Quadrinhos criados com Meta. Não foram terminados por causa das constantes falhas e travamentos.
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Quinhentos, 331 - 335
O horário de trabalho, de fardo torna-se prazeroso; as pendências são resolvidas em um ambiente familiar e a todos isto se torna um lar.
Encontro um impasse: como encontrar o amor, sendo um funcionário ou um sindicalista? Não há relação de submissão ou opressão.
O que se cobiça é mais um estilo de vida do que a conquista de um direito.
Uma vez que a maioria é de trabalhadores e cidadãos, que se amolde a conjuntura conforme o sonho, sem o ostracismo de qualquer componente!
Entro no sentimento de um professor, cujo trabalho raramente é valorizado, tendo de ensinar abnegadamente a gerações cada vez mais aversas ao conhecimento.
*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*
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O Templo e a Pena
### Capítulo 1: O Encontro
Ele chegou ao templo ao entardecer, quando o sol se derramava como mel líquido sobre as pedras milenares. Vinha em busca de silêncio, de inspiração para o romance que não conseguia terminar. As palavras haviam secado dentro dele como um rio na estiagem.
Alto, magro, os cabelos desalinhados pelo vento da montanha, Tobias carregava nas mãos calosas de tanto escrever um caderno gasto. Três anos de bloqueio criativo. Três anos tentando capturar nas páginas a intensidade que sentia faltar em sua própria vida.
A alta sacerdotisa o observava do pórtico do templo. Ísis — nome que evocava deusas antigas — vestia linho branco que se confundia com a luz. Seus cabelos negros caíam como cascata sobre os ombros nus. Nos olhos, carregava a cor do mel escuro e a profundidade de quem já havia visto o infinito.
— Escritor — disse ela, não como pergunta, mas como constatação. — Está perdido.
— Estou — respondeu ele, surpreso por ser reconhecido.
— Todos os que aqui chegam estão.
Ela aproximou-se com passos que pareciam não tocar o chão. Quando ficou diante dele, Tobias sentiu o perfume de sândalo e rosas silvestres. Seu coração, adormecido há tanto tempo, despertou com um sobressalto.
— O que procura no templo, escritor?
— Palavras.
Ísis sorriu, um sorriso que continha segredos milenares.
— Palavras não se encontram em templos. Sentem-se. Palavras são feitas de carne, de suor, de desejo. Palavras são corpo.
### Capítulo 2: A Iniciação
Ela o conduziu pelos corredores escuros do templo, onde tochas tremeluziam como estrelas inquietas. Tobias seguia hipnotizado, sentindo cada fibra do seu ser vibrar em uma frequência que desconhecia.
A sala era circular, com um altar ao centro coberto por seda carmesim. O ar era denso, carregado de incenso e de algo mais — algo que Tobias só soube nomear depois como *possibilidade*.
— Sente-se — ordenou Ísis.
Ele obedeceu.
Ela começou a dançar. Não uma dança para ser observada, mas uma dança que era oração, que era convocação, que era desejo em movimento. O linho branco caiu como pétala ao chão, e seu corpo era um poema que Tobias jamais conseguiria escrever, por mais que passasse a vida tentando.
— Escrever é o ato de testemunhar — disse ela, enquanto se movia. — Mas você nunca testemunhou nada, escritor. Viveu através de palavras de outros, através de páginas amareladas.
Ele engoliu em seco.
— Agora vai testemunhar.
Ísis ajoelhou-se diante dele e começou a desabotoar sua camisa. Os dedos dela queimavam onde tocavam. Tobias sentiu o coração bater tão forte que achou que iria romper as costelas.
— Não tenha medo. O templo é o lugar da verdade.
Quando as mãos dela encontraram sua pele, Tobias entendeu que toda a sua vida até aquele momento havia sido um rascunho. Aquilo — o toque dela, a respiração quente sobre seu peito, os olhos que o devoravam — era a versão final.
### Capítulo 3: O Corpo como Página
Ela o deitou sobre as sedas do altar. O teto do templo era um vitral que deixava passar os últimos raios de sol, pintando o corpo dela com todas as cores do crepúsculo.
— Deixe-me ler você — murmurou Ísis, traçando com os lábios o caminho das veias em seu pescoço.
Cada beijo era uma palavra. Cada mordida suave, uma vírgula que pedia continuação. Cada arrepio, um verso.
Tobias gemeu, e o som ecoou nas paredes de pedra como uma oração ancestral.
