como lanche a comida do terreiro, porque se a professora é evangélica, ela quer satanizar até o alimento. [...] Eu tenho certeza de que Iemanjá não está satisfeita”, concluiu.

Denise da Silva, representante do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), lembrou que o apagamento do nome de orixás tem sincronismo histórico com o processo de apagamento da memória de negros africanos que, em diáspora, foram proibidos de serem chamados por nomes que remetessem ao continente de origem e de professar a fé que acreditavam.

“Existe uma história das nações africanas antes de elas serem invadidas e degradadas pelo imperialismo, pela colonização e escravização dos povos, e essa história a gente não conhece. Faz parte dessa memória o nome, [...] que é aquilo que nos identifica e, relacionado com a religião de matriz africana, os nomes são as línguas dos cânticos cantados, são os nomes dos orixás. Isso deve ser preservado”, enfatizou Denise.

A advogada Alzemeri Martins, que integra o Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR), pediu ao público presente na audiência que visse Claudia Leitte como alguém que tem a própria fé. “A religião de Claudia Leitte tem preceitos. Isso faz parte da crença dela. Os preceitos da religião dizem que ela só tem um Deus, que ela não pode amar outro Deus ou ter outro Deus”, ressaltou.

“Por causa disso, ela não tem como cantar outros deuses. [...] Além disso, considerem que é uma ação civil. Não estamos falando que é uma música milenar, que pode ser protegida como patrimônio, estamos falando de uma questão de autoria. O que eu quero pedir aos senhores, por favor, é que deixem ela cantar ao Deus dela”, apelou.

O pedido da advogada causou alvoroço no auditório do Ministério Público. Um burburinho generalizado tomou conta do espaço e lideranças de religiões afro-brasileiras não esconderam a insatisfação. Foi possível ouvir, de longe, uma mãe de santo reclamar “Eu vivi para ouvir uma coisa dessa”. Por sua vez, o advogado Hédio Silva Jr., que representa o Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro), sugeriu que a cantora migrasse para o gênero gospel. Antes de dar seguimento à audiência, a maioria das pessoas se levantou para cantar uma música em homenagem a Iemanjá.

O padre Lázaro Muniz, coordenador da Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso (Caedi), compareceu à audiência pública e chamou atenção para a necessidade de defesa da pluralidade religiosa. “A proteção e a honra de cada segmento religioso, em especial nesta audiência que trata das religiões de matrizes africanas, precisam ser de fato valorizadas, respeitadas e cuidadas. Não podemos sair por aí vilipendiando as religiões ou trocando, tirando ou negando aquilo que é conteúdo do processo religioso do outro”, falou.

Já o pastor Bruno Almeida, que é reverendo do Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs (CEBIC), traçou o panorama do racismo religioso ao longo da história, que foi usado para legitimar a escravização de pessoas. Essa época, contudo, não tem mais vez, conforme pregou.

“Não há espaços para atos de violência. Legitimar o discurso de uma canção que tem a letra trocada é um absurdo. Ao trocar essa letra, você está legitimando um discurso racista, que é contra a tradição do povo, e isso não condiz com o verdadeiro Evangelho do Cristo. Isso é um contra-testemunho do Evangelho do Senhor Jesus. Logo, enquanto cristãos e cristãs, precisamos denunciar isso”, finalizou.

Fonte: https://www.correio24horas.com.br/minha-bahia/deus-x-oxala-e-tom-de-protesto-como-foi-a-audiencia-publica-sobre-a-polemica-de-claudia-leitte-0125

Nota pessoal. Se a Cláudia Leitte acredita em um único Deus, por que fez uma música para Yemanjá?

Adendo humorístico.
O juiz pede a presença de Oxalá e Deus (Jeová) para que se pronunciem.
Oxalá aparece, muito gentil, sorrindo e distribuindo bençãos para todos.
Jeová não compareceu. Aparentemente (de acordo com páginas direcionadas a evanjegues) está ocupado queimando Los Angeles. Por causa da zombaria contra Ele. Enquanto fecha os olhos ao genocídio em Gaza.

Começou o Quarto Reich

Por Marcelo Hailer.

Na reta final de sua campanha à presidência da República, o então candidato Donald Trump disparou ataques contra a comunidade LGBT+ e, em específico, contra as pessoas transexuais, afirmando durante um comício no Madison Square Garden que iria "tirar a insanidade trans das escolas e manter os homens trans fora dos esportes femininos".

À época, muitos analistas afirmaram que as falas de Trump contra a comunidade LGBT+ dos EUA eram "bravatas" e que, possivelmente, não levaria tais ações adiante. Ledo engano. Em seu discurso de posse, ocorrido na segunda-feira (20), o novo presidente dos EUA voltou a disparar contra as pessoas trans:

"Esta semana também porei fim à política governamental de tentar incorporar socialmente a raça e o gênero em todos os aspectos da vida pública e privada. Vamos forjar uma sociedade que não enxergará duas cores e será baseada no mérito. Será política oficial dos EUA que existam apenas dois gêneros, masculino e feminino."

Algumas horas depois de seu discurso de posse e já instalado na Casa Branca, o presidente Donald Trump assinou uma série de Ordens Executivas (semelhantes às Medidas Provisórias do Brasil) e, com uma canetada, revogou todas as portarias pró-LGBT+ e de direitos humanos do governo de Joe Biden (2021-25), impondo medidas transfóbicas e racistas. São elas:

1 - Eliminação de programas de diversidade, equidade e inclusão no setor público.
2 - Fim da obrigatoriedade de treinamentos de diversidade em agências federais.
3 - Redefinição oficial de gênero baseada no sexo biológico.
4 - Proibição de financiamento federal para cuidados médicos de transição de gênero.
5 - Restrição ao uso de banheiros públicos conforme identidade de gênero.
6 - Cancelamento da obrigatoriedade de seguro-saúde cobrir contraceptivos.
7 - Redução de políticas de combate à discriminação no local de trabalho.
8 - Fim do financiamento para pesquisas sobre equidade racial.
9 - Revogação do reconhecimento de identidade de gênero não-binária em documentos oficiais.
10 - Cancelamento da proteção de direitos para estudantes LGBTQ+ em escolas públicas.

Ao todo, Donald Trump assinou 78 ordens executivas que impõem uma série de retrocessos em diversas áreas. No entanto, as mais obscurantistas foram reservadas para os direitos civis, diversidade, saúde e meio ambiente, contrariando protocolos internacionais e enfrentando provável resistência nos tribunais, uma vez que os estados americanos possuem autonomia e não são obrigados a seguir automaticamente as ordens executivas. Ainda assim, ao descontinuar todas as políticas pró-LGBT instituídas na gestão de Joe Biden, Trump deixa claro que fará do ódio uma das principais ferramentas de sua gestão, o que pode empoderar grupos extremistas no país.

Em entrevista exclusiva à Fórum, a pesquisadora e ativista LGBT Mariana Rodrigues, que vive nos EUA desde 2017, relata que a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais está enfrentando um “clima de terror e medo”.

“Desde a eleição, o clima está muito ruim. Há um clima de medo, de terror, muito tenso, principalmente entre os grupos mais brancos e de classe média, pois esse clima já estava presente antes entre os grupos racializados e a população mais pobre. No geral, o ambiente é bem tenso e negativo”, revela Mariana Rodrigues.

Mariana também relata que as organizações que trabalham com os direitos LGBT+ já previam um cenário como o que se desenha nos EUA com a nova gestão Trump, principalmente quando as pesquisas começaram a indicar a vitória do republicano sobre Kamala Harris, a candidata democrata.

