sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Entrevista com líder pagão grego

Brilhante texto traduzido e publicado pelo Caturo [Gladius]:
Entrevista feita por Wojciech Jan Rudny, da revista polaca Gniazdo («Gniazdo - Rodzima wiara i kultura»), a um membro constitucional da YSEE, ou Conselho Supremo dos Nacionais Helénicos:
P: Na Europa, muita gente quer retornar às suas raizes espirituais, às suas religiões étnicas. Na Polónia, por exemplo, temos a «Rodzima Wiara». E os Gregos?
R: Entre os Gregos temos milhares de homens e mulheres que retornam à sua Tradição, Religião e Valores Ancestrais. Além disso, posso dizer que dentro da percepção do grego médio, o período pré-cristão é considerado como muito admirável, bem como uma era muito mais brilhante do que a da Cruz.
P: Acredita que o indivíduo moderno pode acreditar nos Deuses antigos?
R: Claro, especialmente os que sabem o que são verdadeiramente os Deuses do politeísmo: «seres» eternos, mais do que «personalidades», partes orgânicas e integrais do Cosmos do mesmo modo que as leis físicas são partes orgânicas e integrais do Cosmos. A existência dos nossos Deuses não contradiz as descobertas da ciência moderna; pelo contrário, ambas se apoiam mutuamente. A única diferença entre a nossa opinião e a da actual ciência laica é que para nós a «matéria» não é algo morto mas sim vivo e cheia de Deuses.
P: Porque é que os Deuses permitiram que os cristãos vencessem? O que pensam disto? Na Ilíada e na Odisseia, envolveram-Se neste mundo. Porque não o fizeram mais tarde, no quarto século, por exemplo? Talvez não haja Deuses? Talvez haja apenas arquétipos no nosso subconsciente?
R: Os Deuses dão simplesmente uma orientação aos mortais; não lutam ao seu lado para exterminar «os maus» ou para proteger «os bons». Tal percepção é inteiramente uma coisa judaico-cristã-islâmica. Se fosse esse o caso, aquilo a que chamamos História já teria há muito chegado a um «fim» definitivo, pelo contrário, no mundo mortal é comum que os gentis e virtuosos sejam derrotados pelos ordinários e maus.
No que diz respeito aos poemas homéricos, é preciso nunca esquecer que são épicos, não textos teológicos. Num verso vemos os Deuses a interferirem nos assuntos dos mortais enquanto noutro encontramos o Deus Supremo Zeus a aceitar que o Seu «filho» Sárpedon irá morrer no dia seguinte. Zeus sabe que os Deuses não têm permissão para alterar o destino de um mortal. O que os monoteístas (judeus, cristãos, muçulmanos) saúdam como «milagres» e «provas» da suposta existência do seu «Deus», para nós são simplesmente modificações injustificáveis das leis naturais ou do destino. Nenhum Deus verdadeiro traria tais modificações. Os nossos Deuses garantem a beleza do Cosmos, não afogam «inimigos» no Mar Vermelho. Agora, para responder à sua última questão, sentimo-nos obrigados a repetir que os nossos Deuses são «seres» eternos e reais, não são nem «arquétipos» nem «personalidades».
P: Por favor, diga-me algo sobre a perseguição aos Gregos pagãos nos século IV. E na actualidade.
R: A história da perseguição sanguinária contra os pagãos helenos aconteceu não apenas no século IV mas continuou até ao século IX e depois; os seus detalhes são fornecidos pelo nosso distinto membro Sr. Rassias que é um autor conhecido e também um historiador. No entanto, na Grécia moderna não podemos falar de perseguição; o Estado oficial pura e simplesmente recusa-se a reconhecer a nossa existência como religião. Os únicos que demonstram abertamente ódio contra nós são os teocratas da dominante Igreja Ortodoxa que, infelizmente para eles, já não têm o poder de queimar pessoas em público. Por conseguinte, são forçados a canalizar o seu ódio para propagar uma contínua «propaganda negra» contra nós, na esperança de que o seu rebanho nunca abra os olhos e leve em consideração as nossas ideias.
P: A Igreja Católica Romana diz que os Deuses são seres malignos - que são diabos, demónios... E a Igreja Ortodoxa?
R: Essa abjecta alegação é a causa de incontáveis crimes, genocídios e etnocídios cristãos que foram perpetrados contra os povos de todo o mundo. Tal alegação não brota de um certo dogma do Cristianismo mas em vez disso existe como resultado de uma crença fundamental na sua própria teologia que é consistentemente repetida nos textos dos seus chamados «Pais [da Igreja]». Esta crença fundamental transforma automaticamente o Cristianismo numa máquina intolerante que bloqueia qualquer discussão com o «outro», mas procura apenas converter ou exterminar. Para o verdadeiro cristão, que sabe aquilo em que acredita, todo o Cosmos e a Natureza, juntamente com todas as suas formas «vivas» e «sem vida» estão dentro do âmbito destes demónios. Isto é uma paranóia monstruosa!

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