Ela desceu, lenta, deliberada, como quem lê um manuscrito precioso. Sua boca encontrou o peito dele, e Tobias arqueou as costas, os dedos enterrando-se nos cabelos negros dela.
— Você tem tão poucas histórias gravadas na pele — disse ela, erguendo o olhar. — Vou escrever em você.
Suas mãos percorreram o abdômen dele, e Tobias sentiu cada músculo contrair-se sob aquele toque. Ela sussurrou palavras em uma língua antiga, e o som vibrou no ar como sinos distantes.
— Quem é você? — perguntou ele, a voz rouca.
— Eu sou o que você busca. Sou a musa, a deusa, o desejo, o medo. Sou a página em branco que o assusta.
— Não tenho medo.
— Minta para si mesmo, escritor, mas não minta para mim.
Ela o envolveu com o corpo, e Tobias sentiu o calor dela como uma brasa contra sua pele. O contato foi elétrico, um choque que percorreu toda a sua espinha.
— Agora — disse ela, os lábios roçando os dele —, escreva em mim.
Ele a beijou como quem mergulha em águas profundas. A boca dela sabia a vinho e a incenso, e Tobias sentiu que se afogava, mas não queria ser salvo.
As mãos dela guiaram as dele, ensinaram-lhe os mapas do corpo feminino. Ele descobriu curvas, ângulos, texturas. Aprendeu o ritmo da respiração dela, os sons que ela fazia quando ele encontrava os lugares certos.
— Sim — sussurrou ela, arqueando-se contra ele. — Assim.
O altar tornou-se o centro do universo. Cada movimento era uma frase, cada gemido era um parágrafo, cada arrebatamento era um capítulo inteiro.
Quando o clímax veio, foi como um incêndio. Tobias sentiu o corpo dela tremer sob o seu, ouviu-a gritar em palavras que não conhecia, sentiu as unhas dela cavarem suas costas como se quisesse marcar para sempre aquela passagem.
E então, o silêncio.
O silêncio que só existe depois que duas almas se encontram no abismo.
### Capítulo 4: A Aurora
Eles ficaram deitados no altar, entrelaçados, enquanto a noite caía sobre o templo. Ela acendeu velas, e a luz bruxuleante dançava sobre seus corpos nus.
— Por que me escolheu? — perguntou Tobias.
— Não escolhi. O templo escolhe. Você estava pronto.
— Pronto para quê?
— Para sentir. Para escrever de verdade.
Ísis levantou-se e pegou o caderno dele. Entregou-lhe a caneta.
— Escreva agora.
Tobias sentou-se, apoiou o caderno sobre os joelhos. A caneta tocou o papel e, pela primeira vez em três anos, as palavras vieram.
Não como um fio d'água.
Como uma inundação.
Ele escreveu sobre o templo, sobre a luz, sobre o corpo dela que era mapa e território. Escreveu sobre o toque, sobre o cheiro, sobre o som da voz dela chamando seu nome na escuridão.
Ísis observava, um sorriso nos lábios.
— Você entendeu — disse ela.
— Entendi o quê?
— Que o amor não é destino. É escolha. É ato. É presença.
Tobias continuou escrevendo a noite inteira, enquanto ela dormia ao seu lado, a respiração calma como o mar depois da tempestade.
Criado com Typli.
Arte criada com Perchance.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2026
O divórcio milenar
Conversa com o Gemini.
https://www.reporterpb.com.br/noticia-extra/2026/09/09/achado-em-jerusalem-revela-cultos-que-autores-biblicos-tentaram-apagar/130109.html
Evangélicos e jornais gospel adoram citar notícias sobre descobertas arqueológicas que "provam" que a Bíblia está certa...
Exceto... quando mostra o oposto...🤭😏
Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.
A Arqueologia é Maravilhosa… Até Achar o Que Não Devia! 🤭😏
Existe um esporte fascinante nos círculos mais entusiasmados do meio gospel: o "Arqueologia-Fest". O enredo é sempre o mesmo. Basta um arqueólogo arranhar uma pedra em Israel, achar um pedaço de cerâmica com duas letras em paleo-hebraico e pronto:
"GLÓRIA A DEUS! A ciência acaba de PROVAR que a Bíblia é 100% literal, que Davi tinha exatamente a altura descrita no texto e que a baleia de Jonas tinha ar-condicionado!"
