domingo, 30 de dezembro de 2007

Quem é 'William Schnoebelen' ?

William ou Bill Schoebelen, o autor do livro "Wicca: por trás da Bruxaria Branca", pode ser muito persuasivo, mesmo não sendo um bom orador. O que torna a estórias de Schnoebelen mais verossímeis para seus espectadores é o fato de que ele andou pela Wicca no passado, tornando possível adicionar pequenas verdades nas mentiras que ele prega. Através dos anos, ele e sua mulher tentaram diversos caminhos espirituais, procurando por um que satisfizesse seu evidente desejo de ter poder sobre os outros. Não é dificil de se surpreender de que ele enfim se tornou um cristão fundamentalista que faz palestras contra tudo que não for Cristão.
Schnoebelen estudou sobre Wicca em um curso de correspondência da Church and School of Wicca, de Gavin e Yvonne Frost.
Schnoebelen pegou os pedaços de suas experiências religiosas e iniciou seu próprio programa rigoroso de Wicca na área de Milwaukee. Diversas fontes relatam a fome de poder e a maneira condescendente de Schnoebelen.
Por alguma razão incerta, Schnoebelen e esposa se mudaram para Iowa e cortaram todos os seus contatos com seus associados pagãos. Ele voltou a se chamar de Bill e se tornou mormon. Depois de passar pelo mormonismo por algum tempo, Schnoebelen mudou de ideía e se tornou um 'renascido em Cristo'. Foi nesse momento em que Schnoebelen começou a dizer que ele fez parte de uma conspiração internacional satânica.
Schnoebelen recebeu apoio de Ed Decker nessa empreitada com quem fez diversas viagens pelos EUA, dando palestras contra os Mormons e Franco-Maçons.
A Witches League for Public Awareness escreveu a Decker sobre suas afirmações incorretas sobre Wicca e Mormons, mas Decker não respondeu pessoalmente, mas enviava as cartas a Schnoebelen. Schnoebelen entrou em uma longa correspondência queixosa e improducente com a WLPA, dando respostas vagas e evasivas às perguntas feitas.
Schnoebelen fez afirmações bizarras a respeito de seu passado nas palestras aos grupos Cristãos. Schnoebelen trouxe de volta e misturou com todo tipo de falsidade suas experiências como pagão e mormon , usando algumas verdades para dar credibilidade para as mais diversas fantasias. Schnoebelen disse que, um ano depois de se tornar um Alto Sacerdote, seu iniciador disse que Wicca não era o que parecia. Ele afirmou que foi apresentado a um bruxo de alto grau em Arkansas ou Chicago, chamado Hieronimus, que revelou que Bruxaria era na verdade Satanismo e lhe ensinou práticas satanicas. Se Hieronimus realmente existiu, não há qualquer evidência disso. Certamente ninguém com esse nome fazia parte de algum grupo que Schnoebelen estivesse associado.
O novo promotor de Schnoebelen é Jack Chick. Jack Chick tem dado apoio a vários farsantes como Schnoebelen, em alguns casos muito além do ponto em que eles foram publicamente desacreditados.Schnoebelen teve o apoio de fundamentalistas como Decker e Chick que tem um histórico de ajudar quem lhes conta o que eles querem ouvir, ainda que se prove ser mentira. Outros evangélicos como a Utah Lighthouse Ministry descobriram que as estórias de Schnoebelen não são verdadeiras e tentaram avisar seus membros, mas muitos ignoraram.
Schnoebelen misturou informações de seu passado colorido com mentiras de seu presente fundamentalista para criar gradiosas afirmações para auxiliar em sua carreira como evangelista. Schnoebelen tem dado paralelos triviais entre a Wicca e crenças como o Mormonismo ou lojas como a Franco-Maçonaria em uma tentativa de provar suas afirmações. Quando desafiado por wiccanos para provar suas alegações, ele torna-se evasivo e usulamente afirma que ele está em um nivel de satanismo tão elevado que seus críticos wiccanos não alcançaram e do qual estes que não estão sabendo. Se fossem verdadeiras essas afirmações e ele evidentemente está ansioso em tornar público, por que ele não dá as evidências que provam suas afirmações? A resposta é simples: porque não há evidência.
fonte:http://www.witchvox.com/va/dt_va.html?a=cabc&c=whs&id=4355

sábado, 29 de dezembro de 2007

Quem é 'Tio Chico' ?

Como O Ex-Bruxo Tornou-se “pastor” e como nasceu o Ex-Bruxo.
Francisco conseguia chamar a atenção das pessoas, por ser uma pessoa agradável. Aos poucos aprendeu a manusear a bíblia, dominou a capacidade de falar aos fieis da igreja e com isso percebeu que tinha “jeito pra coisa”.

Um dia ouviu o testemunho do ex-pai de santo Jurandir Ferreira e fascinou-se com o resultado do testemunho dado por Jurandir. Mudou-se de Brasília para a cidade onde a esposa trabalhava como professora. Passou a apresentar-se nas igrejas da redondeza como “pastor Francisco” e começou a contar uma estória que tinha inventado ao longo dos últimos anos desde que conhecera o testemunho do Jurandir, após ouvir repetidamente a gravação da estória contada pelo ex-pai de santo. Como seu nome era Francisco achou prático criar uma figura chamada Tio Chico, e para aumentar o impacto de sua estória, afirmava ter sido o segundo maior bruxo do Brasil, o problema é que sempre inventava um nome diferente para o primeiro bruxo – o povo via muitas contradições em suas estórias, mas como ele atacava o diabo inimigo dos crentes e exaltava o poder de Jesus, isso era suficiente para o povo engolir esses foras que ele dava.
Como o Jurandir tinha dito que muitas pessoas da televisão freqüentavam terreiros de macumba, e nessa época a Xuxa era uma apresentadora crescendo em sucesso e sendo criticada por sua forma de vestir-se quando apresentava os programas infantis, ele resolveu afirmar em suas apresentações que tinha sido o bruxo que fez o pacto da Xuxa com o diabo. Essa estória começou a tomar corpo, e ele passou a viajar para outros estados para contar essa ficção criada por ele. Como já estava dominando bem as apresentações, aos poucos foi criando e acrescentando novos fatos de forma a aumentar o impacto sobre os crentes, e sempre mencionava nome de pessoas importantes com tendo sido atendidas por ele quando bruxo, aumentou assim a projeção de seu nome.
Ele procurava ler vários livros que tratavam de temas voltados para o baixo espiritismo, maçonaria, etc., e assim contava detalhes do que supostamente tinha acontecido em sua suposta vida de ex-bruxo, tendo inclusive dito que desde criança já recebia diversas entidade, que seu pai era um fazendeiro rico, que era grão-mestre da maçonaria grau 33, e que tinha também chegado ao grau 32 da maçonaria. Para não exagerar mais, procurava ficar sempre em segundo lugar: segundo maior bruxo, o penúltimo grau da maçonaria, etc.
O Sucesso do Ex-Bruxo
De lá pra cá, o Ex-Bruxo Tio Xico tem sido no meio evangélico um dos nomes conhecidos como ex-pai de santo. É interessante como as pessoas tem facilidade em acreditar em estórias contadas por desconhecidos. Francisco passou a sentir-se importante, referencia no tema ex-bruxo e aproveitou bem, e para não levantar muita suspeita em suas verdadeiras intenções, não cobrava “cachê” para contar seu “testemunho”, para não dar muito na cara; contentava-se com uma pequena oferta.
Até carimbos ele confeccionou para preencher a credencial que ele utilizava para conseguir acessos a determinados lugares. Ele impriia a carteira, e usava os carimbos que ele mesmo mandou fazer. O sujeito é bom. Ele cria tudo que precisa para conseguir a confiança das pessoas. Mas ele é bom mesmo é de conversa, que dizer, mais ou menos, pois ele fala de mais e se contradiz. O peixe morre pela boca, e é pela boca que o tio vai se condenando em suas contradiçoes.
PARA CONFIRMAR O QUE ELE DIZ.
Ele não tem como mostrar provar nenhuma dessas evidencias que relacionamos abaixo.
Nenhuma dessas perguntas abaixo ele é capaz de responder.
Perguntas e provas que o falso bruxo não tem como responder nem apresentar:
1. O nome do grão mestre maçom no tempo que ele era maçom e nome da loja.
2. Data do nascimento das filhas dele e o atestado de nascimento
3. Data em que ele assassinou a filha
4. Onde está o atestado de óbito dessas filhas que ele assassinou e também da assassinada pelos maçons
5. Igreja onde ele se converteu, e o nome do pastor que o batizou.
6. Data, local, igreja e pastor que o ordenou ao pastorado.
7. Alguma foto dele como maçom
8. Alguma foto dele com bruxo
9. Alguma foto dele vestido de pai de santo
10. Algum documento que conste a ordenação dele ao pastorado, ata, credencial assinada por alguma convenção, nome dele em alguma lista de obreiro de alguma igreja, etc.
11. Alguma foto do filho dele com a cicatriz do tiro no peito.
12. algum documento hospitalar de internação e tratamento desse filho baleado
13. Alguma foto dele em alguma dessas dezenas de religiões por onde passou
14. Algum documento que comprove que foi aluno de alguma universidade
15. Algum documento que comprove que foi funcionário do governo
16. Alguma foto de alguma viagem ao exterior
17. Algum documento de algum carro de luxo que possuiu.
18. Algum documento que comprove ter possuído alguma mansão em Brasília ou onde quer que seja.
19. Alguém que tenha sido seu filho de santo
20. Alguém que o conheceu como bruxo
21. Nome de alguém que possa ser consultado, alguém que qualquer um possa conversar, já que ele só menciona nome de pessoas importantes que é quase impossível chegarem a elas.
22. Ele estaria disposto a mostrar a “parte intima”, onde diz estar escrito o nome de Lúcifer, para uma comissão?

fonte: http://bruxos-evangelicos.blogspot.com/2007_01_01_archive.html

Quem é 'Daniel Mastral' ?

