domingo, 6 de dezembro de 2009

Militância pelo corpo

Anúncio da PETA irrita católicos.
A Igreja Católica ficou chateada com a modelo polaca Joanna Krupa devido a uma pose em que representa um anjo na mais recente campanha de promoção à adopção de animais, pela PETA (People for the Ethical Treatment of Animals).
Um crucifixo, estrategicamente colocado sobre o corpo de Krupa, cobre-lhe apenas as partes íntimas, com a mensagem ‘Sê um anjo para os animais – Adopte sempre. Nunca compre’.
Um outro anúncio da organização apresenta a modelo nua da cintura para cima, segurando o seu cão Rugby com o braço esquerda, enquanto um rosário penda da mão direita.[Correio da Manhã]
Isso me lembra o caso da Carol Castro que posou nua com um crucifixo, para uma conhecida "revista adulta" masculina. Tanto naquele quanto neste evento, a reação da Igreja e dos Católicos lembrou a reação dos Muçulmanos diante das caricaturas de Mohamed que um jornal dinamarquês publicou. Não foi a Igreja que disse que o crucifixo era um "símbolo cultural" para mantê-los em salas de aula? Então não podem querer que este símbolo seja tratado com reverência sagrada. O crucifixo ou é um símbolo cultural ou é um símbolo corporativo.
Eu por meu lado acho extremamente ridícula a postura da Peta ou de outros "defensores de animais", especialmente aqueles que tentam (como bom missionários/proselitistas) convencer/converter as pessoas para seus ideais, com clichês discutíveis, quando não infantis.
O caso vem a calhar, pois este blog contém diversos textos sobre nudez e visito com frequência o blog da Atilia [Sexismo e Misoginia] que discute como a sociedade machista/patriarcal usa da nudez para vender pornografia, incentivar a prostituição e degradar a mulher a simples objeto. A Maitê escreveu que "A melhor militância é a do corpo" [Casa da Maitê].
O corpo, a nudez e o sexo podem ser usados como ferramenta da militância? Como e de que forma o corpo pode ser usado na militância de um ideal? Existe uma fronteira entre o nu artístico e a pornografia? Podemos lutar pela legalização da prostituição como uma forma de forçar a sociedade a repensar suas posições, tabus e preconceitos sobre sexo e relacionamentos? Podemos usar a nudez e o sexo para curar a doença social? Podemos usar a militância pelo corpo para contestar e protestar contra os desmandos e abusos da Igreja que continua a interferir na sociedade e na vida das pessoas? Podemos, enfim, usar a militância pelo corpo para libertar a humanidade? Eu espero que sim.

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