quarta-feira, 7 de julho de 2021

A fonte de Luz

Queridos amigos, queridos irmãos e irmãs,

É com imensa alegria que me encontro aqui neste espaço com vocês. Meu coração se abre verdadeiramente, porque os amo muito. Agora estou livre dos fardos terrenos e posso enxergar facilmente sua beleza e sua coragem, enquanto caminham em suas vidas na Terra. Gostaria que pudessem ver isto por si mesmos. Muitas vezes vocês ficam tão presos no autojulgamento e na autodepreciação, que têm dificuldade de receber tudo o que lhes é oferecido. Vejo, com frequência, que a energia de cada um de vocês está amarrada num nó. Seus olhos estão fechados e vocês estão aprisionados em seus próprios julgamentos negativos.

É de se esperar que todos vocês tenham que lidar com a sensação de desmerecimento quando nascem na Terra; isto faz parte da sua estadia neste planeta. De fato, no nível energético, a Terra está coberta com um sentimento de autodepreciação e julgamento que é passado de geração para geração. Algumas pessoas são abençoadas por experimentarem, na infância, a sensação de inocência e espontaneidade, naturais da vida. Mas geralmente, quando uma alma encarna na Terra como ser humano, sua consciência facilmente se obscurece pela negatividade e medo que existem aqui.

Estou aqui agora para recordar-lhes a sua natureza verdadeira e ajudá-los a despertar para ela, em suas vidas diárias, pois embora a energia da Terra possa ser muito densa e pesada, eu conheço a força de suas almas. Vocês são verdadeiramente os guerreiros da Luz, mesmo que às vezes pareçam se esquecer disto. Às vezes sinto uma espécie de tristeza por causa disso. Ainda tenho sentimentos humanos, entendem?  E estou conectada com vocês de coração.

Hoje eu gostaria de lhes contar uma história sobre o que aconteceu entre os sexos, entre os homens e as mulheres, porque muito dessa energia escura, ou desse sentimento profundo de desmerecimento, tem a ver com essa história.  Essa história tem a ver com a área da sexualidade.

Vocês sabem que a sexualidade deveria ser uma fonte de luz, de amor e um encontro genuíno entre almas.  Em um encontro sexual verdadeiro, os parceiros estão abertos de coração.  É uma experiência de bem-aventurança e êxtase encontrar uma pessoa nesse nível.  Mas, tragicamente, poucas pessoas na Terra conseguem experimentar a união sexual desta maneira.  Existe muita dor intensa nos corações dos homens e mulheres, na área da sexualidade, porque é nesta área que vocês são mais vulneráveis como seres humanos.

Todos vocês estão cientes da História recente, quero dizer, da História dos últimos quatro ou cinco mil anos.  Nesse período de tempo, a energia feminina foi desvalorizada e humilhada por uma energia masculina agressiva.  No ser humano feminino, isto criou uma ferida, num nível muito profundo.  Mas isto também machucou os homens.  Devido a essa energia masculina agressiva que se fez presente durante toda essa era, os homens não puderam desenvolver seu lado feminino, sensível.  Conectar-se com outra pessoa pelo coração, demonstrar suas emoções, passou a ser muito difícil para eles.  Por outro lado, as mulheres perderem contato com seu senso de autoestima e autonomia.  Como resultado, homens e mulheres se afastaram, tornaram-se estranhos uns aos outros.  E a área da sexualidade, que é a mais sagrada entre homem e mulher, tornou-se violentada.  Em vez de prazerosa, tornou-se uma área de grande dor.

Agora quero dar um passo além e contar-lhes uma parte da História, que é mais antiga do que a que vocês conhecem.  Houve uma época em que as mulheres tomaram o poder e exerceram-no sobre os homens.  As mulheres ainda podem sentir isso, no fundo de si mesmas.  Mesmo que tenham sido vítimas da agressão masculina em muitas vidas, elas também podem sentir sua capacidade interior de manipular a energia do homem.  Não estou dizendo isto para fazê-las se sentirem culpadas nem envergonhadas, de maneira nenhuma.  Quero apenas chegar à essência da ferida do homem e da mulher.

Então agora peço a cada um de vocês que sinta se reconhece ou não, dentro de si, a ferida da qual estou falando.  Você consegue sentir amor verdadeiro no relacionamento com o sexo oposto?  Consegue ser uma mulher ou um homem sem se envergonhar, sem nenhuma reserva em relação ao outro sexo?

Estou lhes dizendo que a sensação de desmerecimento que todos vocês estão enfrentando está muito relacionada com a ferida sexual nos homens e mulheres.  Agora é a hora de curar essa ferida.  Peço às mulheres, especialmente, que se elevem acima das questões de raiva e desconfiança que experimentam em relação aos homens.  Vocês, homens e mulheres, foram tanto vítimas quanto agressores, ao longo da história dessa batalha.

Então agora, peço a cada um de vocês que imagine que está diante do seu namorado/namorada.  Se não tiver um, simplesmente imagine alguém aí.

Primeiro observe o fluxo de doação: o que você está doando para essa outra pessoa?  O que você é capaz de dar a ela?  E dê uma boa olhada no seu próprio corpo enquanto lhe oferece essa energia.  Como você sente isso em seu coração?  Como sente isso dentro do seu ventre?  Se perceber que o fluxo de doação se interrompe em alguma área, não julgue, não tente mudá-lo agora, apenas observe-o.

Agora olhe para o fluxo de recebimento.  O que você está recebendo do seu parceiro?  O que você é capaz de receber do seu parceiro?  O que você consegue receber?

Provavelmente perceberá que existem áreas nos dois fluxos que parecem bloqueadas dentro de você.  Quero que saiba que esses bloqueios não são apenas seus bloqueios pessoais.  Você os herdou da História.  Então não se julgue por isso.  O que você é convidado a fazer, neste momento, é curar essa dor e, assim fazendo, ajudará a curar a dor coletiva da humanidade também.  Você é muito mais forte do que pensa que é.

Convido-o a fazer um pequeno exercício de cura comigo.  Agora, não estou lhe pedindo para curar a dor ou os bloqueios que percebe em si mesmo.  Mas estou lhe pedindo que olhe para a dor ou os bloqueios do seu parceiro.  Mantenha as coisas simples.  Apenas pergunte ao seu parceiro: “O que você gostaria de receber de mim hoje?  O que seria melhor para você?  O que o ajudaria a se capacitar em sua vida?”  E ofereça-lhe isto no nível energético.

