sábado, 27 de julho de 2024

Flagrante de farsantes


Por Victor Gaspodini

Integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), organização de extrema-direita que atua em todo o Brasil, foram flagrados enganando as pessoas nas ruas de Florianópolis, em Santa Catarina.

Eles se aproximam dos transeuntes solicitando dados pessoais, como nome completo, título de eleitor, zona eleitoral e assinatura, e, sem saber que estavam sendo filmados, alegam estar coletando as rubricas em apoio à tramitação de um Projeto de Lei no Congresso Nacional para supostamente melhorar a educação no Brasil.
“Estamos coletando a assinatura de quem concorda com o Projeto”, afirma o representante do MBL em determinado momento da abordagem.

Acontece que na ficha em questão não há nenhuma menção a nenhum Projeto de Lei e sim à fundação do partido político do MBL, que se chamará “Missão”.

“Ficha de apoiamento Partido Missão” e “declaro apoiar a criação desse partido em formação” são as frases que constam no papel. Importante ressaltar que eles não se apresentam inicialmente como membros do Movimento Brasil Livre.

As assinaturas coletadas pelo grupo serão, na realidade, encaminhadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que exige, para a criação de novas siglas partidárias, um número mínimo de 547.455 apoios, distribuídos em pelo menos nove estados da federação. Elas não servirão para fortalecer a tramitação de nenhum Projeto de Lei, como os militantes do MBL tentam fazer parecer no diálogo.

Confrontados por não terem sido claros na explicação inicial, eles começam a rir e, finalmente, se revelam: “Eu sou do MBL, cara”.

Em outro momento da abordagem, ao serem acusados de estarem omitindo informações das pessoas que buscam obter a assinatura, um militante se justifica: “Meu discurso é super resumido porque eu preciso abordar o máximo de gente possível. (…) A verdade está escrita no papel”.

“Eu faço parte de uma iniciativa chamada Missão. A gente tá criando a Missão para lançar um Projeto para o congresso federal (sic) para melhorar as escolas básicas do Brasil”, são as palavras iniciais do militante do MBL ao pedir assinaturas nas ruas. Na sequência do diálogo, ele cita uma série de propostas que acredita que melhoraria a aprendizagem de crianças e adolescentes, como “dois professores em sala de aula”, “aulas de ensino financeiro” e o “retorno do sistema de reprovação”.

De acordo com o discurso, “as crianças estão chegando na sétima série sem saber ler ou escrever direito” e “está sendo construída uma sociedade de imbecis coletivos”.
Dessa forma, o militante tenta convencer o cidadão a assinar a ficha que carrega em sua prancheta, sem citar, em nenhum momento, que a iniciativa se trata apenas da fundação de um novo partido político, tentando induzir as pessoas ao erro: acharem que estão apoiando um Projeto de Lei para melhorar a educação no Brasil.

O integrante do MBL apenas explica com mais clareza do que se trata a ficha de apoiamento quando pressionado por quem gravava o vídeo, o que demonstra que, nas situações em que não há nenhum questionamento por parte do cidadão comum, a verdade acaba passando batida.

Ao ser confrontado se a assinatura ajudaria um projeto a tramitar no Congresso, ele responde: “Vai estar ajudando a ‘Missão’ a ser criada. A gente vai lançar o Projeto depois que a gente ter o nosso peso. Hoje em dia, somos só uma ONG e queremos virar um partido justamente para termos representatividade. A gente não confia em nenhum deputado atual”. Vale lembrar que o MBL tem como principal liderança o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP).

O flagrante foi feito pela equipe parlamentar do vereador de Florianópolis Afrânio Boppré (PSOL), que garante que levará o caso ao conhecimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “É um absurdo que um partido, mesmo antes de estar legalizado, já comece mentindo para as pessoas”, diz.

Chama atenção o discurso “antipolítica” que os integrantes do MBL desenvolvem na tentativa de angariar o maior número possível de assinaturas de pessoas que, muitas vezes, passam distraídas pelo local.

