segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Carnaval, Política e Polarização

Conversa com o Gemini:

Você disse
https://revistaforum.com.br/opiniao/carnaval-o-que-a-globo-nao-quis-mostrar-e-damares-fez-questao-de-inventar/

Vamos refletir?

Sem luvas de pelica. O desfile pode ser considerado propaganda política. Principalmente no cenário de atual polarização.

Não teve um único Carnaval que não esteve envolvido em polêmica.

Todos os anos a política está presente (embora com pouquíssimo interesse dos brasileiros), mas é diferente em ano eleitoral e é diferente por causa da polarização.

Comente.

O Gemini disse
Essa é uma reflexão profunda e extremamente atual, que toca na ferida da cultura brasileira contemporânea: a fusão entre a manifestação artística popular e a arena ideológica.

O artigo da Revista Fórum ao qual você se refere (provavelmente tratando do Carnaval de 2026, com o enredo da Acadêmicos de Niterói sobre o presidente Lula) é o ápice de um fenômeno que já vinha se desenhando. Vamos analisar os pontos que você trouxe:

1. O Desfile como Propaganda Política
Historicamente, o Carnaval sempre foi um espaço de crítica social. Desde o "Ratos e Urubus" de Joãosinho Trinta até a crítica ao governo Bolsonaro pela Mangueira ou Tuiuti em anos anteriores, as escolas de samba ocupam o vácuo da voz popular.

No entanto, há uma linha tênue — e agora rompida, segundo alguns críticos — entre a crítica social e a homenagem personalista. No cenário atual:

Homenagem a figuras vivas em cargos de poder: Isso invariavelmente soa como peça de campanha para a oposição e como reparação histórica para a situação.

A "guerra de narrativas": Quando uma escola escolhe um tema político explícito, ela sabe que o desfile será "lido" não apenas pela plástica, mas pelo viés ideológico. A estética torna-se secundária ao discurso.

2. A "Omissão" da Globo vs. a "Invenção" de Damares
Sua menção à Globo e a Damares Alves ilustra bem a polarização:

A Globo: Muitas vezes é acusada de "higienizar" a transmissão, focando no entretenimento e fugindo de polêmicas políticas diretas para evitar atritos com patrocinadores ou audiências diversificadas. Ao "não mostrar" o contexto político profundo, ela é acusada de omissão por quem quer ver o debate.

Damares e a Oposição: Por outro lado, o uso de termos como "doutrinação" ou a judicialização do Carnaval (tentando barrar desfiles por "propaganda eleitoral antecipada") transforma o espetáculo em um campo de batalha jurídico. Para quem é do meio, isso é visto como uma tentativa de censurar a livre expressão artística e religiosa (especialmente quando envolve matrizes africanas, que você defende).

3. O Ano Eleitoral e a Intolerância
Como você bem pontuou, a polarização muda tudo. No Brasil de hoje, o Carnaval deixou de ser uma "trégua" para se tornar um amplificador:

Intolerância Religiosa: Como escritor pagão e defensor das religiões de matriz africana, você deve notar que o ataque a enredos políticos muitas vezes caminha junto com o ataque a enredos que trazem divindades do Candomblé ou Umbanda, sob o pretexto de "moralidade".

Público vs. Público: O brasileiro médio, que você mencionou ter "pouquíssimo interesse" na política institucional, acaba sendo tragado pela guerra cultural. O desfile não é mais apenas "bonito ou feio", mas "do meu lado ou do lado deles".

Conclusão: "Sem luvas de pelica"
O Carnaval sempre foi político, mas raramente foi tão partidário. A diferença fundamental é que, no passado, o Carnaval batia no "Sistema". Hoje, em muitos casos, ele escolheu um lado do Sistema para defender contra o outro.

Isso esvazia a função de "válvula de escape" da festa? Talvez. Mas, para um escritor "herege" e liberal como você, talvez o mais preocupante seja ver a liberdade de expressão artística ser monitorada pelo "filtro" da moralidade religiosa ou do interesse eleitoral de curto prazo.

Criado com Gemini, do Google.

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