quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Sobre o "dragão na garagem"

Os argumentos relativos ao problema da existência de Deus têm sido viciados, quando positivos, pela circunstância de frequentemente se querer demonstrar, não a simples existência de Deus, senão a existência de determinado Deus, isto é, dum Deus com determinados atributos. Demonstrar que o universo é efeito de uma causa é uma coisa; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente é outra coisa; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente e infinita é outra coisa ainda; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente, infinita e benévola outra coisa mais. - Fernando Pessoa

Ateus, em seus textos e argumentos antiteistas recorrem, geralmente, ao exemplo do "amigo imaginário", o exemplo do "bule voador", o exemplo do "dragão na garagem". Eu fiquei farto de ouvir a mesma ladainha [catecismo?] à lá Dawkins.
Cristãos, em seus textos e argumentos teístas recorrem, geralmente, aos ensinamentos de Tomás de Aquino ou leituras sofríveis de história, antropologia, mitologia e certamente a interpretações desonestas de artigos de cientistas e filósofos da ciência. Deveras, não faz um bom quadro daqueles que crêem.
Curiosamente o conceito de ambos sobre quem ou o que é Deus consiste na teologia cristã. Não coincidentemente, os ataques de uns contra outros, crentes ou descrentes, tendem à uma generalização e análise superficial sobre Deus, crença, religião.
Mas qual o conceito deste pagão que vos escreve, qual o consenso [se há algum, seja qual for a religião/crença] do [Neo]Paganismo a respeito dos Deuses e sua existência?
Históricamente isso coloca-me em uma situação complicada, pois na Antiguidade haviam tantos Deuses quantas as religiões. As posições teológicas dos povos antigos vão desde o Politeísmo ao Monoteísmo, incluindo Monismo, Panteísmo e até Ateísmo.
Não é verdadeiro, entretanto, alegar que os Deuses não sejam entidades transcendentes e imateriais. Na época de Aristóteles, os neoplatônicos tinham uma concepção teológica que é semelhante ao conceito de Deus, segundo os cristãos [que, por sinal, embasam boa parte de sua teologia nos escritos neoplatônicos], como podemos ler no meu tópico "Doutrina de Georgius Gemistos Pleto" e no tópico "Sobre os Deuses".
Eu considero de grande ajuda os textos de Walter Otto, como o tópico "A Infinita Riqueza do Ser" e o tópico "A Essência do Mundo".
Sobre a realidade da existência dos Deuses, eu proponho o tópico "A Realidade do Rei" e "O Fantasma de Hamlet".
Para resumir, eu irei reproduzir trechos de um texto de minha autoria que encerra a minha visão teológica:
"Para nós (neopagãos) os Deuses e Deusas são imanentes e transcendentes, ou seja, o universo, a natureza e o mundo são parte da manifestação e da presença dos Deuses e Deusas, mas também estão além da dimensão material. Eles e Elas possuem corpos (embora não tenham o mesmo conteúdo que o humano), senão não poderiam se manifestar na natureza, nos mitos e nos cultos. Eles e Elas sofrem igualmente da velhice e da morte (e reencarnação) senão não poderiam nos guiar pela vida. Cada qual tem sua própria identidade e personalidade, comportando-se muitas vezes de formas contraditórias, mas sempre mantendo os Altos Ideais em vista.
Para nós (neopagãos) a Causa Primeira pode ser tanto a comunidade formada pelo conjunto dos Deuses e Deusas (Panteísmo) como a Bruma do Tempo de onde os Deuses e Deusas foram se formando (Monismo). Em termos morais e éticos, nós consideramos tanto a virtude quanto o vício conceitos humanos, variáveis conforme a época, a cultura e a sociedade. Eu particularmente creio que a maldade é causada pela ignorância.
Para nós (neopagãos) o culto não é uma mera cerimônia para propiciar ou agradecer aos Deuses e Deusas, cada rito evoca o ciclo da existência que é a essência dos Deuses e Deusas. Os Deuses e Deusas vivem em simbiose com os humanos, para Eles e Elas a vida é o culto divino sem o que não há Providência nem a Compreensão do Destino e isto é um dos maiores mistérios a ser desvendado por ambos.
A maior dificuldade ao conceituar e ver quem são os Deuses e Deusas está em nossa percepção, que é finita e imprecisa, nós tendemos a ver a aparência/embalagem e não procuramos ver o conteúdo/essência".
Eu escrevi anteriormente sobre a diferença entre Deus e o amigo imaginário no tópico "Deuses e Amigos Imaginários".
Se ainda assim descrentes virulentos, como Homero Ottoni, ainda preferem queimar bíblias, corões, sutras ou a demolir igrejas, sinagogas e mesquitas ou a prender todo aquele que crer em outra coisa senão na Santa Sagrada Ciência, sirvam-se do tópico "Deus segundo Spinoza" para, quem sabe, ver que raciocínio e crença não estão separados e que a religião não é um mal a ser extirpado.
Conclusão: "O que o ser humano (crente ou descrente) deveria perceber é que os mitos e das religiões não são (ou não deveriam ser) as donas da Verdade, mesmo porque a Verdade é dona de si mesma. Os mitos e as religiões são sistemas, como a Ciência, que aponta os indícios através dos quais se pode ter um vislumbre da Verdade."

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Religiosidade no Neolítico - I

O céu continuaria a ser um símbolo do sagrado bem depois do período Paleolítico. Mas um progresso inicial mostrou que a mitologia falharia se falasse de uma realidade transcendente demais. Se um mito não permite que as pessoas participem de algum modo do sagrado, ele se torna remoto e escapa de sua consciência. A certa altura (…), as pessoas de diversas partes do mundo, isoladas entre si, passaram a representar o céu. Começaram a contar histórias sobre um "Deus Celeste" ou "Deus das Alturas", que criou sozinho o céu e a terra, a partir do nada. Esse monoteísmo primitivo quase certamente data do período Paleolítico. Antes de começarem a adorar uma série de divindades, os povos de muitas partes do mundo reconheciam apenas um Deus Supremo, que criara o mundo e administrava os assuntos humanos do alto.

