quarta-feira, 24 de julho de 2024

Bella cancelada


Notícia publicada no DCM:

Na última sexta-feira (19), a Adidas removeu uma campanha publicitária com a modelo Bella Hadid, filha de um homem palestino, após virar alvo de críticas da comunidade judaica nos Estados Unidos. A controvérsia surgiu porque a campanha promovia um tênis retrô, inspirado nas Olimpíadas de Munique de 1972, evento marcado por um ataque terrorista palestino que resultou na morte de 11 membros da equipe olímpica de Israel.

(https://www.diariodocentrodomundo.com.br/adidas-remove-modelo-de-origem-palestina-de-campanha-apos-protesto-de-isralenses-nos-eua/)

Ultimamente eu tenho que lembrar de que existe um contexto.
Quem errou foi a Adidas (eu não estou ganhando um centavo com isso). A modelo não merece ser cancelada.

Se ela não conseguir outros trabalhos, ela certamente fará sucesso no OnlyFans. 😍

Aqui começa a campanha, Bella Hadid no OnlyFans.

As origens da religião

Autor: Felipe Costa.

Uma chave importante para entender a evolução do comportamento humano e a história da humanidade é a questão da morte. A maneira como nós lidamos com a morte e com os mortos é mais um caso de herança transespecífica, lembrando que linhagens anteriores à nossa já promoviam cerimônias de sepultamento.

Há bons motivos para associar a autoconsciência com a realização de rituais que evoquem os mortos. Afinal, o desaparecimento definitivo de indivíduos que até ontem estavam a ombrear conosco é um grande golpe. Do tipo que gera questionamentos intrigantes – e.g., para onde vamos após a morte?; reencontrarei parentes e amigos mortos algum dia?; afinal, a morte é o fim de tudo?

Os assombros, as dúvidas e as ansiedades que geram e alimentam perguntas desse tipo costumam deixar marcas profundas e duradouras em cada um de nós.

Com raras exceções (e.g., apatia patológica), todos nós nos consternamos com o desaparecimento de pessoas conhecidas, sobretudo no caso de pessoas queridas. O mesmo tipo de reação tem sido observado em outros animais. Os símios, por exemplo, exibem comportamentos característicos quando estão diante do corpo sem vida de coespecíficos. Os estudiosos interpretam essas reações como manifestações de dor e tristeza, semelhantes às reações dos seres humanos.

Assim, diferentemente do que imaginam alguns, o mal-estar gerado pela morte de companheiros próximos não é uma exclusividade do animal humano. O que de fato parece ser uma exclusividade nossa é a capacidade de sublimar os sentimentos de dor e tristeza (e.g., por meio da arte).

O xis da questão aqui é a ideia de que a consciência da morte desempenhou um papel de relevo no desenvolvimento das primeiras ruminações filosóficas.

Oriundas da pré-história e cultivadas, quem sabe, em conversas noturnas diante de uma fogueira, essas ruminações teriam dado origem a algumas inovações culturais que nos acompanham há milhares de anos. A metafísica seria talvez o melhor exemplo.

Mais recentemente, já em sociedades agrícolas e sedentárias, essa tradição milenar foi apropriada e desenvolvida de modo mais sistemático por alguns especialistas.

Xamãs – digo: todo e qualquer personagem que seja um líder religioso e também um agente de saúde – ilustram bem o trabalho dos especialistas. Em seus primórdios, cabe notar que se tratava de um profissional que aprendia o seu ofício observando e ouvindo profissionais mais velhos.

À medida que o prestígio e a autoridade desses profissionais se impuseram, os demais integrantes do grupo talvez tenham percebido que valia a pena se esforçar um pouco mais em nome da manutenção de alguém cujo trabalho era tão útil ao grupo. Afinal, o xamã era alguém que aconselhava e curava os doentes, desde os feridos em guerra aos indivíduos com traumas psicológicos.

Foi o início da especialização funcional.

Com o prestígio, vieram os privilégios – e.g., não ser recrutado para as atividades mais perigosas. Em vez de irem à guerra, por exemplo, eles se dedicavam a atividades domésticas, como coletar plantas ou criar e testar poções curativas.

Os primeiros xamãs surgiram em eras pré-históricas, antes até das cerimônias de sepultamento (ver adiante). Especialistas mais sofisticados iriam sugir com o advento de sociedades agrícolas e sedentárias. É compreensível, visto que pensar de modo sistemático sobre a vida e a morte (filosofar, em sentido amplo) é uma atividade que exige tempo e dedicação.

Em eras pré-históricas, alocar mais tempo em atividades filosóficas implicaria em alocar menos tempo em atividades que eram mais urgentes e decisivas, como fabricar armas, caçar o jantar ou lutar contra grupos rivais. A agenda congestionada ajudaria a explicar porque a ruminação filosófica – e outras ruminações – só teria prosperado como atividade corriqueira e respeitável após o acúmulo de um nível mínimo de excedentes.

Fato é que a filosofia tem uma história milenar, recuando no tempo mais do que qualquer outra área do conhecimento. A origem da metafísica, especificamente, deve muito aos primeiros assentamentos e às rodas de conversa de então.