É curioso como este tema é recorrente no Orkut, em comunidades cristãs. Os que apreciam o autor e seus livros defendem-no cegamente, sem conseguir ouvir os argumentos lógicos contrários, sem falarmos nos bíblicos.
O texto abaixo é o que postei em uma dessas comunidades sobre o tema em questão. Acresci uns poucos comentários, em azul, atualizando algumas informações. Apenas um irmão comentou o que escrevi, dizendo que dispensava outros argumentos. Todos os defensores de Mastral permaneceram absolutamente em silêncio, sem contra-argumentar coisa alguma.
Leia e considere você o assunto.
Alguém falou de falta de provas contra Daniel Mastral. Bem, se começarmos com esta argumentação, o Mastral também não apresenta prova nenhuma do que ele fala. Se alguém se detiver neste argumento, está simplesmente fazendo uma escolha em quem crer: no Mastral sem provas ou nos seus detratores sem prova.
Mas isso não é verdade. Há provas, sim, das mentiras do Mastral. Procurem um autor chamado Marcus Prosdocimi, que tem livro publicado pela Editora Mundo Cristão. Ele foi seminarista na congregação da qual o Mastral diz ter participado e que teria sido destruída pelos satanistas. Este irmão provou, e apresentou as provas ao Mastral e à Neuza Itioka, que o apoiava na época, com dados históricos retirados das atas e dos registros da igreja, que Mastral inventou histórias, inventou personagens e reuniu fatos diferentes acontecido com pessoas diferentes e os atribuiu à ação dos satanistas.
Prosdocimi leu os livros do Mastral duas vezes, antes de eles serem lançados, e fez um levantamento cronológico dos fatos e os comparou aos registros e testemunhos dos membros da igreja. Resultado: fraude!
Mas ainda há mais. De que adiantam as denúncias que não denunciam nada? Qual é o resumo dos livros do Mastral? "Há satanistas infiltrados nas igrejas." Bem, é preciso escrever mais de 600 páginas de heresias e blasfêmias, dando voz aos satanistas, detalhando seus pseudo-rituais, deixando-os questionar todas as verdades bíblicas, sendo porta-voz de todo o seu ódio contra Deus e Sua salvação -- só para dizer que há satanistas nas igrejas? Eu li os dois livros do Filho do Fogo para ajudar uma irmã que estava obcecado com eles [hoje, graças a Deus, essa irmã percebeu o perigo insidioso por trás dos ensinamentos de Mastral, especialmente depois de ganhar a apostila de um seminário dele, a qual comento abaixo. Ele queimou os livros dele]. O que encontrei? Mais de 600 páginas de ofensas ao meu Senhor para, no final, umas poucas narrando sua conversão e duas ou três de uma ridícula contra-argumentação àquilo que ocupou mais de 600 anteriores. Isso traz alguma ajuda ao povo de Deus? De modo nenhum!
Será que precisamos ler quatro livros e participar de seminários (o engraçado é que a capa da apostila do seminário que ele dá traz escrito, bem grande: Satanismo, nível 1! [A impressão que se tem é que a apostila é pró-satanismo, não contra ele!]) para, então, estarmos capacitados a enfrentar o diabo? Será que Paulo não sabia disso? Será que ele errou ao reduzir esse assunto a parte de Efésios 6? Será que a doutrina apostólica de "resistir ao diabo e ele fugirá de vós" é errada, simplória? Será que alguém está autorizado a falar mais do que os autores bíblicos sobre o assunto?Mastral, Brown e outros que tais aproveitam-se da curiosidade natural que o homem tem pelo desconhecido, aliam isso à incultura bíblica mais ou menos generalizada, a qual despreza a rica herança da história cristã, de homens que se deram pelo Senhor de maneira completa e profunda, e ganham a vida com novas revelações e coisas que ninguém nunca soube antes.
Há mais ainda. Mastral é incoerente e seu livro conduz ao erro. Num de seus livros, ele registra o que um satanista fala sobre ungir coisas com óleo e como isso espanta demônios. Quem lê o livro, toma isso como verdade. Mas depois, em uma entrevista (disponível na internet), ele diz que ele não disse aquilo, mas são os satanistas que dizem. Que complicado! Além de ler os livros, você tem de ir atrás de todas as entrevistas que o cara deu para saber o que é que ele disse, o que os satanistas dizem, o que é verdade, o que é mentira... Muito complicado! Mas se você pesquisar um pouco mais, vai encontrar que ele diz, sim, que se deve usar unção com óleo, coisa que a Rebecca usa a torto e a direito. Uai, afinal, usa ou não usa? Tem demônio que se espanta com isso e outro não? Como saber?Tudo isso serve apenas para gerar confusão no meio do povo de Deus e de fazê-lo desviar os olhos do Senhor e fixá-lo no inimigo.
Mas há mais ainda. Como o Paulo [um usuário do Orkut] muito bem perguntou, por que nenhum homem de Deus sério apóia o Mastral? Vejam o que aconteceu. Em seu livro, o Mastral faz acusações (como é de seu feitio) sem citar nomes à Eleny Vassão, que é capelã de um grande hospital em São Paulo [a mesma que, mais recentemente, foi envolvida por um repórter da AOL que se fazia passar por homossexual]. A descrição que ele faz da personagem se encaixa tão perfeitamente na Eleny que pessoas que leram o livro a identificaram com o personagem e começaram a falar mal dela. Como ela é uma cristã séria e respeitada, um grupo de líderes cristãos, incluindo Ariovaldo Ramos, Ricardo Gondim, Élben Cezar, entre outros, escreveram um manifesto de repúdio às acusações (o manifesto está na internet. É só procurar.). Além disso, convocaram o Mastral para se reunir com esse grupo apenas, para confirmar ou desmentir o fato de que a personagem de seu livro era a Eleny. O cara se recusou a ir. Sua justificativa? "As pessoas associam meu personagem com quem querem." Ou seja, seu argumento é: não sou contra nem a favor, muito antes pelo contrário.
Digam-me: de que serve uma acusação etérea, sem nome? De que vale levantar uma acusação contra uma pessoa séria sem provar, sem confirmar sua informação? Qual é a utilidade disso? Nenhuma, além da difamação.
Mas há mais ainda. Ele não assume seu nome verdadeiro nem se permite fotografar. Por quê? Medo dos satanistas? Ué, a que Deus ele serve afinal de contas? Medo de ser reconhecido? Mas nos livros ele disse que conheceu toda a alta cúpula, que foi campeão de artes marciais, que viajou para baixo e para cima, que os satanistas estão espalhados por tudo quanto é canto. Será que é tão difícil assim ele ser reconhecido? Balela!
[Costumo comparar o denuncismo vazio de Mastral ao trabalho sério, apesar de não perfeito, de David Bay, Dave Hunt e Alexandre Rodrigues, por exemplo. Estes não têm medo de dar nomes aos bois (ou lobos disfarçados de ovelhas), de citar os livros, os institutos, os seminários, as fontes.]
Eu creio, sim, que o diabo é capaz de levar pessoas a fazerem coisas muito piores do que o mais depravado roteirista de filme de terror possa conceber ou que qualquer livro de pseudo ex-satanista possa narrar. Creio, sim, que um satanista possa se converter, e que nisso não haja mais operação da graça do que na conversão de um homem nascido em lar evangélico e que se manteve puro e virgem toda a vida. Creio, sim, que haja satanistas espalhados por aí afora. Creio, sim, que somos muito ingênuos quanto às atividades do diabo, dando atenção apenas às coisas espetaculares e esquecendo de sua ação na cultura, na consciência, nos valores. Mas o que não aceito de modo nenhum é que se usem mentiras para defender a verdade.
Um comentário final. Temos a tendência de nos empolgar com qualquer relato diferente, que assevera ser real. Assim, logo tomamos um partido, muito mais movidos pela emoção e pelo impacto intelectual do que pela consideração daquilo ao escrutínio da Escritura. Aí, estamos a um passo do erro. Um cristão não pode fazer isso. Jessie Penn-Lewis, em sua obra Guerra contra os santos (este, sim, um livro sério sobre a guerra espiritual, mas que também precisa ser lido com discernimento e cautela), dá um sábio conselho: a melhor atitude diante de qualquer manifestação espiritual, incluindo doutrinas, é sempre de neutralidade. Nunca abrace de pronto coisa alguma como sendo de Deus, mas também nunca rejeite de pronto como sendo do diabo.
Como disse o Paulo, não estou questionando se o Mastral é, de fato, cristão ou não, mas, sim, julgando sua obra, seus frutos. Estes são maus.

fonte:http://fnunes.multiply.com/journal/item/92/Sobre_Daniel_Mastral

Quem é a 'dra' Rebecca Brown?