Isso porque o Movimento Brasil Livre disputa eleições desde 2016, ano em que ganhou notoriedade ao convocar manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

O grupo já elegeu vereadores, deputados estaduais e o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil), mas aparentemente não confia em nenhum deles.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/exclusivo-mbl-engana-pessoas-coletando-assinaturas-para-fundar-partido-para-melhorar-a-educacao/

Nota: isso acontece e é considerado normal. No Brasil, ficou normal o prefeito de Farroupilha, Fabiano Feltrin, pedir guilhotina para Alexandre Morais. No Brasil, ficou normal o apresentador da Jovem Pan (vulgo Jovem Klan), Emílio Surita, proferir homofobia em público e não ser preso.
Mas vamos pensar positivo. Teve início as olimpíadas de Paris. Na imagem, alguns participantes animados 😏🤭.

Dia Municipal da Benzedeira

Quebrante, bucho virado, lombriga, assustado, mal jeito, cobreiro. O vocabulário único das benzedeiras e rezadeiras remete a enfermidades que afetam o corpo e espírito de uma pessoa. Segundo elas, para cada sintoma existe uma oração repleta de fé.

Em Araraquara (SP), é celebrado nesta sexta-feira (26) o “Dia Municipal do Ofício das Rezadeiras e Benzedeiras”, e o g1 mostra as histórias de duas mulheres que se dedicam a curar o próximo com rezas ancestrais poderosas, passadas de geração em geração.

Embora o intuito seja o mesmo, enquanto a benzedeira utiliza água, óleo, ervas medicinais nas preces, a rezadeira trabalha com a palavra e objetos como a cruz e o terço.

Duas das últimas representantes de uma tradição centenária, Fátima da Paixão Bonavina, de 71 anos, e Angelina Gomes de Lucena , a dona Tina, 66 anos, têm o dom de “tirar com as mãos” e muita súplica os males e doenças das pessoas que as procuram.

Fátima tem a oração e o benzimento em seu DNA. A avó Antônia, a mãe Madalena e o pai Antenor já eram benzedores e com ela não foi diferente. Nascida e criada no bairro dos Machados, área rural de Araraquara, Fátima sempre conviveu com preces e religiosidade ao seu redor.

Aos anos 6 anos ela já sabia a oração para cobreiro, que são bolhas e coceiras que aparecem na pele.

Cada um de sua família fazia um tipo de benzimento e Fátima aprendeu todos que pode e hoje benze de tudo, assim como acontecia com sua avó.

O tercinho, a água, o óleo e a planta medicinal gervão são instrumentos poderosos na mão da benzedeira. De segunda a sexta-feira, ela trata de inúmeras queixas e em especial de crianças com o “bucho virado”, que é uma indisposição estomacal.

Outro problema constante que aparece são crianças “assustadas”, que levaram algum susto, choram muito e não conseguem dormir à noite.

A aposentada Dulcineia Jerônimo Rosa, 58 anos, levou pela terceira vez o netinho Levi Emanual dos Santos, de 11 meses, para atendimento.

“O Levi está com bucho virado, já levei ao médico também, porque estava chorando muito, e ele disse que estava com estomatite. Eu trouxe de novo, está medicado também. Faz muito bem e ele já melhorou muito depois que vim aqui”, disse.

Mãe de duas crianças, a doceira Valeria Francisca, de 45 anos, costuma dizer que primeiro leva os filhos para benzer e depois vai ao médico.

“É ótimo vir aqui com eles, é imediato, na hora melhoram. Quantas vezes eu vim aqui com meu filho ruim, de bucho virado, com febre e vômito, é só benzer que sara”, disse.

Angelina Gomes de Lucena , a dona Tina, tem 66 anos e uma vida inteira como rezadeira. Descendente de indígenas, a mineira de Padre Paraíso (MG), se mudou jovem para Araraquara, após a morte da mãe. De lá para cá são 45 anos dedicados ao ritual de cura.

Dona Tina é católica e entoa orações fortes e antigas que segundo ela datam de 400 anos atrás. Religiosamente ela faz as suas súplicas, sendo que uma delas, a do Santo Sepulcro, deve ser realizada por 15 anos todos os dias.

“As orações que faço são bem antigas, de 300, 400 anos atrás, tanto que só gente mais velha pra conhecer algumas. Elas são dos Apóstolos, vem dos antepassados que foram passando um para o outro” disse.

Por meio da oralidade de seus familiares e dom inato, as palavras benditas ficaram guardadas em sua memória.