Esse Deus Supremo, que era a Causa Primeira de todas as coisas, não podia ser representado por imagens e não possuía templos ou sacerdotes, por ser sublime demais para as inadequadas categorias e culto humano. Por essa razão foi desvanecendo-se aos poucos até ser substituído por divindades menores e mais acessíveis, pois o mythos é paradigmático e precisa fazer-se presente e estar voltado à vida das pessoas para que possa florescer. No período Paleolítico as mitologias dominantes eram a do "valente xamã – cujo poder era atrair os animais para a queda" quer dizer, por meio dos rituais, o feiticeiro, meio homem, meio fera, encantava os animais para tornarem-se passíveis de serem caçados, como podemos constatar pelas pinturas de Trois Frères – e a do Mestre Animal, muito bem representada pelo ritual do culto ao urso e à rena e que estaria relacionado à magia que evitava "ser surpreendido pela vingança sangrenta" do espírito do ser o qual teve o sangue derramado durante a caçada ou luta. Porém, percebemos uma mudança clara na mitologia a partir de quando as sociedades passaram a cultivar o próprio alimento.

Podemos constatar o culto à fertilidade nas crenças Paleolíticas ao observarmos as diversas estatuetas femininas datadas do Aurignaciano e do Paleolítico Superior, como a "Vênus impudica", a qual apresenta uma grande abertura vaginal; ao mesmo tempo temos as imagens masculinas toscas, cujo único detalhe seria o pênis ereto. Normalmente as "Vênus" Paleolíticas possuem certas partes da anatomia representadas de modo exagerado – abdômen (possivelmente por estarem grávidas, mas alguns estudiosos acreditam que se trata apenas um símbolo de abundância numa época na qual os recursos eram escassos), seios, quadris, coxas, nádegas e vaginas. Além disso não apresentam definições faciais, apesar de exceções como a Vênus de Brassempouy, que seria uma das primeiras representações da face humana. Esse culto à Grande Mãe teria surgido por conta dos mistérios primais do nascimento e da menstruação, que seriam manifestações naturais de poder. Por essa razão, os ritos femininos estariam relacionados à ideia de perigo misterioso, exemplificado pelo estranho fenômeno vaginal, a qual seria um portal ligando o mundo ao mistério com o poder de trazer nova vida à nossa existência. O uso do ocre nos rituais antigos mostra a importância do ciclo menstrual para o mito ancestral. Tanto que sua força ainda pode ser constatada na Gênesis bíblica na figura de Adão (adam em hebraico que vem de adamah, terra,dam, sangue e adom, vermelho), o hermafrodita, feito da terra vermelha feminina e do sopro do céu masculino (Gênesis 2:7).

Todavia, apesar da importância da fertilidade e dos úteros físico, (qual permite o nascimento carnal), e simbólico, (representado pelas cavernas e submundo, relacionado ao nascimento ritual) – o mesmo que seria experimentado por Jesus em seu túmulo quando abandona sua carne em nome de uma vida espiritual -, o Paleolítico era o mundo da caça, atividade essencialmente masculina. A divindade que passeava pelo céu, essência do transcendental e da alteridade, era o grande caçador "Sol". Ele é o leão, cujo rugido espanta os rebanhos e o grande boi lunar, a grande águia, cujas garras capturam a ovelha; ele é a esfera luminosa cujos raios ao alvorecer dispersam os "rebanhos" do céu noturno, as estrelas, é o pássaro que caça a cobra lunar. Mas, felizmente, os rebanhos e a lua animal sempre regressavam na noite seguinte, pois o eterno céu, os astros e estrelas serviam como pano de fundo estável para a vida ordinária, que transcorre sob o domínio da morte, da vicissitude, da sucessão interminável de eventos e do ciclo das estações.

E enquanto o homem caçava instruído pelos "Ancestrais" – os seres arquetípicos os quais ensinaram aos humanos suas atividades cotidianas e que tornavam as mesmas sagradas, do sexo à arte da caça -, as mulheres eram responsáveis pela coleta de raízes, bagas e larvas. Essa atividade permitiu-lhes desenvolver o cultivo de plantas e tornarem-se as responsáveis pela produção de alimentos e as únicas responsáveis pela geração e criação dos filhos. Segundo Karen Armstrong, "Dessa maneira conquistaram poder e prestígio tanto econômico quanto social, e o sistema matriarcal tomou forma". Essas primeiras agricultoras não surgiram espontaneamente. Suas técnicas foram resultado da acumulação de várias decisões ao longo dos séculos sobre a utilização de tempo e esforços. As coletoras anteciparam diversos elementos da arte agrícola, como tratar a terra queimando-a, estimulando o desenvolvimento do vegetais que brotavam depois; colher os tubérculos, separando esses dos caules e pontas e replantando os últimos; e arar o solo, ao cavar para extrair as raízes.

Foi com o início da agricultura que as principais formas míticas do passado estruturaram-se; principalmente aquelas as quais podemos encontrar em diversas passagens do Velho e Novo Testamentos bíblicos. A grande serpente e a donzela, as divindades lunares e solares, o deus assassinado que desce ao submundo para retornar em seguida, a Deusa Mãe – a terra fornecedora que, como o céu, foi personalizada – uma divindade nova que manteve as características da sangrenta Grande Mãe Paleolítica, a que era ao mesmo tempo o bem e o mal, etecetera. Foi no mundo Neolítico que grande parte da estrutura mitológica Euroasiática tomou forma, com sua cristalização ocorrendo durante a formação das cidades-estado hieráticas há 5500 anos na região da Mesopotâmia.

Algo que devemos ter em mente quando estudamos a passagem da experiência mítica de sociedades caçadoras coletoras para as agrícolas é que, diferentemente do animal, se alguém cortava uma planta e jogava fora o ramo morto, ela brotava novamente. A poda estimulava o crescimento das plantas em vez de matá-las, a semente mudava de forma e parecia precisar morrer para permitir o nascimento do vegetal. A questão do renascimento após a morte, que vai permear muitas religiões encarnacionistas, desenvolve-se no mundo do agricultor. Ao contrário da atividade da caça – que trazia grande peso psicológico a quem precisava matar animais que tinham expressões faciais, gritavam de dor e derramavam o mesmo sangue vermelho do caçador – a agricultura não necessitava do derramamento de sangue. Entretanto, os rituais ligados a ela eram sangrentos e terríveis, sendo sacrificados tanto bichos quanto homens, pois pensava-se que deuses, humanos e animais estavam inextricavelmente ligados. Eram compostos da mesma substância divina, não havendo diferença em quem deveria ser oferecido em holocausto.