Rebecca Brown e Elaine (sem sobrenome mesmo) contaram sua história a Jack Chick, cuja companhia (Chick Publications) editou em duas fitas cassete, Closet Witches (Bruxas de Armário) 1 e 2, e dois livros, “Ele Veio Para Libertar Os Cativos” e “Prepare-se para a Guerra”. Rebecca e Elaine também tiveram oportunidade de promover sua mensagem no popular programa de entrevistas “Geraldo”, em 1987.
QUEM SÃO ESTAS MULHERES?
A resposta dessa pergunta é o coração de qualquer investigação sobre as afirmações e todos os livros publicados sobre elas. Achar as respostas não foi fácil. Para aqueles que tentaram entrevistá-las, elas foram bastante evasivas. Por exemplo, o autor Jerry Johnson, em seu livro “Edge of Evil” (Fronteira do Mal), declara que Rebecca não permitiria que Elaine fosse entrevistada sobre a missa negra, dizendo que isto seria muito duro para ela e que levaria semanas para ela se recuperar
.
Um olhar profundo no passado de Rebecca também é difícil. Para começar, deve-se saber que ela nem sempre foi “Rebecca Brown, M.D.”. Ela mudou seu nome, “Ruth Irene Bailey, M.D.”, em uma petição ao Tribunal Superior da Califórnia, no município de San Bernardino, datada de 11 de fevereiro de 1986. Ruth Irene Bailey, de Apple Valley (na Califórnia), junto a seu advogado, Robert Salisbury, de Anaheim, pediu uma mudança de nome para “Rebecca Brown”. A razão alegada era: “a solicitante tornou-se mais conhecida pelo nome proposto para ser utilizado como pseudônimo e nome usado em ministério que por seu presente nome”
.
Considerando que os dois livros de Rebecca foram publicados em 1986 e 1987, parece improvável que ela tenha se tornado tão extensamente conhecida por seu pseudônimo apenas no segundo mês de 1986. Fazer isso para esconder da “Irmandade”, seria uma futilidade já que essas pessoas poderiam adivinhar tal informação de maneira sobrenatural... ainda que nem tivessem lido isso no Diário de Imprensa de San Bernardino, um jornal de grande circulação no qual o assunto foi publicado semanalmente, durante quatro semanas, antes da data fixada para a audiência da petição. A mudança de nome foi então oficialmente registrada em 25 de abril de 1986.
Rebecca tinha suas razões para mudar de nome, porém não por causa da notoriedade que ela havia adquirido com seu nome novo, mas da fama que ela havia alcançado com o antigo...
DE MÉDICA A FANÁTICA
Ruth Irene Bailey nasceu em Shelbyville (Indianápolis), para Ebner e Lois Bailey, no dia 21 de maio de 1948. Ela foi criada em Indianápolis, concluiu o segundo grau e então conquistou o conceito A+ em enfermagem na IUPUI (Universidade de Indiana – Universidade de Purdue em Indianápolis) em maio de 1968. Ela trabalhou então como enfermeira durante sete anos (na fita “Closet Witches 1” ela diz que foi enfermeira por 10 anos). Ela ingressou na Universidade Purdue, em Indianápolis, em setembro de 1976, transferindo-se então para a Escola de Medicina da Universidade de Indianápolis. Recebeu o seu Doutorado em Medicina no dia 30 de abril de 1979.
Ela mudou-se então para Muncie, Indiana, para iniciar seu estágio e residência no Ball Memorial Hospital. Este é o “hospital” ao qual ela se refere repetidamente em seus livros e fitas como “um dos hospitais preferidos de Satã”. Ruth começou seu estágio com boas recomendações: de sua escola e dois médicos respeitáveis – Doutor Cavins e Doutor Steel, de Indianápolis. No entanto, parece que logo no início de seu estágio ela desenvolveu uma obsessão com demônios e libertação.
Um porta-voz do Ball Memorial Hospital, Dr. John Cullison, diretor de educação médica, contou ao jornal “Notícias de Indianápolis” que “A Doutora Bailey proveu excelentes cuidados nos dois primeiros anos após unir-se ao pessoal residente do hospital, em 1979. Entretanto comecei a receber relatórios de que ela estava exorcizando demônios na unidade de tratamento intensivo – ele disse – e eu pedi que ela partisse”.
Durante seu estágio e residência no hospital, o comportamento de Ruth tornou-se mais bizarro: ela começou a usar velas nos quartos durante os exorcismos. Muitas vezes ela falou a seus pacientes que ela era “escolhida” por Deus como a única médica capaz de diagnosticar certas doenças e sintomas que os outros médicos não poderiam. Ela crê que outros médicos, inclusive os médicos do Ball Memorial Hospital, em Muncie (Indiana) e do Centro Médico St. John, em Anderson (também em Indiana), eram, na realidade, demônios, diabos e outros espíritos malévolos encarnados. Ninguém do hospital poderia comentar sobre estes relatórios por serem registros confidenciais, mas os representantes do hospital ajudaram a refutar muitas de suas acusações.
Por exemplo, em “Closet Witches 1” ela diz: “Eu sempre tinha a capela só para mim porque ninguém nunca a havia usado”. Uma visita ao Ball Memorial Hospital indicou que a capela era bem utilizada e que havia Bíblias disponíveis.
Ela disse que “passados os seis meses que trabalhava no hospital, a administração recolhera dos quartos todos os novos testamentos (Bíblias dos Gideões)”. Um representante do hospital negou esta afirmação e podem ser vistas as Bíblias dos Gideões nos salões de entrada e áreas de espera do hospital.
Ela também diz: “aos ministros não seria permitido visitar na companhia de outros que não fossem os seus próprios paroquianos. E, se tentassem evangelizar outros pacientes, seriam escoltados pela segurança e advertidos a não retornarem mais. O serviço de capelania não era permitido. Na realidade, parecia haver um esforço no sentido de banir qualquer menção ao cristianismo dentro do hospital”.
Muitos hospitais grandes têm políticas de proteger seus pacientes de ministros ou exorcistas / curandeiros que tentem entrar nos quartos para expulsar demônios ou aplicar técnicas curativas. Sobre a proibição do serviço de capelania, o Ball Memorial não tem um capelão residente, mas tem instalações para cuidados e aconselhamentos pastorais.
O comportamento de Ruth ficou ainda mais estranho e sua obsessão com demônios agravou seu estado mental. Mais tarde, o Conselho de Licenciamento Médico registrou que ela “declarou em diversas ocasiões que possuía a capacidade de “compartilhar” das doenças de seus pacientes ao lutar contra demônios, diabos e outros espíritos do mal que supostamente estariam causando as várias doenças e condições”.
Ruth e Elaine se encontraram no Ball Memorial e finalmente começaram a viver juntas. Contudo, a história real do encontro e relacionamento delas guarda pouca semelhança com a história contada e promovida por Jack Chick.
A SACERDOTISA SUPERIOR ELAINE
“Edna Elaine Moses” nasceu “Edna Elaine Knost”, na sonolenta cidade de New Castle, Indiana. Em 1986 ela retornou legalmente a seu nome de solteira. Elaine nasceu com uma fenda palatina que deixou sua face um tanto desfigurada. Ela conta a Chick, em “Closet Witches 1”: “Eu odiava as pessoas, fui muito maltratada em casa e também fui bastante maltratada na escola: quando se é criança, nada é pior que uma criança da mesma idade para te ferir mais profundamente e tornar a tua vida miserável... e foi assim comigo por causa de minhas deformidades”. Parece que Elaine ainda carrega algumas de suas cicatrizes psicológicas por causa da sua deformidade e dos aborrecimentos que suportou por causa disto.
Entrevistas com familiares de Elaine revelaram-na vivendo uma vida permeada de mentiras e armações. Eles expressaram pouca surpresa com suas fábulas selvagens, divulgadas nos livros de Rebecca. Os exageros de Elaine provaram ser, muitas vezes, um embaraço para os membros de sua família, evidenciando que ela faria quase qualquer coisa que receber atenção. Por exemplo, um método muito utilizado por Elaine era fingir ter ataques apopléticos em locais públicos.
Um registro médico diz que a Elaine apresentava uma “desordem de personalidade mista”, e “é de confiança questionável”. Isso fica evidente quando se compara o testemunho de Elaine contado em fita de cassete com a versão apresentada no livro e, então, podemos observar cuidadosamente a história que ela e Rebecca contaram.
Por exemplo, Elaine conta a Chick que “na adolescência constatei uma enorme habilidade para influenciar outros e fazê-los agirem de acordo com minha vontade. A minha força física era incomum”. Na fita “Closet Witches 1”, Elaine diz que se valeu de tal força na escola secundária, quando atacou um jogador de futebol americano que a ofendeu no corredor da escola: “... havia um jogador de futebol americano, que pesava uns 120 kg... avancei sobre ele, derrubei-o e comecei a esmurrá-lo. Bati tanto em sua face que foi necessária uma cirurgia para consertar: quebrei seu nariz, sua mandíbula e arrebentei seus dentes. Foram necessários oito professores para me separar daquele menino. Eu o teria matado”. Chick então pergunta: “Elaine, qual sua altura naquela época”? Elaine responde: “Oh, eu só pesava uns 43 kg... Eu media em torno de 1,62m”.
Em “Ele Veio Para Libertar Os Cativos”, ela conta a história novamente, reduzindo o número de professores a cinco, mudando o peso do menino para uns 100 kg, seu próprio peso para 50 kg e os danos para o nariz, o queixo e inúmeros ossos da face quebrados.
As discrepâncias entre essas duas versões da história são compreensíveis. Qualquer um que comente sobre um evento que ocorreu anos atrás poderia mudar tais detalhes ligeiramente a cada repetição. O que é significativo nesta história é que uma entrevista com vários colegas da escola secundária de Elaine, inclusive jogadores do time de futebol americano, negou o incidente conforme descrito por Elaine. Isso nunca aconteceu – não importa em qual versão a pessoa tente crer.
PERITAS?
Jack Chick, em “Closet Witches 1” diz: “Estas duas senhoras são peritas no mundo do oculto”. Elaine diz que era uma bruxa treinada que se casou com Satanás. Ao contar suas histórias para Chick, Elaine e Rebecca referem-se a satanistas como bruxas e vice-versa. Contudo, qualquer um com o mínimo conhecimento sobre o oculto sabe que feitiçaria e satanismo não são a mesma coisa, nem mesmo sendo compatíveis.
Elaine descreve um “acampamento” onde ela foi iniciada em feitiçaria e satanismo. Ela descreve este “acampamento” com riqueza de detalhes.
Baseado na descrição do acampamento e suas locações feita por Elaine, provavelmente ela está se referindo a um acampamento espiritualista conhecido como Acampamento Chesterfield (Sociedade de Espiritualistas de Indiana), na cidade de Chesterfield, Indiana. O acampamento fundado em 1886 por Dr. J.W. Westerfield.
Assim como feitiçaria e satanismo, espiritualismo é uma prática distinta a não deve ser confundida com as outras. Chick chama Elaine e Rebecca de “peritas” no oculto, mas um perito não confundiria estas três religiões. Espiritualistas não são feiticeiros e bruxas. Espiritualismo mistura cristianismo, espiritismo e ultimamente assumiu a terminologia da “Nova Era”. Isso não significa cristianismo algum, mas também não é feitiçaria nem satanismo.
Uma viagem ao Acampamento Chesterfield revelou que ele não é nada como Elaine descreve. Não há nenhum dormitório, como recordou Elaine, mas há dois motéis que se parecem com dormitórios para um estranho que dirija pelo acampamento. Nenhum funcionário entrevistado poderia se lembrar de alguma “Edna Elaine Moses” ou alguma “Edna Elaine Knost”, mas todos estavam familiarizados com o tipo de histórias contado sobre seu acampamento.
Elaine diz que assinou o seu nome em sangue e se tornou parte da “Irmandade” neste acampamento. Ela não conta sua idade na época, mas diz que tudo ocorreu durante o verão: “como estávamos de férias escolares, não tendo mais o que fazer, decidi ir”. Isto situa tal evento em algum momento de sua mocidade, provavelmente na adolescência. De forma interessante, a legenda próxima ao seu retrato de formatura, no anuário da escola secundária em 1965, menciona que ela era a sócia do Clube da Bíblia em sua escola.
Os livros de Rebecca mencionam a “pressão” feita sobre ela, no intuito de parar seu “ministério” que expunha os satanistas e bruxas do hospital e das comunidades circunvizinhas. Rebecca diz: “Eu soube que o prefeito daquela cidade, o chefe de polícia, assim como muitos dos policiais também eram satanistas... então eu não poderia ir à polícia pedir ajuda”. “A seita estava furiosa e eles nos deixaram saber de forma segura que eles estavam furiosos. Aconteciam todos os tipos de ameaças”. A verdade é que os funcionários do Ball Memorial Hospital estavam cansados do comportamento bizarro de Rebecca, que tinha evoluído a ponto de incluir ritos de exorcismo nos quartos do hospital, envolvendo o uso de velas e afirmações “de que ela fora escolhida por Deus como a única médica capaz de diagnosticar certas doenças e sintomas”. Finalmente os funcionários pediram que ela deixasse o Ball Memorial Hospital.
