sexta-feira, 4 de abril de 2014

Resgatando uma lenda

No mundo contemporâneo existe o costume de utilizar, de forma pejorativa, as palavras "mito" e "lenda" no sentido de "mentira" ou de algo "falso".
Na antiguidade, fato, mito e lenda eram simplesmente formas de ver o mundo, igualmente válidas e fonte de conhecimento. No mundo contemporâneo, o mundo das idéias de Platão seria considerado superstição, crendice. No pensamento ateu apenas aquilo que pode ser comprovado por fatos, evidências e experiências é que pode ser considerado como real, como existente. Curiosamente o ateu aceita sem pestanejar a existência de diversos elementos que não são materialmente visíveis, energias, ondas e partículas que se tornam visíveis graças à aparelhos que mostram em um monitor uma imagem desse elemento, mas não a coisa em si mesma.
O mesmo pode se dizer do unicórnio. O que temos são imagens, representações, recursos artísticos que apareceram posteriormente ao folclore popular. Das representações tardias vem essa concepção de que um unicórnio deva parecer, necessáriamente, um cavalo, branco, portador de um único chifre que desponta de sua testa. Não se pode analisar um ser nos baseando em apenas uma concepção ou uma única imagem.
No folclore europeu, o unicórnio é muitas vezes descrito como um tipo de cavalo ou bode branco com um longo chifre e os cascos fendidos.
O unicórnio é um animal lendário que tem sido descrito desde a antiguidade como um animal com um grande chifre em espiral, projetando a partir de sua testa. O unicórnio foi mencionado pelos antigos gregos em contas de história natural por vários escritores, incluindo Ctesias , Estrabão, Plínio, o Jovem e Eliano .
Escritores gregos de História Natural estavam convencidos da realidade do unicórnio, localizado na Índia, um reino distante e fabuloso para eles. A mais antiga descrição é de Ctesias que os descreveu como asnos selvagens, com um chifre de um côvado e meio de comprimento e de cor branca, vermelha e preta. Aristóteles deve ser citado Ctesias quando ele menciona dois animais de um chifre, o órix (espécie de antílope). Estrabão diz que no Cáucaso havia cavalos de um chifre com cabeças como de veado. Plínio, o Velho menciona o órix e um boi indiano como animais de um chifre, bem como "um animal muito feroz chamado de Monoceros, que tem a cabeça do veado, os pés do elefante e a cauda de o javali, enquanto o resto do corpo é como a do cavalo, faz um barulho mugido profundo e tem um único chifre preto, que se projeta a partir do meio da testa, com dois côvados de comprimento". Eliano, citando Ctesias, acrescenta que a Índia tem também um cavalo de um chifre e diz que o Monoceros foi chamado às vezes cartazonos, que pode ser uma forma do árabe karkadann , que significa " rinoceronte ".
Caçadas para um animal real tendo como a base do mito do unicórnio, de acordo com a concepção de escritores da Antiguidade que ele realmente existia em algum lugar na borda da terra conhecida, adicionou mais uma camada de mitificação sobre o unicórnio.[wikipedia]
A mitologia e a mitografia migrou do imaginário popular para a nobreza e para o clero, de onde vem a concepção moderna estereotipada da imagem do unicórnio. Sua origem e existência há muito foi integrada no imaginário, perdendo sua referência com a biologia das espécies e no mundo asséptico, estéril e mecanicista do ateu, qualquer coisa que não se encaixe ou não passe pelo escrutínio da ciência, o unicórnio é relegado a uma figura fantástica, impossível e improvável de existir, mera superstição e crendice, que deve ser expurgada. Impossivel calcular a perda cultural que a humanidade teria se por acaso essa convicção se tornasse uma verdade absoluta e inquestionavel.

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