O confronto com a morte resultava no crescimento espiritual, na aceitação da mortalidade; o êxtase dos ritos religiosos levava o fiel à automutilação em diversas ocasiões; a morte daqueles oferecidos em sacrifício mutilados e enterrados como plantas servia para renovar as forças da criação e fornecer campos férteis. Era uma "forma de reciclar as forças esgotadas que mantinham o mundo vivo. Havia uma firme convicção de que vida e morte, criatividade e destruição estavam inextricavelmente interligadas. As pessoas achavam que sobreviviam apenas porque outras criaturas davam a vida por elas, e assim reverenciavam a vítima animal por seu auto sacrifício. Como não podia haver vida sem essa morte, alguns imaginavam que o mundo surgira em função de um sacrifício realizado no começo dos tempos."

O mistério da Lua, o grande disco de prata que toma o lugar do poderoso Sol durante a noite, com sua morte e ressurreição perpétuas durante a mudança dos ciclos lunares, intrigava as pessoas do passado. Parecia haver alguma relação com a interdependência entre vida e morte, sexo e assassinato, que sustentam a existência. A coincidência do ciclo menstrual com o da Lua ajudou a tornar essa divindade um dos símbolos da religião da Grande Deusa, juntamente com a cobra, o falo, que, assim como o astro prateado, também parece ter o poder de renovar-se ao trocar de pele. A serpente relacionada ao astro feminino tornou-se um símbolo (tão vilipendiado pelo Tenach da sociedade patriarcal hebraica) da mulher na mitologia, como podemos constatar, por exemplo, pela escultura da "Deusa Minóica das Serpentes" de 3600 anos. Apesar de ter sido subjugada pelos deuses masculinos dos invasores semitas e indo-arianos, sua presença ainda hoje ecoa nas mitologias da Eurásia.

A produção de alimentos iniciou-se por volta de 8500 AEC na região mediterrânea do Crescente Fértil e tinha, entre outras funções, o objetivo de garantir um estoque para o caso de carência de plantas e animais silvestres. Um dos fatores de seu crescimento, juntamente ao da domesticação de animais, foi a melhora do clima na área no final do Pleistoceno, a qual permitiu uma expansão da oferta de cereais silvestres passíveis de domesticação. Ao mesmo tempo houve uma redução na oferta de gazelas selvagens, que eram uma fundamental fonte de carne para os caçadores-coletores da região.

"Um outro fator a pesar contra os caçadores-coletores foi o desenvolvimento cumulativo de tecnologia das quais a produção de alimentos iria depender – tecnologias para coleta, processamento e armazenamento de alimentos silvestres. Que uso os fazendeiros poderiam fazer de uma tonelada de grãos de trigo, se não tivessem antes pensado em como colher, como descascar e como armazenar essa quantidade. Os métodos, implementos e meios necessários surgiram rapidamente no Crescente Fértil depois de 11000 a.C., e foram inventados para dar conta da abundância de cereais subitamente disponíveis."

Temos na região do Oriente Médio e Egito o desenvolvimento da cultura Natufiana no período chamado de Protoneolítico (por volta de 8.500 a 5.500 a.C.). Esse povo foi o primeiro do Mediterrâneo Oriental a estabelecer vilarejos permanentes, utilizando-se da "promissora e altamente significativa colheita de grãos ou capim que se somara às provisões da caça" 4 , formadas pelas cabra e ovelha juntamente a dois dos principais animais da mitologia Euroasiática, o boi e o porco. Cabra, ovelha e porco foram domesticados no sudoeste Asiático por volta de 8.000 AEC.

Entre 5.500 e 4.500 AC, durante o Neolítico Basal, os fundamentos de uma economia agropecuária já estavam bem desenvolvidos. Os cereais da zona mitogenética do Oriente Médio eram o trigo e a cevada. As artes da tecelagem, da cerâmica (surgida no Japão há 14 mil anos e na Ásia Ocidental por volta de 8.000 a.C.), carpintaria e construção de casas desenvolvia-se a pleno vapor até que entre 4.500 e 3.500 a.C. No Neolítico Superior a cerâmica começa a ser enfeitada com desenhos geometricamente organizados nos estilos conhecidos como Halaf, Samarra e Obeid. As formas abstratas geometricamente organizadas eram um tipo inédito de arte até aquele momento, que surgiu exatamente quando o mundo da aldeia agropastoril concretizou-se. Essa sociedade com organização mais complexa foi responsável por uma mudança profunda e substancial que influenciaria a vida do homem nos milênios seguintes: a diferenciação das funções sociais.

No mundo da caça essa diferenciação era totalmente dispensável – a não ser aquela em relação ao sexo, como já vimos, e idade – pois cada um era conhecedor de toda a herança cultural e técnica do próprio grupo social que, dessa forma, era composto por indivíduos equivalentes. Com o aparecimento das sociedades mais complexas, surge a tendência à especialização. Uma pessoa adulta a partir daí constituía-se num órgão necessário do corpo social e possuía um certo conhecimento técnico ou habilidade especial. Tinha, dessa forma, de suportar a convivência com outras que tinham capacidades, conhecimentos e ideais diferentes sem os quais ela, entretanto, não poderia sobreviver.

"A súbita aparição, no Neolítico Superior, de uma forma de arte composta geometricamente, em que elementos díspares eram unidos como um todo harmônico, parece-me indicar que algum problema psicológico dessa ordem já tivesse começado a aparecer."

Nesse período, é feito um amálgama de diferentes mitologias. Dos ofídios das selvas ao touro das estepes, os diferentes animais da tradição mitológica são fundidos em criaturas fantásticas como leões com cabeças de águias e touros com caudas de peixes. Esses motivos mitológicos básicos são representados na sofisticada cerâmica da época: o touro, a pomba, a cabra, o carneiro, o porco e a deusa são representados por estatuetas e desenhos na região diametralmente oposta àquela onde as Vênus do Paleolítico foram encontradas, sendo ambas separadas apenas pelo mar Negro.