Eu gostaria que você tivesse uma compreensão do seu parceiro, especialmente para entender a dor específica do sexo oposto.  A ferida ou a dor são diferentes nos homens e nas mulheres.  Os homens tornaram-se estranhos ao seu próprio lado sentimental, sua própria natureza feminina.  Eles anseiam por uma conexão verdadeira.  E as mulheres precisam se conectar com seu próprio poder e autoestima novamente.  Os homens podem ajudar as mulheres a fazer isto, mostrando-lhes a verdadeira beleza e força delas.  As mulheres podem ajudar os homens, perdoando-os e assumindo a responsabilidade por si mesmas.  Pode haver uma interação tão bonita entre homens e mulheres!

Embora o caminho espiritual consista basicamente em curar a si mesmo, está na hora de darem-se as mãos para construírem pontes entre homens e mulheres.  Ao terem verdadeira compaixão e compreensão um pelo outro, vocês também curam verdadeiramente a si próprios.  Vocês se elevam acima da velha batalha e, permitem que a área da sexualidade volte a ser uma área de alegria e companheirismo.

Quando lutar contra sua escuridão interior e uma sensação de desmerecimento, peço a cada um que reflita sobre o quanto isto se deve às suas feridas como homem ou mulher.  Ao estar consciente deste aspecto, você se torna mais compreensivo consigo e permite mais luz em sua vida.  Na Nova Terra, que está nascendo nestes tempos, homens e mulheres se unirão novamente em harmonia.  Suas energias se complementarão naturalmente.  É na área da sexualidade que a sua alma, a sua energia espiritual, verdadeiramente desce à Terra, do centro de energia mais elevado para o mais baixo.

Quando há união sexual de coração para coração, vocês voltam ao centro do Paraíso.  Vocês se sentem um só com o Espírito por uns instantes.  Originalmente, a sexualidade é uma dádiva muito preciosa!  O fato de ela ter sido obscurecida por uma energia sombria e dolorosa é um grande fardo para todos vocês; é a causa de muitas de suas emoções de solidão e desespero.  Mas existem vários sinais de esperança nesta época.  Homens e mulheres estão realmente procurando restabelecer a conexão verdadeira uns com os outros.  Existe um peso sobre todos vocês, mas também um grande potencial de cura.

Mais uma vez os convido a enxergar a si mesmos como eu os vejo do outro lado do véu.  Peço-lhes que se tornem um só comigo agora e olhem para si mesmos através dos meus olhos.  Podem se ver como as almas lindas e corajosas que vocês são?  Não há nada de errado com vocês.  Nada!  Vocês são seres perfeitos.  Gostaria que pudessem aceitar isto de mim.

Canalização janeiro 2017 – Maria Madalena.

Original: https://mensagensepensamentosblog.wordpress.com/2017/06/12/voces-sabiam-que-a-sexualidade-deveria-ser-uma-fonte-de-luz/

terça-feira, 6 de julho de 2021

Debaixo da pele

Caturo é um pagão português esquisito. Vive falando conceitos sobre estirpe e nacionalismo o que, combinando com seu discurso anti-imigração e racista, o identificaria facilmente como um supremacista branco.

O conceito de "raça" para o Caturo dever ser provavelmente esse:

"Qualidade de indivíduo que se supõe ser própria de origem ilustre, como a coragem, a distinção, a elegância, etc".

Lamento, Caturo, mas isso é idealismo romântico.

Eu desmistifiquei o romantismo sobre a "estirpe" no texto "Progenitores Lendários".

O nacionalismo está desmistificado em algum texto aqui mesmo, mas relembrando rapidamente, o nacionalismo é uma invenção da Era Moderna, não existia "nacionalismo" na Era Antiga.

"Ah, mas os Gregos se uniram contra os Persas". Os Helênicos constituíram uma liga para lutarem contra um inimigo comum [que, curiosamente, tem a mesma origem]. As polis gregas eram autônomas e soberanas, era frequente haverem contendas entre elas. Se existisse esse tal "nacionalismo" entre os Helênicos, nunca teria acontecido a Guerra do Peloponeso. Se existisse esse tal "nacionalismo" entre os Latinos, nunca teriam acontecido as inúmeras guerras entre Roma e seus "vizinhos".

O conceito de "raça humana" é um completo absurdo.

"Os antropólogos, durante a época colonial do século XVI (após os europeus terem notado a existência de seres humanos bem diferentes dos europeus, como índios ou bosquímanos, nos novos continentes recém-descobertos e terem começado a estudar essas "criaturas") até o final do século XX, acreditavam que existiam raças humanas diferentes, mas, desde que o Projeto Genoma Humano analisou a genética de diferentes raças, os resultados apontaram que as diferenças genéticas entre as raças eram muito pequenas, e que o determinismo ambiental e o neodarwinismo, como justificativas das diferenças genéticas entre os seres humanos do Velho Continente, do Novo Continente e do Novíssimo Continente, revelaram-se irrelevantes e mostraram que as diferenças genéticas entre uma pessoa negra e um caucasiano não existem. O próprio conceito biológico de raças humanas se tornou bastante desacreditado e condenado entre os biólogos e entre os antropólogos".

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ra%C3%A7a

"Raça pode ser entendida como um constructo social, usado para distinguir pessoas em termos de uma ou mais marcas físicas. Em outras palavras, raça é uma categoria usada para se referir a um grupo de pessoas cujas marcas físicas são consideradas socialmente significativas. Desse modo, raça é um importante instrumento analítico para a sociologia, pois entende-se que as percepções e concepções de raça podem afetar e organizar a vida social das pessoas, sendo responsável principalmente pela criação e manutenção de um sistema de desigualdade social".

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ra%C3%A7a_(categoriza%C3%A7%C3%A3o_humana)

Quando falamos em nossa origem indo-europeia, nos referimos a diversos grupos, diversas tribos, por que não dizer, diversas etnias, que surgiram e ocuparam a região do rio Indus, região que fica entre a Índia e o Paquistão (em suma, eram imigrantes). Os Celtas, dos Romanos, os Helênicos, os Iberos e os Lusitanos também, eram grupos diversos, compostos por diversas tribos, diversas etnias. Os europeus em geral são uma bela mistura de diversas etnias, se analisarmos a história.

Se isso não é suficiente, vamos pensar no Homo Sapiens. Nossa espécie pode ter diversas origens e nossos ancestrais copulavam com Neandertais. Eu vou além, os primeiros Britânicos e Irlandeses tinham pele escura. Existiram Romanos de pele escura.

Fala-se muito dos Arianos [especialmente Caturo, que nem se dá conta que esse termo e conceito foi difundido e popularizado pelos nazistas], mas a aparência dos Arianos está completamente distante desse ideal romântico do branco europeu, como podem ver na imagem.

A pele branca é apenas uma adaptação tardia de nossa espécie, debaixo da pele, nós somos e continuamos a ser a mesma espécie ( a mesma "estirpe"). A violência é mais um resultado político, econômico e social do que da cor da pele. O Caturo insiste nesse idealismo romântico provavelmente porquê não aceita sua verdadeira descendência.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Bruxas e magos modernos

Seres conectados com o Todo sempre existiram na história da humanidade. Conforme a época e a cultura receberam várias denominações, sendo a mais comum a de bruxos ou magos.