Evidências mostram que Rebecca realmente montou um consultório médico na cidade de Lapel (Indiana), com apoio financeiro do Hospital St. John, uma instituição católica na cidade vizinha (Anderson).
Desde o início de sua estadia em Lapel, Rebecca e Elaine enganaram o público. Uma história de primeira página na edição de 26 de maio de 1982 do jornal “The Lapel Review” disse que Rebecca estava inaugurando seu “Consultório de Clínica Geral” naquela cidade. O artigo abaixo da manchete “Dra. Bayley (sic) abre consultório em Lapel” declarou, “Ela, sua irmã e seus dois assistentes aguardam com ansiedade para se unir a comunidade local”
. A partir desta informação e de outras, percebemos que Rebecca e Elaine estavam se fazendo passar por irmãs. Edna Elaine Moses até mesmo pegou o sobrenome de Ruth e se chamou “Elaine Bailey”! Os moradores de Lapel confirmaram que elas sustentavam tal parentesco.
Rebecca afirma: “Fiz muitos contatos durante aquele período e tive o privilégio de retirar cerca de mil pessoas do Satanismo” – isso enquanto trabalhou na cidade de Lapel, morando numa fazenda nas vizinhanças, em Pendleton – “Nós tínhamos uma espécie de “estrada de ferro subterrânea””
. Se suas afirmações forem verdadeiras, ela teria que ter salvo do satanismo uma média de 1,3 pessoas por dia durante os 25 meses (abril de 1982 até maio de 1984) em que ela viveu na área. Qualquer ministro cristão ou obreiro há de concordar que esta seria uma taxa fenomenal.
Mas, assim como ocorreu no Ball Memorial, as circunstâncias ficaram estranhas em torno de Rebecca e Elaine na cidade de Lapel. Evidências documentais apresentam uma história diferente.
Primeiro: não há base alguma para Rebecca dizer que “os satanistas foram instrumentos da morte de sua mãe”. De acordo com a cópia oficial do “Atestado Médico de Óbito do Condado de Marion (Indiana). Departamento de saúde”, Lois M. Bailey morreu em 31 de dezembro de 1982 no Hospital St. Vincent em Indianápolis, de um ataque cardíaco. Ela tinha 75 anos. Rebecca diz que ela tinha 74 anos.
INICIANDO UMA INVESTIGAÇÃO ESPECIALIZADA
Outro “detalhe” que Rebecca não menciona são as alegações de que ela abusou de Elaine. Documentos mostram que ela, de fato, abusou de Elaine. Em 17 de outubro de 1983, o oficial Samuel E. Hanna, da Polícia do Condado de Madison (Indiana), recebeu o telefonema de um assistente social do Hospital St. Vincent, em Indianápolis. O motivo da ligação: uma mulher tinha sido internada no hospital com lesões cobrindo seu corpo inteiro. Ela era incoerente, havia recebido uma overdose de drogas e estava quase morrendo. O nome da paciente era Edna Elaine Moses.
Uma investigação preliminar indicou a Dra. Ruth Bailey (Rebecca) como a principal suspeita. O oficial Hanna, um cristão nascido de novo, foi o encarregado de encabeçar as investigações sobre Rebecca. Vários meses de trabalho investigativo se seguiram, envolvendo o escritório do Advogado Geral, a FDEA (Federal Drug Enforcement Administration - Administração Federal de Coação às Drogas), o Hospital St. John, Conselho de Licenciamento Médico e ainda outros órgãos.
Baseado na investigação, o Conselho de Licenciamento Médico de Indiana emitiu uma “Suspensão de Emergência” da licença de Rebecca que a impediu de praticar medicina em Indiana durante 90 dias.
Houve mais investigações, foram levados atestados adicionais e uma “Solicitação para Admissões” foi afiançada por Rebecca. Entre outros resultados, as pesquisas revelaram que Rebecca, em menos de seis meses, havia emitido um total de mais de 100 prescrições de Demerol para quatro farmácias diferentes, que autorizavam a compra de 330 frascos da altamente viciadora droga anestésica.
A partir dessa descoberta, o Conselho de Licenciamento Médico emitiu uma ordem, registrada em 22 de maio de 1984, prolongando a suspensão de Rebecca por mais 90 dias. A ordem também declarava: “O sujeito em questão (Rebecca) continua representando um perigo claro e imediato à saúde pública e segurança se lhe for permitido continuar praticando a medicina, e que as razões apresentadas neste assunto na ordem de suspensão anterior não mudaram”. A ordem também solicitava a Rebecca para “submeter-se a um exame físico e mental completo à custa do Conselho”.
Antes disso, Rebecca já havia fugido de Lapel. Uma cópia da ordem do Conselho teve que ser remetida a ela através de correspondência registrada, para uma caixa postal em Niles (Michigan), onde ela acusou o recebimento (assinou) em 29 de maio de 1984. A investigação continuou e resultou em uma audiência em setembro de 1984. A edição de 21 de setembro de 1984 do “Indianápolis News” informou que “Ela (Rebecca) não compareceu ontem à audiência referente a seu caso, que durou seis horas. Pela lei, sua falha em comparecer significou que o Estado havia provado sua culpa através da ausência”. O jornal informou também que 19 testemunhas depuseram durante a audiência, muitas das quais “se recusaram a revelar seus atuais endereços, dizendo temer retaliações da Dra. Bailey. Elas disseram que a médica porta uma arma e ameaçou ferir as pessoas, que ela afirma estarem possessas”.
O artigo do jornal ainda informou que “Várias testemunhas disseram ter visto a Dra. Bailey (Rebecca) injetando Demerol e morfina em si mesma, na Sra. Moses (Elaine) e na filha adolescente da Sra. Moses. As testemunhas ainda disseram que foram mantidas disponíveis grandes quantidades de drogas, e a casa de Bailey estava entulhada de agulhas usadas e seringas”.
Mais adiante, uma ex-empregada doméstica da Dra. Bailey testemunhou que a casa estava “imunda” quando ela e sua filha se mudaram. Ela testemunhou: “Eu joguei fora 18 bolsas repletas de lixo... No quarto onde a Dra. Bailey e Sra. Moses dividiam a cama, havia cinzeiros transbordantes, pratos com restos de comida e fezes de animal. A casa estava cheia de livros de demonologia”.
O VEREDICTO
A audiência do Conselho de Licenciamento Médico de Indiana foi concluída e uma “Apuração de Fatos, Conclusões de Lei e Ordem” foi publicada. O relatório de oito páginas ordenou a imediata revogação da licença médica de Rebecca. Entre os mais significativos excertos estão:
8. Que em numerosas ocasiões a acusada (Rebecca) tem conscientemente e intencionalmente emitido diagnósticos incorretos de seus pacientes, incluindo (mas não limitando apenas a estes) seus pacientes de nome: Edna Elaine Moses (também conhecida como Elaine Moses, também conhecida como Elaine Bailey e, de agora em diante, referenciada por “Edna Elaine Moses”), Claudia Moses, Lúcia Lively, Luccinda Sisson, Kelly Sisson, Cheryl Maynard, e dois (2) pacientes identificados apenas como “V.B.” e “K.W.”.
9. Que os “diagnósticos incorretos” aos quais se refere o “Fato Apurado” nº.8 acima, tais diagnósticos errôneos incluíam alegações de leucemia, desordens variadas, doença de bile na bexiga, tumores cerebrais e várias outras doenças e sintomas; a acusada alega que todas estas condições foram supostamente causadas por demônios, diabos e outros espíritos do mal.
10. Que, na realidade, os pacientes citados no “Fato Apurado” nº.8 acima, não estavam sofrendo das doenças diagnosticadas nem dos referidos sintomas descritos no “Fato Apurado” nº.9, acima.
11. Que em numerosas ocasiões a acusada declarou para seus pacientes que era “a escolhida” por Deus como a única médica capaz de diagnosticar certas doenças e sintomas que outros médicos não puderam, porque os outros médicos, inclusive médicos do Ball Memorial Hospital (em Muncie, Indiana) e do Centro Médico St. John (em Anderson, Indiana), eram, na verdade, “demônios, diabos e outros espíritos do mal” eles próprios.
12. Que a acusada estava tratando de forma imprópria a suposta leucemia de Edna Elaine Moses com doses maciças de Demerol e Phenobarbitol, ao ponto onde o paciente toleraria injeções de 600 a 900 cc de Demerol. Uma dose normal desta droga contém de 150 a 200 cc, e até três vezes a dose terapêutica indicada de Phenobarbitol.
13. Que a acusada deu a Claudia Moses (filha de Edna Elaine Moses, mentalmente prejudicada, com 15 anos de idade, mas com idade intelectual de 8 anos) inúmeras injeções de Demerol por alegada “náusea” e permitiu que Claudia aplicasse injeções de Demerol em si própria.
14. Que em numerosas ocasiões a acusada forneceria a seus pacientes quantias excessivas de Demerol e/ou substâncias controladas sem qualquer explicação, instrução, ou receita apropriadas.
15. Que muitos dos pacientes da acusada tiveram que sofrer desintoxicação e retirada das excessivas quantias de Demerol e/ou substâncias controladas que a acusada estava prescrevendo e/ou administrando sem razões terapêuticas válidas.
16. Que enquanto Edna Elaine Moses esteve sob cuidado imediato e tratamento da acusada, a família de Edna Elaine Moses teve que internar Edna na emergência do Hospital St. Vincent, em Indianápolis (Indiana) e, em seguida, a transferiu para o Hospital LaRue Carter, em Indianápolis (Indiana), para desintoxicação das quantias excessivas de substâncias controladas que a acusada estava prescrevendo e administrando à suposta leucemia de Edna e para tratamento das infecções múltiplas, inclusive infecções de sua área urinária e infecções de vários cateteres (inclusive um cateter de “Hickman”, usado para facilitar a administração de medicamentos intravenosos e também para tratamento de lesões de causas externas).
20. Que a acusada declarou em diversas ocasiões que possuía a capacidade de “compartilhar” da doenças de seus pacientes, lutando contra os demônios, diabos e outros espíritos do mal que estavam supostamente causando as várias doenças e sintomas e que ela estava, na realidade, “compartilhando” a leucemia de Edna Elaine Moses.
21. Que sem uma razão terapêutica válida a acusada se autodiagnosticou e automedicou com quantidades não terapêuticas de Demerol por causa de sua “leucemia”, que estava supostamente compartilhando com Edna Elaine Moses e também para tratamento de um alegado tumor cerebral maligno e miastenia grave.
22. Que a acusada foi vista rotineiramente recebendo doses não terapêuticas, de pelo menos 3 ccs de Demerol, numa freqüência horária, injetando em si mesma, na parte de trás de suas mãos, na parte interna de suas coxas, ou onde quer que ela pudesse localizar uma veia satisfatória.
23. Que o psiquiatra designado pelo Conselho examinou a acusada e revisou as declarações feitas pelos pacientes dela, diagnosticando a acusada como sofrendo de desordem aguda de personalidade, incluindo ilusões demoníacas e/ou esquizofrenia paranóica.
Finalmente, baseado na “Apuração de Fatos” acima, o Conselho tirou suas “Conclusões de Lei” sobre Rebecca, onde incluiu as seguintes informações sobre ela:
(D) vício ou severa dependência de álcool ou semelhante; o que expõe o público ao risco por prejudicar a habilidade de um médico para praticar de forma segura.
(3) Prescrevendo ou administrando uma droga para outros propósitos além dos terapêuticos geralmente aceitos; e,
(4) Negligência total na prática de medicina.
O ponto mais importante do boletim médico é a divulgação da overdoses de Demerol em Elaine e Rebecca. O vício em Demerol, um depressivo, tem efeitos colaterais claramente identificáveis. O “Guia Essencial para Prescrição de Remédios” descreve os efeitos colaterais de uma overdose de Demerol: “Desorientação, alucinações, caminhar instável, perturbações de comportamento paradoxais podem indicar desordem psicótica”. O Guia prossegue: “fraqueza, desmaio, desorientação, vertigem, concentração prejudicada, dependência, confusão, convulsões”.
É impossível determinar se houve um real contato de Elaine e Rebecca com Satanás, se é que houve algum, enquanto elas agiam sob influência de drogas. Mas podemos estar seguros de que seus estados mentais influenciados por drogas não trouxeram nenhuma revelação direta de Deus: ambas estavam alimentando e abastecendo as interpretações de seus vícios. A percepção dos fatos por Rebecca e Elaine e suas experiências pessoais são similares às imagens que a pessoa vê nos espelhos de um parque – a imagem está lá, mas é uma completa distorção da realidade.