Estatuetas femininas em osso, pedra, marfim ou argila e cerâmicas pintadas foram encontradas nos estratos arqueológicos de 4.500 AEC e dão pistas a respeito das crenças Neolíticas. As figuras esculpidas ou desenhadas são representadas nuas, muitas vezes grávidas e em alguns casos segurando uma criança. Também foram descobertas, nesse mesmo estrato, figuras com o motivo da cabeça do touro-lua, o qual morre e ressuscita e fertiliza a deusa-terra 6 , o animal mais nobre e poderoso do rebanho sagrado, que emprenha as vacas leiteiras e puxa o arado, o qual abre e semea a terra ao mesmo tempo.

"Além disso, os primeiros complexos de templos do Oriente Próximo de Fato, os primeiros na história do mundo, reforçam a evidência do deus-touro e da deusa-vaca como principais símbolos de fertilidade do período. Datados grosso modo entre 4000-3500 a.C., três desses complexos de templos foram escavados no sul da Mesopotâmia, em Obeid, Uruk e Eridu; dois um pouco para o norte, em Khafajah e Uqair, respectivamente ao norte e ao sul de Bagdá; enquanto um sexto, bem longe dali, em Tell Brak, no vale do Khabur no nordeste da Síria, sugere uma ampla difusão daquela forma, comum na região sírio-cilícia (chamada Táurea). Sabe-se que dois desses seis complexos foram dedicados a deusas: o de Obeid, a Ninhursag e o de Khafajah, a Inanna, as divindades dos outros são desconhecidas. E três dos complexos (em Obeid. Khafajah e Uqair), cada um cercado por dois altos muros, eram de forma ovalada, projetada, ao que parece, para sugerir a genitália feminina.(…) Mosaicos multicoloridos encontrados entre as ruínas em Obeid revelam um grupo de sacerdotes em sua sacra tarefa de ordenhar as vacas sagradas, tirando e armazenando o leite, e sabemos, por numerosos documentos escritos posteriormente, que a forma da deusa cultuada naquele templo, Ninhursag, a mãe do universo e de todos os homens, deuses e animais, era em particular a padroeira e guardiã dos reis, que ela alimentava com seu leite santificado, na verdade, o leite dos animais através dos quais ela atuava aqui na terra."

Autor: Leonardo Veloso Pin
Editor: Guilherme Balan
Fonte: Bule Voador [link morto]

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Respostas honestas para perguntas imbecis