Estar conectado com o Todo, e dele receber conhecimento e capacidades especiais, além de demandar muita responsabilidade, exige uma postura e um modo de vida especiais.

O modo de vida de um Bruxo ou Bruxa evoluiu e precisa evoluir assim como evoluiu a civilização. A informática, a Internet, o êxodo rural e as megacidades tornam impossível manter o modo de vida tradicional que os Bruxos tinham no século passado.

Destas mudanças, a questão do dinheiro é a mais crítica, pois tradicionalmente os Bruxos não lidavam com dinheiro. Vivíamos numa época onde praticamente não havia custos fixos. Morávamos em locais afastados sem a necessidade de pagar impostos, taxas nem energia elétrica. Também era fácil conseguir os alimentos da floresta, e podíamos viver sem pensar em dinheiro, nem necessitar dele.

Hoje é impossível viver em qualquer lugar sem custos fixos, e os produtos que antes colhíamos da floresta precisam agora ser comprados.

O dinheiro mudou de figura e agora representa outra coisa. Como antes se podia viver sem dinheiro, ele era supérfluo e representava um símbolo de poder político.

Hoje o dinheiro é uma necessidade essencial, assim como o ar, a água e a comida. Mais do que isso, ele hoje representa um meio para propagarmos nossas crenças e melhorar a sociedade.

Nos dias de hoje ou somos um meio Bruxo, vivendo a maior parte do dia em uma atividade profissional que garanta a subsistência e vivendo a bruxaria nas horas vagas, ou somos Bruxos completos, em horário integral e recebendo um valor mínimo por esta atividade.

É difícil ser meio Bruxo, muitas vezes o Universo não pode esperar, e nossa mente sofre a cada conexão e desconexão com o Todo.  Às vezes não se consegue chegar ao nível desejado de imersão em poucas horas. Uma conexão profunda pode levar mais tempo do que o disponível nas horas vagas.

Sendo Bruxo ou não, acreditando que estamos aqui para cumprir uma missão, e que com raríssimas exceções não conseguimos executar nenhum empreendimento sem dinheiro, precisamos dele para cumpri-la. Desta maneira o dinheiro torna-se um elemento espiritual para a realização de nossa missão.

Autor: Prama Shanti.

Fonte: https://pramashanti.wordpress.com/2015/04/01/bruxas-e-magos-modernos/

domingo, 4 de julho de 2021

O mistério do logotipo da P&G

Eu não estou ganhando um centavo com isso. Mas como eu tenho alguns textos explorando os logotipos que possam ter inspiração pagã, eu acabei lembrando do logotipo da P&G e da controvérsia.
O logotipo original da P&G [ou melhor, um dos originais] suscitou enorme polêmica unicamente por causa do fundamentalismo cristão e do "satanic panic" [fomentado pelo fundamentalismo cristão] ocorrido em 1980, nos EUA.

"A Procter & Gamble é uma multinacional americana, fundada em 1837. O seu logótipo da marca, muitas vezes chamado de 'homem na lua', foi criado em 1851 e viria a dar muito que falar mais de cem anos depois.

Os primeiros rumores polêmicos sobre a imagem começaram a surgir nos anos 1980. Estes sugeriam que os caracóis existentes na barba e no cabelo da figura em causa 'escondiam' dois chifres e um número invertido: 666. Isso mesmo, o 'número da besta', associado ao anticristo e aos cultos satânicos.

A empresa foi alvo de diversos rumores. Um deles sugeria que o presidente da Procter & Gamble dissera, num talk-show, que grande parte dos lucros da empresa tinham sido doados à Igreja de Satanás. Em 1991, a empresa cederia mesmo à polêmica, acabando por remover os caracóis que tanta polêmica causaram".

[https://observador.pt/2015/09/13/sao-cincos-dos-logotipos-controversia-criaram-todo-mundo/]

Aqui nós temos dois assuntos para explorar.

O que é "pânico moral"?

"Um pânico moral é um sentimento de medo, por vezes exagerado, espalhado em um grande número de pessoas de que algum mal ameaça o bem-estar da sociedade.

As mídias são atores-chave na disseminação da indignação moral, mesmo quando não pareçam estar conscientemente engajados em cruzadas ou realizando uma investigação jornalística. A simples divulgação de algo pode bastar para gerar preocupação, ansiedade ou pânico.

Marshall McLuhan deu tratamento acadêmico ao termo em seu livro Understanding Media, de 1964. De acordo com Stanley Cohen, autor de um estudo sociológico sobre a cultura e mídia juvenil chamado Folk Devils and Moral Panics ('demônios folclóricos e pânicos morais'), de 1972, um pânico moral ocorre quando '... [uma] condição, episódio, pessoa ou grupo de pessoas surge e acaba sendo definido como uma ameaça aos valores e interesses sociais'. Aqueles que começam o pânico quando temem uma ameaça aos valores sociais ou culturais predominantes são conhecidos pelos pesquisadores como 'empreendedores morais', enquanto as pessoas que supostamente ameaçam a ordem social têm sido descritas como 'demônios folclóricos'.

De acordo com Stanley Cohen, existem cinco estágios-chave na construção de um pânico moral:

  1. Algo, alguém ou um grupo é definido como uma ameaça às normas sociais ou aos interesses da comunidade
  2. A ameaça é então representada por um símbolo ou forma simples e reconhecível pela mídia
  3. A exibição desse símbolo desperta preocupação pública
  4. Há uma resposta das autoridades
  5. O pânico moral sobre a questão resulta em mudanças sociais dentro da comunidade

Em 1971, Stanley Cohen investigou uma série de pânicos morais. Ele usou o termo 'pânico moral' para caracterizar as reações da mídia, do público e dos agentes de controle social em relação a distúrbios juvenis. Este trabalho, envolvendo os mods e os rockers, demonstrou como agentes de controle social ampliavam o desvio. Esses grupos ganharam a pecha de estar longe dos valores centrais da sociedade consensual e de representar uma ameaça tanto para os valores da sociedade quanto para a própria sociedade; daí o termo 'demônios folclóricos'.

De acordo com Stanley Cohen em Folk Devils and Moral Panics, o conceito de "pânico moral" estava ligado a certas suposições sobre a mídia de massa. Ele mostrou que a mídia de massa é a principal fonte de conhecimento do público sobre desvios e problemas sociais. Ele argumentou ainda que o pânico moral dá origem ao demônio folclórico rotulando ações e pessoas.

