domingo, 24 de julho de 2011

O fruto do mistério

Grécia Antiga
A romã selvagem não aparece na região do Egeu no neolítico. Ela é originária do leste do Irã e veio ao mundo Egeu pelos mesmos caminhos que trouxe a Deusa que os Anatolianos adoravam como Cibele e os Mesopotâmicos como Ishtar.
O mito de Persefone, a Deusa do Submundo, a romã aparece proficuamente. Em uma versão da mitologia grega, Persefone foi raptada por Hades e levada a viver no Submundo como sua esposa. Sua mãe, Demeter, lamentou por sua filha perdida e então toda plantação cessou de crescer. Zeus, o rei dos Deuses, não poderia deixar que a terra perecesse, então ele mandou que Hades devolvesse Persefone. Era uma lei das Moiras que todo aquele que consumisse comida ou bebida no Submundo estava condenado a viver eternamente ali. Persefone não havia comido, mas Hades a enganou fazendo-a comer seis sementes de romã enquanto ela esteve prisioneira e então, por causa disto, ela estava condenada a passar seis meses no Submundo todo ano. Durante estes seis meses, quando Persefone está sentada em seu trono no Submundo próxima a seu marido Hades, sua mãe Demeter lamenta e não traz a fertilidade à terra. Esta tornou-se uma explicação da Grécia Antiga para as estações.
A romã também evoca a presença da Deusa Tripla do Egeu que se desenvolveu na olímpica Hera, que às vezes representada ofereçendo a roma, como na imagem votiva de Policleto no Argive Heraion [templo de Hera]. De acordo com Carl A. P. Ruck e Danny Staples, a camara da romã é também um substituto da cápsula da papoula narcótica, que é comparável interiormente em forma e divisão. Em um selo de Micenas ilustrado no [livro] Mitologia Ocidental de Joseph Campbell, a Deusa do machado duplo (o labrys) oferece três papoulas em sua mão direita e sustenta seu seio com sua mão esquerda. Ela encarna ambos os aspectos de uma Deusa dual, doadora da vida e portadora da morte. O titã Orion era representado "casando" com Side, um nome que na Beócia significa "romã", consagrado o caçador primordial à Deusa. Outros dialetos chamam a romã de rhoa; uma conexão possível para o nome da Deusa da Terra Reia, sugerindo que a consonância pode derivar de uma origem pré-indoeuropéia.
No século 6 AC, Policleto esculpiu a Argive Hera sentada em seu templo. Ela segura um cetro em uma mão e oferece uma romã, como uma "orbe real", na outra. "Sobre a romã eu não devo dizer coisa alguma", sussurrou Pausânias no século 2 AC, "pois sua história é um mistério". Em verdade, na história de Orion nós ouvimos que Hera lança Side (uma cidade antiga em Antália) dentro do escuro Erebus - "por ousar rivalizar com a beleza de Hera". Hera usa, não uma guirlanda, nem uma tiara ou um diadema, mas o cálice da romã que tornou-se sua coroa serrilhada. A romã tem um cálice com a forma de uma coroa.
Nos tempos modernos a romã ainda guarda forte significado simbólico para os Gregos. Em dias importantes no calendário Grego Ortodoxo, é tradição ter "poliesporia", também conhecida pelo seu antigo nome, "panspermia", em algumas regiões da Grécia. Nos tempos antigos eram oferecidas a Demeter e a outros Deuses por terras férteis, para os espírito dos mortos e em honra do compassivo Dioniso. Quando alguém compra uma casa nova, é convencional para os visitantes da casa trazer como primeiro presente uma romã, que é deixada debaixo ou próximo do ikonostasi (altar caseiro) da casa, como um símbolo de abundância, fetilidade e boa sorte. Romãs estão presentes também em casamentos e funerais gregos. Quando os Gregos comemoram a morte, eles fazem [o prato] kollyva como oferenda, que consiste em trigo cozido, misturado com açúcar e decorado com romãs. Tmabém é uma tradição na Grécia pisar em uma romã nos casamentos e no ano novo.
Judaismo
Romãs eram comidas na Antiga Israel. Romãs eram uma das frutas que foram trazidas a Moises pelos espias para mostrar que a Terra Prometida era fértil. O LIvro do Êxodo descreve que o robe vestido pelo alto sacerdote hebreu tinha romãs adornando a borda. De acordo com o Livro dos Reis, os capitéis das duas colunas que ficavam em frente ao Templo de Salomão em Jerusalem tinham romãs engravados neles.
É tradição comer romãs no Rosh Hashana porque a romã, com suas inúmeras sementes, simboliza fertilidade.
Alguns sábios judeus acreditam que a romã era a fruta proibida do Jardim do Eden. A romã é citada muitas vezes na bíblia, icluindo esta passagem do Cantares de Salomão, 4-3: "Os teus lábios são como um fio de escarlate, e o teu falar é agradável; a tua fronte é qual um pedaço de romã entre os teus cabelos". A romã simboliza também a experiência mística na tradição judaica da cabala, com a a referência típica sendo a entrada no "jardim das romãs" ou "pardes rimonim".
Cristianismo Primitivo
Na mais antiga aparição incontroversa de Cristo em um mosaico, um mosaico do século 4 DC, o busto de Cristo e [as letras] chi e rho estão cercadas por romãs. Romãs continuam a ser um motivo muito encontrado na decoração religiosa cristã. Romãs figuram em muitas pinturas religiosas como as de Sandro Botticelli e Leonardo da Vinci, a maioria nas mãos da Virgem Maria ou do infante Jesus. A fruta, quebrada ou aberta, é um símbolo do sofrimento e ressurreição de Jesus.
Islam
De acordo com o Alcorão, as romãs crescem nos Jardins do Paraíso. As romãs são citadas duas vezes como exemplos de boas coisas criadas por Deus [Allah].
Fonte: wikipedia
Nota da casa: A versão "brasileira" não traduz este trecho. Preconceito? Medo?

2 comentários:

Nana Odara disse...

Se quiser, acrescente à sua lista a definição do meu pequeno Dionísio para a romã: é a rainha das maçãs, é uma maçã com coroa...
bjins

Beto disse...

Eu sempre achei a romã um maracujá rosado...