quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Jogos juvenis

Em um texto que eu escrevi para o forum Amber and Jet, eu levantei uma dúvida [traduzido]:
Por que alguns pagãos, bruxos e wiccanos [ou alegados] pensam ser certo serem pagãos/bruxos/wiccanos e permanecerem cristãos, como e por que estas pessoas querem enfiar na minha garganta essa idéia politicamente correta de não criticar a Igreja.
Então eu recebi o comentário do Joseph Carriker, o qual eu reproduzo, traduzido:
Talvez isso seja menos sobre politicamente correto e mais sobre superar isso.
Nós não ficamos em volta pelas atrocidades do passado – a indignação por causa da caça às bruxas e coisas parecidas não é nossa carga. Muitos de nós tem sido feridos por nossas experiências na Igreja, mas nós temos que entender que as pessoas são responsáveis por suas ações e que manter uma instituição como totalmente responsável pela ação dos intolerantes em seu meio não é apenas fútil, mas muda a responsabilidade destas ações para longe dos indivíduos que são culpados.
Muitos de nós cresceu no Cristianismo. Nós crescemos sendo alimentados com esta idéia que tomamos como intrínseca à religião que nós trazemos para o Paganismo: que há um Grande Inimigo conspirando contra nós. Quando éramos cristãos, era Satan. Agora, são os Cristãos.
Pare de fazer esse jogo.
Essas crenças que sustentam esta filosofia requer um inimigo para chamar a atenção de seus seguidores para que eles não olhem para dentro. A forma mais fácil de criar coesão de grupo é identificar e difamar um grupo externo como o Inimigo e manter a atenção das pessoas neles. Uma estratégia juvenil que não é bom tomar parte.
Sim, alguns grupos do Cristianismo (e outras crenças, para ser justo) podem ter decidido que nós somos o Inimigo, mas eu escolhi não participar desse jogo pequeno. Eu tenho coisas melhores a fazer, como trabalhar para nossos Deuses.
Joseph Carriker, Alexandrian 2*
Este blog tem espaço também para autocrítica. Realmente, superar os traumas que nossa criação dentro do Cristianismo nos causou é muito difícil, árduo e complicado.
Quando eu critico a Igreja, eu o faço exatamente visando não a instituição, mas as pessoas que a compõe. Mudando a forma como essas pessoas pensam, muda-se ou aniquila-se a instituição. Mudando ou aniquilando a Igreja, tal como esta está organizada desde Constantino, permitirá ao Cristianismo e aos Cristãos desenvolverem o seu melhor potencial. Mesmo porque ainda não estamos totalmente livres de que ocorra novamente as mesmas condições que deram origem às Cruzadas e à Caça às Bruxas, haja visto o fundamentalismo cristão que surgiu e cresce nos grupos Evangélicos. Então por enquanto eu não vou largar o osso.
PS: Eu pergunto "por que não criticar a Igreja", quando a questão é "por que deveria criticá-la". Não é esse o meu trabalho. Não é essa minha função. O que os Cristãos fazem ou crêem não é assunto meu. Há tempos eu estou cansado de ser o polêmico, o controvertido. Há tempos eu estou cansado de tentar despertar a humanidade. Talvez eu ainda não esteja pronto para dar o passo final para a cura, para a paz interior. Por enquanto é simplesmente cansaço, até de mim mesmo. Cansado de tentar debater, de dialogar, cansado de ser constantemente mal-entendido até no meio Pagão. Cansado de tentar sinalizar aos Pagãos que estamos indo perigosamente na mesma direção que as religiões majoritárias um dia foram, em direção aos recifes do sectarismo, do autoritarismo, do culto à personalidade, dos falsos gurus, das arapucas esotéricas. Portanto termino este texto com reticências...

2 comentários:

AZARÃO disse...

pois não largue o osso nunca. Não largar o osso significa nos manter pensantes, se pensamos correta ou erradamente pouco importa, importa pensar, e não aceitar passivamente uma crença, seja ela qual for.

Qelimath disse...

Beto,

Antes de tudo, paz.
Você não precisa publicar este comentário se não quiser.

Eu ia lhe escrever e vi este post. E sim, gostaria de fazer um simples comentário sobre ele: você está começando a perceber a sutil diferença entre compreender o valor do cristianismo e apoiar o bispo de Roma. Se assim não fosse, não teria se aberto à esta autocrítica, o que me fez reconsiderar as opiniões que tinha sobre sua pessoa, que até então me parecia absurdamente inflexível.

Para te falar a real, eu cansei dos 'bruxos/pagãos fundamentalistas', que são terrivelmente preconceituosos dentre si, enormemente afeitos a conflitos e todos são em certa medida passíveis de críticas (eu mesma inclusa).

Penso que quanto mais batemos nesta tecla "anti-cristianismo", mais poder damos à "instituição" de Roma. Ao recusarmos Cristo como uma 'deidade válida' quanto qualquer outra, criamos oposição e rejeição justamente naquelas pessoas que buscamos despertar para uma realidade mais profunda. Penso eu que não podemos mudar a disposição dos cristãos em perceber-nos como inimigos comportando-se da mesma forma...

Enfim, estas são as minhas reflexões, e embora saiba que a paz seja um estado longínquo em nossas relações, espero que você comece a contemplar-me pouco mais do que pelo valor de capa dado por aqueles com mais agenda oculta do que eu.

Se peguei pesado contigo, por favor perdoe-me. Seus comentários, embora falhos de uma perspectiva mais ampla, me pegaram em um mau momento. Aliados com as pré-disposições aos termos e à minha 'persona', talvez você não pudesse ver diferente.

De toda forma, fica aqui minha intenção amistosa.

Katy