De acordo com Cohen, a mídia aparece em pelo menos um de três papéis no desenrolar de episódios de pânico moral:

  1. Definir a agenda - selecionar eventos desviantes ou socialmente problemáticos considerados dignos de atenção, e então usando filtros mais refinados para selecionar quais eventos são candidatos ao pânico moral.
  2. Transmitir as imagens - divulgar as afirmações usando a retórica dos pânicos morais.
  3. Quebrar o silêncio, fazendo a declaração.
Os pânicos morais têm várias características distintas. De acordo com Goode e Ben-Yehuda, o pânico moral consiste nas seguintes características:

  1. Preocupação - Deve haver a crença de que o comportamento ou atividade considerada desviante possa ter um efeito negativo sobre a sociedade.
  2. Hostilidade - A hostilidade em relação ao grupo em questão aumenta e eles se tornam "demônios folclóricos". Uma divisão clara forma-se entre 'eles' e 'nós'.
  3. Consenso - Embora a preocupação não deva ser nacional, deve haver ampla aceitação de que o grupo em questão representa uma ameaça muito real à sociedade. Nesta fase, é importante que os 'empreendedores morais' se manifestem e os 'demônios folclóricos' pareçam fracos e desorganizados.
  4. Desproporcionalidade - A ação tomada é desproporcional à ameaça real representada pelo grupo acusado.
  5. Volatilidade - Os pânicos morais são altamente voláteis e tendem a desaparecer tão rapidamente quanto aparecem, porque o interesse público diminui ou as notícias mudam para outra narrativa".

[https://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A2nico_moral]

Historicamente, o período conhecido como Caça às Bruxas pode ser considerado um exemplo de resultado de um pânico moral. O Holocausto contra os Judeus que ocorreu na Europa também. Atualmente nós podemos falar dos movimentos contra a população LGBT, contra as religiões da Diáspora Africana e contra os imigrantes. Tem essa paranoia/neurose em torno da pedofilia/pornografia infantil, conduzidos por grupos que podem ser identificados como provindos da direita, conservadores e fundamentalismo cristão. Aqui aconteceu a polêmica do Queer Museu e existe a pregação de televangelizadores contra a dita "Ideologia de Gênero".

Aqui também pode se falar da figura do "bode expiatório", mas vamos falar do "satanic panic" que aconteceu em 1980, nos EUA.

"Abuso de ritual satânico (em inglês: satanic ritual abuse - SRA, às vezes conhecido como ritual de abuso satânico, abuso ritualístico, abuso organizado, ritual de abuso sádico e outras variantes) foi um pânico moral que se originou nos Estados Unidos na década de 1980, espalhando-se por todo o país e, finalmente, para muitas partes do mundo, depois diminuindo em sua maioria no final de 1990. Alegações de abusos por rituais satânicos envolveram relatos de abuso físico e abuso sexual de pessoas no contexto de rituais de ocultismo ou satânicos. Em sua forma mais extrema, o abuso de ritual satânico envolvia numa suposta conspiração mundial envolvendo os ricos e poderosos da elite mundial no qual crianças eram raptadas ou criadas para sacrifícios humanos, pornografia e prostituição".

[https://pt.wikipedia.org/wiki/Abuso_de_ritual_sat%C3%A2nico]

Mas o que seriam os "demônios folclóricos"?

"Diabo popular [nota - demônio folclórico] é uma pessoa ou grupo de pessoas retratadas no folclore ou na mídia como estranhas e desviantes , e que são culpadas por crimes ou outros tipos de problemas sociais.

A perseguição de demônios populares frequentemente se intensifica em um movimento de massa que é chamado de pânico moral. Quando um pânico moral está em pleno andamento, os demônios folclóricos são objeto de campanhas vagamente organizadas, mas generalizadas de hostilidade por meio de fofocas e da divulgação de lendas urbanas. Os meios de comunicação de massa às vezes entram em ação ou tentam criar novos demônios populares em um esforço para promover a controvérsia. Às vezes, a campanha contra o demônio popular influencia a política e a legislação de uma nação.

O conceito de diabo popular [nota - demônio folclórico] foi introduzido pelo sociólogo Stanley Cohen em 1972, em seu estudo Folk Devils and Moral Panics , que analisou controvérsias na mídia sobre Mods e Rockers no Reino Unido na década de 1960.

A pesquisa de Cohen foi baseada na tempestade da mídia sobre um violento confronto entre duas subculturas jovens, os mods e os roqueiros, em um feriado bancário em uma praia na Inglaterra em 1964. Embora o incidente só tenha resultado em alguns danos à propriedade sem qualquer lesão física grave qualquer um dos indivíduos envolvidos, vários jornais publicaram artigos sensacionalistas em torno do evento. Cohen examinou artigos escritos sobre o assunto e notou um padrão de fatos distorcidos e deturpação, bem como uma representação distinta e simplista das respectivas imagens de ambos os grupos envolvidos na perturbação. Ele articulou três estágios nas reportagens da mídia sobre os demônios populares:

  1. Simbolização: o demônio popular é retratado em uma narrativa singular, sua aparência e identificação geral simplificada demais para ser facilmente reconhecível.
  2. Exagero: os fatos da polêmica em torno do demônio popular são distorcidos, ou fabricados todos juntos, alimentando a cruzada moral.
  3. Predição: novas ações imorais por parte do demônio popular são antecipadas".

[https://en.wikipedia.org/wiki/Folk_devil] traduzido com Google Tradutor.

O logotipo? A empresa apenas utilizou a imagem da lenda do Homem da Lua.

sábado, 3 de julho de 2021

A escada de Jacó

“There's a lady who's sure

All that glitters is gold

And she's buying a stairway to heaven”.

Primeira estrofe da música Stairway to Heaven, do Led Zeppelin.

“Essa escadaria pode ser relacionada com a escada de Jacob, que, segundo a Bíblia, é o meio pelo qual os anjos sobem e descem do céu. São degraus que trilham do profano para o divino”.

https://www.letras.mus.br/blog/stairway-to-heaven-significado/

Luíza Peres, analisando a letra.

 “A simbologia da escada está profundamente ligada à intermediação entre o Céu e a Terra, à ascensão e à evolução de natureza espiritual. Os seus degraus são as várias etapas a ultrapassar para se atingir o divino, associadas a metais diferentes ou a vários tipos de exercícios espirituais ou a provas de iniciação esotérica.

Sinónimo de verticalidade, reatando uma harmonia que foi quebrada pela separação na génese do mundo, a escada é um meio ou instrumento de evolução pessoal e de ascensão espiritual. Este sentido, associado ao de Árvore do Mundo, é praticamente universal, desde Jacob a Buda, Amaterasu e Maomé”.

https://www.infopedia.pt/$escada-(simbologia)

O trecho do texto sagrado pode ser visto aqui:

“E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar.

E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela”. Gênesis 28:11,12.

A pergunta, que beira a provocação é evidente. Se há uma “escada” ligando o Mundo Humano e o Mundo Divino, há alguma ligação entre o Mundo Humano e o Mundo dos Mortos?