Os cristãos [católicos e evangélicos] são criaturas divertidas. Frequentemente sustentam opiniões fortemente influenciadas pela doutrina. A questão do aborto, por exemplo. Eu encontrei essas "perguntas", como se os cristãos estivessem realmente interessados nas respostas ou em algum debate. Não se engane, caro dileto e eventual leitor. Os cristãos não estão querendo saber de respostas [estas são fornecidas por suas instituições religiosas] nem estão interessados em debater questões. Todo discurso, texto, artigo ou pesquisa "científica" que divulgam serve com o único propósito de afirmar suas posições arrogantes, arbitrárias e prepotentes.
Vamos às perguntas, com respostas dadas por este vosso humilde escritor:
  1. Do que deveríamos chamar aquele que ainda não nasceu e está no útero?
Depende. Se o senhor se dispusesse a ter um conhecimento, ainda que básico, sobre embriologia, saberia que existem diversas fases.
  1. Se aquela entidade é um ser vivente, não é uma vida?
Uma bactéria também é um ser vivente. O senhor por acaso deixaria de tomar antibióticos?
  1. Se você é um ser humano e surgiu primeiramente como uma simples célula, como pode aquele óvulo fertilizado ser algo diferente de um ser humano, como pode não ser você?
Um câncer também surge de uma simples célula. Então remover o câncer seria suicídio?
  1. Não é mais correto dizer que você era um embrião, em vez de dizer que simplesmente veio de um embrião?
Não, pois um embrião não é uma pessoa, a menos que o senhor tenha sérios problemas psicológicos.
  1. Então quando é que um ser humano passa a ter o direito de viver?
Pergunta capciosa, vindo de uma instituição que matou centenas de pessoas adultas inocentes. De acordo com a medicina e a neurologia um “ser humano” tem “direito de viver” a partir da presença de sinais sinápticos.
  1. Devemos dizer que o tamanho de um ser humano é o que importa?
Tamanho não importa, desde que seja um ser humano, uma pessoa, o que um embrião não é.
  1. Por que um feto é pequeno demais para merecer nossa proteção?
Por que um feto deve merecer mais nossa proteção do que as crianças carentes?
  1. Pessoas grandes valem mais do que pessoas pequenas?
O valor de uma pessoa é sua humanidade, um embrião não é uma pessoa.
  1. Homens são mais humanos do que mulheres ou vice-versa?
Humanos são humanos. Inclusive as mulheres vítimas de estupro. Os defensores pró-vida deveriam pensar nisso.
  1. Um jogador de basquete grandão tem mais direito à vida do que um pequenino jóquei?
São várias perguntas sobre “pessoas pequenas”. Seria isto um ato falho de uma instituição que acoberta pedófilos?
  1. Uma vida num útero não pode ser levada em conta simplesmente porque você não pode segurá-la em seus braços, ou colocá-la em suas mãos, ou vê-la em uma tela?
Repetido. Vide pergunta #1
  1. Desenvolvimento intelectual e capacidade mental deveriam se tornar a medida de nossa dignidade?
Não, mas a presença de sinais sinápticos e cérebro ajudam muito a distinguir um ser humano de um vegetal.
  1. Seres humanos com três anos de idade valem menos que outros de trinta anos de idade?
A idade é irrelevante, mas primeiro devemos ter certeza de que é um ser humano, uma pessoa. Um embrião não é uma pessoa.
  1. Um feto vale menos do que um ser humano formado porque não pode falar, contar ou ter consciência própria?
Definição errada. A questão não é de “valor”, mas se é um ser humano.
  1. Um bebê brincando no berço tem de sorrir, ou acenar com a mão, ou recitar o alfabeto antes de merecer mais um dia de vida?
Centenas de pessoas adultas não mereceram sequer um dia a mais de vida simplesmente por ter uma crença diferente da imposta pela Igreja.
  1. Se uma expressão de acuidade mental básica é necessária para se ter o direito de ser um membro da comunidade humana, o que deveríamos fazer com pessoas em estado de coma, pessoas muito idosas, ou a mamãe de cinquenta anos com Alzheimer?
Situações diferentes, questões diferentes. Nos casos citados, falamos de pessoas, seres humanos que, por circunstâncias diversas, tiveram diminuição ou perda da capacidade cognitiva. Em um embrião este sistema ainda está em formação, portanto incabível a comparação.
  1. E o que dizer de todos nós quando dormimos?
Se o senhor não sabe a diferença entre uma pessoa que dorme e um embrião, um feto, não é de se admirar que o senhor defenda quimeras.
  1. Deveríamos negar o direito de viver de um feto apenas pelo lugar onde vive?
A Igreja negou o direito de viver de centenas de pessoas adultas apenas pela crença que tinham. O “direito de viver” é garantido a uma pessoa, um ser humano. Um embrião não é uma pessoa.
  1. O meio onde vivemos pode nos dar ou retirar algum valor da nossa vida?
Diversas premissas misturadas. A vida de um ser humano tem valor independente do meio em que vive. Um embrião não é uma pessoa. O ventre não é um “meio”, no sentido de ambiente, mas um invólucro.
  1. Valemos menos do lado de dentro do que do lado de fora do útero?
O útero é um involucro. Seu conteúdo é um embrião. Um embrião não é uma pessoa.
  1. Podemos simplesmente ser mortos quando estamos nadando debaixo d’água?
Isso pode acontecer por diversas razões. Ainda assim, estamos falando de pessoas. Um embrião não é uma pessoa.
  1. O lugar onde estamos determina quem somos e o quanto vale nossa vida?
Somos o que somos e isso não é determinado pelo lugar onde estamos, mas é necessário ser um “lugar”, não um invólucro e é necessário ser uma pessoa. O útero é um invólucro, não um “lugar”. Um embrião não é uma pessoa.
  1. Então uma travessia de vinte centímetros no momento do parto nos torna humanos?
Não, a presença de sinais sinápticos nos torna humanos, segundo a medicina.
  1. Essa mudança de cenário transforma “coisas” em pessoas?
Não dá pra transformar um embrião, um feto, em pessoa, a partir da concepção.
  1. O amor é condicionado pela localização?
O amor é incondicional. A Igreja devia saber disso ao invés de condenar a homossexualidade.
  1. Deveríamos reservar a dignidade humana apenas para aqueles que não são dependentes de outros?
A dignidade humana está vinculada a um ser humano. Um embrião não é uma pessoa, um ser humano.
  1. Apenas merecemos viver quando podemos viver por conta própria?
Todas as pessoas, seres humanos, merecem viver, até mesmo aqueles que professam crenças diferentes da Igreja. Um embrião não é uma pessoa.
  1. Um feto de quatro meses é inferior a um ser humano porque precisa de sua mãe para viver?
Definição errada. A questão não é de inferioridade ou superioridade, mas se ali se encontra um ser humano.
  1. Uma criança de quatro meses é inferior a um ser humano quando ainda precisa de sua mãe para viver?
Definição errada. A idade é irrelevante, desde que estejamos lidando com seres humanos, pessoas. Um embrião não é uma pessoa.
  1. E se você precisar de uma diálise, ou insulina, ou um aparelho respiratório, tornou-se um ser humano inferior ou sua vida perdeu dignidade?
Diversas premissas misturadas. Nos casos citados, falamos de pessoas, seres humanos que, por circunstâncias diversas, tiveram seu metabolismo prejudicado. Em um embrião este sistema ainda está em formação, portanto incabível a comparação.
  1. A dignidade é fruto do pleno funcionamento das nossas capacidades vitais?
A dignidade pertence ao ser humano, pessoa. Um embrião não é uma pessoa.
  1. A independência é um pré-requisito para nos identificar como seres humanos?
Não, a presença de sinais sinápticos é um pré-requisito para nos considerarmos seres humanos.
  1. Somos valiosos apenas quando podemos pensar, realizar tarefas, ou fazer as coisas por conta própria?
O valor de uma pessoa, um ser humano, independe de sua capacidade cognitiva. Um embrião ainda não possui sequer sistema nervoso central ou cérebro, portanto, incapaz de qualquer cognição.
  1. Se a vida de um feto é vida humana, o que justifica arrancá-la fora?
O problema está no “se”. A Igreja quer que seja. Mas a biologia, a embriologia e a medicina dizem outra coisa. Crença não deve servir de base de argumento.
  1. Seria justo tirar a vida de seu filho no aniversário de um ano porque ele veio à vida por meio de circunstâncias tristes e trágicas?
Não foi Javé quem mandou passar a fio de espada mulheres e crianças [1 Samuel 22:19, Josué 6:21, Juízes 21:10, 2 Reis 8:12] ? Um filho é bem diferente de um embrião.
  1. Você jogaria sua filhinha de um ano e seis meses no meio dos carros em tráfego porque ela tornou nossa vida difícil?
Você acataria as ordens de uma instituição que acoberta pedófilos?
  1. Uma criança de três anos de idade merece morrer porque pensamos que merecemos uma escolha?
Uma criança é um ser humano. Um embrião não é uma pessoa. Uma grávida tem o direito e o médico tem o dever de proceder ao aborto nos casos definidos por lei.
  1. O que você merece agora?
Eu mereço um prêmio por aguentar perguntas tão imbecis.
  1. Quais são seus direitos como ser humano?
Leia a Constituição Federal Brasileira e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
  1. Você tinha esses mesmos direitos há cinco anos?
Incoerente. As leis são feitas para pessoas, seres humanos, não para embriões.
  1. E quando você era um adolescente e nem podia dirigir?
Incoerente. Faixa etária e leis de transito são questões discutíveis entre pessoas.
  1. E naquele tempo em que sua bicicleta tinha rodinhas de apoio?
Incoerente. Crianças usam rodinhas de apoio para aprender a usar bicicleta.
  1. Você era menos do que um ser plenamente humano quando brincava com terra?
Incoerente. Crianças brincam com várias coisas, mas são crianças, seres humanos, pessoas. Um embrião não é uma pessoa.
  1. E quando você usava babador?
Incoerente. Bebês babam porque não tem domínio de seu corpo. Mas não são embriões nem fetos..
  1. E quando ainda mamava?
Incoerente. Bebês são amamentados em toda espécie mamífera. Mas não são embriões nem fetos.
  1. E quando cortaram seu cordão umbilical?
Ato cirúrgico normal de um parto, caso o senhor não saiba. No parto, não se fala mais em “embrião”, nem em “feto”, mas em bebê.
  1. E quando você boiava no liquido amniótico e chutava aquela parede elástica?
Depende do estágio. Se “eu” não tinha sinais sinápticos, não havia um “eu”.
  1. E quando seu coração bateu pela primeira vez no monitor?
O senhor pode ter certeza de que eu não podia ver.
  1. E quando cresceram suas primeiras unhas?
Muitas coisas crescem e se desenvolvem em um embrião, um feto e nem por isso pode se afirmar que ali há um ser humano.
  1. E quando se desenvolveram suas primeiras células?
Ato normal da gestação. O problema é que, para a Igreja, existe um ser humano a partir da concepção. Um absurdo que não encontra respaldo na biologia, na embriologia e na medicina.
  1. Do que deveríamos chamar a criança no útero?
Depende da fase. O senhor devia se informar.
  1. Um feto?
Depende da fase. O senhor devia se informar.
  1. Um mistério?
Mistério é entender essa confusa mistura de doutrina e pseudo-ciência que fazem os defensores pró-vida.
  1. Um erro?
Erro é deixar uma instituição religiosa se imiscuir em assuntos médicos.
  1. Uma questão ideológica controversa?
Eu diria questão doutrinária, visto que a Igreja tenta impor sua doutrina.
  1. E se a ciência, as Escrituras e o consenso chamarem-na de pessoa?
Eu aceito com reservas as descobertas da ciência. Eu não aceito os ditames das Escrituras. O consenso é burro.
  1. E se um feto, o bebê desastrado, a criança inocente, o adolescente indisciplinado, o calouro universitário, a noiva maquiada, a mãe de primeira viagem, a mulher trabalhadora, a vovó orgulhosa, e o velho amigo esclerosado não diferirem em tipo, mas apenas em tempo?
Definição errada. A questão não é “tempo”, mas humanidade.
  1. Onde na evolução a humanidade começa e termina?
De acordo com a medicina e a neurologia, quando existe a presença de sinais sinápticos.
  1. Quando a vida passa a ter valor?
Incompleto. Não há uma definição do que se considera “vida”. Valor é algo que seres humanos atribuem a algo ou alguém.
  1. Quando começamos a valer alguma coisa?
Incoerente. Valor é algo que seres humanos atribuem a algo ou alguém.
  1. Quando os direitos humanos se tornam nossos direitos?
O próprio nome diz: direitos humanos. A presença de um ser humano, uma pessoa, é fundamental. Um embrião, um feto, não é uma pessoa.
  1. E se Dr. Seuss estiver certo e uma pessoa for uma pessoa, sem importar o tamanho que tenha?
Dr Seuss é um personagem fictício. Não é um médico. Definição erada. A questão não é tamanho e sim se há uma pessoa.
  1. Por que celebrar o direito de matar o que você foi um dia?
Não se trata de “celebração”, mas de um procedimento médico necessário, em casos definidos por lei. Ali o que há é um amontoado de células, um embrião, um feto, não é uma pessoa. Este amontoado de células tem tanto “direito de viver” quanto um tumor cancerígeno. Os cristãos celebram constantemente em suas missas a morte do Cristo e se escandalizam por procedimentos médicos necessários simplesmente por que cismaram de que um embrião é uma pessoa.
  1. Por que negar os direitos do pequenino que é o que você é?
Um embrião não é uma pessoa. Não tem direitos.

domingo, 8 de dezembro de 2013

A seguir, cenas dos próximos capítulos

Então chegamos ao fim de mais um ano e nos aproximamos de outro.
O ano que vem teremos copa do mundo e eleição.
Pouco depois das manifestações de junho, os partidos trataram de tentar capitalizar o movimento e, conforme os dias passam, vão aparecendo escândalos de nossa vida nessa brasilidade de tentar levar vantagem, a qualquer custo.
Ao lembrar que, por dizer a verdade, que o buraco é mais embaixo, eu tive que sair do FB e pessoas que diziam ser minhas amigas não me apoiaram.
Eu sei que boa parte disso tudo foi responsabilidade minha, eu sei que não sou uma pessoa fácil de conviver [e nem poderia ser, eu abomino essa mediocridade que impera]. Passados os dias de recuperação da cirurgia [14 dias] nenhuma das pessoas do meu serviço que se diziam ser minhas amigas sequer fizeram uma ligação. E isso não diz muito das pessoas com quem convivo, mas de mim.
O que eu espero do ano que vem é mais do mesmo.
A programação de televisão e a cultura popular cada vez mais sendo emburrecida.
O brasileiro contribuindo para o fracasso de nossa nação.
Crentes e descrentes trocando elogios.
Locais de diversão, como estádios de futebol e boates, servindo cada vez mais como ringue para idiotas extravasarem suas frustrações.
Burguesinho patrocinando [pelo seu vício] o tráfico de drogas.
Eleição das mesmas figurinhas marcadas.
Omissão, negligência, imperícia e imprudência nos atos de nossos governantes.
Caos na saúde, transporte e educação pública.
Nosso povo cada vez mais com falta de educação e cidadania.
Aquilo que fazemos de bom e notável não passa de maquiagem, de fachada.
O brasileiro não quer saber do projeto trabalhoso que é fazer esse país chamado Brasil.
O brasileiro não quer saber de ética, honra, cidadania.
O brasileiro quer continuar a ser tratado como imbecil e viver sua vida medíocre.
Mas vamos combinar uma coisa:
Tendo eu passado por este ordálio, vamos combinar que ninguém deve mais coisa alguma pra mim, nem eu devo mais coisa alguma, para quem quer que seja.
O último a sair, apague a luz.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O que os Deuses estão fazendo hoje em dia?

