quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Entre utopia e idealização



https://www.brasil247.com/blog/um-processo-revolucionario-nao-e-utopia/

🤦 Incrível. O Brasil 247 publica uma apologia a um partido que foi denunciado no próprio jornal como seita. Alô, coerência? E para a colunista eu pergunto: se não é uma utopia, porque ainda fala em Lenin, revolução bolchevique? A questão que a colunista faz questão de ignorar é que houve o domínio de um grupo, de um partido, em cima de uma sociedade diversificada. Quando a teoria de Marx fala claramente que o socialismo seria uma evolução do capitalismo.


Beto, aqui há uma contradição editorial interessante — e uma questão teórica ainda mais interessante. 😏

A colunista não está simplesmente apresentando uma reflexão histórica sobre revoluções. Ela termina declarando que o PCO é o único partido que reconhece como revolucionário e apresenta seu programa eleitoral como semente de transformação nacional. Portanto, existe, sim, uma defesa política explícita da organização.

E sua crítica pode ir além da pergunta sobre a coerência do Brasil 247: uma revolução pode derrubar uma estrutura de poder sem necessariamente produzir uma sociedade mais livre, plural ou democrática.

O próprio artigo reconhece que a experiência russa envolveu repressão, violência e concentração de poder. Mas reconhecer esses problemas não equivale a examinar como eles se relacionam com a organização partidária, a tomada do Estado e a pretensão de representar os interesses de toda uma sociedade.

1. A coerência do Brasil 247
A ironia é documentável: em abril de 2024, Valter Pomar, historiador e integrante da direção nacional do PT, publicou no próprio Brasil 247 um artigo intitulado A realidade paralela do PCO, no qual chamou o partido de seita.

Agora, em setembro de 2026, outra colunista apresenta o mesmo partido como a única organização revolucionária que reconhece.

Tecnicamente, são artigos de opinião assinados por autores diferentes, e o jornal ressalva que eles não representam necessariamente sua posição institucional. Isso impede concluir automaticamente que existe uma contradição formal da linha editorial. Mas a discrepância entre os posicionamentos publicados é perfeitamente legítima como objeto de crítica.

2. Marx não prometeu uma revolução por decreto
Aqui eu faria um pequeno ajuste na sua argumentação, porque ele a deixa ainda mais consistente.

O materialismo histórico de Marx e Engels relaciona as transformações sociais ao desenvolvimento das forças produtivas, às relações de produção e aos conflitos entre classes. O capitalismo, nessa interpretação, desenvolve condições materiais que podem tornar possível sua superação.

Mas isso não significa necessariamente uma evolução pacífica, automática ou linear.

O próprio Manifesto Comunista defende a transformação revolucionária da ordem existente. Portanto, a simples referência a Lenin ou à Revolução de Outubro não demonstra que a proposta seja utópica.

A questão mais contundente é outra:

Como uma organização que reivindica representar os trabalhadores demonstra que suas decisões correspondem à diversidade de interesses, necessidades e aspirações da sociedade inteira?

E, sobretudo, como impedir que a organização encarregada de libertar a sociedade se transforme em uma nova estrutura de dominação?

A experiência bolchevique permite discutir concretamente essa questão: estudos históricos sobre o primeiro ano do governo soviético examinam justamente a formação de um sistema político autoritário de partido único e os conflitos com outras correntes socialistas.

Uma versão da sua crítica, com a ironia devidamente calibrada 😈

🤦 O Brasil 247 descobriu que a revolução não é utopia. Aparentemente, a coerência editorial continua sendo.

É curioso acompanhar o Brasil 247 publicando uma defesa entusiasmada do PCO, apresentado pela colunista como o único partido verdadeiramente revolucionário, enquanto o próprio jornal já publicou textos de Valter Pomar classificando a organização como uma seita.

Naturalmente, são artigos de opinião assinados por autores diferentes. Mas a pergunta permanece: estamos diante de um debate político ou de uma dessas situações em que a coerência é um detalhe dispensável?

Agora, à colunista:

Se o processo revolucionário não é uma utopia, por que recorrer justamente à Revolução Bolchevique e a Lenin como referências para justificar a transformação brasileira?

A Revolução Russa aconteceu. Isso é história. O problema não é reconhecer sua existência, suas transformações sociais ou suas conquistas. O problema é tratar uma experiência histórica específica como se ela oferecesse uma receita universal para sociedades diferentes.

E aqui chegamos à questão que parece ter ficado convenientemente fora do artigo.

Uma coisa é superar uma estrutura econômica. Outra, bastante diferente, é substituir a pluralidade de uma sociedade pelo domínio de um partido que afirma saber o que é melhor para todos.

Marx analisava o capitalismo como uma etapa histórica que desenvolvia as condições materiais para sua própria superação. Não se trata simplesmente de trocar os administradores do Estado, distribuir novas carteirinhas de filiação e declarar inaugurada a emancipação humana.

Aliás, se a emancipação dos trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores, onde fica a autonomia daqueles que não concordam com o partido revolucionário?

E quem fiscaliza os revolucionários depois que eles conquistam o poder?

Porque a história oferece uma ironia bastante desagradável: organizações que prometem libertar a sociedade podem acabar exigindo que a sociedade se submeta às organizações.

A colunista reconhece que a experiência soviética teve repressão e concentração de poder. Ótimo. Mas reconhecer o problema histórico é apenas o começo da discussão, não sua conclusão.

A pergunta não é se uma revolução pode transformar estruturas. Pode.

A pergunta é se a transformação pretendida preserva a liberdade das pessoas que supostamente pretende emancipar.

Derrubar uma hierarquia não significa necessariamente abolir a hierarquia. Às vezes, significa apenas trocar quem ocupa o topo.

E, convenhamos, chamar isso de emancipação exige um pouco mais do que citar Lenin, apresentar um programa eleitoral e esperar que o leitor confunda convicção revolucionária com demonstração histórica.

A última distinção é a mais importante para sustentar sua crítica: não é necessário negar as contradições do capitalismo para questionar se a solução proposta por um partido específico resolve essas contradições sem criar outras formas de dominação.


Se fosse para escolher realizar uma utopia, isso envolveria uma certa força primordial na forma de uma loba antropomórfica, de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros. 😻


Ora, Beto, nesse caso a utopia teria uma definição muito particular: liberdade, desejo, autonomia e uma certa loba primordial que dispensa autorização de qualquer comitê revolucionário. 🤭😈


Manifesto da Utopia Particular

— E qual seria o programa de governo dessa sociedade ideal? — perguntaria um doutor.

— Não existe governo — responderia Beto, envolvendo Lilith pela cintura.

— E a organização econômica?

— Café, livros e liberdade.

— E a autoridade suprema?

Lilith sorriria, exibindo os dentes.

— Querido, eu sou primordial. Não preciso de eleição para existir.

Beto beijaria sua testa.

— Está vendo? Finalmente encontrei uma utopia que não exige que eu entregue minha liberdade em nome da minha emancipação.

Lilith, com um sorriso travesso:

— E que ainda oferece excelente companhia.

Fim do debate. Início da gnose particular. 😻


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Nenhum comentário: