quarta-feira, 20 de julho de 2011

Lucária

Dia 19 de Julho é data da celebração da Lucaria, ou festa realizada num bosque sagrado (no caso de Roma, a referida floresta ficava perto da cidade). O termo «Lucaria» deriva de «Lucus», ou bosque, e tem um teor religioso. Uma variante do nome «Lucaria» é «Lucéria».
Este elemento religioso da cultura romana parece ser um dos pontos em comum entre Celtas e Latinos, pois que os primeiros também tinham os bosques em alta consideração sacral.
Na Galiza, a cidade de Lugo, ou deriva a sua designação do teónimo céltico Lugus (o maior Deus do Ocidente Céltico, amplamente adorado na Gália e na Irlanda, e, provavelmente, igualmente venerado na Ibéria céltica) ou então deve o seu nome a uma derivação do Latim «Lucus». Ora, tendo havido na Galiza uma antiga povoação de nome Nemetóbriga, em que «Nem-» é raiz céltica para expressar «sagrado» e «briga» designa povoação em lugar alto e fortificado, é provável que tal sacralização do bosque esteja ligada ao nome de Lugo.
Entre os Romanos, esta festa tinha um significado mais propriamente histórico. Assim, depois da derrota dos Romanos perante a horda invasora gaulesa, em 363 a.u.c. («ab urbe condita», isto é, «desde a fundação da cidade» - datação romana pagã), ou 390 a.c.(antes da era cristã), os romanos sobreviventes esconderam-se nos bosques (lucus), razão pela qual este dia é consagrado à Lucaria. Então, os ditos sobreviventes reuniram-se, e, num ataque surpresa, exerceram vingança sobre os Gauleses, os quais entretanto estavam já a deixar para trás o Lácio.
Ora esta história pode ser mais simbólica do que propriamente histórica e não é impossível que tenha surgido para explicar uma arcaica adoração nos bosques, elemento que, como se disse acima, os mais antigos Latinos partilhavam com os seus irmãos Celtas.
A festividade da Lucária celebrava-se num pequeno bosque entre a Via Salária e o rio Tibre e nenhum Deus era referido pelo nome, usando-se, na purificação da floresta, a invocação Si Deus Si Dea, significando «Sejas Deus ou sejas Deusa», o que traduz uma concepção de Sagrado abstracto e imanente na floresta, algo de numinoso, Potência Nua, sem personalidade, pura Divindade.
A Lucaria constitui, em termos rituais, a limpeza do chão na mata para «deixar entrar a luz» e era celebrada no bosque de Leucaria, entre a via Salária e o rio Tibre.
O académico espanhol Garcia Quintela associa a Lucária ao cerimonial céltico irlandês de Taltiu, mãe de Lugh (versão irlandesa do nome Lugus), e ao festejo, na Galiza, de santos locais no final de Julho.
Autor: Caturo
Fonte: Gladius