Tina comentou que muita gente tenta encontrar as preces na Internet, sem sucesso. “Tem uma muito forte e antiquíssima, é o Sonho de Nossa Senhora, tem pessoas que procuram na Internet, mas não acham porque não existe lá”, disse.

Dona Tinha fala com fervor de sua devoção a todos os santos e liturgias. Ela faz desde atendimentos considerados leves em crianças, até casos mais graves, como doenças. O seu público é diverso e de várias camadas sociais.

“Sou devota dos santos médicos. Se o é um caso de cura, eu tenho que interceder a São Lucas, São Rafael, depende do caso. Eu atendo muito médico, crianças, é bem diverso. Tem médicas que mandam pacientes até mim, ligam marcam hora e são curados”, comentou.

O boca a boca sobre o poder de suas rezas vai longe, trazendo até sua casa gente da capital e das cidades vizinhas. A rezadeira atende com hora marcada e nunca cobra por nada.

Tina sente que atualmente as pessoas vivem mais no trivial do cotidiano e se esquecem da espiritualidade. Para ela, muitos entenderam errado a mensagem bíblica sobre o dízimo.

“As pessoas estão tão focadas no mundo e não têm tempo para espiritualidade, e nós temos que ter esse tempo. A Bíblia fala que 10% do que ganhamos é para o dízimo, mas é do seu tempo, se você pegar as 24h do dia, dá 2h30 que é de Deus, não é para o mundo. Esse momento é a parte mais gostosa do meu dia, eu desligo quando oro ” disse.

A benzedeira Fátima se preocupa com o futuro de seu ofício, pois percebe que muitas pessoas perderam o clamor da fé. Embora tenha receio da tradição familiar acabar com ela, guarda esperanças.

Já a rezadeira Tina ainda aguarda a chegada de alguém para o ritual não se encerrar com ela. Mãe de três filhos e com alguns netos, ela sabe que eles não possuem a vocação. "Da minha família até agora não achei ninguém que vai herdar o dom. Pode ser que nasça ainda alguém, porque esse dom está acabando", conclui.

Fonte: https://g1.globo.com/google/amp/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2024/07/26/benzedeiras-lutam-para-manter-tradicao-centenaria-do-uso-de-ritos-e-oracoes-contra-males-do-corpo-e-da-alma-a-fe-cura.ghtml

Robocop Tarcísio

Sob o comando do governador Tarcísio de Freitas, o número de mortes causadas por policiais militares no estado de São Paulo aumentou 71% no primeiro semestre de 2024, comparado ao mesmo período do ano passado. Esses dados são do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Entre janeiro e junho de 2023, foram registradas 201 mortes provocadas por PMs, tanto em serviço quanto fora dele. No mesmo período deste ano, o número subiu para 344. Se considerarmos apenas os policiais militares em serviço, o aumento é ainda mais significativo, de 92%, subindo de 154 para 296.

Na cidade de São Paulo, os PMs causaram 92 mortes nos primeiros seis meses de 2024, sendo 70 dessas por policiais em serviço. No ano anterior, foram registradas 73 mortes no mesmo período, com 49 ocorrendo enquanto os policiais estavam em serviço.

A Baixada Santista, especialmente a cidade de Santos, foi a área com o maior crescimento no número de mortes causadas por policiais militares. Em 2023, foram sete mortes nos primeiros seis meses. No mesmo período de 2024, o número saltou para 33, principalmente devido à Operação Verão.

Operação Verão

A 3ª Fase da Operação Verão, iniciada após a morte de um soldado das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar em Santos, levou batalhões de elite da Polícia Militar para a Baixada Santista. Durante cerca de dois meses, 56 suspeitos foram mortos, segundo a SSP, além de três policiais.

Desde dezembro, a SSP registrou a prisão de 1.045 infratores, dos quais 438 eram procurados pela Justiça, e a apreensão de 47 menores. No entanto, a Operação Verão foi criticada por entidades de direitos humanos e pela Ouvidoria das Polícias, que denunciaram irregularidades como tortura e execuções em comunidades pobres da Baixada Santista.