Cozinhar alimentos em uma fogueira teria servido não só para nutrir um cérebro em expansão, mas também para alimentar e exercitar o desenvolvimento da mente humana. Nessas conversas, os dramas e os desafios do dia a dia, incluindo a evocação dos mortos, seriam pautas importantes e recorrentes.

Cerimônias de sepultamento ilustram bem como a questão da morte sempre teve um papel de destaque em sociedades humanas. A emergência dessas cerimônias na evolução dos homininos costuma ser interpretada em dois níveis, no individual e no social.

No plano social, indicaria a existência de uma sociedade numerosa e já minimamente diferenciada em castas. No plano individual, seria uma indicação de que os indivíduos compartilhavam de crenças comuns a respeito da morte e dos mortos. No cômputo final, portanto, a constatação de que as cerimônias faziam parte da cultura dos homininos indicaria que, entre outras coisas, aquelas sociedades já dispunham de alguma tradição metafísica.

No contexto da vida em grupo, o hábito de sepultar cadáveres pode ter sido inicialmente adotado por razões sanitárias. O propósito inicial seria meramente pragmático – e.g., esconder o corpo e assim evitar a chegada de predadores ou a disseminação de patógenos.

A gradativa sofisticação observada ao longo do tempo sugere que as cerimônias tiveram um impacto positivo sobre os grupos, seja no planto coletivo, mantendo a coesão e a estabilidade grupal em torno de objetivos comuns, seja em termos individuais, aliviando tensões e ajudando a manter o ânimo e o bem-estar dos indivíduos. De resto, a crescente sofisticação refletiria a dinâmica cultural própria de cada grupo.

Mais especificamente, a sofisticação parece ter sido um desdobramento do que se passava no plano demográfico, notadamente o tamanho e a composição dos grupos. Em primeiro lugar, infere-se que a simples realização de cerimônias – custosas e, às vezes, bastante extravagantes – seria um forte indício de que havia especialização funcional dentro dos grupos. Além disso, só um grupo minimamente numeroso poderia manter e usufruir das vantagens oferecidas pela presença de especialistas. Como foi dito antes, o especialista era alguém que havia abandonado as tarefas habituais do dia a dia (e.g., caçar) para se dedicar a atividades, digamos, mais especializadas (e.g., cuidar dos doentes e dos moribundos).

Os sepultamentos coevoluiriam com um traço cultural que é próprio da espécie humana: a religião. As evidências indicam que a religiosidade era um traço virtualmente universal entre sociedades humanas pré-históricas. Eis as palavras de Norenzayan & Shariff (2008, p. 58; trad. livre, grifo meu) sobre essa universalidade:

“[E]stá a emergir um grande acordo de que as pressões seletivas ao longo do curso da evolução humana podem explicar a ampla recorrência intercultural, persistência histórica e a previsível estrutura cognitiva de crenças e comportamentos religiosos. A tendência para detectar agência na natureza provavelmente forneceu o modelo cognitivo que sustenta a crença generalizada em agentes sobrenaturais. Acredita-se amplamente que esses agentes transcendem limitações físicas, biológicas e psicológicas.”

Como traço cultural, o fenômeno religioso parece ter evoluído ao longo de alguns estágios bem-definidos, a saber (em ordem decrescente de antiguidade e abrangência): (i) animismo, (ii) crença em vida após a morte, (iii) xamanismo, (iv) adoração dos ancestrais, (v) divindades e, mais recentemente, adoração de (vi) ancestrais e de (vii) divindades, agora já com o intuito de que uns e outros possam intervir em questões do dia a dia.

O fato de que os traços (vi) e (vii) surgiram mais recentemente tem sido interpretado como uma evidência de que as sociedades mais antigas (nas quais apenas os traços i–v estavam presentes) seriam mais igualitárias, pois seriam desprovidas de castas ou de especialistas.

Fonte, com algumas edições e citado parcialmente: https://jornalggn.com.br/artigos/rituais-xamas-e-as-origens-da-religiao-por-felipe-costa/

terça-feira, 23 de julho de 2024

Onde está Malafaia?

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro está tentando intimar o pastor Silas Malafaia, presidente da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, desde maio deste ano, sem sucesso.

Malafaia é réu em uma ação do Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro por improbidade administrativa, que também envolve o prefeito Eduardo Paes. Em 2014, o MP denunciou Malafaia, Paes, o então secretário municipal da Casa Civil do Rio de Janeiro, Guilherme Schleder, a prefeitura carioca e o Conselho dos Ministros Evangélicos do Rio de Janeiro (Comerj).

A denúncia do MP aponta que, em 2013, a prefeitura carioca investiu R$ 2,5 milhões no evento “Marcha para Jesus”, organizado pela igreja de Malafaia com a participação da Comerj.

A denúncia do MP aponta que, em 2013, a prefeitura carioca investiu R$ 2,5 milhões no evento “Marcha para Jesus”, organizado pela igreja de Malafaia com a participação da Comerj.