Os rituais da Deusa

Trecho de um texto interessante, escrito por Star Foster, divulgado no Pantheon, Patheos:
Eu tenho encontrado grande consolação na Carga da Deusa. Como pagã eu não tenho "escrituras" mas a Carga é o que há de mais próximo de uma autoridade escrita externa. O tipo de "Divina Promessa" ou segurança espiritual.
"Que a adoração a Ela esteja no coração que regozija; pois vede, todos os atos de amor e prazer são Seus rituais."[sacred texts]
Nota deste pagão/tradutor. No mesmo site, há outra passagem da Carga da Deusa: "Que minha adoração esteja no coração daquele que regozija, pois vede: todos os atos de amor e prazer são meus rituais e então que haja beleza e força, poder e compaixão, honra e humildade, júbilo e reverência em vós."[sacred texts]
Todos os atos de amor. Todos atos de amor. Não há uma condicional. Sem preferências pelo amor heterossexual, amor platônico, afeto familiar. Sem limites quanto a profundidade ou extensão ou intensidade. Todos os atos de amor. O único pré-requisito é ação.
Agindo por amor, manifestando amor e comunicando amor são todos formas de honrar a Deusa da Wicca/Bruxaria. Quando eu abraço um amigo, este é um ritual em sua honra. Quando eu defendo o direito de outra pessoa de amar, este é um ritual em sua honra. Quando eu seguro a porta aberta para um idoso ou deficiente, este é um ritual em sua honra. O amor da beleza, da honra, da justiça, do chocolate e dos girassóis são todos rituais que honram a Deusa.
Eu acho que isto é a chave a se lembrar enquanto continuamos a lutar pelos direitos. Nós faezmos isto por amor e nosso amor é um ritual, uma oferenda e uma benção. Por que a Deusa assim diz. Embora outros possam tentar colocar a moral por cima, falharão porque lhes falta amor. Allah, Jesus, Yahweh, Buddha e todos os grandes sábios nos ensinaram a amar. Pagãos não são diferentes, exceto que nos recusamos a definir qual amor é aceitável. Amor que não causa dano é uma benção. É um ritual.
Como wiccana, este é o fundamento de minha religião. Onde vive o amor eu adoro. Eu conecto com tudo que é divino. É o amor que nutre minha vontade e aquece minha minha magia. Onde não há amor, há aridez e eu me recuso caminhar no seco, árido, locais mortos de ódio, crueldade e desonra. Eu sou humana, eu cometerei erros, mas não há cotas em nosso amor. Amar é agir, agir por amor é honrar meus Deuses e honrar meus Deuses é procurar por justiça, honra e liberdade. Encontrar o balanço e a harmonia na vida.
E outro texto, de Jarred Harris, no One's Pagan Heart, que o oráculo virtual [google] indicou, coloca algumas "condições":
Para realmente entender [a Carga da Deusa - NT], nós temos que olhar esta declaração em seu contexto. "Todos os atos de amor e prazer são meus rituais" não é a citação inteira. Esta é uma cláusula em uma sentença tirada da "Carga da Deusa", um pedaço da liturgia wiccana geralmente atribuída a Doreen Valiente.
Notem que a sentença que segue depois da frase bem conhecida começa "E então que haja..." Esta frase deixa claro que esta sentença é uma continuação da mesma linha de pensamento do que o início de um novo assunto. Essencialmente, indica que as virtudes listadas na nova sentença são diretamente relacionadas com a sentença anterior. Com efeito, a carga está listando características que são essenciais para "atos de amor e prazer."
Esta é a maior falha em umitos argumentos onde a clausula "todos os atos de amor e prazer" é usada para justificar comportamentos duvidosos. Aqueles que propõem este argumento estão tentando definir "atos de amor e prazer" por suas próprias definições superficiais, utilitaristas e egoístas. O problema é que o resto da carga não permite isto, porque claramente diz que para que seja um "ato de amor e prazer", um dado ato ou comportamento deve possuir e sustentar estas virtudes. Na verdade, qualquer ato que não demonstra estas virtudes não podem por definição ser um "ato de amor e prazer." Então olhemos para cada uma dessas virtudes e suas implicações.
A primeira virtude é beleza. Significa que cada ato - e seus resultados ou consequências - devem ser algo belo de se ver. Durante e após o ato, todas as pessoas envolvidas ou afetadas por ele devem ser capazes de olhar e ter satisfação e ver beleza nele.
A virtude seguinte é força. Todos os atos devem vir de e sustentar uma posição de força. A pessoa que faz um "ato de amor e prazer" como uma forma de acobertar sua fraqueza - ou pior, enfraquecer outros - afastou-se do amor e deturpou o prazer em algo que não deveria. Neste sentido, força é contrário à necessidade. Um verdadeiro ato de amor e prazer não é feito sem necessidade, mas de uma posição de mútuo desejo.
Poder, a virtude seguinte, está relacionada à força. Neste sentido, eu diria que "poder" aqui é a escolha. Um verdadeiro "ato de amor e prazer" envolve escolha e uma pessoa que executa tal ato por seu livre-arbítrio, ao invés de coerção ou compulsão. Neste sentido, atos envolvendo mais de uma pessoa são sobre igualdade e escolha mútua. Uma pessoa que manipula emocionalmente outra em tal ato não é melhor do que a pessoa que faz o mesmo por força física.
A virtude seguinte, compaixão, é sobre mitigar o próprio poder quando lida com outro. Isto é sobre tomar as necessidades, desejos, direitos e bem-estar de outros em conta. Atos onde alguém se preocupa apenas com sua própria força, escolha, apreciação da beleza e outra virtude ainda falha em ser verdadeiro a respeito de "amor e prazer."
A virtude seguinte, honra, é igualmente importante. Por experiência própria eu aprendi que se nós não mantivermos nossa integridade intacta, então nos tornamos nada. Por causa disto, está bem claro para mim que sem integridade em nossos relacionamentos, eles se tornarão nada. Uma pessoa que não mantém seu caráter não pode amar, então como ele pode cometer um ato de amor?
Humildade, como compaixão, é sobre outra pessoa. Onde há compaixão nos lembramos em pensar na outra pessoa, humildade vai um passo além e nos lembrar que é sobre o ato em si. Um verdadeiro ato de amor e prazer é sobre um laço entre duas almas. A menos que queiremos tomar nosso devido lugar ao invés de permitir aos nossos egos arrotarem, não há amor dividido em sentido algum.
É estranho pensar em júbilo como sendo importante aspecto do amor e prazer, não obstante é importante. Júbilo é sobre ser capaz de acender nosso coração e aproveitar o amor que dividimos. Talvez se nós como sociedade aprendessemos o valor do júbilo em todos os aspectos de nossos relacionamentos, não haveriam tantas histórias sobre "ansiedade de performance" e problemas estressantes similares.
A virtude final, reverência, novamente nos leva para fora de nós. É sobre respeitar o outro e o ato em si mesmo. É uma compreensão de que se nós iremos declarar isto verdadeiramente um "ato de amor e prazer", que é realmente sagrado. Reverência nos ensina que coisas sagradas devem ser tratadas como algo especial.
Agora que olhamos para as virtudes listadas - às quais devem absolutamente existir, senão um ato falhará em ser verdadeiramente sobre amor e prazer - é tempo de olhar para o começo da primeira sentença. