sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Vivendo em Aliança

Calma, caros diletos e eventuais leitores, este escritor pagão não se converteu. Este é um ensaio feito para explorar alguns termos e conceitos wiccanos.
Comecemos com as lendas e textos da Idade Média que nos contam das assembléas das bruxas.
Quando Gardner organizou a estrutura da Wicca, ele denominou de "coven" às reuniões do seu grupo.
O termo "coven" provém do latim "covenire", que significa exatamente reunião, assembléia.
Existe também o termo "covenant" que significa contrato, acordo, pacto, aliança.
O conceito de "fazer uma aliança com Deus" foi e é muito difundido e propagandeado por padres e pastores.
Nos textos dos processos do Santo Ofício era muito comum a acusação de que as bruxas tinham feito um pacto com o Diabo.
Na visão teológica católica, hereges e bruxas eram, por natureza, adoradores do Diabo e, portanto, faziam tudo às avessas da Santa Doutrina Cristã.
Ao pleitear por seu ingresso, o neófito, depois de passar pelo treinamento formal e a transmissão oral da tradição, deve fazer um voto, um juramento, ["oath"] tal como está implicito ao se firmar um contrato ou se estabelcer um acordo.
Parece-me que este é o verdadeiro sentido do termo "coven", a saber, equiparando com o termo "covenant", o neófito não empenha sua palavra unicamente para ingressar como membro de uma assembléia, mas também celebra um pacto, uma aliança, com o Deus e a Deusa [divindades específicas] cultuados pelo grupo, ato que se consuma na iniciação e ao se proferir o voto, o juramento, diante daqueles que serão sua família e diante dos Deuses.
Para uma vida em comum, especialmente no que diz respeito ao meio pagão, bruxo e wiccano, fica bastante explicito as condições, o que contrasta com os conceitos populistas divulgados pela internet. Viver em aliança, com uma comunidade, com os Deuses, requer um compromisso sincero, profundo e honesto, não há espaço para agendas pessoais nem conflitos entre egos.
Assim como no casamento, onde o anel é o símbolo da aliança, no coven, a ação cerimonial de lançar o círculo é o ato sagrado em que se reencena nosso compromisso com os nossos iguais, preservando a tradição e servindo a Deuses específicos. Qualquer coisa abaixo ou menor do que isto é simplesmente alimentar a vaidade, a presunção e a arrogância do líder carismático, do vigarista disfarçado de guru, do estelionatário travestido de sacerdote.

Um comentário:

Qelimath disse...

É porque nunca tiveram, mas quem sabe, eventualmente aprendem com o exemplo :D