fontes:
http://teophilo.info/analises/marrom01.htm;
http://teophilo.info/analises/marrom02.htm;
http://teophilo.info/analises/marrom03.htm

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

O que a Deusa não pode fazer

Eu encontrei esse texto na internet e resolvi publicá-lo aqui, com meus comentários, para a reflexão dos pagãos, bruxos e wiccanos brasileiros.

Ao primeiro olhar, as divindades da bruxaria podem parecer bastante atraentes. Elas não exigem um padrão de santidade, elas aceitam qualquer um, mesmo se elas não forem chamadas pelo nome certo ou nenhum nome em absoluto e elas são tanto masculinos como femininos. Elas parecem ser mais simpáticas e íntimas do que Jesus. Entretanto, se você examinar as ofertas dessas divindades pagãs junto com o que Jesus tem a oferecer, torna-se rapidamente bem claro que Jesus tem muito mais a oferecer do que qualquer outro deus ou deusa pagãos tem a oferecer. As ofertas das divindades pagãs, como todas as mentiras de Satan, tem muito brilho e pouca substância. Para o propósito desse artigo, eu irei me referir às divindades pagãs como a Deusa, uma vez que muitos pagãos crêem em uma deusa e é mais fácil escrever de um jeito que inclua todas as possibilidades.

Interessante como os cristãos falam em 'padrões de santidade', como se apenas Jesus ou o Cristianismo fossem as únicas fontes da moral humana. A autora convenientemente esquece que muito do que sabemos e pensamos a respeito da moral veio dos Gregos e Romanos, todos politeístas e pagãos. Não é verdadeiro, portanto, a alegação que nossos Deuses sejam amorais. Um pagão, bruxo ou wiccano sabe que 'padrões morais' variam muito conforme a época, a cultura e o povo, portanto, nós preferimos ter uma conduta ética, uma vez que consideramos essa padronização um absurdo arbitrário.

A Deusa não pode prover uma conclusão à história humana.
Muito dos não-cristãos vêem a idéia do retorno de Jesus como horrivel. "Nossa Deusa não é um deus vingativo que um dia irá acabar com a Sua criação", eles ridicularizam. "Ela nos ama o suficiente para deixar que nós façamos as nossas escolhas". Esta é uma afirmação sustentada pela emoção que esconde a verdadeira situação.
Jesus põe um limite no mal. Ele não deixará que a guerra, a doença, a tristeza e a morte reine para sempre. Ele tem um plano para para a história humana. Não importa o que aconteça, por mais horrivel, ele está no controle e ele não irá deixar tudo em nossas mãos.
Nós todos sonhamos com um mundo onde um dia todos irão viver em paz e harmonia. Mas a forma da Deusa tornar isto possível é através da ação humana. Ela não oferece uma promessa de interferir na história humana. Ela permitirá, se quisermos, que nos destruamos. Sem intervenção divina, a única forma de mudar esse mundo é através da política. Pense, por um instante, o quanto isso é assustador. Mesmo se acabarmos com os problemas humanos, ainda teríamos os desastres naturais. Ainda teríamos a dor dos relacionamentos onde as pessoas se machucam e traem. Ainda teríamos as doenças. Ainda teria a morte. O objetivo do Paganismo não é a perfeição - a Deusa não observa esse ápice em Sua criação. A visão da Deusa para o mundo sempre inclui o sofrimento humano.

Com todo o respeito à autora, mas nem mesmo Jesus conseguirá dar uma conclusão à história humana. Não constitui como uma solução plausível, se apenas aos que crerem em Jesus terão direito a viver em um possível 'mundo novo', igualmente utópico e idílico do Cristianismo. O próprio surgimento do Cristianismo se dá dentro de um processo histórico, recheado de guerras, doenças, tristezas e morte. Muitas dessas ocorrências foram causadas por pessoas que supostamente representavam a Jesus, portanto, se Jesus não é capaz de controlar seus próprios sacerdotes, de jeito algum controlaria o mundo. Quais mudanças existiram no mundo sob o domínio da Igreja? Nenhum, toda a ciência, arte, cultura e medicina só voltaram a existir no Ocidente depois que a Igreja perdeu seu poder. De onde os pesquisadores e cientistas do século XVIII desenvolveram a tecnologia, a matemática, a história, o pensamento, a medicina? Dos mesmos Gregos e Romanos, pagãos. O Cristianismo parece ser mais uma imposição desse ideal de perfeição, o ideal asséptico e estéril da virtude hipócrita, uma vez que não agrega os indivíduos nem propõe as mudanças necessárias no sistema da sociedade.

Ela não pode amar ou ser amada.
Uma das crenças do Paganismo é que a Deusa não é separada de sua criação de forma alguma. Ela é tudo e tudo é Ela. O poder da Deusa está em tudo e em nós, tudo que a magia faz é evocar e direcionar esse poder.
O problema com isso é: se a Deusa está em nós, se a Deusa é nós no sentido mais prático, é impossível ter um relacionamento com Ela.
O amor é um conceito relativo. Para amar alguém, deve existir dois aspectos: a pessoa que ama e a pessoa que é amada. Se a Deusa é tudo e não está separa disto, então dizer que Ela me ama é o mesmo que dizer que uma pedra me ama, uma árvore me ama ou meus pés me amam. Essas coisas não são pessoas. Eu não posso ter um relacionamento com coisas.
Um preconceito contra o Cristianismo é que distinto significa distante, mas isso não é verdadeiro. Algo pode ser distinto de você, mas ser mais próximo que seu fôlego. De fato, a distinção de Jesus de nós permite a ele nos amparar, nos ouvir, nos aconselhar de uma forma que ele não poderia fazer se ele fosse apenas um outro aspecto de nossa existência.

Esse é um preconceito comum entre os cristãos. Mal conhecem a própria doutrina e acham que sabem alguma coisa de Paganismo. O Paganismo, assim como o Cristianismo, possui diversas tendências e denominações e nem todos acham que a Deusa é tudo. A magia não está apenas presente no Paganismo, mas igualmente no Cristianismo, seja na liturgia, seja na leitura dos evangelhos.
A autora esquece que para amar é preciso que a pessoa que é amada corresponda ao sentimento e isso não acontece com Jesus. Eu devo lembrar que, para início de conversa, nos evangelhos se afirma que quem não crer em Jesus está condenado...que tipo de amor é esse? Em muitas partes do evangelho também se pode ver esse lado de Jesus que não ama, mas condena, como quando ele chamou os Judeus de filhos de Satanás, os fariseus de raça de víboras ou quando ele expulsou os cambistas do templo a bordoadas. Toda a tônica dos evangelhos está nesse preconceito de que todos nascemos pecadores e que, por isso, precisamos ser salvos crendo e aceitando a Jesus...isso é amor?

Ela não pode dar orientação moral.
O Paganismo afirma que não há verdade absoluta. Esta afirmação por si só exclui qualquer forma de verdade – se não há verdade absoluta, então as pessoas que crêem que existe uma verdade absoluta estão erradas. Se não há verdade absoluta, então não há moralidade absoluta – não há um padrão de certo ou errado. Entretanto, é quase (senão completamente) impossível agir de uma forma que não afetem outros. O efeito pode não ser imediato, ou pode não ser perceptível, mas a chance de nós fazermos algo que não afete outra pessoa é muito baixo.Segundo, se não há valores absolutos de certo e errado, então a afirmação ‘não prejudicar os outros’ não tem mais validade que outras afirmações morais. Se a Deusa não tem um padrão e regras morais (e se um jeito é tão bom quanto outro, Ela não tem – uma vez que a moral de cada sistema de pensamento e religião diferem) então não há um padrão externo de moral para o Pagão e então, nenhuma orientação moral.Em contraste, Jesus nos dá uma clara orientação moral de como ele quer que vivamos nossa vida. Nós podemos não gostar de tudo que ele diz, mas isso não significa que não seja bom para nós. Nós temos uma mente limitada e nós não podemos entender sua perspectiva celestial de nossa perspectiva terrena. Mas não é porque nós não gostamos ou não entendamos que signifique que não está certo.Deus nos dá não apenas orientação moral, ele nos dá o desejo de fazer o bem. Deus não apenas mostra o que fazer, através do Espírito Santo, Ele nos dá a vontade e a habilidade de fazê-lo. Agora, nós como Cristãos nem sempre tiramos vantagem disso, mas a ajuda está ali.

A autora tenta conduzir o leitor à uma visão preconceituosa sobre o Paganismo e o Pagão. Para o Pagão, a questão é ética e verdades só existem quando estão comprovadas e corroboradas por outras verdades, mas as verdades existem, o que é bem diferente de pegar um padrão e querer que tudo mais se encaixe nele.
A autora confunde a dialética necessária para a convenções de verdades com moral, assuntos distintos, pois nem toda verdade é moral, nem toda moral é verdade. A autora também confunde ações ou atos com moral ou padrões de certo e errado. Atos ou ações são categorizados como certos ou errados por suas conseqüências e, dentro de um padrão cultural, são discriminados moralmente segundo opiniões subjetivas.
Mais uma vez insisto: para o Pagão, a questão é ética e muito do que a cultura Ocidental possui como padrão moral se deve ao pensamento de filósofos Gregos e Romanos, todos pagãos. Para que haja ética, necessariamente se considera as relações individuais e coletivas sobre valores e padrões morais, então o Paganismo possui uma orientação mais equilibrada que a pretendida pelo Cristianismo.
Quais são as orientações morais que o Cristianismo pretenda ou arroga apenas a si, se toma apenas seu padrão como o único? Por que o cristão ignora as passagens bíblicas amorais e imorais? Por que o cristão ignora certas passagens dos evangelhos que mostram o lado amoral ou imoral de Jesus?