Relatórios apontam que entre os mortos em supostos confrontos estavam pessoas com deficiência visual e de mobilidade. A operação terminou com 56 mortos, o dobro da Operação Escudo, realizada no segundo semestre do ano passado. O governador Tarcísio de Freitas reagiu às críticas dizendo que não estava “nem aí” para a denúncia à Comissão de Direitos Humanos da ONU. “Sinceramente, nós temos muita tranquilidade em relação ao que está sendo feito. E aí, o pessoal pode ir na ONU, na Liga da Justiça, no raio que o parta, e eu não estou nem aí”, afirmou.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/com-tarcisio-pm-matou-92-a-mais-no-1o-semestre-de-2024/

Sobre teologia e Deuses


Steven Posch escreveu dois textos que parecem complementares.

Eu vou citar e comentar.

"Os pagãos "fazem" teologia?

Refletindo sobre décadas de experiência em divulgação inter-religiosa, minha amiga e colega Macha Nightmare observou recentemente que, nesses contextos, os não pagãos frequentemente querem saber sobre teologia pagã."

Eu entendo o que ele diz. Vivemos no mundo ocidental, eurocêntrico, onde predomina o Cristianismo. Falar em teologia ou Deus ainda são reduzidos ao conceito cristão.

"Teologia é uma boa palavra e (um) conceito pagão antigo. Estou com David “New Polytheism” Miller nisso: sempre que falamos (e pensamos) sobre os deuses, estamos teologizando. Essa é a prisca teologia , a teologia primal, a teologia como ela era antes de ser abduzida e codificada em ortodoxias."

"Pagãos, eu diria, têm bastante teologia. O que, como pagãos, nos falta é uma teologia compartilhada."

Ao ler e estudar sobre a Antiguidade, existem inúmeros pensadores que falaram sobre os Deuses, portanto, falaram de teologia antes dis teóricos cristãos.

Para um pagão moderno, o que interessa é o que se faz, não o que se pensa. Nós estamos "vacinados" contra a doutrinação e contra a imposição de modelos.

"Eles não se lembram muito do seu deus.”

Frase atribuída a Gerald Gardner.

"'Eles estão por aí há tanto tempo que se esqueceram de muita coisa', ele (Gerald Gardner) sugere. Na verdade, como sabemos agora, a realidade da situação era um pouco mais complexa."

A crença de nossos ancestrais era baseada em tradições orais. Muita coisa se perdeu com o desenvolvimento da civilização.

"Os Kalasha do que hoje é o noroeste do Paquistão, o único povo de língua indo-europeia que pratica sua religião tradicional continuamente desde a antiguidade, perderam praticamente toda a sua mitologia, e seus deuses tendem a ser figuras obscuras, conhecidas principalmente por suas funções práticas."

"Por que os altares dos deuses apresentam quatro cabeças de cavalo de madeira esculpidas? Ninguém entre os Kalasha se lembra mais. Não sabemos por quê, eles dizem aos pesquisadores: sempre foi assim."

O fato que nenhum ateu consegue refutar. A humanidade existe há, pelo menos, 1,5 milhões de anos. Todos os povos, de diversas culturas e civilizações, reconheceram a existência dos Deuses. Por milhares de anos. Se fosse algo meramente imaginado, não teria durado tanto tempo. Nenhuma cultura surgiria do ateísmo.

Mistérios são celebrados e eu estou proibido de dizer o que eu sei.
Mas a imagem que eu escolhi, mais o costume de evocar os quadrantes, deve dar uma pista ao interessado.🤫😉

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Doutrinação denunciada

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos pediu que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) investigue o desenho animado infantil "Danizinha Protetora", que estreou na programação da Rede Minas na segunda-feira (22/07). A animação foi criada pela pastora e vice-presidente da Igreja Bastista Getsêmani, Daniela Linhares. O MPMG instaurou uma notícia de fato a partir da representação do Conselho.

O conselho denuncia possível preconceito de gênero na exibição do desenho animado. Na representação, a qual O TEMPO teve acesso, o órgão argumenta que uma propaganda referente à atração com a frase “Menino e Menina: Deus fez os dois para sua glória!", e com “fundo azul para meninos e rosa para meninas”, pode configurar postura irregular da televisão. Além disso, o texto apresenta outros elementos que denunciam risco à liberdade de crença.