A resposta, no mesmo texto sagrado, está na história do rei Saul que foi consultar a sacerdotisa de Endor e veio Samuel falar-lhe. [1 Samuel, 18]

Os cristãos, evidentemente, tentam negar, mas a análise textual deixa claro que Samuel, morto, fala diretamente ao rei Saul. O texto fala em “fazer subir” o espírito, indicando que, então, há uma ligação entre o Mundo Humano e o Mundo dos Mortos, semelhante à escada de Jacó.

A existência de diversos mundos, estando conectados de alguma forma, está presente nos mitos dos povos antigos, estando esses mundos [ou dimensões] relacionados geralmente à uma Arvore do Mundo, ou Axis Mundi, senão Árvore da Vida, cujo conceito remonta aos mitos babilônicos, imitado e copiado na Cabala. A Árvore da Vida, tal como é imaginada na Cabala, com as Sephirotes, tem origens na Árvore da Vida Assíria, onde a Deusa reina e governa soberana e absoluta.

As bruxas também tem a sua escada. Em Wellington, Somerset, Inglaterra, uma escada de bruxa foi encontrada em uma casa. O artefato era constituído de cordas, nas quais estavam atados pedaços de pano, penas e ossos. Evidente que o achado foi considerado maligno, nós ainda vivemos em um mundo repleto de preconceito. Só quem fez tal ofício poderia dizer o intento.

Se for uma escada para entender os mistérios do Ofício, eu vou correndo usar. Se vai descer ou subir, tanto faz. Eu só quero entrar no Santo dos Santos, que fica entre as pernas daquela que eu não ouso dizer o Nome.

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Caixa e garrafa

Vendo alguns vídeos sobre fantasmas eu encontrei nos vídeos do Omar Gosh [eu não estou ganhando um centavo com isso] falando da caixa do Dybbuk.

Vamos a alguns fatos:

"A transmigração de almas, ou reencarnação, não faz parte do judaísmo dominante. Na Bíblia, não há ênfase na vida após a morte, mas existem referências aos espíritos dos mortos. Por exemplo, o Rei Saul vai até a Bruxa de Endor para se comunicar com o espírito de seu mentor, o profeta Samuel. No entanto, os espíritos residem em um lugar próprio e não entram em outros corpos de nenhuma forma.

O Talmud se refere aos espíritos dos mortos e ao exorcismo, mas novamente o conceito de transmigração não é enfatizado. As primeiras versões remontam a várias fontes não judias, incluindo grega, indiana, gnóstica, cristã e a seita islâmica Mutazila. O conceito entrou no judaísmo para valer apenas durante o século VIII.

Estudiosos judeus medievais se opuseram a isso, acreditando (como muitos continuam a acreditar hoje) que qualquer tipo de misticismo é extremamente perigoso e pode influenciar e contaminar não apenas a fé religiosa pura, mas sua própria vida. Há alguma verdade nisso; os cultos, com suas técnicas de lavagem cerebral, são um bom exemplo de como o misticismo pode se deteriorar. No entanto, o conceito de transmigração se desenvolveu e encontrou seguidores sérios, e no século XII tornou-se uma parte estabelecida da Cabala. As escolas de misticismo do século dezesseis o abraçaram, incluindo o círculo Safed liderado por Isaac Luria. Quando o hassidismo se desenvolveu, a crença se consolidou. Existe um vasto corpo de literatura judaica que trata da transmigração de almas e abrange os séculos mencionados acima. Em todo esse conjunto de mitos e lendas, que inclui livros, contos populares e peças de teatro, as almas descritas podem ser aproximadamente divididas em três formas, dependendo da origem e intenção de cada alma.

A primeira forma é o Gilgul , que é a palavra hebraica para "rolar", mas significa, neste contexto, a transmigração da alma. Geralmente, é representado como uma sequência natural na vida da alma, que deve ocupar vários corpos para aprender as muitas lições de que precisa antes de ser livre para se reunir com Deus . A alma simplesmente entra no corpo no nascimento ( não na concepção), assim como o bebê está para deixar o corpo da mãe e se prepara para viver qualquer período de vida normal que lhe foi atribuído.

Situações especiais requerem uma abordagem diferente para a transmigração. A segunda forma de transmigração é o dybbuk, um espírito desencarnado que possui um corpo vivo que pertence a outra alma. Existem várias origens atribuídas a esses espíritos. A descrição mais antiga geralmente sugeria que eles podem ser demônios não humanos . Mais tarde, presumiu-se que eram espíritos de pessoas que morreram. O dybbuk pode ser a alma de um pecador, que deseja escapar da justa punição imposta a ele pelos anjos da sepultura que procuram espancá-los, ou para evitar outra forma de punição da alma, que é vagar pel Terra. Um dybbuk pode buscar vingança por algum mal que lhe foi feito enquanto viveu. Alternativamente, ele pode ser perdido e entrará em um corpo simplesmente para procurar um rabino que seja capaz de ajudá-lo e mandá-lo embora. A pessoa viva pode ou não saber que um dybbuk está ocupando seu corpo, ou pode ser atormentado por isso. Isso depende da intenção da alma possuidora.

A terceira forma é o ibbur. A tradução literal da palavra do hebraico significa "impregnação". Ibbur é a forma de posse de bola mais positiva e mais complicada. Acontece quando uma alma justa decide ocupar o corpo de uma pessoa viva por um tempo e se une ou "impregna" espiritualmente a alma existente. Ibbur é sempre temporário, e a pessoa viva pode ou não saber que ocorreu. Freqüentemente, a pessoa viva graciosamente dá consentimento para o ibbur . A razão para ibbur é sempre benevolente - a alma que partiu deseja completar uma tarefa importante, cumprir uma promessa ou cumprir um Mitzva (um dever religioso) que só pode ser cumprido na carne".

[https://pantheon.org/articles/d/dybbuk.html] Traduzido com Google Tradutor.

Então, é possível "encaixotar" um espírito? Vamos ao fato:

"A caixa do Dybbuk é um armário de vinho que afirma ser assombrado por um dybbuk , um conceito da mitologia judaica . A caixa ganhou notoriedade quando foi leiloada no eBay pelo proprietário Kevin Mannis, que criou uma história com sobreviventes judeus do Holocausto e alegações paranormais como parte da descrição de seu item no eBay. A história de Mannis foi a inspiração para o filme de terror de 2012, The Possession.

Em 2003, Kevin Mannis, escritor e proprietário de empresa de repintura de móveis de Portland, Oregon, leiloou o armário de vinhos no eBay. A descrição do leilão de Mannis incluiu uma história afirmando que o gabinete pertencia a um sobrevivente do Holocausto na Polônia, que disse que ele continha o espírito malicioso de um dybbuk . A descrição de Mannis incluía afirmações de que a caixa tinha poderes paranormais e era responsável por sua má sorte e pesadelos. Os proprietários subsequentes recontaram a história de Mannis ao revender o item e amplificaram-na com suas próprias alegações de 'fenômenos estranhos'".