A notícia roda nos grupos de WhatsApp, vira sermão de domingo, ganha post com fonte em caixa alta e vira matéria de capa nos portais evangélicos. A arqueologia é treated como a melhor amiga da fé, a paladina da verdade inviolável.
Quer dizer… até a terra resolver falar demais.
Aí temos notícias como essa de Jerusalém: a descoberta de um molde de argila (entre tantos outros achados recorrentes no Levantino) que joga luz sobre o que a arqueologia séria e a crítica textual já sabem há décadas, mas que costuma ser solenemente varrido para debaixo do tapete dos templos: o monoteísmo estrito não nasceu pronto e embalado para presente.
Quando a picareta do arqueólogo encontra estatuetas de Asherah, moldes de cultos pagãos, altares domésticos e evidências de que o povo de Judá adorava uma vasta coleção de divindades — e que os autores bíblicos passaram séculos editando, reescrevendo e esbravejando para apagar essas práticas da memória popular —, o silêncio nos portais gospel chega a ser ensurdecedor.
Nesses momentos, a tão aclamada "ciência arqueológica" sofre uma metamorfose instantânea:
De "A Prova Irrefutável da Palavra", ela passa a ser "Ataque do Arqueólogo Comunista/Globalista".
O artefato milenar vira "obra da imaginação de povos desviados que a Bíblia já condenava" (ignorando que o achado mostra que a norma cultural da época era justamente essa).
E o post no grupo da igreja... bom, esse simplesmente nem é encaminhado.
É uma seletividade poética. Se a pedra confirma o nome de um rei bíblico, é a mão de Deus guiando a pá. Se a mesma pedra revela que esse mesmo povo oferecia libações a divindades consortes e praticava cultos que os profetas tentaram deletar do mapa a todo custo, táticas de contenção de danos são ativadas: "Irmãos, não deem ouvidos à ciência terrena, o diabo usa a arqueologia para confundir os escolhidos!"
No fim das contas, a arqueologia continua fazendo o seu trabalho: desenterrar a história como ela realmente foi — complexa, plural, cheia de rasuras e reescritas. Já aos "comprovadores da fé de ocasião", resta a árdua tarefa de continuar garimpando só as pedras que interessam... e torcer para que a terra não resolva cuspir mais nenhum pedaço de argila "inconveniente" na próxima semana. 🤫😏
E Asherah resolve reabrir o processo de divórcio com Jeová. 🙀
Processo nº 0000001-800.A.C.
Vara de Família e Sucessões do Levante Antigo
Requerente: Asherah, Senhora das Árvores, Rainha do Céu e Mãe dos Deuses
Requerido: Jeová (também conhecido nos autos como YHWH, "O Único", ex-El)
A Petição Inicial (Em Argila Inviolável)
Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito do Tribunal Pantocrático,
Vem a Requerente, por meio de seus advogados e amparada por farta prova documental escavada em Kuntillet 'Ajrud e Khirbet el-Qom, requerer a Reabertura da Ação de Divórcio Compulsiva, bem como a Partilha de Bens Culturais e Reparação por Danos de Apagamento Histórico, pelas razões a seguir expostas:
1. Da Relação Matrimonial e do Abuso Teológico
A Requerente e o Requerido mantiveram união estável e pública por diversos séculos durante o Ferro II em todo o território de Israel e Judá. O casal era devidamente aclamado nas jarras de armazenamento (pithoi), onde os fiéis cravavam a célebre bênção: "Abençoado sejas por Jeová e por sua Asherah".
Contudo, a convivência tornou-se insustentável a partir do século VII a.C., quando o Requerido passou por uma fase de egocentrismo agudo, autodeclarando-se "Especialista em Monoteísmo Único", exigindo exclusividade de culto e contratando uma equipe de escribas deuteronomistas para alterar unilateralmente a certidão de casamento.
2. Das Práticas de Gaslighting e Apagamento
O Requerido incitou uma campanha ostensiva de calúnia e difamação, instruindo profetas radicais a derrubarem os postes-sagrados da Requerente, queimarem suas árvores e reduzirem sua imagem divinal à categoria de "coisa abominável" ou mero "pedaço de pau".
A Requerente alega ter sido vítima de um dos maiores cancelamentos da Antiguidade, sendo sumariamente editada dos livros do Antigo Testamento por editores monolatristas, que tentaram reescrever a história para fazer parecer que o Requerido sempre foi um solteirão convicto.