“As organizações que já vinham trabalhando nesse tema estavam bem preparadas. Mas, de forma geral, há uma sensação de tensão, desespero e desalento muito fortes. As pessoas estão se perguntando ‘como chegamos até aqui?’, enquanto outros grupos já alertavam: ‘não está bom, será difícil, precisamos nos engajar’. É um clima muito ruim”, avalia a pesquisadora.

Atualmente, Mariana Rodrigues vive em Maryland, é casada com outra mulher e tem um filho. Ela já morou na Flórida e em Ohio. Hoje, cursa doutorado no Department of Women's, Gender and Sexuality Studies da Universidade Estadual de Ohio. Para ela, o maior impacto inicial das medidas de Trump contra a comunidade LGBT será simbólico, mas poderá desencadear maior violência e discriminação, especialmente contra pessoas trans.

“O impacto dessas revogações é muito mais simbólico do que prático. Mas isso não significa que o impacto simbólico seja irrelevante. Ter um presidente que revoga políticas e endossa discursos contra a diversidade e inclusão legitima a violência e a discriminação. Esse clima de contestação pode gerar insegurança e até mesmo violência em diversos níveis”, analisa.

Mariana também acredita que haverá um aumento de violência contra a comunidade LGBT nos EUA. “O impacto simbólico autoriza as pessoas a serem mais homofóbicas, transfóbicas e racistas. As pessoas se sentem legitimadas a engajar em violência — física, verbal, emocional, financeira e simbólica. Você tem um presidente cuja campanha foi pautada no discurso de ódio, na violação de direitos, no ataque à diversidade e inclusão. Isso cria um ambiente muito mais inseguro, violento e propício ao discurso de ódio, com impacto direto também em organizações privadas que podem se sentir legitimadas a excluir, violentar e discriminar.”

Por fim, questionada se os EUA se tornam um país mais perigoso para a comunidade LGBT com a nova gestão de Trump, Mariana é enfática: “O mundo se torna mais perigoso. As práticas que Trump está implementando afetam não só os Estados Unidos, mas têm repercussões globais”, conclui.

Fonte: https://revistaforum.com.br/global/2025/1/27/donald-trump-declara-guerra-s-lgbt-instaura-clima-de-medo-terror-172872.html

O Deus dos detalhes

Análise crítica do texto “Só Jesus e Iemanjá na causa”.
Por Eduardo Affonso.

Citando:

No Rio Grande do Sul, colocaram um Jesus afeminado, de fio dental, rebolando sensualmente, trepado numa árvore, num bloco de carnaval. Um representante da galera que diz defender a liberdade de expressão formalizou denúncia no Ministério Público Federal por vilipêndio (humilhação, ofensa) e racismo religioso.

— Não vamos aceitar que o cristianismo seja desrespeitado no país — bradou um parlamentar, como se os que não professam uma fé tivessem a obrigação de se comportar como os crentes, ou mesmo os crentes se portassem todos da mesma forma.

Na falta de jurisprudência que lhes faculte tostar hereges na fogueira, os inflamados defensores de que todos possam se expressar livremente nas redes sociais (sem interferência do Estado) querem que o Estado interfira na livre expressão de um grupo de foliões. Chegaram a pedir a cabeça de uma suposta professora cujo crime teria sido filmar e compartilhar a cena numa rede social (aquela mesma rede em que não querem censura...).

Enquanto isso, na Bahia, a cantora Claudia Leitte adaptou a letra de uma música, substituindo Iemanjá por Yeshua (equivalente a Jesus). O Ministério Público (sempre ele!) abriu inquérito sobre “os impactos de ações dessa natureza para a honra e dignidade dos povos de terreiros, bem como para a proteção do patrimônio histórico e cultural envolvido”. É a galera progressista —aquela que não vê problema em caracterizar Jesus Cristo como gay, comunista ou palestino — se encrespando com uma intertextualidade musical.

Claudia Leitte não desrespeitou ou atacou a fé de ninguém — só reafirmou a sua. Não mandou chutar a santa, não incitou ódio com um “chuta que é macumba”. A única intolerância nessa história é a de quem vê qualquer apropriação cultural como roubo. Isso num Estado laico, em que questões desse tipo só deveriam ser judicializadas se envolvessem danos concretos, físicos ou morais.