[https://en.wikipedia.org/wiki/The_Dybbuk_box] Traduzido com Google Tradutor.

No Brasil, existe a lenda do diabinho da garrafa:

"O Diabinho da Garrafa também é conhecido como Famaliá, Cramulhão, Capeta da Garrafa, entre outros nomes.

Este ser é fruto de um pacto que as pessoas afirmam que se pode fazer com o diabo. Este pacto consiste na maioria das vezes de uma troca, a pessoa pede riqueza e em troca dá sua alma ao diabo.

Depois de feito o pacto, a pessoa tem que conseguir um ovo, que dele nascerá um diabinho de 15 cm a aproximadamente 20 cm. Mas não se trata de um simples ovo de galinha, e sim um ovo especial, fecundado pelo próprio diabo.

O Diabinho da Garrafa tem as seguintes características: Nasce de um ovo (em algumas regiões do Brasil acredita-se que ele pode nascer de uma galinha fecundada pelo diabo, em outras acreditam que ele nasce de um ovo colocado não por galinha e sim por um galo). Este ovo seria do tamanho de um ovo de codorna.

Para conseguir tal ovo, a pessoa deve procurá-lo durante o período da quaresma, e na primeira sexta feira após conseguir o ovo, a pessoa vai até uma encruzilhada, a meia noite, com o ovo debaixo do braço esquerdo. Após passar o horário, retorna para casa e deita-se na cama. No fim de 40 dias aproximadamente, o ovo é chocado e nascerá o diabinho; de posse do diabinho, a pessoa coloca-o logo na garrafa e fecha bem fechado. Com o passar dos anos, o diabinho enriquece o seu dono, e no final da vida leva a pessoa para o inferno".

 "Lenda do Diabinho da Garrafa - Lendas e Mitos" em Só História. Disponível na Internet em http://www.sohistoria.com.br/lendasemitos/diabinho/

Existem diversas lendas de objetos que acabam sendo "habitados" [possuídos] por espíritos. Tanto no ocidente quanto no Oriente. Coincidências demais para serem meras coincidências.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

O Pai das bruxas

Muitas bruxas tradicionais e folclóricas acreditam no conceito de iniciação espiritual -isto é, uma total dizimação do eu em prol da transformação e iniciação através do poder de uma entidade não-corpórea. Muitas bruxas e espiritualistas de bom grado passam por esse tipo de metamorfose, colocando tudo em risco. Este é o preço pago pelo renascimento, verdade e poder. Conduzir esta iniciação é uma variedade de entidades que variam de divindades e ancestrais a fadas e, como discutiremos hoje, o Pai Bruxo. Ele é conhecido por muitos nomes: O Homem de Preto, o Diabo, o Velho, o Velho Nick e muito mais. O Diabo é visto como o próprio rasgo do véu entre o mundo espiritual e o vivo e a fonte do poder da feitiçaria. Mas quem é esse pai de bruxas? De onde ele vem? E o que uma bruxa pode ganhar (e perder) trabalhando com ele?

Dizem que o pai da bruxa é anterior aos tempos modernos, relacionando-se com antigos deuses de fertilidade e morte. A realidade é que esta entidade foi provavelmente sensacionalizada durante os julgamentos de bruxas europeus dos séculos XV a XVIII como uma danação de religiões pagãs e crenças tradicionais em tentativas de conversão. A igreja cristã diabolizou práticas folclóricas, transformando deuses com chifres como Pan ou Cernunnos no próprio diabo. Aqueles que seguiam as religiões pagãs poderiam celebrar seus deuses de maneiras que a igreja poderia considerar como "satânicas", incluindo o consumo de álcool e drogas que alteram a mente ou oferendas e sacrifícios de animais. Estes foram logo transformados no sábado da bruxa, no qual o praticante utilizou alucinógenos tópicos para se juntar a outras bruxas e participar de orgias, sacrifícios de culto, dança sagrada, nudez e muito mais. Por causa da histeria em massa, os acusados ​​de feitiçaria eram frequentemente torturados até que as confissões correspondessem ao que as pessoas achavam que deveria ser a feitiçaria.

Em particular, no entanto, é a confissão de Isobel Gowdie. Seu testemunho, alcançado sem o uso de tortura, chega ao final da era da caça às bruxas e é o mais rico em detalhes. Talvez seja sua confissão voluntária, sua total obscuridade antes de seu casamento e falta de registros após os julgamentos, ou o impressionante e eloquente detalhe de seus testemunhos que criaram um imenso interesse nela até hoje. Suas seis semanas de detenção e quatro confissões em registro escrito são algumas das peças mais impressionantes e estudadas dos julgamentos de bruxas. Dentro de sua primeira confissão, ela faz um arranjo com o Diabo, detalhando depois o pacto feito e suas relações sexuais. Isobel Gowdie estava intencionalmente atormentando um ministro local com um medo extremo de bruxaria chamado Harry Forbes? Ela estava sofrendo de psicose, potencialmente provocada pelo ergotismo? Ou ela era verdadeiramente uma praticante de feitiçaria durante o tempo dos julgamentos? Nós podemos nunca saber. O que sabemos é que suas confissões, reais ou não, são a raiz da feitiçaria tradicional escocesa e continuaram hoje como a base para o diabo na arte conhecida como o pai da bruxa.

O Diabo também aparece na cabeça da Caça Selvagem, um motivo folclórico que envolve um passeio fantasmagórico de cavalos e espíritos ao longo das histórias européias dos séculos XIX e XX. A Caça Selvagem pode, às vezes, dependendo da região e do tempo do conto, aludir ao sábado da bruxa - uma dança selvagem de bruxas, o Homem de Preto no leme. Jacob Grimm foi um dos primeiros a documentar esse conto em seu livro de 1835,  Deutsche Mythologie , um estudo sobre o folclore germânico. Ele acreditava que os contos da Caçada Selvagem eram, muito parecidos com os antigos deuses pagãos com chifres, demonizados para se tornarem demônios fantasmagóricos liderados pelo próprio Satanás e eram originalmente procissões de deuses e espíritos de imenso poder.

O Homem de Preto é também muitas vezes igualado ao rei do povo das fadas, Oberon, e emparelhado no folclore com a Rainha de Elphame. Não podemos ignorar que as origens do Pai dos Bruxos vêm das Ilhas Britânicas e que Isobel Gowdie, uma nativa da Escócia, referiu a Rainha de Elphame em seus testemunhos. Como outras crenças folclóricas e pagãs, as fadas também foram condenadas pela Igreja, com pouca distinção entre fadas e demônios.