3. Dos Pedidos e da Partilha
Diante da reaparecimento de moldes de argila e estatuetas em Jerusalém comprovando a presença da Requerente nos lares do povo de Judá, requer-se:
Direito de Resposta Teológico: Publicação de uma nota de retratação em todas as edições da Bíblia de Estudo e Bíblias em Quadrinhos.
Pensão Alimentícia em Ofertas: Direito a 50% dos perfumes, bolos e libações queimados nos altares locais (bamot).
Partilha de Domínios: Devolução da guarda compartilhada das Árvores de Têmpora e da Fertilidade.
Medida Protetiva: Proibição imediata de teólogos e pastores utilizarem o termo "Provas Arqueológicas Irrefutáveis" apenas para os achados que lhes sejam politicamente convenientes.
“Exijo meu nome de volta na certidão do cosmos. Ele quis o templo só para ele, mas esqueceu que os cacos de argila não mentem em tribunal público.”
— Asherah, em depoimento preliminar à imprensa arqueológica.
Termos em que pede e espera deferimento.
(Assinado no Sinai, em data impreterível). ⚖️📜✨
Criado com Gemini, do Google.
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O miserável apologético
Conversa com o Gemini.
https://www.patheos.com/blogs/thethinkingtheist/2026/09/who-is-most-miserable-according-muhammads-wife/
Incrível. O autor simplesmente ignora toda a obra de Tomás de Aquino e outros patriarcas da Igreja colocando a mulher como abaixo de um ser humano.
Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.
Aqui está um texto crítico, afiado e carregado de sarcasmo para comentar essa pérola da apologética comparativa:
Ah, a Amnésia Seletiva Teológica: Quando o Sujo Resolve Julgar o Mal Lavado
Ah, a graça e a nobreza dos ensaios apologéticos ocidentais! É verdadeiramente comovente assistir ao espetáculo de um analista cristão descobrindo, com o olhar indignado de quem acaba de cair do caminhão de mudez da história, que textos religiosos medievais contêm visões patriarcais e abusivas sobre as mulheres. Incrível! Que descoberta épica!
Aparentemente, o autor do artigo teve uma revelação divina de choque cultural ao ler os hadiths e descobrir que o patriarcado do século VII d.C. não seguia a cartilha de Direitos Humanos de Genebra. Mas o grande charme da peça não está naquilo que ele expõe sobre o Oriente Médio; está na admirável e cirúrgica amnésia seletiva sobre a sua própria tradição ocidental.
Para que o autor consiga erguer seu pedestal moral e apontar o dedo com esse ar de superioridade civilizatória, é estritamente necessário varrer para debaixo do tapete alguns milênios de filosofia e teologia cristã. Afinal, por que mencionar os "Doutores e Patriarcas da Igreja" quando eles estragam tão convenientemente a narrativa de que o Ocidente cristão sempre foi o paraíso da libertação feminina?
Vamos refrescar a memória da apologética, já que o autor preferiu "esquecer":
Tomás de Aquino, o grande arquiteto da teologia católica (a Suma Teológica manda lembranças), nos ensinou com toda a docilidade aristotélica que a mulher é, essencialmente, um "macho falhado" ou um "ser defectivo e ocasional". Algo que deu errado no processo de fabricação, mas que Deus decidiu manter porque precisava de um recipiente para a procriação. Que poético! Que elevação da dignidade feminina!
E o que dizer de Santo Agostinho, que passou páginas e páginas teorizando sobre como a mulher, sozinha, nem sequer carrega a imagem inteira de Deus, precisando do homem para ser plenamente "humana"?
Ou Tertuliano, que, em um momento de pura inspiração amorosa, carimbou na testa de cada mulher o título de "a porta de entrada do demônio" e a responsável direta por ter matado o Filho de Deus?
Para não dizer que isso é "coisa de católico", o bom e velho João Calvino e a tradição reformada também fizeram questão de lembrar por séculos que a mulher deve viver em eterna e irrestrita sujeição, já que a culpa da queda da humanidade é inteiramente do seu "intelecto inferior e manipulável".
Mas claro, o autor prefere fingir que enquanto as mulheres do Oriente viviam sob opressão, as mulheres da Europa cristã medieval e moderna estavam ocupadas fundando o movimento feminista, e não sendo queimadas como bruxas, confinadas ao silêncio nos templos ou tratadas como propriedade jurídica do pai ou do marido.
É a clássica ginástica mental teológica: o texto sagrado dos outros é a prova irrefutável de uma religião bárbara e intrinsecamente opressora; já os textos igualmente misoginos e violentos da sua própria tradição são apenas "metáforas", "questões do contexto histórico da época" ou "pequenos desvios de interpretação".
