quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Diferenças entre laico e secular

A coluna do Paulo Lopes publicou uma matéria divulgada na coluna de Ateísmo do Patheos onde se fala de uma pesquisa onde os homens são mais seculares do que as mulheres. Que a mulher tem um lado mais espiritualizado do que o homem não é novidade alguma, assim como não é novidade alguma os ateus quererem puxar a sardinha pro seu lado quando convém, da mesma forma como fazem católicos, evangélicos e este pagão que vos escreve.

Mas o que significa secular e qual a diferença com o laico? Usando o oráculo virtual [Google] eu obtive algumas respostas.

Secularidade (qualidade ou característica de secular) é a condição de quem vive no século, isto é, entre as coisas do mundo e da vida. Opõe-se ao estado religioso, próprio dos que fizeram votos.

Segundo Boaventura de Sousa Santos, do ponto de vista da sociologia política, há distinção entre secularismo e secularidade. Secularismo, segundo ele, implica restringir a religião ao espaço privado exclusivamente. Já a secularidade supõe a permissão das expressões religiosas no espaço público como afirmação da própria liberdade de todos os cidadãos.

O processo de secularização pode ser compreendido de dois modos: forte e brando.

A secularização forte refere-se a uma afirmação da autonomia absoluta do homem.

A secularização branda, por sua vez, refere-se a uma afirmação da autonomia relativa do temporal. É uma desclericalização da visão de mundo, uma abertura ao diálogo tolerante O secularismo é o princípio da separação entre instituições governamentais e as pessoas mandatadas para representar o Estado a partir de instituições religiosas e dignitários religiosos.

Em certo sentido, o secularismo pode afirmar o direito de ser livre do jugo e ensinamento religioso, bem como o direito à liberdade da imposição governamental de uma religião sobre o povo dentro de um estado que é neutro em matéria de crença. Em outro sentido, refere-se à visão de que as atividades humanas e as decisões, especialmente as políticas, devem ser imparciais em relação à influência religiosa.

O laicismo apenas rejeita a influência da Igreja na esfera pública do Estado pois considera que os assuntos religiosos só devem pertencem à esfera privada de cada indivíduo.

Denota a ausência de envolvimento religioso em assuntos governamentais, bem como ausência de envolvimento do governo nos assuntos religiosos.

Na sua aceitação estrita e oficial, é o princípio da separação entre Igreja (ou religião) e Estado. Etimologicamente, laïcité é um substantivo formado pela adição do sufixo -ite (português: -dade, latim -itas) ao adjetivo em latim lāicus, um empréstimo da palavra grega λᾱϊκός (Laikos "do povo", "leigo") e do adjetivo λᾱός (laos "povo"). A palavra laico é um adjetivo que significa uma atitude crítica e separadora da interferência da religião organizada na vida pública das sociedades contemporâneas. [Wikipédia]

Há uma grande controvérsia quando um ateu fala do Estado Laico, como se fosse um Estado irreligioso e que não reconhece ao divino. O Estado Laico não é antirreligioso, apenas não possui uma religião oficial e seus dirigentes não são influenciados por alguma organização religiosa. Em suma, o Estado é Laico porque o assunto da religião pertence ao leigo, à pessoa comum, não ao clero ou a uma organização religiosa. Algo bem diferente do que alguns ateus militantes, com Richard Dawkins tem apregoado, dando a entender que Estado Laico deve ser, necessariamente, ateu.

Uma questão permanece. A pessoa comum, ou uma pessoa simples, uma pessoa da terra, um camponês, é uma pessoa irreligiosa, sem Deus? Se excluirmos quem é declaradamente ateu ou agnóstico, a pessoa comum tem uma forma de espiritualidade difusa. Ainda que frequente os templos das religiões oficiais, o individuo frequenta locais onde se professam crenças e práticas alternativas, demonstra interesse ou curiosidade sobre o esoterismo e o misticismo. No caso das pessoas que preservaram as crenças nativas de seus ancestrais ou que tentam resgatá-las, algumas fazem oferendas e reverenciam um ou mais espíritos da natureza e outras tem um culto voltado a um ou mais Deuses. Para as religiões oficiais e as organizações religiosas que as representam, essas pessoas são pejorativamente tachadas de idólatras, selvagens, ignorantes, consideradas "sem Deus" porque não reconhecem o Deus Cristão, Judeu ou Muçulmano, mas definitivamente não são descrentes nem professam o ateísmo. [trecho do meu texto Laico “sem Deus”]

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