O órgão ainda defende que “a Fundação TV Minas Cultural e Educativa (FTVM) é uma fundação pública, e que, portanto, deve atentar aos interesses públicos e sobretudo à legislação e princípios de Direitos Humanos”. Robson Sávio Reis Souza, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de Minas Gerais (CONEDH/MG), que assina o texto, escreve ainda que viu com “estupefação” a propaganda sobre o desenho e o “advento deste programa”, além da averiguar “falta de informações que o isente de ser um programa que possua uma linha fundamentalista, antipluralista e preconceituosa”. Ele pede que o MPMG investigue se há preservação da laicidade do Estado e preservação do interesse público em detrimento do privado.

“Tal propaganda causou espécie a este colegiado, tendo em vista que os Direitos Humanos tem como escopo o combate a qualquer forma de preconceito e, sobretudo, a doutrinação de crianças e adolescentes para uma visão única da realidade, que poderá inculcar nestas pessoas em formação uma visão de mundo, em detrimento do pluralismo das diversas manifestação culturais, inclusive religiosas, de respeito aos valores e idiossincrasias humanas, dentro de um Estado laico e de uma sociedade plural e isenta de qualquer forma de preconceito”, narra o texto.

Ao anunciar a nova programação, na última sexta-feira (19/07), a Empresa Mineira de Comunicação (EMC) descreveu que a animação teria como propósito “proteger as crianças contra ameaças que podem tirá-las da sua infância”. “Ela (Danizinha) encarna a defensora dos valores cristãos e ensina a importância da confiança em Deus e como reconhecer situações que podem comprometer seu bem-estar”, completa o comunicado.

Os episódios são acompanhados por canções. Em um deles, que tem pouco mais de três minutos e é intitulado “Obedecer”, a protagonista ensina o público infantil a soletrar a palavra título do episódio. “B, de bênçãos que somente Deus pode dar. (...) C, de contemplar tudo o que Deus fez. (...) Papai, mamãe e Deus eu sempre vou obedecer”, diz a personagem. Em outro, ela cita Deus como o responsável pela criação do universo.

Nessa terça-feira (23/07), Daniela disse à reportagem de O TEMPO que teria cedido os direitos autorais da animação “Danizinha Protetora” à Rede Minas. “O contrato não envolve valores. Cedi todos os direitos. Não recebo nada, mas também não pago nada. Não pode vincular propaganda ao produto e, para mim, é uma forma de divulgação do projeto”, alega a pastora, que defende que o desenho não teria qualquer relação com religião e não seria financiado pela Igreja Batista Getsêmani.

Encabeçado pela Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos em Minas Gerais e por professores eméritos e titulares da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um abaixo-assinado solicita a “imediata retirada” do programa Danizinha Protetora da grade de programação da Rede Minas. 

O texto argumenta que “o referido programa é de cunho religioso e sua presença na programação da Rede Minas fere o que estabelece a Constituição”. “A Constituição Federal, ao estabelecer as bases para a laicidade do Estado, o faz justamente para tratar isonomicamente a todas as confissões religiosas e, portanto, para evitar que este crie melhores condições ou estabeleça empecilhos que favoreçam ou atrapalhem o funcionamento de quaisquer religiões”, afirma o abaixo-assinado.

Ainda, os professores e a instituição defendem que o programa “fere os direitos humanos à medida em que transmite conteúdos que denotam violências de gênero e raciais incompatíveis com a dignidade da pessoa humana e com o nosso arcabouço jurídico”.

Fonte: https://www-otempo-com-br.cdn.ampproject.org/v/s/www.otempo.com.br/politica/2024/7/24/conselho-de-defesa-dos-direitos-humanos-pede-que-mpmg-investigue.amp?amp_js_v=0.1&amp_gsa=1#webview=1

Nota: como se não bastasse a presença massiva em canais comerciais e o incômodo da pregação em transporte público, agora os evangélicos querem dominar canais públicos. 😤

Magia no Paganismo Moderno

A magia é um dos aspectos que podem ser encontrados em muitos dos grupos que fazem parte do movimento conhecido coletivamente como Paganismo Moderno. De acordo com os praticantes de magia dentro dos movimentos do Paganismo Moderno, a magia é algo real, e não meramente uma invenção da imaginação de alguém. No entanto, não há uma definição "tamanho único" do que é magia. Várias visões diferentes de magia estão disponíveis, e cabe ao praticante decidir qual delas melhor se adapta a ele/ela.