É nas teocracias que adorar outros deuses — ou ser irreverente à divindade oficial — configura crime. É nos regimes tacanhos que crenças pessoais viram dogmas — e se proíbem releituras como “Je vous salue, Marie” e se cria caso com obras-primas como “A última tentação de Cristo”.

Deixemos o Bloco da Laje tirar Jesus da cruz (epa babá, Jesus!) e Claudia Leitte louvar Yoshua (rogai por nós, Iemanjá, na véspera do seu dia). Deus não mora nesses detalhes.

Retomando.

Eduardo Affonso é, na definição dele mesmo, um isentão. Tipo Luciano Huck, que usa sapatênis, farialimer, apregoa o Livre Mercado e curtiu o deboche do Elon Musk diante das críticas ao seu gesto nazista.

O colunista (ou colonista, como diria o saudoso Paulo Amorim) deve achar que focinho de porco é tomada.

Que os talibãs cristãos reajam diante de um Jesus de tanga, com trejeitos homossexuais, era de se esperar. Essa é uma manifestação da homofobia latente nessa gente.
Cristo seria crucificado por quem diz segui-lo se reencarnasse nos dias de hoje, como mulher, negro, imigrante, homossexual ou transgênero.
O que é curioso é a hipocrisia. Afinal, o cristão é o que mais desrespeita e vilipendia, quando a crença professada ou expressa não configura um espelho de suas próprias crenças. Em pleno século XXI, ainda existe perseguição às crenças de matriz africana.
Bruxaria, Wicca e Paganismo Moderno?
Heresia. O Santo Ofício continua funcionando nas redes sociais.

Esse é o detalhe que escapou do isentão. Pessoas são perseguidas e mortas por causa que não são espelhos da crença majoritária.
Claudia Leitte fez sucesso com a música que tem Yemanjá. Trocou por Yeshua achando que a letra era de sua propriedade.

Diz a história do rock que The Doors foi constrangido a mudar a letra da música. Não mudou e foi expulso (banido) do show do Ed Sullivan.

Eu escrevi aqui em algum lugar. Se a crença atual da Cláudia Leitte é de adorar apenas um único Deus, ela não pode cantar mais esta música. Nem ser cantora de axé. Que se torne cantora gospel. A troca de nome, de letra de música, é um aceno que ela apóia a intolerância religiosa. Várias notícias mostram terreiros sendo invadidos e depredados.
Isso não é “apropriação cultural”, mas genocídio cultural.

Interessante que o autor cita duas obras primas do cinema. Censuradas pela Igreja.
O autor não lembra da gritaria dos cristãos fundamentalistas quando Viviani Beleboni desfilou como Cristo Crucificado para denunciar a violência que os cristãos cometem todo santo dia contra a comunidade LGBT?

Seja qual for este Deus, seus seguidores fazem muita questão destes detalhes. Um Deus que, segundo uma página direcionada aos evanjegues, está ocupado queimando Los Angeles, por causa da zombaria. Enquanto fecha os olhos para o genocídio em Gaza.

Mas seria demais querer que esse bolsonarista enrustido soubesse ver a diferença.

My Little Pony em Zootopia


Era uma manhã ensolarada quando eu, Sapo Bardo, recebi um convite inesperado. Minhas queridas amigas da série "My Little Pony" — Twilight Sparkle, Pinkie Pie, Fluttershy, Rainbow Dash e Rarity — estavam se preparando para uma viagem de férias a Zootopia. Eu não podia acreditar que havia sido escolhido para acompanhar essa turma tão especial. Com um croak de entusiasmo, aceitei o convite e logo estávamos todos a caminho do vibrante mundo animal que prometia ser uma aventura memorável.