Ela não pode ser testada de forma objetiva.
Quando a Wicca (uma forma de Paganismo) começou,, acreditava-se que se possuía uma religião que era transmitida intocada desde o tempo do Paleolítico. Por causa da perseguição, a religião ficou na clandestinidade, mas alguns mantiveram os Velhos Caminhos e isto finalmente voltou à tona.

A antiguidade da Wicca se provou falsa. Mas para muitos wiccanos, isso não tem importãncia. Muitos fatos históricos afirmados pela Wicca se provaram falsos, mais notavelmente a idéia que as culturas matriarcais honravam as mulheres e o número de pessoas mortas na Caça às Bruxas. Mais uma vez, isso não importa. Por que?
Paganismo e, portanto, a Deusa, não é uma religião histórica. Não há maneira alguma de um pesquisador testar se a Wicca é verdadeira de forma objetiva, empírica. A pessoa que quiser verificar se o Cristianismo é verdade, pode ver para as enormes evidencias históricas, arqueológicas e cientificas que sustentam a bíblia. A bíblia faz certas afirmações sobre a natureza divina, a pós-vida que experimentaremos, a moralidade que devemos viver e as escolhas que devemos fazer nessa vida. A bíblia afirma ter testemunhas oculares para a ressurreição de Jesus. Existem fontes que você pode consultar fora da bíblia que a confirmam. Agora, nem toda questão ou dúvida será resolvida e para realmente saber que a bíblia fala a verdade, você tem que dar um passo de fé e acreditar nela tal como está escrita.
Nenhum outro conhecimento pode ser obtido da Deusa senão o subjetivo. Não há conhecimento objetivo algum que se possa ter dEla, nada senão o que você experimenta. Imagine se, o que você está experimentando é incorreto, ou se você está perdendo alguma coisa, ou se há alguém que sabe mais que você e pode te dizer que o que você pensa estar experimentando é bom? Que pena. Não há nada objetivo no que embasar sua crença.

Essa, sem dúvida, foi a parte mais hilária do texto. Eu sei que tem muito Pagão mal-informado, mas a autora está generalizando. Algo que é incrível é a afirmação da autora que o Cristianismo tem mais embasamento histórico do que o Paganismo e a Wica, ou mesmo que existem ‘provas históricas, arqueológicas e científicas’ que comprovam a bíblia. A autora mostra total desconhecimento de qualquer outra fonte efetivamente científica, histórica ou arqueológica, senão não teria afirmado algo assim a respeito do Cristianismo. Eu gostaria de entrar mais no mérito, mas basta apenas salientar que a própria autora admite que é necessário crer na bíblia para que esta seja verdade.
O conhecimento iniciático da Wica não são simples experimentos aleatórios arbitrários. Assim como na metodologia científica, as experiências possuem coerência e eficiência, portanto não são subjetivos.

Ela não pode te dar vida eterna.
Existem certas coisas em mim que eu posso mudar e ainda ser eu. Mas ainda sou eu se não fosse fêmea? Não. Muitas partes das experiências que me fizeram como eu sou teriam ido embora. Ainda seria eu se tivesse pais diferentes? Não. Muito da minha vida teria sido totalmente diferente. Mesmo se eu esquecer depois de sofrer um terrível acidente, essas coisas ainda estariam moldadas no que eu sou e eu ainda teria consciência delas. Se todas as minhas experiências forem mudadas, eu não sou mais eu, eu sou outra pessoa. Há algo em mim que não se encontra em outra pessoa.

A Deusa tira isso de você. Ela apenas deixa você experimentar por um curto período de tempo e então acaba. Muitos Pagãos acreditam em reencarnação e eles vêem isso como uma forma de vida eterna- e ainda assim aquilo que decidiu ser Pagão não está mais lá.
Muitos Pagãos tentarão explicar dizendo que o corpo muda, mas a pessoa dentro continua a mesma. Isso não é possível, primeiro porque o corpo dá a forma ao que a pessoa é por dentro e, segundo, porque não há algo como uma vida após a outra.
O que faz você ser você não são pequenas coisas que os Pagãos dizem ser carregado de uma vida a outra, estas coisas são as combinações de seu corpo físico, seus pensamentos e estados emocionais, sua personalidade, suas experiências, todas essa coisas. Isto não são coisas que você pode isolar e dizer que faz você ser você. Existem muitas coisas na alma humana para dizer que podem ser isoladas e serem passadas adiante. A Deusa não respeita isso.
Mas Jesus sim. Indivíduos humanos significam tanto para ele que ele veio e morreu na cruz para que eles possam estar com ele para sempre no Paraíso. Ele respeita tanto a humanidade que ele deu a eles a escolha de rejeita-lo e não estar com ele. Você não pode fazer isso com a Deusa. Uma vez que todos os caminhos conduzem para as mesmas divindades, você não tem escolha senão em crer em tal divindade, porque se todas as formas conduzem para o mesmo caminho, mesmo se não crer em nada você estará crendo em algo. Jesus não exige que você gaste seu tempo de vida ‘queimando’ o karma, sem que você se lembre o que você fez para merecer este karma (e devido a reencarnação, o karma para todos os propósitos irá punir ou recompensar uma pessoa diferente). Jesus exige que nós abandonemos nossa vontade egoísta a ele, nosso orgulho, nossa arrogância, nosso egoísmo, mas ele nunca exigiu que desistíssemos do que somos. Ele quer moldar isto da forma como ele sempre quis que fosse. Jesus te criou para a perfeição e ele não aceitará nada senão o melhor daqueles que ele ama.
Os deuses da bruxaria não exigem coisa alguma. Eles não estão preocupados com santidade, conhecimento certo, justificação ou perfeição. Muitos dos mitos Pagãos usam para construir de suas divindades para mostrar seres caprichosos. Os deuses dos mitos são obcecados com sexo, eles matarão seus desafetos e eles estão muito envolvidos com seus próprios assuntos para cuidar dos humanos. Resumindo, eles são como nós – e, portanto, não merecem honras ou adoração.
Jesus exige que você morra. Ele exige que você morra para si mesmo. Ele pede para que você coloque de lado sua duvidas contínuas, seu orgulho, sua crença de que você é bom demais e ver você através dos olhos de Deus.
Para um Deus Santo, mesmo o melhor de nossos feitos são trapos sujos. Deus deu um padrão: santidade perfeita. Um santo bom Deus não poderia fazer por menos. Mas por nossa escolha, pelo orgulho, nós escolhemos não segui-lo. Mesmo se nunca cometermos erros, nós pecamos. Isso o que pecado é: perder a marca. Mas Jesus pagou o preço por nosso pecados. Nós temos que vestir a justiça que ele nos deu para sermos capazes de participar do banquete.
Pode ser doloroso aceitar a Cristo. Para alguns significa abrir a mão de algo que eles valorizam, ou mesmo suas vidas. Significa nos ver como somos e admitindo a Deus que precisamos de Sua ajuda. Mas ele oferece muito mais. Ele dá tanto que, o que quer que sacrifiquemos, não é nada comparado ao Seu amor e sacrifício.

Para um texto confuso e preconceituoso, o encerramento foi lamentável. Nós somos não apenas um conjunto de sentimentos, experiências e emoções, senão não haveriam tantas personalidades e identidades diferentes. Cada um de nós é o que é por que a resultante desses conjuntos sofrem uma interpretação de algo que está préviamente existente, a alma. Cada conjunto de interpretação é útil para aquele corpo, em um determinado espaço-tempo, em um determinado meio social. Padrões que irão mudar conforme as reencarnações e que, portanto, não são carregados por motivos óbvios, mas o principal que é o crescimento espiritual é resguardado porque são valores constantes. O conceito de karma não é unanimidade entre os Pagãos, para muitos a questão do karma é algo a ser resolvido pelo indivíduo na vida atual, não na futura.
A autora demonstra não conhecer a doutrina que ela mesma tenta elogiar. Nos evangelhos, bem como no texto da autora, está bem claro que a pessoa tem que mudar aquilo que a pessoa é, exatamente para se adequar a esse padrão moral que nada tem de divino, é puramente humano.
Em várias partes dos evangelhos afirma-se exatamente o oposto do que a autora alega, diz-se que é obrigatório a crer e aceitar apenas a Deus e a Cristo, qualquer outra forma de crença ou opinião é condenada ao Inferno por rebeldia a Deus.
O Paganismo admite que é apenas uma das muitas opções, sem jamais pretender ser a melhor, a mais certa, a mais perfeita, ou a verdadeira, como é de costume no Cristianismo e outras religiões monoteístas. Os mitos são apenas orientações, não escrituras sagradas indiscutíveis, são elementos que o Pagão trabalha para alcançar o auto-conhecimento e a iluminação.
Para isso, o Pagão rejeita a verdade da bíblia porque esta não se sustenta nem em si mesma. O Pagão rejeita a doutrina do pecado, bem como a doutrina da salvação. O Pagão rejeita a santidade do deus bíblico, bem como a divindade de Jesus. O Pagão rejeita o moralismo hipócrita e a perfeição idealizada. O Pagão rejeita a imposição de um credo estranho e estrangeiro. O Pagão sempre honrará os Deuses Antigos, os seus ancestrais, sua cultura e seu povo, mesmo que tenha que lutar contra a tirania e opressão desse deus.

domingo, 23 de dezembro de 2007

O arcano da roda da fortuna

A roda da fortuna é vista mais como a impermanência das coisas, dos caprichos do destino, do que pelo seu lado ligado ao caminho iniciático que é a Roda do Ano.
Os wiccanos não vêem a roda da fortuna por esse lado moralista capenga e brochante, como bons bruxos nós sabemos que padrões morais mudam conforme a época, a cultura e o povo. A roda da fortuna é vista como a Roda do Ano, o ciclo das estações, o movimento natural de nascimento - crescimento - morte - renascimento.
Uma carta que acompanha a roda da fortuna no caminho iniciático é a carta da carruagem, mostrando que o destino é resultado de muitos fatores externos, mas que nós somos e temos que ser responsáveis pela condução de nossas vidas. Um bruxo que se preza não aceita ser vítima das circunstâncias nem se deixa levar por opiniões de terceiros.
O wiccano, em sua vida sacerdotal, saberá perceber como se comporta a roda da fortuna sem se deixar levar pelo torvelinho da Vida, mas sabendo tirar da decadência a força para se reerguer.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O arcano da alta sacerdotisa