Os procuradores identificaram que a prefeitura reservou R$ 900 mil a mais do que foi efetivamente gasto na manifestação, levantando suspeitas de improbidade administrativa. O processo está em andamento na Justiça do Rio de Janeiro, e os outros réus aguardam a citação de Malafaia para poderem contestar as acusações.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/sumido-tj-rj-do-rio-procura-por-malafaia-desde-maio-para-intima-lo-em-acao/

O Povo Pequeno

Entre Chesterton e Cantebury, uma caravana de encontros improváveis juntou um judeu, um mouro, um herege, um padre, uma freira, um cavaleiro, todos tentando chegar em Norfolk, para então chegarem em Londres, para a coroação de Ricardo I como rei de toda Bretanha. Mas erraram na trilha, seguiram pelo caminho torto depois da encruzilhada, em Stanford, e ficaram incorrigivelmente perdidos.
-Cáspita. Você garantiu que a trilha de chão batido era o melhor atalho.
-Deus me livre. Isso deve ser bruxaria. Coisa desse herege que levamos cativo até o Santo Ofício, em Birgham, ou desse judeu.
-Que o Senhor me risque do Livro da Vida se eu tenho algo com isso. Mas não garanto que o mouro seja inocente.
-Mas que! Como paga com ingratidão quem salvou a ti e tua família dos Cruzados! Nós, que realmente conhecemos e adoramos ao Senhor, devemos estar unidos contra os infiéis.
-Por Deus, meninos! Esta é a décima vez que vocês discutem as mesmas coisas. Nós temos que nos submeter à vontade de Deus.
[risada]-Três homens e uma mulher que dizem ou creem que conhecem Deus. Dizem que só há um, mas discordam de quase tudo quando falam dEle.
-Cale-se, herege. Seus crimes são muito graves, deve enfrentar a Justiça de Deus, não piore sua condição, proferindo suas heresias.
-Ah, eu sou herege em vossos conceitos, mas concordo convosco em crer que tudo ocorre conforme a Vontade de Deus. Nada acontece por acaso, não existe coincidência e tudo tem um propósito.
-Cale-se, herege. Guarde seus sofismas para te defenderes.
-Veja, barão Montagne, tem algumas pessoas assentadas na proximidade daquele menir, ao lado daquele enorme carvalho.
-Aleluia! Devem ser camponeses da localidade. Vamos tomar rumo conforme nos localizamos.
O cavaleiro, embora animado e confiante, ficou cismado com a expressão de ironia do herege. A freira, contrariada, parecia ser a única intrigada e desconfiada do grupo avistado. Ela foi a primeira a gritar e tentar sair correndo, fugir, assim que o grupo pôde ser melhor observado. Tarde demais. A trilha tinha sumido, só havia a floresta para todos os lados.
-Humanos! Como ousam entrar no Caminho do Bosque Sagrado?
O cavaleiro ficou espantado e surpreso ao ver aqueles seres que pareciam ter saído das lendas que os anciões contavam. Aquele grupo não era de pessoas, mas do chamado Povo Pequeno.
-Vocês quebraram o pacto que vossos ancestrais firmaram com os nossos.
[pigarro]-Povos civilizados têm educação. A educação pede que, primeiro, nos apresentemos. Eu sou Malaquias, de Durham e servo do mesmo Deus.
-Nós te conhecemos, escriba. O seu nome verdadeiro é honrado. Eu sou Pris, de Elfane e esta é Star, de Helgard. Estes são Grunt, de Trolmud e Scar, de Ogren.
[pigarro]-Eu sou…
-Sir Frederic, de Montagne. O seu nome verdadeiro é um insulto. Os demais podem ter grande consideração entre os humanos, mas em nosso mundo são abjetos.
-Que? Como ousam? Eu, Abimael, rabino do ùnico e Verdadeiro Deus?
-E eu? Jamal, servo fiel do Inefável Allah?
-Que Deus vos repreenda, demônios, pois eu sou da Igreja Verdadeira, fundada por Cristo, o FIlho de Deus!
-Vós falais de Deus, mas não são sinceros no que dizem e sentem. O que cada um chama de Deus distingue do outro e nós não reconhecemos qualquer destas imagens como sendo parte do divino.
-Este humano abjeto chamou a mim, Grunt, de demônio. Eu estou ofendido e Scar está quase chorando. Isso é o que os humanos chamam de educação?
-Este outro, pior, fala de Cristo. Eu conheço todos os Deuses e Deusas. Eu conheço Cristo, mas não o conheço. Tua ofensa só pode ser aplacada pagando com a vida.
Todos os homens, exceto o herege, tiveram tanto medo que estavam dispostos a abjurar das crenças que tinham. As criaturas mágicas estavam com armas em mãos, prontas para o uso, quando o herege intercedeu.
-Eu dou minha vida por todos, desde que Star aceite receber minha alma.
Tudo acertado, por um poder e pela ação do Antigo, aquelas pobres pessoas simplesmente surgiram no meio de Londres. O herege? Esperto e treinado, ele ofereceu aquele líquido quente, viscoso e esbranquiçado que gera vida, para alegria e satisfação de Star.

