Nossos ossos entram agora na sala do silencio, a antecâmara de nossa primeira
estada. Nesta estalagem, nós teremos a serviço o frio, o silencio, o torpor, o
isolamento, a corrupção de todos os nossos restos mortais, lenta inexorável e
dolorosamente. Aos que tem ataque de remorsos, apenas o grito mudo e o peso
das correntes, para que não retornem. Aos que ainda pretendiam guardar objetos
pessoais, a dor de não pode-los segura-los, vendo-os desmanchar lentamente.
Para todos tem início o Sono Infernal, donde reina absoluto Ahriman, que faz
do tempo e do espaço uma jaula, aonde apenas o completo esquecimento pode
preparar e proteger da loucura. Não se têm pensamentos, sonhos ilusões,
sentimentos, sensibilidades. O único contato é com o próprio vazio de cada uma
das almas nelas mesmas.
A terrível espera, como um som oco, ressoa até tirar toda a forma todo traço de
vida ou sinal da nossa origem, até nos esmigalhar por completo. A dor só se
revela ao romper das cadeias. O caprichoso Ahriman revolve os fragmentos,
como um carvoeiro empilhando cinzas, até elas formarem novamente um
carvão para ser jogado de volta a tempera do Sono Infernal. Apenas quando o
carvão tornar-se um diamante é que ele devolverá o valor, conduzindo-o então
para a trilha que deve seguir, afora e ao próximo castelo.
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