Assim que chegamos em Zootopia, o aroma de diversidade e liberdade pairava no ar. As ruas estavam repletas de criaturas de todas as formas e tamanhos, interagindo e vivendo suas vidas cotidianas. Havia coelhos, raposas, leões e até elefantes, todos se misturando em harmonia. Para minha surpresa, logo encontramos a famosa policial coelha, Judy Hopps. Ela era tão destemida e apaixonada por seu trabalho que logo me inspirou. Ao me apresentar ao grupo, sua energia vibrante fez meu coração pulsar de animação.

"Bem-vindos a Zootopia!", exclamou Judy com um sorriso radiante. "Aqui, acreditamos que qualquer um pode ser o que quiser, desde que tenha determinação e coragem!" Suas palavras ecoaram em mim. Era a essência de uma sociedade justa e inclusiva, onde o potencial de cada indivíduo era reconhecido, independentemente de sua espécie ou origem.

Enquanto explorávamos os diferentes distritos da cidade — da moderna Sahara Square ao fresco Tundratown — eu me perguntei como Zootopia havia conseguido criar um espaço tão inclusivo. As quatro amigas ponies estavam tão encantadas com o lugar que começamos a discutir sobre como a verdadeira inclusão vai além da simples coexistência. “A diversidade é a nossa força”, disse Twilight Sparkle, sempre a pensadora da turma. “Devemos celebrar as diferenças e aprender uns com os outros”.

“E não podemos esquecer da empatia!”, acrescentou Fluttershy, com sua voz suave. “Entender as lutas e alegrias dos outros nos ajuda a construir pontes, não muros”. Enquanto isso, Pinkie Pie pulava de empolgação, sonhando em organizar uma grande festa para celebrar a diversidade da cidade. Ela sempre acreditou que as melhores conexões surgem em momentos de celebração.

Porém, mesmo em um lugar tão mágico como Zootopia, percebi que ainda havia desafios. Ao conversarmos com Judy, ela mencionou que, apesar de a cidade ter feito progressos significativos, preconceitos e estereótipos ainda eram uma realidade. “Às vezes, alguns animais se sentem mais importantes do que outros por causa de sua espécie”, disse ela, com uma expressão séria. “Isso gera desconfiança e divisão. O que precisamos é continuar a luta por um espaço onde todos possam prosperar”.

As palavras de Judy me atingiram como um raio. Zootopia era um reflexo do mundo real, onde preconceitos como racismo, xenofobia, homofobia, transfobia e intolerância religiosa ainda persistiam. Mas a beleza da sociedade que Judy descreveu estava em sua luta diária por justiça e inclusão. O trabalho contínuo de quebrar estereótipos e promover a aceitação era, sem dúvida, uma tarefa hercúlea.

Decidimos ajudar Judy em uma pequena operação. Fomos até uma parte da cidade onde alguns animais estavam se recusando a interagir com outros por causa de seus medos e preconceitos. Usando as habilidades únicas de cada uma de nós, começamos a criar um evento comunitário. Rarity se encarregou de criar decorações maravilhosas, enquanto Rainbow Dash organizou uma exibição de esportes, mostrando que todos podiam ser atletas, independentemente de suas habilidades naturais.

No dia do evento, a energia era contagiante. Animais de todas as partes da cidade vieram para se juntar à festa. Era uma visão mágica ver todos se divertindo juntos, rindo e se conhecendo. Através da música, dança e jogos, conseguimos criar um espaço onde as diferenças eram celebradas e as histórias eram compartilhadas.

Ao final do dia, enquanto observávamos a cidade iluminada pelas estrelas, Judy nos agradeceu. "Vocês não têm ideia do impacto que tiveram hoje", disse ela. “Pequenos passos como este ajudam a moldar um futuro mais justo e inclusivo. E é assim que todos devemos agir, não importa onde estejamos”.