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Ilegal e imoral

A Polícia Militar do Estado de São Paulo concedeu, pelo menos, 20 medalhas, diplomas ou honrarias à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) desde o início de 2023 até a publicação desta reportagem, conforme mostra levantamento feito pelo DCM que é exibido abaixo.

O partido do bolsonarista é controlado pela Iurd. Seu presidente, Marcos Pereira, é um bispo da igreja. O governo Tarcísio entregou mais do que uma medalha por mês à Igreja Universal desde que assumiu o comando de São Paulo (janeiro de 2023).

Entre as condecorações, está a Medalha Challenge Coin (veja foto acima), maior honraria concedida pela PM de São Paulo a uma pessoa ou entidade civil.

A premiação “tem por objetivo homenagear personalidades civis e militares que, altruisticamente, contribuíram ao desenvolvimento das missões desempenhadas pela PM-SP, prestaram relevantes servidos à sociedade paulista ou realizaram outras ações meritórias que elevaram o nome da corporação”, de acordo com a Assessoria Policial Militar do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Além das medalhas, a Polícia Militar de São Paulo estabeleceu uma parceria informal com a igreja de Edir Macedo e levou seus pastores e bispos para dentro da corporação, bem como levou a própria polícia e seus batalhões para dentro dos templos da agremiação religiosa (o que será exposto em reportagem a ser publicada nos próximos dias).

A população paulista já se acostumou a assistir a perigrinações de homens fardados aos templos da Universal em horário de serviço em cidades espalhadas por todo o Estado, mas especialmente ao Templo do Rei Salomão, na zona sul da capital.

Nessas ocasiões, são oferecidos aos policiais livros escritos por Edir Macedo, são ministradas palestras por pastores e bispos, há leituras e interpretações da Bíblia feitas por membros da UFP (sigla de Universal nas Forças Policiais, o braço militar da Iurd) e até eventos internos formativos e estratégicos da PM-SP.

No dia 25 do mês passado, por exemplo, o Comandante de Policiamento de Área Metropolitana 11 (CPA-M11) de São Paulo realizou “reunião de orientação técnica de interesse policial militar” em um templo da Universal. A igreja diz que emprestou o imóvel de maneira gratuita.

E não é exclusividade de São Paulo o estabelecimento de relações informais e profundas com a Igreja Universal do Reino de Deus, que está presente, principalmente, em cursos de formação e treinamento de policiais e outros militares e agentes de segurança, como em atividades das Forças Armadas e de guardas civis municipais em todo o país.

A mais recente medalha Challenge Coin concedida à Iurd pela polícia de Tarcísio (foto acima) foi entregue em evento da corporação em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, na último dia 17. Veja abaixo algumas das medalhas e honrarias que recebeu a igreja do partido do governador desde que este assumiu o cargo, no ano passado.

11 de junho de 2024

Integrantes da UFP visitaram o Comandante Geral da Polícia Militar de São Paulo, Coronel PM Cássio de Freitas. Foi realizado, em seu gabinete, pelo pastor Roni Negreiros (chefe da UFP e ex-major da Polícia Militar do Maranhão), juntamente com o pastor Alessandro Pereira, “um momento de reflexão sem viés religioso com base na citação de 1º Timóteo 4:16, abordando o tema: ‘A importância de cuidar de si mesmo'”.

Na oportunidade, o Comandante Geral agraciou a Igreja Universal com mais uma medalha Challenge Coin, esta comemorativa aos 190 anos da Polícia Militar do Estado de São Paulo, “pela assistência prestada às instituições de segurança e defesa diuturnamente”.

9 de abril de 2024

O comandante do Comando de Policiamento Rodoviário da Polícia Militar de São Paulo, Coronel PM Hugo Araújo Santos, recebeu os chefes da UFP em seu gabinete poucos dias após assumir o cargo. De acordo com a Universal, “a visita teve o intuito de fortalecer a assistência do programa UFP junto aos policiais militares deste comando”.

Na oportunidade, o coronel agraciou o pastor Roni Negreiros, responsável pelo Programa UFP, com a “Challenge Coin de 75 anos do Policiamento Rodoviário”.

6 de abril de 2024

A igreja Universal recebeu em um de seus templos o 29º Batalhão de Polícia Militar Metropolitana, para “solenidade de valorização do policial militar”. Os pastores da UFP palestraram aos policiais “com base na citação bíblica de Romanos capítulo 12 versículos 9,11, citando sobre o amor que envolve a missão de cada autoridades (sic) e feita oração para todos presentes”.

O Major Emilio Ornelas Martins, então comandante do 29º batalhão, entregou a medalha Challenge Coin aos homens da UFP, “como forma de agradecimento à Igreja Universal pela assistência prestada”.

23 de janeiro de 2024

Durante cerimônia alusiva ao 48º Aniversário do CPI-1 (Comando de Policiamento do Interior 1), em São José dos Campos, a Igreja Universal foi agraciada com o recebimento de réplicas da primeira flâmula do Comando, “em agradecimento à Igreja Universal, através do Programa UFP, por toda assistência prestada às Instituições de Segurança, Defesa e Justiça diuturnamente”.

