(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)
Tanya: "A escultura pode ser explicada por transmissão cultural. O sonho do camponês pode ser uma experiência subjetiva. A sopa pode ser simplesmente hospitalidade. Os vagalumes são insetos."
Viktoriya: "E a mulher de preto e vermelho?"
Tanya para.
Tanya: "Isso eu não consigo explicar."
Mary Sue: "Talvez ele tenha visto alguém."
Tanya: "Talvez."
Pausa.
Tanya: "Mas ele disse que ela pediu especificamente que nos alimentasse."
Viktoriya olha para Tanya.
Viktoriya: "E você sentiu alguma coisa."
Tanya imediatamente:
Tanya: "Não sabemos o que eu senti."
Viktoriya : "Mas sentiu."
Tanya: "Sim."
Mary Sue fica desconfortável com a conversa, porque ela tenta organizar tudo dentro de categorias conhecidas.
Mary Sue: "Temos três possibilidades: coincidência, influência cultural ou fenômeno que ainda não compreendemos."
Viktoriya: "Só três?"
Mary Sue: "As três que consigo defender racionalmente."
Tanya olha para ela.
Tanya: "E a quarta?"
Mary Sue: "Qual?"
Tanya : "Que Perun existe."
Mary Sue fica em silêncio.
Viktoriya sorri.
Viktoriya : "Você está começando a considerar isso."
Tanya: "Não estou."
Tanya olha para a própria mão. A mão que segurou a minha durante quase todo o caminho.
Tanya: "Estou considerando que não posso descartar."
Viktoriya percebe.
E não deixa passar:
Viktoriya : "E o Beto?"
Tanya fica imediatamente desconcertada.
Tanya : "O que tem ele?"
Viktoriya : "Você segurou a mão dele."
Tanya : "Estava frio."
Viktoriya : "Ele lhe deu o casaco."
Tanya : "Estava frio."
Viktoriya : "Você agradeceu pela noite."
Tanya: "Porque foi uma noite interessante."
Mary Sue observa as duas.
Mary Sue: "Vocês estão discutindo a experiência religiosa ou o comportamento afetivo da Tanya?"
Silêncio.
Viktoriya começa a rir.
Tanya fica vermelha.
Tanya: "Nenhum dos dois."
A porta se fecha atrás de Beto.
Por alguns segundos, nenhuma das três fala.
Mary Sue continua olhando para o campo pela janela.
Os últimos vagalumes ainda podem ser vistos ao longe.
Ela finalmente murmura:
— Eu acreditava que a Bíblia era a Verdade.
Tanya olha para ela.
Mary Sue engole em seco.
— A Única.
Viktoriya permanece em silêncio.
— Eu acreditava que Deus era só o da Igreja.
Ela olha para as próprias mãos.
— Que todas aquelas outras histórias eram apenas mitos. Superstições. Culturas antigas tentando explicar o mundo antes de conhecerem a verdade.
Tanya não a interrompe.
— E agora...
Mary Sue olha para a janela.
— Um camponês diz que sonhou com Perun.
Pausa.
— Uma escultura aparece exatamente como ele descreveu.
— E depois ele oferece sopa porque...
Ela para.
— Porque uma entidade que ele chama de Perun pediu.
Viktoriya completa suavemente:
— E uma mulher de vestido preto e vermelho também.
Mary Sue fecha os olhos.
— É isso.
Silêncio.
Tanya finalmente pergunta:
— Você acha que Perun existe?
Mary Sue demora a responder.
— Eu não sei.
A resposta parece custar-lhe.
— E isso é o que mais me assusta.
Viktoriya se aproxima.
— Por quê?
— Porque eu sempre soube.
Tanya franze a testa.
— Soube?
— Sim.
Mary Sue olha para elas.
— Eu tinha respostas.
Ela aponta para a Bíblia sobre a mesa.
— Aqui estava a resposta.
Depois para o campo.
— E agora existe uma pergunta.
Tanya permanece pensativa.
— Talvez isso não destrua sua fé.
Mary Sue olha para ela.
— Não?
— Você pode continuar acreditando em Deus.
Tanya faz uma pausa.
— Mas talvez precise abandonar a ideia de que compreender Deus significa compreender tudo o que existe.
Mary Sue fica em silêncio.
Viktoriya acrescenta:
— Talvez o Deus da sua tradição não precise desaparecer porque você descobriu que o mundo é maior do que imaginava.