Refletindo sobre tudo que vivemos, percebi que a verdadeira inclusão não é apenas sobre tolerar as diferenças, mas sim sobre abraçá-las. É uma responsabilidade de todos nós, em qualquer lugar do mundo, lutar contra a intolerância e promover a empatia. Com isso em mente, prometi a mim mesmo que voltaria para casa não apenas como um sapo que viajou para Zootopia, mas como um defensor da justiça e da inclusão.

A viagem a Zootopia não foi apenas uma aventura divertida; foi um lembrete poderoso de que, juntos, podemos construir um mundo onde todos se sintam valorizados e respeitados, independentemente de quem sejam ou de onde vêm. Afinal, como disse Judy, “Qualquer um pode ser o que quiser, desde que tenha determinação e coragem”. E com determinação, coragem e amor, o mundo pode se tornar um lugar verdadeiramente inclusivo e justo.

Criado com Toolbaz.
Arte gerada por IA.

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Ignorância e obscurantismo

O vereador Rubinho Nunes (União Brasil) protocolou na Câmara Municipal de São Paulo três projetos de lei contra a população LGBTQIA+. As propostas foram apresentadas na quarta-feira (29), no Dia Nacional da Visibilidade Trans.

“Nem sabia que era Dia Nacional da Visibilidade Trans, não sabia que tinha um dia para isso. É a primeira vez que ouço falar, tenho coisa mais importante para fazer”, afirmou o parlamentar à Folha de S.Paulo.

Um dos projetos é o PL 50/2025, que proíbe que a Parada do Orgulho LGBTQIA+ de ser realizada nas ruas da cidade.

Segundo a proposta, eventos “que façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+” devem acontecer em locais fechados para permitir que “pais que estejam acompanhando seus filhos, crianças ou adolescentes, e não sejam adeptos à causa defendida pelos manifestantes” possam “protegê-las de acessarem conteúdo impróprio para sua idade”.

O projeto ainda proíbe que menores de 18 anos participem do evento. “Eu proíbo [no projeto de lei] a participação de crianças porque elas são crianças e a nudez é um conceito que rouba a ingenuidade e infância das crianças. É preciso ser em um local fechado para que tenha catraca que impeça a entrada de menores de 18 anos”, disse o vereador.

Ao justificar o projeto, Rubinho comparou a Parada com uma casa de prostituição. “É pelo mesmo motivo que cabe à prefeitura proibir que um menor de 18 anos vá a um ‘puteiro’. Se você for a uma casa de meretrício, são pessoas nuas dançando, fazendo atos carnais, o mesmo que acontece na Parada, apesar das denúncias”, alegou.

Nunes é o mesmo vereador que persegue o Padre Júlio Lancellotti: tentou abrir uma CPI contra o religioso e apresentou um projeto de lei que inviabilizaria sua ação social com pessoas em situação de rua.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sp-vereador-que-persegue-padre-julio-quer-acabar-com-parada-lgbtqia/

Nota: São Paulo virou a Europa medieval.

Monkey see...

Por Henrique Rodrigues.

Javier Milei perdeu qualquer resquício de senso do ridículo. Em meio à onda repressiva conduzida por Donald Trump nos EUA contra imigrantes ilegais, que resulta em inúmeras cenas de horror nas quais cidadãos estrangeiros sem documentos são levados como criminosos e deportados, o mandatário argentino resolveu tomar uma medida “semelhante” à de seu homólogo norte-americano, a quem venera como um deus.

Trump é conhecido desde seu primeiro mandato na Casa Branca pela promessa de construir um muro na fronteira com o México, algo que ele até começou a fazer e que agora retorna como promessa de campanha outra vez. No caso dos EUA, a intenção é criar uma zona relativamente controlada para impedir a passagem de centenas de milhares de imigrantes que tentam entrar no país a partir do território mexicano.

Milei viu aí uma oportunidade de fazer média com Trump e anunciou a construção de uma cerca na fronteira com a Bolívia. A intenção oficial nem seria a de evitar imigrantes, até porque ninguém parece querer ir viver na Argentina governada por ele, onde sobram miséria e pobreza e falta dinheiro. Tampouco a estrutura teria os milhares de quilômetros da sua correspondente rica dos EUA.