Uma das maneiras mais comuns de entender a magia pagã moderna é que ela é a "Arte da Causalidade". Aleister Crowley, o fundador de Thelema, definiu a magia como "a ciência e a arte de fazer com que a mudança ocorra em conformidade com a vontade". De acordo com essa visão, a magia é uma habilidade humana inata com a qual todos nascem. Para acessar essa força sobrenatural, é preciso aprendê-la e colocá-la em prática. Ao usar a magia, um praticante está fazendo uma conexão com as energias da natureza e, ao fazer isso, é capaz de causar mudanças no mundo material.

Outra definição de magia no Paganismo Moderno é fornecida por Dion Fortune, um cofundador da Fraternidade da Luz Interior. A percepção de magia de Fortune é uma adaptação daquela fornecida por Crowley. Em vez de causar mudanças no mundo material, Fortune defendia o uso da magia para provocar mudanças dentro do eu. Ao causar mudanças internas, um praticante de magia seria, por sua vez, capaz de efetuar mudanças no mundo externo. Foi apontado que essa visão percebe a magia como uma forma de psicologia. A diferença entre magia e psicologia, no entanto, é que a primeira extrai energia da natureza e do sobrenatural, enquanto a última não.

Outra compreensão da magia é que ela é um "reencantamento" do mundo. Em outras palavras, a magia pode ser usada por um praticante para ver a natureza da existência de uma perspectiva diferente. Em outras palavras, a magia pode ser usada para descobrir, redescobrir as conexões sutis e ocultas que existem dentro do eu, no mundo natural e entre os seres humanos e o mundo natural. Portanto, a magia nesse sentido é um meio de se conectar com o eu, com os outros e com o mundo natural.

A magia pagã moderna pode ser realizada de várias maneiras. A mais conhecida delas é talvez o lançamento de feitiços. Na Wicca , por exemplo, o lançamento de feitiços pode envolver o uso de encantamentos , amuletos, talismãs , bem como uma variedade de outras ações ou objetos. Os feitiços mágicos funcionam concentrando e canalizando a própria energia espiritual . Essa energia então moveria correntes de energia maiores na área onde um praticante deseja ver a mudança, trazendo assim a mudança desejada. Como mencionado anteriormente, os pagãos modernos acreditam que a magia é uma habilidade inata que todos os seres humanos têm. Portanto, os feitiços podem ser lançados por qualquer pessoa, desde que ele/ela aprenda a aproveitar essa energia e coloque o que aprendeu em prática.

Existem certas regras/éticas no Paganismo Moderno quando se trata do uso da magia. Uma das mais conhecidas é a Lei Wiccan/Rede, uma das formas mais comuns sendo “Se não fizer mal a ninguém, faça o que quiser”. Isso significa que a magia não deve ser usada para fazer mal a ninguém, seja intencionalmente ou não. Outras considerações éticas que um praticante de magia pode ter em mente podem incluir a possibilidade de que um feitiço possa influenciar a liberdade de escolha de outra pessoa, ou se for para satisfazer o ego pessoal (ambos os quais devem ser evitados).

Fonte: https://www.ancient-origins.net/history-ancient-traditions/secrets-magic-modern-paganism-revealed-008145
Traduzido com Google Tradutor.

Nota: nem Aleister Crowley, nem Dion Fortune podem ser descritos como pagãos modernos. A tal "lei wiccana" é uma invenção que foi devidamente desmascarada aqui.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Uma ameaça do conservadorismo

Nas últimas duas semanas, a mídia noticiosa explodiu com histórias sobre o “Projeto 2025”, um conjunto de propostas políticas da Heritage Foundation de direita, e muitos pagãos postaram memes e discussões sobre ele nas mídias sociais. A preocupação com o Projeto 2025 é generalizada; o hype é que ele é um manual para minar nossas liberdades e suprimir a dissidência.

Para as pessoas que estão olhando para um longo editorial e esperando por um TL,DR: as postagens não estão erradas. É uma derrubada de todos os avanços das liberdades civis, liberdades dos trabalhadores e soberania corporal das mulheres dos últimos 100 anos. Mas há muito mais para digerir.