Mary Sue olha novamente para o campo.
— E se Perun for real?
Tanya responde:
— Então teremos descoberto que Perun é real.
Mary Sue quase ri.
— Você está ficando igual ao Beto.
— Não exagere.
Viktoriya sorri.
Mary Sue finalmente deixa escapar um pequeno sorriso.
Mas ele desaparece rapidamente.
— E Lilith?
Tanya olha para ela.
— O que tem Lilith?
— A mulher de preto e vermelho.
Silêncio.
Viktoriya olha para Tanya.
Tanya olha para Mary Sue.
Mary Sue respira fundo.
— Eu não sei quem ela era.
Pausa.
— Mas pela primeira vez na minha vida...
Ela olha para a escuridão além da janela.
— ...eu não tenho certeza de que quero saber.
Tanya pergunta:
— Por quê?
Mary Sue responde baixinho:
— Porque talvez algumas respostas sejam grandes demais para caber naquilo que eu aprendi a chamar de Verdade.
Nenhuma das três fala mais nada.
Dessa vez, o silêncio não parece vazio.
Parece uma porta aberta.
Tanya permanece diante da janela.
— Ninguém pode afirmar que a dama de preto e vermelho era Lilith.
Mary Sue olha para ela.
— Nem sequer um espírito — continua Tanya. — Ou uma entidade.
Viktoriya cruza os braços.
— Você está voltando ao ceticismo.
— Nunca o abandonei.
Tanya olha para o campo.
— Temos um relato de um camponês. Temos uma tradição. Temos uma escultura. Temos um sonho.
Ela enumera cada elemento com os dedos.
— E temos uma descrição de alguém que ele afirma ter visto.
Tanya baixa a mão.
— Isso é tudo.
Mary Sue parece um pouco aliviada.
— Então você acha que não aconteceu nada sobrenatural?
— Não.
Mary Sue pisca.
— Não?
— Eu disse que não podemos afirmar **o que** aconteceu.
Tanya olha para ela.
— É diferente.
Viktoriya sorri.
— Você está começando a falar como Beto.
— Não.
— Está.
— Estou falando como uma pessoa que sabe a diferença entre uma observação e uma conclusão.
Mary Sue olha novamente para o campo.
— Mas você sentiu alguma coisa.
Tanya fica quieta.
— Sentiu, não sentiu? — pergunta Viktoriya.
Tanya demora.
— Sim.
— E o que era?
— Não sei.
Viktoriya sorri.
— Isso deve estar sendo insuportável para você.
Tanya suspira.
— É.
Mary Sue olha para Tanya.
— Então o que fazemos com aquilo que não conseguimos explicar?
Tanya observa os vagalumes desaparecendo na distância.
— **Não inventamos uma certeza para preencher o espaço.**
Pausa.
— Guardamos a pergunta.
Viktoriya olha para ela.
— E esperamos?
Tanya responde:
— Investigamos.
Mary Sue olha para o campo mais uma vez.
— E se nunca descobrirmos?
Tanya dá um pequeno sorriso.
— Então teremos que aprender a viver com isso.
Silêncio.
Viktoriya murmura:
— Beto ficaria orgulhoso.
Tanya imediatamente responde:
— Não conte a ele.
As três riem.
Mas, depois da risada, Tanya olha novamente para a escuridão.
E, embora jamais admita em voz alta, existe uma pergunta que agora também pertence a ela:
**Quem era a dama de preto e vermelho?**
Mary Sue continua olhando para a janela.
Por alguns segundos, parece lutar contra as próprias palavras.
Então diz:
— Eu cresci acostumada com a ideia de ter um relacionamento com Cristo...
Tanya olha para ela.
Viktoriya também.
Mary Sue continua:
— Eu sabia como pensar sobre isso. Como rezar. Como falar. Como interpretar aquilo que eu sentia.
Ela abaixa os olhos.
— Havia uma estrutura.
Pausa.
— Um caminho.
Tanya permanece quieta.
— Mas Beto e Lilith...
Mary Sue hesita.
— Isso é muito complexo para eu entender.
Viktoriya sorri de leve.
— Porque parece diferente?
— Muito.
— Por quê?
Mary Sue pensa.
— Porque ele não fala dela como alguém que simplesmente adora uma divindade.
Ela procura as palavras.
— Ele fala como alguém que... conversa com ela.
Tanya corrige:
— Ou acredita conversar.