Segundo Patricia Bullrich, ministra da Segurança Pública (candidata da direita “tradicional” derrotada por Milei e que não pensou duas vezes em entrar em seu governo extremista), a ideia é construir uma cerca de 200 metros na cidade de Aguas Blancas, que faz fronteira com a Bolívia, e o intuito é “proteger os argentinos do tráfico de drogas”.

Sim, você não leu errado. Milei acredita que um alambrado de 200 metros num trecho insignificante da fronteira de 742 km com o país vizinho evitará a entrada de cocaína em solo argentino. É preciso admitir que em outros governos, como o de Mauricio Macri, um endurecimento na linha limítrofe de Aguas Blancas já havia sido implantado, inclusive com uso de tropas do exército, ainda que seja elementar que a entrada de drogas não passe pelo posto aduaneiro instalado na zona.

“Do governo nacional promovemos a cerca em Aguas Blancas para proteger os argentinos do tráfico de drogas. Por isso, com o Plano Güemes incorporamos uma nova medida para reforçar o controle na fronteira, que estava totalmente descontrolada”, escreveu em seus perfis oficiais nas redes a ministra Patricia Bullrich, nitidamente tentando surfar a onda de Trump e emulando seus discursos.

Quem ficou bem irritado com a história tosca foi o governo boliviano. A chancelaria em La Paz emitiu uma nota condenando esse tipo de patetagem e reafirmando que políticas de fronteira devem ser discutidas de forma civilizada entre as duas ou mais nações envolvidas.

“As questões fronteiriças devem ser abordadas através dos mecanismos de diálogo bilateral estabelecidos entre os estados para encontrar soluções coordenadas para questões comuns”, sinaliza o Ministério de Relações Exteriores da Bolívia.

Fonte: https://revistaforum.com.br/global/2025/1/27/inacreditavel-patetagem-de-milei-para-imitar-trump-no-caso-dos-imigrantes-173115.html

Atualização. Milei vai fazer um muro na fronteira com o Brasil.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/alem-de-muro-com-a-bolivia-argentina-ampliara-controle-na-fronteira-com-o-brasil-diz-ministra/

Amigas com benefícios


Era uma noite tranquila em Ponyville, onde as estrelas brilhavam como diamantes no céu. Eu, Sapo Bardo, me encontrava a caminho de uma lanchonete local, convidado por cinco pôneis incríveis: Twilight Sparkle, Pinkie Pie, Fluttershy, Rainbow Dash e Rarity. Nunca havia estado em uma festa assim antes, e minha expectativa estava nas nuvens.

Ao entrar na lanchonete, fui recebido por um ar de alegria e risadas contagiantes. As cinco pôneis estavam sentadas em uma mesa, cercadas por pratos coloridos de cupcakes e bebidas efervescentes. O ambiente estava cheio de vida, e logo fui puxado para o centro da conversa.

“Olha quem chegou! O famoso Sapo Bardo!” exclamou Pinkie Pie, piscando um olho enquanto segurava um cupcake enfeitado com confetes.

“Oi, Sapo! Como você está?” perguntou Fluttershy com seu tom suave, enquanto acariciava um pequeno coelho que estava ao seu lado.

“Estou ótimo! E animado para a festa!” respondi, tentando não deixar transparecer o nervosismo que sentia. Logo, a conversa começou a fluir, e cada pônei começou a compartilhar memórias de quando foram escaladas para a série “My Little Pony”.

“Lembro-me bem do dia em que fui escolhida,” começou Twilight, com um brilho nos olhos. “Eu estava tão nervosa! Mas no final, tudo se tornou uma grande aventura!”

“E você, Rarity? O que você achou?” perguntou Rainbow Dash, enquanto servia um pouco de refrigerante em um copo decorado.