O evento contou com a presença de autoridades militares, civis e parlamentares, entre elas o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, o Comandante Geral da Polícia Militar de São Paulo, Coronel PM Cássio de Freitas, representantes das Forças Armadas, Polícia Rodoviária Federal e Guarda Civil Metropolitana.

11 de janeiro de 2024

Durante Solenidade comemorativa ao 19° aniversário do 50° BPM-I (Batalhão de Polícia Militar do Interior), na cidade de Itu, a Igreja Universal foi homenageada e recebeu do Comandante Tenente Coronel PM Emerson Luciano de Almeida Drague a medalha “Challenge Coin”, pelos serviços prestados à corporação.

“O comandante agradeceu e enfatizou a importância da assistência prestada diariamente aos policiais através do programa UFP”, diz a Igreja.

28 de dezembro de 2023

O chefe da UFP foi convidado pelo Chefe do Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM), Coronel PM Lucena Folha, para realizar um “Momento de Reflexão” ao efetivo, e palestrou sobre “os fundamentos importantes para alicerçar as decisões de vida, no dia a dia e suas consequências, com base na passagem bíblica de Mateus 7.24-28”, conforme descreve a Igreja Universal.

Na oportunidade, o coronel agraciou a Igreja Universal – na pessoa do Pastor Roni Negreiros, chefe da UFP – com a Medalha “Challenge Coin”, “pela assistência prestada às Instituições de Segurança, Defesa e Justiça diuturnamente”.

21 de dezembro de 2023

Durante solenidade alusiva ao 19º Aniversário do CPA-M11 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana 11), a Igreja Universal – na pessoa do Pastor Roni Negreiros – foi agraciada com o recebimento da Medalha “Challenge Coin” do CPA-M11. A honraria foi entregue pelo Coronel PM Caio Marcos de Oliveira, comandante do CPA-M11.

21 de dezembro de 2023

Chefes da UFP prestigiaram a solenidade de outorga da medalha “Patrono do Comando de Policiamento do Interior Coronel PM Paulo Monte Serrat Filho”. Na ocasião, a Igreja Universal foi agraciada com a comenda.

“O Coronel Sançana, comandante do CPI-3, e autoridades presentes parabenizaram à Igreja Universal (sic) pela honraria recebida e pela assistência prestada através do Programa UFP”, informa a igreja de Edir Macedo.

14 de dezembro de 2023

Durante solenidade alusiva ao 19º Aniversário do 38º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano do Estado de São Paulo, foi agraciado com medalha “Challenge Coin” o Pastor Roni Negreiros.

O Tenente Coronel PM Luiz Henrique de Souza IKeda, comandante do referido batalhão, “agradeceu a Iurd por toda assistência prestada”.

13 de dezembro de 2023

Durante cerimônia alusiva ao 67º aniversário do 10º Batalhão de Polícia Militar Metropolitana (BPM 10M), o Coronel PM Cássio Araújo de Freitas agraciou a Igreja Universal – na pessoa do Pastor Gilmar Souza de Oliveira -com a medalha “Cinquentenário do 10ºBPM/M”.

“Muitas autoridades presentes agradeceram e parabenizaram à Igreja Universal (sic) pelas assistências prestada (sic) através do Programa UFP ao efetivo do referido Batalhão e assim como a demais instruções de segurança, Defesa e Justiça diariamente”.

1 de dezembro de 2023

Durante cerimônia alusiva ao 18° Aniversário do 43º Batalhão de Polícia Militar Metropolitana (BPM-M) de São Paulo, o Tenente Coronel PM Douglas Alves agraciou a Igreja Universal com a Medalha “Challenge Coin” do 43º BPM-M, na pessoa do Pastor Jeferson Nunes.

28 de novembro de 2023

Eis a descrição do episódio aqui referido, conforme redigiu a Iurd:

“Integrantes da UFP prestigiaram a Solenidade Alusiva ao 86º Aniversário da (DEC) Diretoria de Educação e Cultura da Polícia Militar do Estado de São Paulo, realizada na Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB), conduzida pelo Coronel PM Marco Antônio de Oliveira Faria, Diretor da (DEC).

Na ocasião, autorizadades foram agraciadas com a Outorga da Medalha ‘Coronel Paul Balagny’, entre elas o Deputado Federal Coronel PM Res Telhada, o Coronel Marcello Streifinger, Secretário de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP), a Igreja Universal, na pessoa do Pastor Roni Negreiros, pelas assistências prestada às Instituições de Segurança, Defesa e Justiça diariamente entre outras autoridades.

Muitos presente parabenizaram à Igreja Universal pela honraria recebida e pela assistência prestada.”

14 de novembro de 2023

Chefes da UFP prestigiaram o evento do 9º Batalhão de Polícia Militar Metropolitana de São Paulo alusivo ao 67° aniversário da unidade.