Uma vez que não são adorados [cofcof neopaganismo - NT], e considerando que eles são imortais e provavelmente entediados até a morte, eu acho que os deuses antigos têm de descobrir novos métodos para se manterem entretidos. O alado Nike está mergulhado profundamente na produção de calçados esportivos, a vingativa Eris arrumou um droid, e Nero está queimando CDs (bem, não o faz como um deus, mas está tão relacionado que eu acho que ele conseguiu esgueirar-se pela porta dos fundos depois de tudo).

Então eu queria saber o que os doze grandes deuses da Grécia e Roma estão fazendo, além do óbvio (cuidar de seus respectivos planetas, dias da semana, meses do ano, convidados para história em quadrinhos e séries de televisão e assim por diante) .

Apolo é de longe o mais bem sucedido com o seu programa de exploração espacial. Apesar de ser um pouco estranho uma tentativa de pouso na Lua nomeada em homenagem ao deus-sol. Por que não chamá-la de Artemis, a deusa da lua? Misóginos.

Ares/Marte tem uma barra de chocolate. E uma empresa que produz a barra de chocolate. Bom o suficiente, até a próxima guerra mundial.

Atena/Minerva tem o projeto de pesquisa CERN de antimatéria. Muito adequado, para a deusa da sabedoria e do ofício, mas só se ela se provar muito, muito bem-sucedida e fizer um enorme impacto. Caso contrário, Athena está maciçamente sub-avaliada nestes dias. Misóginos.

Artemis/Diana ... desempregada, para ser honesto, especialmente desde que a caça foi proibida em um de seus principais territórios. Há um bordel famoso em Berlim chamada Artemis. Estranho para a deusa virgem, mas os tempos são difíceis, até mesmo deuses assumir tudo o que empregos estão disponíveis.

Hefesto/Vulcano fizeram nome no showbiz, com os vulcanos de Star Trek. Eles estão em toda parte! Acho que foi o seu retorno, depois do insulto de um planeta hipotético levar seu nome (no século 19, o planeta Vulcano era suposto estar escondido entre o Sol e Mercúrio). Um plano hipotético para uma grande divindade! Horrivel.

Hermes/Mercúrio tem um elemento químico. Quem teria imaginado o deus travesso de ladrões em um laboratório?

Hades/Plutão perdeu seu planeta, mas ainda pode mostrar seu famoso personagem da Disney. Sim, é um cão, escada de um rato, mas de longe o mais famoso personagem de desenho animado em homenagem a um deus. E alegre, também, para alguém que vive no inferno.

Hestia/Vesta se divertiu quando seu nome grego foi usado como o nome informal de Himalia, uma das luas de Júpiter. Espere. Luas têm nomes informais? Nós devíamos chamá-la de Sra. Moon?

Poseidon/Netuno é realmente entusiasmado com a evolução da música e lançou seu próprio selo de gravadora para promover novos talentos. Eu suspeito que tem algo a ver com a sua mulher ter sonhado com uma carreira de cantora desde que ela era apenas uma jovem nereida.

Demeter/Ceres está experimentando com algumas cervejarias e empresas produtoras de suco, mas nenhum deles teve qualquer sucesso ainda.

Zeus/Júpiter e Hera/Juno levaram um milênio sabático para explorar outras galáxias e reconectar-se um com o outro, antes que seja tarde demais para salvar seu casamento.
Original do Ancient Links

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O substrato do abstrato

O que há em comum entre alguns evangélicos e alguns ateus? Radicalismo. Este é um texto baseado na tentativa de debate que tive com um desses seguidores de Dawkins.

- Ensinar ateísmo é o mesmo que ensinar uma crença: imposição.

- Não exatamente. A escola ensina o que é ateísmo, e não a ser ateu, o que é bem diferente. Ao invés de ensinar uma "verdade", imaginária, lendas antigas, ensina a pensar racionalmente e as bases do pensamento crítico.
Na verdade, nem é preciso ensinar ateísmo propriamente, pois somos todos ateus ao nascer, e é preciso muita doutrinação e lavagem cerebral para deixar esse ateísmo natural e passar a acreditar em superstições ancestrais e em seres imaginários.

- Se ensina-se apenas uma ideologia, sem contraste, sem controvérsias, não deixa de ser igual à inculcação doutrinária feita pela Igreja. Segundo estudos com crianças, todas apresentam a ideia de um ser superior, então essa bravata falaciosa de que se nasce ateu não cola.

- Não existem 'controvérsias" sobre a lógica e o pensamento racional não levarem em consideração a existência de coisas sem evidências.
Crianças podem ter uma idéia de "ser superior" apenas se isso for algo comum a seu ambiente.

- Falar em evidências é método cientifico. Fala-se em visões e interpretações sobre o mundo. O ser humano não é feito apenas de pensamento racional, mas do abstrato também, senão não tem arte, poesia, literatura, teatro e até mesmo matemática.

- O ser humano, dadas as evidências disponíveis, é sim formado apenas por matéria, e as abstrações que produz, com sua mente, são, bem, apenas de sua mente. Arte, poesia, etc, são abstrações da mente humana, não elementos concretos deste mundo. Não é preciso evidência de existência.

- O argumento foi o de que ensinar ateísmo é ensinar o pensamento racional, o que remete a anular ou ignorar o pensamento abstrato que, como você atesta, faz parte da matemática.
Querer limitar o entendimento do mundo e do universo a algo tão pobre é mais típico das "malvadas religiões" que você tanto critica. O ser humano não é formado apenas por matéria, senão não há como entender a mente, o pensamento, a ideia.

- Nada implica que o pensamento racional não inclua o abstrato. Matemáticos pensam racionalmente. Escritores, ao criar suas obras, abstratas, pensam racionalmente. Um matemático sabe que o número "1" é uma abstração, não um elemento real, concreto, deste universo. Um escritor sabe que seus personagens não existem de verdade.

- Você mesmo em seus argumentos acaba fazendo essa suposição. Voltando um pouco: crianças acreditam em um ser superior devido ao ambiente, então o ateu está desambientado ou é um alienígena. Você argumentou que só existe o que está evidenciado. Portanto, aquilo que é abstrato não pode ser aceito pelo pensamento racional, o que inviabiliza os conhecimentos humanos que listei.