Mary Sue assente.
— Sim. Isso.
Pausa.
— Mas existe outra coisa.
— O quê? — pergunta Viktoriya.
Mary Sue olha para a porta por onde Beto saiu.
— Ele não parece querer alguma coisa dela.
Tanya levanta os olhos.
Mary Sue continua:
— Não quer poder. Não quer recompensa. Não quer proteção. Não quer que ela lhe dê alguma coisa.
Ela respira fundo.
— Ele simplesmente parece... grato por ela existir.
Silêncio.
Viktoriya olha para Tanya.
Tanya permanece pensativa.
— Isso é realmente diferente — admite.
Mary Sue quase sorri.
— Eu passei a vida inteira tentando entender o que Deus queria de mim.
Ela olha novamente para o campo.
— E agora encontro alguém que parece dizer que não precisa saber o que uma divindade quer.
Tanya cruza os braços.
— Isso provavelmente explica por que Beto é tão difícil de classificar.
Mary Sue ri baixinho.
— Ele é um herege.
Viktoriya:
— Definitivamente.
Tanya:
— Um herege perigoso.
Mary Sue finalmente sorri.
— Mas talvez...
Ela para.
— Talvez eu esteja entendendo uma coisa.
As outras duas esperam.
— Talvez uma relação com o divino não precise necessariamente começar com uma resposta.
Tanya olha para ela.
— Continue.
Mary Sue encara a noite.
— Talvez possa começar com uma pergunta.
Silêncio.
Viktoriya sorri.
— Você está filosofando.
Mary Sue suspira.
— Eu sei.
Tanya olha para ela.
— Está gostando?
Mary Sue pensa.
— **Isso é o que mais me preocupa.**
Naquela noite, Tanya está deitada sob o cobertor.
O quarto está escuro.
Silencioso.
Ela fecha os olhos.
E imediatamente volta ao campo.
O vento.
O rio.
As árvores.
Os vagalumes.
A escultura de Perun.
A sopa.
A mão de Beto.
Tanya abre os olhos.
— Ridículo.
Ela fecha novamente.
A lembrança volta.
O comichão na mão.
A sensação do tecido do casaco sobre os ombros.
A voz dele:
*“Pode segurar na minha mão se estiver com receio.”*
Tanya enterra o rosto no travesseiro.
— Ridículo.
Ela tenta pensar em outra coisa.
Relatórios.
Logística.
Estratégia.
Abastecimento.
Qualquer coisa.
Mas existe uma sensação.
Não exatamente uma presença física.
É apenas a impressão de que **alguém está observando**.
Tanya abre os olhos.
Nada.
Ela permanece imóvel.
— Entidade X?
Nenhuma resposta.
Tanya espera.
Nada.
A sensação, porém, permanece.
Não há hostilidade.
Não há ameaça.
Também não existe aquela sensação opressiva que ela associaria à Entidade X.
É...
Neutra.
Não.
Mais que neutra.
Quase compreensiva.
Como se aquela presença não estivesse julgando seus pensamentos.
Apenas os testemunhando.
Tanya sente um arrepio.
— Isso é absurdo.
Ela se vira de lado.
A mão ainda está formigando.
Ela a observa no escuro.
— Foi apenas uma caminhada.
Silêncio.
— Apenas uma sopa.
Mais silêncio.
— Apenas uma escultura.
Ela fecha os olhos.
— Apenas uma mão dada.
Pausa.
Tanya abre os olhos novamente.
— **E aquele maldito escritor.**
A sensação permanece.
— Não consigo nem organizar meus próprios pensamentos sem você aparecer de novo.
Ela puxa o cobertor até o nariz.
— Herege.
Pausa.
— Idiota.
Outra pausa.
— Convencido.
O canto da boca dela se move.
— E ainda por cima me empresta o casaco.
Tanya percebe o que acabou de dizer.
Fica vermelha.
— **Droga.**
Ela se vira para o outro lado.
A presença continua ali.
Sem exigir nada.
Sem responder.
Sem se revelar.
Tanya fecha os olhos.
E, contra toda a sua disciplina, deixa escapar um último murmúrio:
— Boa noite, Beto.
Silêncio.
Ela arregala os olhos.
— **Eu não disse isso.**
E, pela primeira vez naquela noite, a presença parece quase...
divertida.
Tanya puxa o cobertor sobre a cabeça.
— Eu odeio esta história.
Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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