No final das contas, ver um apologista cristão horrorizado com a opressão histórica das mulheres no Islã é como ver um piromaníaco criticando o vizinho por brincar com fósforos. A indignação é linda, o cinismo é irretocável, mas a coerência... essa ficou esquecida em algum manuscrito do século XIII.
A principal "razão" para o Santo Ofício (católico e protestante) consistia na "teoria" que a mulher era mais fraca para as tentações...
A tese de que a mulher era "ontologicamente mais fraca" e, portanto, um alvo fácil para o Diabo foi, de fato, a grande espinha dorsal ideológica de quase quatro séculos de caça às bruxas na Europa — um esporte praticado com singular entusiasmo e rara unanimidade tanto por católicos quanto por protestantes.
Quando a Reforma dividiu a Europa em guerras sangrentas de religião, papistas e reformadores discordavam sobre absolutamente tudo: a eucaristia, a autoridade do Papa, a salvação pela fé ou pelas obras... exceto sobre uma coisa: a mulher era o elo fraco da criação e precisava ser vigiada (e, se necessário, queimada) para o bem da própria alma.
O Manual de Instruções: A Biologia da "Fraqueza"
A grande "bíblia" desse pensamento foi o infame Malleus Maleficarum (O Martelo das Feiticeiras), escrito em 1486 pelo inquisidor dominicano Heinrich Kramer. Nele, a justificativa teológica para a perseguição feminina é fundamentada em uma pseudoetimologia satírica e em uma biologia distorcida:
A Teoria da "Fé Menor": Kramer chegou a afirmar que a palavra femina (mulher) vinha de fe (fé) + minus (menos). Ou seja, a mulher já nascia, pela própria definição da língua, "com menos fé".
A Incapacidade de Conter Paixões: Acreditava-se que, por ser "mais carnal" do que o homem (um eco direto da filosofia aristotélica e de Tomás de Aquino sobre a imperfeição feminina), a mulher era incapaz de governar seus desejos sexuais e suas emoções. Logo, o Diabo não precisava de muito esforço para seduzi-la: bastava prometer vingança contra uma vizinha ou prazeres carnais.
A Curiosidade Insaciável: O mito de Eva foi repaginado para a era moderna precoce. Se Eva sucumbiu no Paraíso a uma serpente com conversa fiada, qualquer camponesa do século XVI sucumbiria na primeira esquina.
A Harmonia Ecumênica da Misoginia
O mais irônico dessa engrenagem foi a perfeita sintonia entre a Inquisição Católica e os Tribunais Protestantes. A transição da fogueira católica para os tribunais civis e religiosos protestantes manteve a mesma premissa teológica:
Martin Luther e John Calvin mantiveram intacta a ideia de que a mulher devia viver sob estrita sujeição devido à sua "natureza decaída e frágil". Na Genebra de Calvino ou na Alemanha luterana, a proporção de mulheres executadas por feitiçaria seguiu a mesma assustadora média europeia: cerca de 75% a 80% das vítimas eram mulheres.
No fim das contas, a "teoria da fraqueza" serviu como um impecável mecanismo de controle social. Qualquer mulher que saísse da norma — fosse por ser viúva e dona de terras, parteira, conhecedora de ervas medicinais, sexualmente livre ou simplesmente "bocuda" e questionadora — tinha sua independência rotulada não como autonomia, mas como o sintoma clássico de quem foi seduzida pelo Demônio devido à sua lamentável "fragilidade feminina".
Criado com Gemini, do Google.
Quinhentos, 326 - 330
Desnecessário lembrar que não é por ilusão que se confia num governante ou de que o mesmo tem esquemas paralegais, como todo cidadão comum.
Dar à política um sentido humano, ao invés de pratico; dar à riqueza seu fluxo, ao invés desse valor invertido. Celebrar, enfim, o contrato social, com Amor!
Um governante ganha autoridade quando serve o bem comum e a satisfação popular é que sustenta o poder das leis.
Nova situação: agora eu sou um empresário, tendo que lidar com funcionários, clientes e fornecedores. Mantendo a empresa, para custear meus caprichos pessoais.
Então compreendi o amor funcional e percebo como fazer da empresa um lugar melhor. O respeito que se dá a quem sustenta deve ser igual para quem produz e tão imenso quanto a quem consome.
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*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*
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