Mergulhei fundo no documento de mais de 900 páginas detalhando a agenda para ver o que ele pode ter reservado para pagãos, bruxas, pagãos e outros politeístas. Não posso dizer que muito do que está lá me surpreendeu, dada a última ascensão de uma nova marca severa e ortodoxa de conservadorismo nos EUA e outras partes do Ocidente. Deve ser uma preocupação não apenas para pagãos, mas para qualquer um que não seja um homem cristão branco e hétero conservador profundamente intoxicado com obsessões patriarcais sobre controlar mulheres e minorias.

Aqui está uma rápida introdução ao esforço. O Projeto 2025, liderado pela Heritage Foundation, visa preparar uma agenda abrangente de governo conservador para a potencial próxima administração conservadora, começando em janeiro de 2025.

A Heritage Foundation foi fundada durante a administração Nixon e vem imprimindo um “Mandate for Leadership” desde 1981, onde foi usado pela administração Reagan. Essa história fala sobre as preocupações que estão sendo levantadas. Na versão de 1981 do Mandate, de 2000 propostas, cerca de 1200 (60%) foram implementadas.

A Heritage Foundation foi a voz principal na Operação Tempestade no Deserto durante o governo GHW Bush; forneceu as políticas de fundação para o Contrato com a América do Presidente da Câmara, Newt Gingrich , em 1994; foi uma voz importante na oposição àqueles que criticavam a guerra contra o terror no governo GW Bush; e propôs a política "Garantindo Assistência Médica Acessível para Todos os Americanos" em 1989, que eventualmente se tornou o Affordable Care Act (ACA), também conhecido como Obamacare.

Em outras palavras, tem uma longa história de eficácia.

Em 2016, ela se opôs à candidatura presidencial de Donald Trump no início, mas depois passou a apoiá-la. Em 2020, a Heritage contratou três funcionários do governo Trump, bem como o ex-vice-presidente Mike Pence, que então saiu em 2022. A Heritage Foundation, com base em um artigo de opinião de Pence, rejeitou a noção de que a eleição de 2020 foi "roubada" de Trump. Mas suas propostas estão lá fora e sendo empurradas para o favorito republicano da mesma forma.

O termo “conservador” é enganoso aqui. Desde 2022, depois que Pence deixou a organização, a Heritage Foundation se alinhou a uma variante extrema do conservadorismo que apoia amplamente o nacionalismo, a assimilação e o monoculturalismo, ao mesmo tempo em que se opõe ao internacionalismo, à inclusão política minoritária, ao multiculturalismo e ao globalismo. Ela favorece, talvez acima de tudo, a assimilação individual na cultura dominante, restrições à imigração e políticas rígidas de lei e ordem.

Os conservadores já foram um baluarte para fortalecer os militares e manter regimes fascistas sob controle. Mas em maio de 2022, a Heritage Foundation escreveu que o “Pacote de Ajuda à Ucrânia Coloca a América em Último Lugar”. Seu diretor de Defesa Nacional, Thomas Spoehr, ficou surpreso e renunciou em protesto.

A Heritage Foundation também se alinha com o Danube Institute, apoiado pelo governo húngaro e Victor Orbán. O Danube Institute, como jornalistas húngaros do Atlatszo notaram, é “uma das principais ferramentas da expansão ideológica do governo Orbán no exterior” e um dos “principais veículos” para “construir uma rede política nos Estados Unidos” para criar uma utopia internacional de direita.

Para mim, isso já é assustador. Estes são os autores do novo Mandate for Leadership: The Conservative Promise , o “manual de 180 dias” que descreve ações a serem tomadas nos primeiros seis meses da nova administração.

A iniciativa está organizada em torno de quatro pilares principais:

Uma Agenda Política descrita no site e apresentada em seu Manual;
A criação de um banco de dados de pessoal para identificar e selecionar candidatos conservadores de todo o país para compor o próximo governo, garantindo que as pessoas certas estejam no lugar para implementar a agenda política;
Uma iniciativa de formação chamada Academia de Administração Presidencial para identificar nomeados para a sua forma de governação eficaz na próxima administração conservadora; e
Uma promessa do “ Playbook ” de que o Projeto 2025 está “formando equipes de agências e elaborando planos de transição para sair após a declaração do Presidente de ‘que Deus me ajude’”.