- Para existir, para que se conclua pela existência, é preciso evidências, mas abstrações, imaginação, nada tem a ver com isso.

- Você tenta ignorar seus próprios argumentos, nos quais se pode concluir que apenas o pensamento racional e válido, onde apenas o que é evidenciado é aceitável, portanto tudo o que é abstrato é irracional, invalido, inaceitável. Eu não toquei no tema filosófico/teológico das crenças, mas abordado que o pensamento racional deve incluir o pensamento abstrato, o que, de acordo com você, não faz parte do ateísmo.

- A existência de algo, existência real, só pode ser objeto de conclusão confiável, se apresentar evidências. Pensamentos abstratos, conceitos abstratos, nada tem a ver com isso, sejam matemáticos, sejam imaginativos. ‘Existir’ na imaginação nada tem a ver com a existência real. Evidências, é o que importa, quer você acredite ou não. Pode acreditar que pular de um prédio não vai causar dano a você, mas se pular, vai se machucar.

- Muito bem. Apenas evidências que importam. Então evidencie o numero 1. Evidencie uma soma. Se eu lembro bem, você concorda que são conceitos abstratos, portanto, não existem, portanto não são importantes para a matemática. Se eu acreditasse que posso pular de um prédio, eu procuraria uma forma de poder pular sem me machucar. Crer e saber não estão em conflito.

-  Somas não existem, não são reais, são descrições de relações numéricas, matemáticas. Coloque duas maçãs sobre a mesa, depois coloque mais duas. E quando precisar explicar o que aconteceu, e quantas maças tem sobre a mesa, vai usar um conceito que chamamos de 'soma’. Mas, a soma propriamente, não existe, não pode colocar uma 'soma’ em um saco, ou bater com a soma na cabeça de alguém. Algo que não 'existe’ de forma concreta, ainda pode ser importante como idéia ou abstração, como o conceito de honra. Mas continua a não existir materialmente, concretamente, apenas como conceito. Não tem evidências de existir.

- Vamos dividir o tema em "evidência" e "existência". Evidência é assunto do método cientifico. A ciência não afirma que Deuses não existe, apenas que não tem evidências, afinal o homem aceita idéia de abstrato numa boa. A soma é um conceito abstrato, uma convenção, não existe no sentido de ser algo concreto. Mas são usados para se explicar algo. A existência também é algo a ser explicado e não apenas por evidências, por elementos concretos, pois muitas "coisas" existem e não são concretas, como elétrons, ondas, diversas energias. Estes elementos podem ter a existência evidenciada pelo efeito que causam, ou seja, uma evidência secundária. Então não deveria haver tanta resistência em aceitar que a existência dos Deuses pode ser evidenciado pelo efeito causado, que é a própria natureza. Da mesma forma que cessam os efeitos com a ausência destes elementos, da mesma forma cessaria a natureza, o mundo, o universo, a vida tal como conhecemos na ausência dos Deuses. E isto explica apenas o aspecto material da natureza, não da existência. A existência é um tema da filosofia, visto que procede de conceitos e convenções humanas, não de evidências, da ciência, do método cientifico. Você não quer compreender que nem tudo que existe tem evidência, conceitos abstratos existem embora sem evidência. Existência está além da ciência. Não é função ou preocupação da ciência explorar questões existencialistas, metafísicas ou sobrenaturais, mas tudo isso faz parte do questionamento e natureza humana.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O circulo do coração

Para o pagão, o bruxo, o mundo dos sonhos não é um mero espasmo da mente, mas um canal para a Sabedoria, a Verdade e a Realidade Divina.
A habilidade e a consciência dessa ferramenta não é simples nem é fácil de dominar. Quando eu fazia meus jornais oníricos, tudo o que eu percebia é a constância e a insistência dos temas e tipos de sonhos que eu tinha.
Pois bem, depois que eu parei de escrever os jornais, depois que eu saí da vida de cobaia de um treinamento, depois que eu zerei e reiniciei por conta própria minha jornada é que me veio uma compreensão, durante um estado de vigília, em um dia qualquer.
A miríade de sonhos são laços de um único, central e singular sonho. Como tudo na vida, nós criamos incessantemente elos em torno daquilo que realmente necessitamos.
Adquirimos conhecimento material necessário, mas insistimos em querer saber mais, crentes de que a ciência vai nos dar a resposta sobre tudo.
Procuramos aprimorar cada vez mais a capacidade e a eficiência de produção, confiantes no inesgotável potencial laborativo humano e fertilidade agrária natural.
Tentamos administrar com consciência, responsabilidade e ética nossa família, empresa e cidade, certos de que nossos parentes, colegas e cidadãos farão sua parte.
Escolhemos e seguimos uma espiritualidade, uma crença, uma religião. Falamos e divulgamos proficuamente os beneficios do que acreditamos e promovemos o Amor, fiéis de que há um propósito maior.
A cada anel que construímos, nos afastamos do que é essencial e recheamos o vazio com diversas ilusões para sustentar essa subrotina. Nos dedicamos de tal forma na execução e no aperfeiçoamento dessas atividades que nos esquecemos dos motivos e finalidade delas.
Os descrentes se aferram na ciência, na evidencia, mas estas coisas não servem para explorar o ser, a percepção, a consciência, a existência.
Os burgueses se isolam na riqueza, na expropriação, mas este sistema não produz condições para a justiça, a segurança, a satisfação, a felicidade.
Os governantes se deslumbram no poder, no mandato, mas esta política não legitima a autoridade, a influencia, o prestigio.
Os crentes se vangloriam na benção, na promessa, mas esta disciplina não garante a virtude, a graça, a redenção.
Nossa vida tornar-se-ia bem mais simples e nossa sociedade aproximar-se-ia da utopia se nos atessemos ao que é necessário e fundamental, que é o que eu chamo de círculo do coração.
Neste círculo, há saber e crer, ocupação e produção, representação e participação, razão e imaginação em proporções equilibradas e harmoniosas. Aqui, o Amor é a única lei, sem condições, sem limites, sem fronteiras, irrestrito.
O dileto e eventual leitor esperto há de protestar que este círculo ainda constitui um laço em volta de algo. Bom, não há outra forma de falar do que seria o centro de tudo senão os Deuses.