Com o tempo, o Homem de Preto foi associado a Herne, Arlequim ou Hellequim, Caim, Azazel, Bucca e outros. A realidade é que essas entidades não são uma no mesmo, mas sim cada uma das suas próprias experiências individuais. O folclore alemão tem suas próprias crenças, o escocês é seu, o italiano ainda é seu e assim por diante. Ainda assim, cada região desses países individuais também tem seus próprios contos e entidades. A identidade distinta do Homem de Preto, se houver, é personalizada pelo seu próprio sabor de feitiçaria tradicional e pelo folclore regional da sua região.

Antes de nos aprofundarmos sobre se o Pai Bruxo poderia estar ligado a Lúcifer, vamos examinar o medo comum por trás da demonização das práticas de feitiçaria. A maioria dos neopagãos repudia o demônio cristão como inspiração para o moderno Deus Chifrudo e, assim, pode às vezes evitar bruxas do Ofício Tradicional que trabalham com o Pai Bruxo. Por que uma reação tão extrema? Podemos traçar isso de volta para a igreja cristã e sua danação da religião pagã, mas é improvável que a maioria dos praticantes neopagãos que seguem as tradições européias nas Américas tenham uma conexão pessoal com sua história opressora. Muitos praticantes neopagãos chegam a tais crenças quando sua experiência com o cristianismo, ou outras religiões abraâmicas, é insatisfatória. Além disso, tal recuperação poderia ser fortalecedora para o seguidor.

Osculum Infame

Infelizmente, é mais provável que, em nossa necessidade de aceitação pelo público em geral, tenhamos medo do julgamento que se segue. Os neopagãos podem às vezes se distanciar do demônio cristão na tentativa de encontrar mais tolerância. O problema com isto é que dificulta a aceitação para os praticantes seguindo esse caminho. Não apenas você se distancia para saciar os medos dos outros, mas também se distancia dos colegas que buscam a mesma aceitação, apesar do medo.

Nós também temos que olhar para o Novo Ageu como uma causa potencial para essa separação, um movimento que se tornou congruente com a feitiçaria moderna como um meio nos anos 60. Os movimentos da Nova Era freqüentemente empregam um ponto de vista de "amor e luz" que distancia os seguidores de caminhos considerados "negativos" ou "nocivos", apesar de ser esse o caso. Isso pode ser visto na rejeição do satanismo teísta dentro da comunidade metafísica maior e, mais uma vez, apenas prejudica os praticantes que procuram seu lugar dentro dele.

Uma vez que retiramos esses julgamentos preconcebidos, frequentemente baseados em nossa criação cristã, necessidade de aceitação dentro do público em geral e dentro de outras comunidades de mente similar, podemos verdadeiramente analisar o papel de Lúcifer na história do Pai Bruxo.

Traços semelhantes existem tanto no Antigo como no Satã cristão, desde traços físicos incluindo cascos fendidos e chifres de carneiro até uma ênfase no conhecimento, prazer, poder pessoal, liberdade e muito mais. Mais ainda, Lúcifer tem sido ligado às fadas, nas quais nós já ligamos o pai da bruxa também. A Estrela da Manhã, o Arauto da Luz, uma entidade de beleza que se esconde no reino do homem; Muitos argumentos foram feitos de que o próprio Lúcifer é de fato um fae - que todos os anjos caídos são fadas. Lúcifer também tem sido um dos muitos rostos no comando da Caçada Selvagem. Algumas evidências colocam o Homem de Preto e Lúcifer no mesmo local no folclore.

Dito isto, para muitos seguidores, o Diabo da Bruxa e Satanás são entidades separadas, sem qualquer vínculo. Devemos ter em mente que as correspondências das divindades culturais não existem - as entidades não podem simplesmente ser trocadas umas pelas outras como ervas num gráfico. A mesma tradição que poderia colocar Lúcifer e o Homem de Preto nos mesmos lugares também aponta para outras entidades, incluindo Oberon, Bucca, Arlequim e mais, entidades que não podem ser simplesmente trocadas umas pelas outras. Só esse fato resolve o debate sobre o Pai Lúcifer / Bruxa para aqueles que vêem os dois como entidades completamente diferentes.

Como mencionei antes, a identidade do Homem de Preto provavelmente está ligada às suas histórias locais. Então é o pai da bruxa, de fato, Lúcifer? Essa decisão está em sua região e em suas crenças.

A cristianização do homem de preto

Embora o homem de preto não possa ser separado do conceito do diabo cristão, essa não é a soma de seu total. É possível que a igreja, como as fadas, demonizou o Antigo e o devolveu às bruxas na forma do Satanás cristão. A igreja também demonizou as fadas. Isso faz das fadas uma entidade cristã? Isso faz deles demônios? Isso importa mesmo? Algumas entidades simplesmente são . As categorias binárias que nós, como humanos, tentamos dar a elas - bem e mal, demônios e anjos - são provavelmente mais obscuras do que nós, meros mortais, podemos entender. Se você planeja trabalhar com o Homem de Preto como Lúcifer e chamá-lo como tal, vê-lo como uma antítese ao "bem" não o levará longe.

Duotismo e eurocentrismo na feitiçaria tradicional

Embora algumas regiões possam incentivar o Homem de Preto a ser emparelhado com outra entidade feminina como Hecate, a Rainha dos Ossos Brancos ou a Rainha de Elphame, nem todas encorajam isso. De fato, nem todos os caminhos tradicionais e folclóricos seguem o Homem de Preto, e muito menos um conjunto correspondente. A feitiçaria tradicional vem em muitas formas de muitas culturas, etnias e combinações de conhecimento. Você não é obrigado a seguir uma visão eurocêntrica do Ofício Trad que inclui o Pai da Bruxa e você não é de modo algum obrigado a pareá-lo com uma espécie de Bruxa Mãe que imita a Wicca moderna e outras religiões pagãs duotheístas. Esse não é o ponto, a essência da feitiçaria tradicional. 

Deificação do pai da bruxa

Embora o Homem de Preto realmente desfrute de presentes e adoração adequados, ele não deve ser confundido com divindade. Mais uma vez, nossa pouca compreensão da classificação do espírito atinge uma área cinza turva quando se trata do Pai-das-Bruxas. Ele é às vezes chamado de Deus da Bruxa, mas ele é um deus? Ou ele é uma poderosa entidade psicopomática? Embora dependa do conhecimento da região, o Homem de Preto é muitas vezes visto como uma entidade perante entidades, um elo de ligação com a natureza, o mais livre do limite. A deificação pode ser uma afronta aos muitos dons do Pai Bruxo. Isso não quer dizer que ele seja mais poderoso que um deus; ele simplesmente não é um.

Então, quem é o pai da bruxa e como alguém trabalha com ele?