Na ocasião, o Tenente Coronel PM André Diniz, comandante do referido batalhão, agraciou, com a Medalha Cinquentenária do 9º BPM-M, a Igreja Universal, na pessoa do Pastor Sidnei Vieira, responsável pelo programa UFP na zona norte de São Paulo.

7 de novembro de 2023

Na Coordenadoria de Operações da Polícia Militar de São Paulo (COORDOP), em solenidade de descerramento dos quadros do Coronel PM Robson Cabral e do Coronel PM Rogério na galeria de eternos comandantes do COORDOP, o Chefe da Coordenaria de Operações da Polícia Militar, Coronel PM Prates, agraciou com a “Challenge Coin” a Igreja Universal, na pessoa do pastor Roni Negreiros.

5 de maio de 2023

Na região central de São Paulo, em solenidade alusiva ao 89° aniversário do 2° Batalhão de Choque da Polícia de São Paulo, com a presença do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, o Comandante Geral da Polícia Militar de São Paulo, Coronel PM Cássio de Freitas, agraciou a Igreja Universal – na pessoa do pastor Roni Negreiros – com a “Medalha Batalhão Expedicionários Paulistas da Polícia Militar do Estado de São Paulo”.

11 de abril de 2023

Membros da UFP foram ao Comando de Policiamento Metropolitano (CPM). Na ocasião, a Igreja Universal foi homenageada com a medalha “Challenge Coin”, recebida pelo pastor Rony Negreiros, que realizou o momento de reflexão e uma oração por todos presentes.

2 de fevereiro de 2023

Representantes da Igreja Universal receberam a medalha do Cinquentenário do 12º Batalhão da Polícia Militar Metropolitana, das mãos do próprio secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PL-SP), como “forma de agradecimento pelo trabalho de assistência espiritual, social e de valorização humana realizado junto aos integrantes das forças de segurança”.

Somam-se às medalhas acima as que foram concedidas no dia 17 de março de 2023 (“Challenge Coin”, entregue pelo 19° Batalhão de Polícia Militar Metropolitana) e no dia 28 de março de 2023 (Challenge Coin, entregue no município de Itanhaém, litoral sul do estado, pelo 29º Batalhão de Polícia Militar do Interior, perfazendo, assim, desde que Tarcísio de Freitas assumiu o governo do Estado de São Paulo, pelo menos 20 medalhas e condecorações entregues pela polícia à Igreja Universal.

A IGREJA UNIVERSAL NA FORMAÇÃO DAS POLÍCIAS DO BRASIL

No vídeo abaixo (nota - omitido), um oficial da PM de São Paulo grava um vídeo para a Iurd, durante um evento da polícia dentro de um templo da Universal, destacando a importância da Igreja de Edir Macedo na formação dos oficiais da corporação.

O caso acima é apenas um dos inúmeros exemplos de participação da Igreja Universal em atividades formativas de agentes de segurança pelo Brasil. Eles participam de formaturas e ministram cursos inseridos nas grades de formação de soldados, cadetes, aspirantes, sargentos e oficiais nas polícias militares da maioria dos Estados do Brasil, nas Forças Armadas e guardas civis.

Nos próximos dias, o DCM irá publicar uma reportagem sobre a atuação da Iurd nos cursos e atividades de formação de agentes de segurança em todo país.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sob-tarcisio-pm-de-sp-concedeu-pelo-menos-20-medalhas-a-igreja-universal-em-17-meses/

Modelo educacional bolsonarista na justiça

O Ministério Público de São Paulo e a Defensoria Pública solicitaram à Justiça a suspensão do programa de escolas cívico-militares aprovado pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Os órgãos pedem a “reconhecimento e declaração judicial de invalidade” da resolução que regulamenta o programa, argumentando que foi editado em desacordo com a lei.

O documento é assinado pelo Grupo de Atuação Especial de Educação da Capital, do MP, e pelo Núcleo Especializado da Infância e Juventude da Defensoria. A Promotoria e a Defensoria afirmam que o programa desrespeita a prerrogativa do Conselho de Escola e exclui alunos menores de 16 anos da votação.

Ontem, o governo divulgou a lista de escolas interessadas no modelo e as regras para a consulta pública, permitindo a participação de professores, alunos maiores de 16 anos e pais de estudantes.

Ação judicial

A ação também menciona que o governo incluiu agentes militares para ministrar aulas sem a aprovação do Conselho de Educação. Segundo o UOL, policiais ensinarão sobre política e ética nas escolas cívico-militares. O programa já foi criticado pelo PT e PSOL, que acionaram o STF, mas Tarcísio defendeu o modelo.

O documento afirma que a resolução desvia recursos para um programa que não consta nas metas educacionais do estado, afrontando diretrizes dos planos nacional e estadual de Educação, como a promoção dos direitos humanos, valorização dos profissionais da educação e combate às desigualdades educacionais.

Resposta do governo

A Promotoria afirma que o governo está implementando o modelo em “velocidade vertiginosa” e solicita uma decisão judicial rápida. A Secretaria da Educação declarou que não foi notificada formalmente sobre a ação, mas se pronunciará quando isso ocorrer.