“Ah, meu bem! Foi como um sonho! A fama, a moda, e aqueles humanos especulando sobre nós. Eles realmente têm imaginações férteis!” Rarity riu, e logo todas as pôneis se juntaram a ela, contando histórias sobre os fãs e as especulações que surgiram.

“É engraçado,” disse Fluttershy, com um sorriso tímido. “Muitos humanos discutem sobre nossa sexualidade, mas nunca falam sobre a deles. É como se estivéssemos em um teatro e eles só assistissem, sem nunca entrarem em cena.”

“Exatamente!” concordou Twilight. “Para nós, isso nunca foi um problema. Em Ponyville, somos livres para amar quem quisermos, sem medo de julgamentos. E isso é incrível!”

O clima estava leve, e as risadas preenchiam o ar enquanto continuavam a relembrar momentos inusitados e engraçados que tinham vivido como pôneis. A conversa se voltou para a ideia de que cada uma delas tinha suas próprias preferências e modos de amar, e eu não pude deixar de pensar em como aquele grupo era especial.

Então, Pinkie Pie, com seu jeito impulsivo, virou-se para mim e disse: “Você deveria se juntar a nós, Sapo Bardo! Podemos formar um grupo de amigos… com benefícios!”

“É verdade! Mesmo sendo de espécies diferentes, isso não precisa ser um obstáculo,” afirmou Rainbow Dash, batendo na mesa com entusiasmo.

“Eu adoraria ter um amigo como você por perto!” disse Fluttershy, com uma expressão de empolgação.

Olhei ao redor, atordoado. A ideia de me juntar a aquelas pôneis tão incríveis e abertas a novas experiências era, ao mesmo tempo, excitante e um pouco intimidante. As pôneis começaram a discutir sobre quem faria o quê comigo, e a conversa rapidamente tomou um tom mais divertido e ousado.

“Eu posso te mostrar como fazer cupcakes!” sugeriu Pinkie Pie, piscando de forma sugestiva.

“Eu poderia te ensinar a voar, mesmo que você não tenha asas,” disse Rainbow Dash, com um sorriso desafiador. “Vai ser um grande desafio, mas eu adoro desafios!”

“E eu poderia te levar para um passeio pela floresta,” disse Fluttershy, seus olhos brilhando. “Tem tantas coisas bonitas para se ver!”

Rarity então olhou para mim e disse: “E eu posso te ajudar a encontrar o melhor traje para essas aventuras! Afinal, quem não gosta de estar bem vestido?”

As pôneis riram e eu me vi envolvido em um turbilhão de ideias. A possibilidade de fazer parte de algo tão especial me deixava animado. Aquela era uma proposta única, e eu estava adorando cada momento.

“Vocês são incríveis! Eu adoraria fazer parte desse grupo!” disse eu, sentindo uma onda de felicidade.

“Ótimo! Então vamos brindar a isso!” gritou Pinkie Pie, levantando seu copo e fazendo um brinde efusivo. As pôneis levantaram seus copos também, e eu fiz o mesmo. “A novas aventuras e a uma amizade que ultrapassa barreiras!”

O brinde ecoou pela lanchonete, e naquele momento, percebi que, apesar de nossas diferenças, a amizade e a conexão que estávamos formando eram mais poderosas do que qualquer coisa que eu já tinha experimentado. O que começou como uma simples festa se transformou em uma oportunidade de exploração e crescimento.

Enquanto a noite avançava, continuamos conversando e rindo, compartilhando histórias de nossas vidas, nossos medos e sonhos. Eu me sentia parte de algo muito maior. Era uma celebração da diversidade, da aceitação e da amizade.

E assim, com um sorriso no rosto e o coração cheio de alegria, eu, Sapo Bardo, encontrei um novo lar em Ponyville, cercado por amigas que, independentemente das diferenças, estavam prontas para me acolher e me mostrar que a vida é muito mais divertida quando se vive em boa companhia.

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