A carta da alta sacerdotisa representa com excelência o estado que se alcança quando o/a iniciado/a recebe o 3º de um/a Alto/a Sacerdote/Isa mais antigo de um coven da Wica.
A carta mostra claramente os pilares Jacim e Boaz, a tiara contendo o disco lunar, o pergaminho simbolizando o Livro das Sombras.
O mais interessante são as frutas de romã abertas, atrás da alta sacerdotisa e entre os pilares. O que parece ser uma cruz no peito da alta sacerdotisa é, na verdade, uma referência aos quadrantes evocados na cerimônia Wica.
A carta mostra uma lua aos pés da alta sacerdotisa que veste uma túnica azul celeste para reforçar que ela é a representação da Deusa, da mesma forma que o alto sacerdote representa o Deus.
Esta é a maior honraria que o/a iniciado/a pode receber em seu trabalho sacerdotal. A ele/ela cabe conduzir o coven, inspecionar o treinamento e resolver pendências dentro do coven.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

O arcano do mago

Depois do treinamento vem a habilidade, o domínio do Ofício, onde o/a novo/a iniciado/a irá começar a atender aos círculos, esbats, sabats e às necessidades da comunidade.
A carta do mago mostra as ferramentas de uso na cerimônia Wica bem como a auto-confiança necessária para que o novo iniciado possa prosseguir em seu caminho sacerdotal.
Existem outras variantes dessa carta, na qual o símbolo do infinito acima da cabeça do mago está disfarçada de chapéu e não há uma exposição tão explícita das ferramentas ou mesmo a presença do ambiente mais fundamental para o wiccano que é a Natureza.
Na mão direita do mago está o bastão, feito de madeira e com algum cristal incrustado na ponta.
O mago nessa carta tem a fronte cingida com uma tiara. Na cerimônia Wica, o celebrante veste ou uma coroa com chifres (se homem) ou uma tiara com o símbolo das três luas (se mulher).
O mago está com um cordão parecido com uma serpente, um símbolo de revitalização amarrado na cintura.
Na mesa, estão dispostos o pentáculo, o cálice, a espada e um cajado. A espada pode muito bem simbolizar o athame também e o cajado pode simbolizar o açoite. Pequenos entalhes na lateral da mesa lembra que esta está simbolizando o altar e as runas que se inscrevem nele.
A mão direita está em linha diagonal com a mão esquerda, em uma posição que lembra muito a posição de baphomet, indicando mais uma vez a posição de equilíbrio e harmonia necessária para o sacerdote wiccano.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O arcano dos amantes

A iniciação é o primeiro passo que faz toda a diferença entre um buscador, um neófito e um wiccano, mas não é a meta nem o ápice da vida de um sacerdote dos Deuses Antigos. Por causa da importância da iniciação, as pessoas buscam desesperadamente por alternativas e acabam embarcando na ilusão da auto-iniciação.
Após a iniciação ainda há muito o que aprender e trabalhar e isto é feito dentro de um coven, com um/a parceiro/a, com quem nós teremos uma relação de amizade, cumplicidade, intimidade e amor além de qualquer definição.
A carta dos amantes mostram três pessoas, um número muito comum em miniaturas flamengas que mostram alguma atividade ou encontro de bruxas.
O cupido acima do casal pode muito bem indicar a gravidade dos votos proferidos na iniciação.
O homem mais velho indica uma postura de tutor, de testemunha ou de oficiante, o que em todos os casos se encaixam as funções do Alto Sacerdote e da Alta Sacerdotisa no coven.
Os jovens que parecem jurar amor um pelo outro dão-se as mãos, o jovem segura com a mão direita a mão esquerda da moça. O jovem indica que age pela razão, atributo da mente, ligado ao Deus. A moça indica que age pela intuição, atributo do subconsciente, ligada à Deusa.
A carta dos amantes mostra como é importante o princípio da Polaridade Sagrada e do trabalho em conjunto.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O arcano do enforcado

Assim como Odin ou Wodan, o buscador para alcançar a iluminação deve passar por um teste, uma prova, administrada por outros iniciados e, por isso, o teste se torna a inciação.
Como Odin que teve que ser pendurado de cabeça para baixo na Yggdrasil para poder vislumbrar os mistérios da existência, o neófito terá suas convicções e preconceitos remexidos para superar seu estado de ignorancia (o louco) para o estado de vigília.

O pendurado está apenas com a perna esquerda presa na trave, a mesma perna que estava sendo atacada pelo cão na carta do louco, mas a perna direita está livre, indicando que o pendurado começa a superar suas limitações.
O pendurado está entre dois troncos, uma clara alusão aos pilares que marcam a entrada do portal do mundo astral - Jacim e Boaz - e também uma alusão à Polaridade Sagrada.

O pendurado está com as mãos por trás das costas, provavelmente amarradas, como é feito ao neófito na cerimônia de iniciação. Apesar da posição e da condição dele, seu semblante está sereno e confiante.
Curiosamente a perna direita que está livre cruza por detrás da perna esquerda, formando o número quatro, possivelmente indicando que ele reconhece os Quadrantes.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O arcano do louco

O tarô é uma ferramenta para entender o caminho iniciático e eu escolhi começar pela carta do louco porque esta carta indica a condição do buscador, no início de sua jornada.
A sociedade vê o louco com enorme preconceito, considera-se como louco a pessoa que está isolada do meio social, mas muitas vezes tal isolamento é fruto da rejeição.
O louco representa a ruptura das convenções, dos padrões socialmente estabelecidos e, nesse sentido, o louco e a loucura são saudáveis porque induzem às mudanças necessárias no indivíduo e na sociedade.
O louco veste o chapéu do bufão exatamente para indicar sua condição avessa à estrutura social, sua irreverência diante da autoridade e sua independência da hierarquia. Como o buscador no início de sua jornada, carrega apenas uma pequena bagagem na mão esquerda, que ele apóia no ombro direito, indicando que a bagagem pode se tornar um incômodo ou um fator de desorientação.
O louco olha para trás, por cima do ombro direito, na direção da bagagem e do cão que lhe ataca indicando que ele ainda está atado ao seu passado, às coisas materiais e ao instinto animal. No entanto, seus pés indicam uma firme determinação de continuar adiante e o bastão de andarilho na mão direita mostra que ele está disposto a seguir a longa jornada em direção ao Caminho do Sábio.
No Caminho do Bosque Sagrado, a meta não é negar nosso passado nem nossa natureza material e animal, mas o de superar a barreira que nós criamos entre o mundo carnal e o mundo espiritual.

sábado, 15 de dezembro de 2007

O self, a sombra e o ego

O self é um termo usado para designar a existência individual, também chamado de alma, espírito ou consciência. O self é eterno, mas passa por sucessivas encarnações para crescer, se desenvolver e evoluir.
Quando o self encarna, ele passa por uma adequação cultural, social e temporal para que possa interagir com o ambiente, a sociedade e outros indivíduos, formando para isso o ego. Como consequência, muitas partes do self são reprimidos ou condicionados, formando com isso a sombra, que é a parte subconsciente do indivíduo.
O caminho entre o bosque sagrado, a Wica, é um retorno para casa e a reintegração do self, não pela morte do ego, mas por sua superação e assimilação. O ego não ocupa, na Wica, a função do Trapaceiro, a figura fundamental nas religiões monoteístas, nem a exarcebação do ego ocupa o lugar da doutrina do pecado que é igualmente fundamental nas religiões monoteístas.
Para que essa volta para casa e reitegração do self ocorra, a Wica possui um conhecimento transmitido através dos Mistérios Antigos, que só podem ser compreendidos em seu real significado após uma iniciação, de um iniciado ao neófito, somente após ter estabelecidos os laços com os Guardiões dos Quadrantes, conhecido os nomes dos Deuses e as palavras de poder.
O conhecimento tradicional habilita ao bruxo usar a principal ferramenta de seu Ofício, que é ele mesmo, pela Arte da Magia, trabalhando com o subconsciente e a sombra, através de símbolos e imagens que ativam esse laço do self com o mundo astral. Esse tipo de ação não pode ser alcançado por aventureiros ou curiosos, pois a sombra formada pela supressão do self em benefício do ego forma um ambiente inóspito para a consciência e a saúde mental do indivíduo que ousa trilhar ali. Não é mera coincidência ou casualidade aparecerem casos de pessoas que se tornaram loucas ou mentalmente perturbadas por mexerem com Bruxaria.
Infelizmente, a tônica do discurso sobre Bruxaria e Wica não se preocupa com a superação e absorção do ego, mas vem exatamente exarcebando o ego, pelo estímulo do culto à personalidade, pela imposição de tendências culturais e pela adoção de textos alegadamente inspirados divinamente. A Wica é uma religião e, como tal, possui princípios que negam qualquer autoridade central, nega qualquer livro sagrado e sobretudo nega a doutrinação humana.
Toda e qualquer pretensão, de ditos sacerdotes, falar ou determinar por visões pessoais, de práticas ou princípios estranhos à Tradição, é mais uma tentativa do ego de se preservar.
Não tenha medo do pavão só porque ele é vistoso ou porque arrepia as penas, a força dele está no rabo. Esse é o seu caminho, só a você cabe trilha-lo e conhece-lo, liberte-se.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Iniciação e Experiência Epifânica

O problema é que tem de ter certos tipos de mudanças ocorrendo no candidato para que ele seja considerado apto para a iniciação.
A iniciação, por si, causa então outras mudanças e faz certas conexões que de outra forma não ocorreriam. Entre as mais importantes dessas mudanças e conexões é a formação de laços entre o iniciado e o iniciador, o iniciado e o grupo, o iniciado e as Divindades específicas e/ou outras entidades do grupo. A auto-iniciação não pode formar nenhum laço pela simples e inequívoca razão que a pessoa nessa celebração está sozinha.
A iniciação pertence à classe do que Maslow chama de “experiência epifânica”. O problema ocorre quando outra experiência epifânica, por mais inspiradora e mesmo transformativa o quanto ela pode ser, é equivocadamente confundida com a iniciação. Ela não é. Ela é uma experiência epifânica, um “arrebatamento” espiritual e emocional, poderosa para o indivíduo, mas que não conferem qualquer status especial, nenhum ingresso na companhia de outros iniciados.
Isso não significa que a iniciação é a única rota para a sabedoria ou iluminação ou conhecimento. Significa que, quando um movimento espiritual (um termo mais amplo do que ‘religião’) foi formado de um jeito que alguém só pode penetrar em seus mistérios somente através da iniciação pelas mãos daqueles que o experimentaram, então alguém que não o experimentou não pode conferir a iniciação. Uma vez que auto-iniciação é, por definição, um não-iniciado tentando exprimir uma iniciação dentro de um movimento iniciático no qual ele/ela não pertence, então isto (também por definição) não pode ser considerado uma iniciação válida. Não importa o quanto a experiência foi maravilhosa, é apenas uma experiência epifânica.
BB, Dana C.
Publicado no Forum da Amber and Jet, Yahoo Grupos.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Mirar no elefante para acertar o rato

