sábado, 30 de julho de 2011

Toda nudez será reconsagrada

Notícia divulgada no Fantástico que não deveria chamar a atenção da forma como chamou:
Natália Avseenko teve coragem em dose dupla. Primeiro, de enfrentar o gelo. Segundo, de se despir diante do mundo.
"Disseram-me que as baleias belugas conseguem sentir quando alguém está vulnerável. Por isso, decidimos que eu entraria na água da maneira mais vulnerável possível: nua", contou ela, pela internet ao Fantástico.
"Eu mostraria não só meu corpo, mas minha alma. E ficaria vulnerável diante da sociedade, que eu sabia, iria me julgar de qualquer maneira", completou.
Natália é antropóloga. Foi professora da Universidade de Moscou por dez anos. Apaixonada por mergulho, largou a vida acadêmica para se dedicar profissionalmente ao esporte. Foi campeã mundial duas vezes em freediving, o mergulho livre em apneia, modalidade em que o atleta usa apenas o próprio fôlego para submergir.
Nadar com as belugas era um sonho antigo, que ela realizou em abril, em um santuário ecológico no norte da Rússia, onde as imagens foram feitas.
"As belugas são muito sensíveis, como os golfinhos, e costumam interagir com quem faz mergulho livre, porque nós não usamos equipamentos pesados e não produzimos bolhas", diz Natália.
“Tanto as belugas quanto os golfinhos fazem parte de um grupo de mamíferos que a gente chama de cetáceos. Apresentam um sistema de orientação dentro do meio aquático bem sofisticado, que é chamado de ecolocalização, que nada mais é que a orientação no ambiente através de sons, emissão de som e recepção de som através do eco que esse som produz. Então, a beluga é conhecida até por alguns pesquisadores como canário do mar, porque realmente é uma das espécies que produz maior número de tipos diferentes de sons”, explica o biólogo Paulo Henrique Ott, da Universidade Estadual do RS.
Natália diz que foi aconselhada a mergulhar nua porque nunca havia sido feita uma pesquisa sobre a reação das belugas a alguém sem roupa. "E elas realmente sentiram que eu estava mais vulnerável e tentaram me resgatar, me levar à superfície", conta.
“O fato de estar sem roupa acho que isso, na verdade, não tem relação nenhuma. Como os cetáceos são mamíferos que precisam subir para superfície para respirar, de repente, ou pelo fato dela permanecer muito tempo embaixo da água sem respirar, eles podem ter interpretado aquilo como sendo que a pessoa estaria em situação de perigo e ter ajudado a chegar à superfície. Isso eles fazem entre eles”, destaca o biólogo.
“Eu não acho que fiz algo especial. Treinei seis meses em águas geladas para suportar o frio, com o qual já estava até acostumada, por ser russa. É uma questão de motivação e dedicação. Qualquer um consegue!”, diz ela.
Nota da casa: Perturbador como, em pleno século XXI, a nudez [em especial a feminina] causa tanto assombro ou escândalo. Tudo que é belo é sagrado e divino.

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