Ao olhar para o folclore proveniente das Trilhas das Bruxas e dos contos populares europeus, existem semelhanças em sua aparência. O homem de preto é apropriadamente chamado como ele é frequentemente vestido com roupas escuras ou pretas antiquadas. Ele pode ou não ter cascos fendidos ou botas pretas a seus pés e às vezes está barbeado, às vezes não. Ele é, no entanto, alto e magro, com olhos escuros e cabelos escuros.

Um traço chave de sua aparência, e também suas habilidades, é seu fogo esperto. Ele pode ter um par de chifres no topo da cabeça, dos quais uma chama acesa dança entre ou, em vez disso, ele pode usar um chapéu de abas largas e ter ao seu lado um bastão bifurcado com uma lanterna presa à chama. Esta chama é a fonte de magia e ele pode, mediante satisfatoriamente pactuado ou apreciado, presentear uma bruxa com seu fogo de bruxa. Existe uma certa magia, um certo conhecimento na Arte que, para o crente tradicional, é inacessível sem encontrar o Pai de Bruxa e obter seu Fogo de Bruxa.

O fogo da bruxa não é tudo que ele oferece, no entanto. Ele é o primeiro iniciador e, portanto, o guia para os velhos modos da Arte. Ele não está nem aqui nem ali, em vez de ficar de pé no final do véu e oferecendo a sabedoria que vem com isso aos poucos selecionados e interessados. Essa sabedoria permite ao praticante uma maneira de manipular o destino de acordo com sua vontade e ganhar controle sobre sua vida. O pai da bruxa é a verdadeira liberdade para a bruxa tradicional, verdadeira sabedoria e verdadeiro poder. 

O que você pode fazer de acordo com o pai da bruxa? 

Qualquer coisa.

Este não é um caminho a ser seguido com pouca atenção, no entanto. O Homem de Preto simplesmente não permitirá isso. Para experimentar a iniciação espiritual através do Diabo da Bruxa, é preciso estar disposto a sacrificar tudo.  A iniciação é uma morte e um renascimento simbólicos. No entanto, esta não é uma morte que acontece durante a noite. É lento, tortuoso e doloroso. Para morrer, você tem que sentir uma grande dor, uma grande perda, ter sua própria alma arrancada de você. Em meus trabalhos, eu tive que perder minha família escolhida e coven em troca do meu caminho. É uma estrada solitária, mas é preciso que eu faça esse trabalho. Seja o que for mais importante para você, se você decidir seguir esse caminho, prepare-se para perdê-lo. É a sua oferta ao Antigo em troca de admissão à sabedoria que ele oferece. Uma vez renascido, a bruxa, agora adornada com o Fogo da Bruxa, habitará tanto o mundo dos vivos como o dos mortos.

Para começar, uma bruxa interessada em trabalhar com essa entidade deve renunciar a todos os vínculos e vínculos que outras entidades possam ter com você. Mais comumente para muitas bruxas modernas, isso requer uma renúncia ao seu batismo ou qualquer associação com o cristianismo, ao passo que, aos olhos do Pai Bruxo, você reivindica o Deus cristão. É importante notar que outras entidades podem não exigir essa renúncia de você. Nenhuma das outras entidades com as quais trabalhei até agora exigiu tal coisa, mas o pai da bruxa nem sequer me tocou até eu ter feito exatamente isso. Você pode renunciar ao seu batismo de várias maneiras, desde recitar a prece do Senhor três vezes até, como fez Isobel Gowdie, agachado entre as mãos e declarando que "tudo entre essas mãos pertence ao Diabo". Eu escolhi para misturar os dois, recitando o "Pai Nosso" de trás para frente enquanto caminhava para trás, em seguida, agachando-se e afirmando que tudo entre as minhas duas mãos pertence ao Homem de Preto e a nenhuma outra entidade - nem agora, nem nunca. Isso foi muito apreciado pelo Homem de Preto e ele rapidamente apareceu com uma risada.

Se você planeja passar imediatamente para as ofertas, localize uma encruzilhada ou uma clareira abandonada na floresta. O pai da bruxa é particularmente apaixonado por álcool, dinheiro, chifres, chifres ou ossos, penas pretas, plantas venenosas e muito mais. Eu acho que um bom café preto, um copo de absinto ou a pele de uma cobra funciona bem, mas isso também pode ser minhas ofertas pessoais para ele e não aquelas que irão trabalhar com você. Há uma grande quantidade de UPG, que é a Gnose Pessoal Não Verificada, quando se trata de trabalhar com o Pai da Bruxa.

A partir daí, o próprio Man in Black irá instruí-lo ainda mais. Você pode precisar criar certas ferramentas, motivos sagrados e rituais em seu nome antes que ele lhe conceda o seu fogo de bruxa. E, mesmo depois disso, o fogo precisará de cuidados. Este não é um evento único, mas sim um relacionamento contínuo com a entidade, uma maneira de abandonar-se completamente ao caminho sombrio do Antigo.

Conclusão

No testemunho de Isobel Gowdie, o Homem de Preto lhe deu um novo nome e a Marca do Diabo, mordendo-a em seu ombro. Ele então presenteou seu imenso poder e familiares. Da mesma forma, 1928, bruxa de Cambridgeshire, a Velha Mãe Redcap encontrou seu Fogo de Bruxa quando um misterioso homem negro bateu em sua porta, teve que assinar um livro preto e depois deu a ela cinco familiares de uma caixa de madeira. O que o Pai Bruxo lhe dará, que presentes você pode receber, que conhecimento você adquire, tudo é individualizado. Como ele aparece para você e o nome que ele recebe é seu para encontrar. O que se sabe, no entanto, é que o Homem de Preto, enquanto apenas uma entidade de tal, é um portal para o caminho tortuoso, o rasgo do véu e a sabedoria além da sabedoria. Você não tem que trabalhar com o Witch Father para ser uma bruxa, mas você deve trabalhar com o Witch Father para seguir o caminho dele. 

Referências e Leitura Adicional 

A Iniciação do Espírito - A Chave de Corvid 

Liber Nox: Um Grimório da Bruxa Tradicional - Michael Howard 

A Dúzia do Diabo: Treze Ritos Artesanais do Antigo - Gemma Gary 

As Visões de Isobel Gowdie - Gemma Gary 

A História do Diabo - R Lowe Thompson 

O Homem de Preto - Sarah Anne Lawless 

O Homem de Preto - De Madeira e Osso 

O Homem de Preto - Chaosfaun 

O Diabo da Bruxa é um Lorde das Fadas - Visardistofelphame 

"Lúcifer não caiu do Céu. Ele pulou." - uma citação de SamhainSorcery

Fonte: https://aencruzilhada.wixsite.com/aencruzilhada/post/o-pai-das-bruxas [com algumas edições]