Como eu esperava, a polêmica da lei contra a homofobia tem produzido uma reação enorme no meio evangélico. Os fatos são distorcidos e os pastores continuam a usufruir livremente da concessão dada pelo Estado para desfilar os argumentos mais estapafúrdios para ‘defender o direito da liberdade de expressão, opinião e credo’.
Eu comentei sucintamente em ‘desfragmentando o ser humano’ os motivos que levam a certos setores do mundo evangélico a ter esse tipo de reação e certamente o campeão de sofisma e falácia é o Presbítero Silas Malafaia, cujas homilias televisivas me causam muito riso.
Eu testemunhei o recente argumento que este senhor lançou ao público durante seu programa e é uma pena não ter tido uma transcrição do sermão dito pelo presbítero para que eu pudesse publicar e comentar na íntegra.
Em resumo, ele insiste no ponto de que a lei contra a homofobia ‘fere o princípio constitucional do direito da liberdade de expressão, opinião e credo’. Mas omite do telespectador que os direitos são para todas as pessoas, incluindo os homossexuais, cujos direitos de opção e manifestação sexual estão sendo negados.
A novidade, por assim dizer, é que ele argumentou que ofensa é diferente de crítica e o que se faz (nas mensagens evangélicas) é criticar a homossexualidade. Mas omite que se há crítica, deve-se dar espaço para a resposta ou refutação de quem ou o que se critica.
O que o presbítero esquece é que: ‘A crítica é feita pelo crítico, jornalista ou profissional especializado da área, que entra em contato com o produto a ser criticado e redige matérias ou artigos apresentando uma valoração do objeto analisado. Em geral, o crítico não pode apresentar uma avaliação puramente subjetiva, mas também deve apresentar descrição de aspectos objetivos que dêem sustentação a seus argumentos’ [fonte: wikipédia]. O ponto da dita ‘crítica’ do presbítero está bem longe de ser objetivo, uma vez que é totalmente baseada na visão religiosa dele. Ainda que esta visão seja em parte compartilhada por outros cristãos, ela não é unanimidade dentro do espectro do Cristianismo e tampouco dentro do espectro das demais religiões.
Outro argumento lançado por este senhor é que a lei contra a homofobia irá ‘permitir a necrofilia, a pedofilia, a poligamia e o sado-masoquismo’. Distorção e omissão dos fatos e dos termos da lei, mas vamos ao ponto crucial: opção sexual é a forma assumida pelo contato íntimo e consensual entre pessoas adultas. Necrofilia não é ‘opção sexual’ porque cadáver não consente. Pedofilia não é ‘opção sexual’ porque não há um adulto consentindo. A poligamia é também praticada em muitas denominações cristãs, o que desmonta o argumento do presbítero. O sado-masoquismo pode não ser agradável ao presbítero, mas enquanto este é feito entre pessoas adultas, dentro de limites consentidos entre ambas as partes, não é ele que pode ‘legislar divinamente’ nessa relação.
Que a reação desses setores mais fundamentalistas e fanáticos ainda não se mostrou por inteiro, eu não duvido. Mas que eu espero que o bom senso e o Estado laico funcione para coibir esse crime ‘travestido’ de direito, isso eu espero.

O menino na bolha

Esse é um caso médico real, mas por motivos óbvios não entrarei em detalhes médicos, apenas relatarei o caso que aconteceu que existiu um menino que tinha que viver dentro de uma bolha devido à sua condição delicada, qualquer contato com o mundo seria fatal para ele.
Ele passou anos de sua vida isolado de tudo e de todos, até mesmo dos carinhos de seus pais. Toda comida era esterilizada antes de entrar na bolha, qualquer objeto era minuciosamente inspecionado para que não tivesse aparas ou pontas que pudessem feri-lo.
O menino cresceu e seus professores o educaram através de vídeos, explicando as matérias ou lendo literatura para ele. Muito tempo se passou e o menino se tornou um adolescente e envelheceu sem ter uma namorada.
Ele chegou até os quarenta anos quando, enfim, os médicos conseguiram desenvolver uma terapia que talvez pudesse desenvolver nele a resistência necessária para viver fora da bolha. Evidentemente, havia inúmeros riscos, mas como ele havia atingido a idade adulta, ele assinou o termo de responsabilidade e recebeu a terapia. Foram semanas, meses e anos de algum sofrimento até que algum resultado fosse conseguido, mas por fim, aos 45 anos, os médicos finalmente chegaram ao consenso de que ele podia sair da bolha.
Houve uma enorme comoção e muitos criticaram a decisão, mas o menino que se tornara um senhor saiu da bolha e chorou de emoção por poder respirar o mesmo ar que respiramos e sentir a sensação do toque das coisas. Ele teve que aprender a sentir, experimentar a sensação do sabor, até de coisas simples como sujeira, sabão, água. Ele se feriu, ficou doente como todo mundo, tomou remédio como todo mundo, se apaixonou, casou, divorciou, casou mais uma vez, criou os filhos e netos, morreu de velhice como muitos.
Eu fico curioso e assombrado ao ver tanta gente que quer alguma coisa para fugir dos problemas e dos sofrimentos. Eu não sei quanto aos outros, mas eu não quero ser um menino na bolha. Eu quero problemas para que eu possa aprender, superar e crescer. Eu quero sofrimentos para que eu saiba valorizar a saúde e a minha família. Eu quero Vida em toda sua plenitude e isto o Paganismo, em particular a Wica, é a religião que propicia este êxtase.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

ÃNÉ SI É ASSIM

Eu fico pensando nisso. O povo A'uwê já vivia na terra. Foram os primeiros habitantes. Nós ainda não conhecíamos os costumes dos warazu. Nós somos povo antigo, de uma linhagem antiga- dapótónahatarawi. Herdamos essa tradição. É assim que nós vivemos. Nós que estamos nesta aldeia, agora. Aqui nós vamos viver sempre. É aqui, em Etêñiritipa, que nós vamos morrer. É assim que eu vou contar. Aqui os warazu (o estrangeiro) cercaram nosso povo. Paramos bem aqui. Nós saímos de Wedeza porque as terras já tinham sido vendidas pelos padres. O padre é que autorizou dar a terra. Mesmo assim nós estamos aqui. Vocês estão vendo tudo isso em volta? As estradas, os caminhos por onde passa muita gente, essas coisas altas que os warazu constroem e não têm medo de subir... É bem aqui que nós vivemos e criamos. Agora, as novas gerações sabem muito bem quem é esse povo, os warazu. Aprenderam a escrever. Mesmo depois que nós morrermos, quando não existirmos mais... Eles devem observar. Devem estar atentos. Eu gerei meus primeiros filhos lá no Wedeze e agora é aqui que estamos vivendo. Foi meu primo Waródi que firmou este lugar, Etêniritipa. Antes de morrer. Antes que tivéssemos dispersado. Foi assim que cercaram a gente. É assim que vivemos. Temos nossa tradição para curar quem está doente. Nascemos homens para curar as nossas doenças, para curar tudo o que há de ruim. Mas agora as crianças estão com gripe, com tosse, com pneumonia. Não era assim. Não é a doença do A'uwê. Nós ficamos com vergonha quando começamso a usar roupas. Quando viemos de Pazaihörepré. Nesse tempo o povo ainda vivia nu. Não tínhamos vestido roupa ainda. Nossos filhos viviam nus. Nós aceitamos o que os warazu ofereceram. Eu aceitei vestir roupa. Não devia ter aceitado. Fomos os primeiros a viver aqui. Ocupamos primeiro esta terra. Agora nós estamos comendo asaró (capim- usado para designar arroz). Antigamente o povo achava o arroz estranho. Não sabiam se era de comer, se era venenoso, ficavam com medo. Aí nós comparamos com rãipru amre, a larva de formiga, por que é igual , tão bonitinho! E começamos também a comer sal. Os velhos que levavam e nós fomos aprendendo a comer essas coisas. É assim! No cerrado é difícil achar o alimento. Nós andamos igual queixadas, procurando frutas, raízes. Agora aceitamos tudo o que os warazu oferecem. Os warazu são rápidos para fazer as coisas na cozinha. Abrem um pacote, abrem uma lata e a comida já está pronta. É fácil... Eu não queria fumar. Depois eu aceitei. Eu gostava do fumo de rolo, mas fiquei com medo porque parava no peito. Era muito forte. Agora quem não ganha fumo fica emburrado. Hoje que temos aposentadoria, compramos fumo. Não pegamos mais do warazu. Hoje não fazemos mais zomori ( movimento de grupos familiares pelo território tradicional em busca de caça, formando acampamentos por períodos curtos ) como antigamente. Os novos estão pressionados para fazer zomori. Por que não realizamos? A geração nova não sabe mais fazer as casas de acampamento. Quem vai fazer a casa para eles? O é a casa do wapté. É deles! Etepá está se formando. Os padrinhos são Hötörã. Vai demorar muitos anos. Vai ser muita gente se formando . Mesmo vivendo no meio dos warazu estamos fazendo a cerimônia de iniciação. Agora eles estão usando short vermelho. É bonito! Porque combina com a pintura vermelha. O short preto também combina com a pintura preta. Mesmo não sendo da tradição. Antigamente o nrõwedezahö ( estojo peniano, feito com a palha de babaçu) combinava com o corpo. Agora ficamos com vergonha. O warazu colocava nome de chapéu no suporte para o pênis. Quando eu era rapaz, tinha vergonha dos warazu. A gente ficava com o corpo de lado. O warazu está acabando com o nosso povo. Tem outras aldeias onde o povo já bebe até pinga. Aceitaram também os padres, os pastores. Estão esquecendo a Tradição. Estão mudando os costumes. Como pode? Não sabemos como vamos viver daqui para frente. O warazu está em volta. Para todo o lado que vamos, encontramos arame farpado. Está tudo cercado. Até o rio das Mortes está sendo cercado. Estão fazendo a hidrovia. Vão tomar conta do rio também. Vão estragar o rio. É assim! É assim que nós vamos continuar vivendo. Eu sou velho e enquanto viver vou seguir transmitindo a Tradição. Mesmo vestindo roupa, mesmo com algumas das coisas que aprendemos com os warazu. Vamos continuar essa Tradição. Sempre. Este espaço, este território é fundamental para continuar nossa Tradição. O território e a Tradição têm que ser respeitado. É assim que eu estou falando. Vocês, meus netos, têm que tomar cuidado. Têm que cuidar de todo esse ensinamento. A tradição deve permanecer. Ela vem de antes de nós e vai seguir em frente.

Sereburã - Xavante