O governo Tarcísio planeja implementar o modelo em 45 escolas em 2025. De mais de 5.000 escolas, 302 manifestaram interesse em se tornar cívico-militares. A decisão final ocorrerá após consulta pública e votação da comunidade escolar, com um voto por CPF. Durante o processo, será criada uma comissão consultiva composta por representantes da direção, professores, alunos maiores de 16 anos e pais.

Cada escola terá ao menos um policial da reserva, escolhido pela Secretaria da Educação. Para 100 escolas prometidas por Tarcísio, o gasto previsto com os agentes é de cerca de R$ 7,2 milhões.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/defensoria-e-mpsp-vao-a-justica-contra-as-escolas-civico-militares-de-tarcisio/

Os Mistérios Órficos

Os Mistérios Órficos são tão intrigantes quanto parecem. Eles são um conjunto de crenças e práticas religiosas centradas na figura mítica de Orfeu e enraizadas na mitologia grega antiga. No entanto, eles tinham um foco diferente em comparação com a religião praticada pela maioria dos gregos, e os mistérios ofereciam percepções únicas sobre a natureza da alma, a vida após a morte e a conexão humana com o divino. Ao contrário dos rituais mais públicos do politeísmo grego, os Mistérios Órficos eram esotéricos, reservados para iniciados que buscavam uma compreensão mais profunda da existência e do cosmos. Para algo chamado "mistérios", sabemos muito sobre eles; tudo, desde suas origens e contexto histórico até suas crenças centrais e como eles influenciaram o pensamento filosófico posterior sobre a alma e a vida após a morte.

As origens dos Mistérios Órficos podem ser rastreadas até o século VI a.C. na Grécia antiga. Eles tomam o nome do lendário Orfeu, que não era apenas um herói grego, mas um músico, poeta e profeta na mitologia grega. De acordo com o mito e a lenda, Orfeu era um cara bem carismático e podia encantar todos os seres vivos, e até mesmo sua música era rock (metaforicamente falando, o rock ainda estava muito longe).

A lenda mais famosa que o cerca conta como ele viajou ao Submundo para resgatar sua esposa, Eurídice , e seu retorno subsequente se tornou uma narrativa central na tradição órfica, simbolizando a morte e o renascimento.

As primeiras referências às crenças órficas vêm da poesia do século VI a.C., enquanto grafites do século V também foram encontrados que se referem aos " órficos". Uma das fontes mais valiosas é o papiro Derveni , que se estima ser do século V a.C., mas é potencialmente mais antigo. Heródoto, Eurípides e Platão também fizeram referência às crenças órficas.  

Acredita- se que o orfismo provavelmente se desenvolveu na Trácia e depois se espalhou pela Grécia. Como seu próprio movimento religioso distinto, ele tinha seus próprios textos sagrados, conhecidos como Hinos Órficos. Esses hinos delineavam os rituais da religião, os ensinamentos éticos e as teorias sobre o cosmos — muitos dos quais divergiam da religião grega dominante da época.

Os Mistérios Órficos enfatizam fortemente temas como salvação pessoal, purificação e uma forte conexão com o divino. O culto também coloca uma ênfase muito mais forte na adoração pessoal em comparação ao foco da religião dominante contemporânea na adoração comunitária e pública.

O orfismo pode ter sido algo próprio, mas isso não significa que não tenha se inspirado em outras fontes. O orfismo representava uma fascinante mistura sincrética de múltiplas práticas religiosas e ideias filosóficas. Por exemplo, ele absorveu elementos dos Mistérios de Elêusis . Estes se centram nos mitos de Deméter e Perséfone, que têm temas proeminentes de morte e renascimento (Perséfone é levada ao submundo para se casar com Hades, e sua mãe, Deméter, reage incrivelmente mal).

O sistema de crenças dos Mistérios Órficos era profundamente espiritual e fortemente focado na jornada da alma após a morte e na melhor forma de purificá-la. Na doutrina órfica, a alma era imortal e sujeita ao ciclo de reencarnação . Os órficos acreditavam fortemente que a alma era divina por natureza e estava presa no corpo mortal como punição por um pecado primordial. Isso era bem diferente da religião grega tradicional, que se concentrava muito mais em manter os deuses felizes para garantir uma vida próspera.  

Assim como no pitagorismo, os ensinamentos órficos propunham que o objetivo final da alma era escapar desse ciclo de reencarnação e alcançar a bem-aventurança eterna. Para fazer isso, a alma precisava ser purificada, algo alcançado por meio de uma série de iniciações e adesão estrita à pureza ritual e à vida ética.

Os órficos abominavam o uso da violência e se abstinham de carne, que acreditavam contaminar a alma com paixões animalescas. Eles também realizavam rituais especiais de purificação que extraíam as impurezas da alma. Outra prática importante era usar vestes brancas, simbolizando a pureza e a rejeição do mundo material. 