O Projeto 2025 é apoiado por uma coalizão de mais de 100 organizações conservadoras, incluindo think tanks e grupos de defesa, alguns com nomes que desmentem suas motivações.

O Projeto visa implementar uma agenda para abordar questões como desregulamentação, política energética, imigração e segurança nacional, com foco na implementação de valores e políticas conservadoras de forma rápida e eficaz após a posse.

O Mandato para Lideranças estabelece quatro frentes a serem abordadas:

O Mandato para Lideranças estabelece quatro frentes a serem abordadas:

Restaurar a família como a peça central da vida americana e proteger nossas crianças.
Desmantelar o estado administrativo e devolver a autogovernança ao povo americano.
Defenda a soberania, as fronteiras e a generosidade da nossa nação contra ameaças globais.
Garantir nossos direitos individuais dados por Deus de viver livremente — o que nossa Constituição chama de “as Bênçãos da Liberdade”.

Em outras palavras, o objetivo é destruir a Great Society, o conjunto de programas domésticos lançados pelo presidente Lyndon B. Johnson na década de 1960 para eliminar a pobreza e a injustiça racial nos Estados Unidos. A Great Society nos deu o Medicare e o Medicaid, o Civil Rights Act, a War on Poverty, o financiamento de escolas, incluindo aquelas em áreas pobres, leis de proteção ambiental e desenvolvimento urbano regulado para evitar discriminação habitacional e apoiar moradias sociais.

Outras reformas propostas incluem:

Elimine as classificações raciais e o treinamento da teoria crítica da raça.
Restringir a aplicação da decisão Bostock que proíbe a discriminação sexual, com ênfase especial na comunidade transgênero;
Revogar regulamentações que proíbem a discriminação com base na orientação sexual, identidade de gênero, status transgênero e características sexuais.
Promover famílias estáveis e prósperas, compostas por uma mãe casada, um pai e seus filhos;
Eliminar as proteções do serviço público para funcionários federais, especialmente aqueles com cargos que incluem “determinação de políticas, formulação de políticas ou defesa de políticas”.
Promova acomodações pró-vida no local de trabalho para mães.
Remover proteções de emprego, algumas das quais estão em vigor há mais de 100 anos
Aprovar uma lei que exija benefícios iguais (ou maiores) para apoio pró-vida às mães e que esclareça as exclusões do aborto;
Mantenha os “benefícios” anti-vida fora dos planos de benefícios;
Fornecer proteções e acomodações robustas para funcionários religiosos;
Voz e representação de trabalhadores não sindicalizados;
A pornografia deve ser proibida;
Eliminar o extremismo woke sobre a “interseccionalidade”;
Excluir termos como orientação sexual e identidade de gênero (“SOGI”), diversidade, equidade e inclusão (“DEI”), gênero, igualdade de gênero, equidade de gênero, conscientização de gênero, sensível ao gênero, aborto, saúde reprodutiva, direitos reprodutivos e qualquer outro termo semelhante;
Registre todos os educadores e bibliotecários que fornecerem informações sobre os itens acima como criminosos sexuais.

Quanto às liberdades religiosas, o Mandato não faz uma declaração específica honrando uma fé sobre outra. Em vez disso, ele demonstra seus objetivos usando o termo problemático “judeu-cristão”, oferecendo um aceno ao judaísmo mais como uma conveniência do que por respeito sério às Escrituras judaicas.

Claramente, o Mandato enquadra seu argumento em um ponto de vista religioso favorecido. Ele não apoia a separação entre igreja e estado, mas a mobilização da religião em nome do estado.

Não acredito que eles adicionarão a Roda do Ano à sua lista de comemorações.

O documento então demonstra que os pagãos também são um inimigo, ainda que obliquamente.

Em suma, o Projeto 2025 é um plano para desmantelar avanços em igualdade e equidade enquanto monta um estado guiado pela doutrina cristã conservadora. Seus objetivos são claros. O Projeto 2025 pode evitar o termo “conservadorismo nacional”, mas não passa no teste do pato.

A história está repleta desses tipos de mandatos – e nenhum deles termina bem para comunidades como a nossa.

Fonte, citado parcialmente: https://wildhunt.org/2024/07/editorial-project-2025-dismantles-the-great-society-and-establishes-christian-hegemony.html

Traduzido com Google Tradutor.