Embora isso possa soar bastante padrão, o que realmente fez o Orfismo se destacar foi sua cosmologia única e foco em mitos e lendas incertas. Um mito significativo foi o de Dionísio Zagreus, que foi desmembrado pelos Titãs e posteriormente ressuscitado. Este mito simbolizava a fragmentação da alma e a eventual reunificação e era central para a compreensão órfica da vida, morte e renascimento. De acordo com o mito, os Titãs atraíram Dionísio com brinquedos, o mataram e consumiram sua carne. No entanto, Atena salvou seu coração e ele renasceu. Não é de se admirar que eles fossem vegetarianos.

De acordo com os Mistérios Órficos, todos os humanos contêm uma centelha divina que era um fragmento do deus Dionísio. Essa centelha nos liga a todos ao reino divino. Essa crença em uma essência divina dentro de cada indivíduo sustentou seus ensinamentos éticos, que enfatizavam a pureza, a piedade e a busca do conhecimento como um meio de atingir a ascensão espiritual e a reunificação final com o divino.

Infelizmente, muitas das informações que temos sobre os órficos tendem a ser de natureza irônica. Isso significa que pode ser difícil dizer quais práticas o culto realmente realizava e quais eram inventadas para fazê-las parecer loucas. Felizmente, um punhado de fontes antigas relativamente confiáveis se referem às mesmas crenças e rituais.

Se essas fontes forem precisas, os órficos acreditavam na ideia de Adikia , a evitação de ferir qualquer ser vivo. Assassinato e violência eram estritamente proibidos. Sabe-se que eles tinham um estilo de vida profundamente ascético regulado por regras rígidas. Algumas fontes até afirmam que os órficos eram celibatários. Considerando que alguns mitos contam como Orfeu foi cortado em pedaços após fazer um voto de celibato, isso faz um certo sentido.

Platão levou algum tempo para descrever os sacerdotes órficos, fazendo-os soar como um pouco incômodos. Supostamente, eles irritavam os gregos ricos batendo em suas portas com livros sagrados, oferecendo-se para limpar suas almas por uma doação. Platão achou a ideia de um único livro sagrado particularmente irritante e um tanto quanto uma novidade, provavelmente porque a maioria das tradições religiosas eram orais na época. Infelizmente, nenhum desses livros sagrados sobreviveu à devastação do tempo.

Embora o orfismo sempre tenha sido uma religião um tanto esotérica, isso não significa que não tenha influenciado as crenças gregas tradicionais ao longo do tempo. O orfismo foi um grande passo para longe da visão homérica, onde a vida após a morte era uma existência deprimentemente sombria no submundo. O orfismo ofereceu algo muito mais otimista - a ideia de que com algum trabalho duro, alguém poderia alcançar a transcendência e a bem-aventurança eterna. Essa visão mais otimista impactou significativamente as práticas religiosas e o pensamento filosófico no mundo grego antigo.

A ênfase do orfismo na natureza divina da alma e seu potencial para a imortalidade influenciou várias escolas filosóficas, particularmente o pitagorismo e o platonismo. Pitágoras, que foi influenciado pelas doutrinas órficas, adotou a ideia da imortalidade e transmigração da alma. Essa crença se tornou uma pedra angular do pensamento pitagórico, que postulou que a alma passa por uma série de reencarnações e pode eventualmente ser purificada por meio da contemplação filosófica e da vida ética (e matemática).

Platão , um dos filósofos mais influentes do pensamento ocidental, também integrou conceitos órficos em sua filosofia. Em diálogos como o "Fédon" e a "República", Platão elaborou a ideia da imortalidade da alma e sua jornada em direção a um reino de existência mais elevado e perfeito. Ele descreveu a alma como inerentemente divina e capaz de atingir o verdadeiro conhecimento e formas eternas por meio da purificação intelectual e moral. Parece bem parecido.

Além disso, temas órficos podem ser vistos nas obras de filósofos e movimentos religiosos posteriores. O período helenístico viu uma síntese de ideias órficas, pitagóricas e platônicas, que contribuíram para o desenvolvimento do neoplatonismo. Neoplatônicos como Plotino enfatizaram a ascensão da alma ao Um, a fonte última de toda a existência, por meio de práticas espirituais e contemplação filosófica. Essa síntese levou os conceitos órficos da alma e da vida após a morte para a antiguidade tardia, influenciando o pensamento cristão primitivo e outras tradições espirituais.

Os Mistérios Órficos podem não ser tão misteriosos, mas seu foco profundo na jornada e purificação da alma ofereceu uma perspectiva única e transformadora dentro da religião grega antiga. Enraizados em alguns dos mitos mais interessantes da Grécia antiga, esses mistérios enfatizavam a imortalidade da alma, seu ciclo de reencarnação e a possibilidade de alcançar a bem-aventurança eterna por meio da vida ética e da pureza ritual. 

Sua influência se estendeu além da prática religiosa, moldando profundamente as doutrinas filosóficas do pitagorismo, platonismo e, mais tarde, neoplatonismo. Ao integrar essas ideias, os Mistérios Órficos deixaram uma marca duradoura na compreensão ocidental da alma, da vida após a morte e do potencial da humanidade para a união divina.

Fonte: https://www.ancient-origins.net/myths-legends-europe/orphic-mysteries-0021052
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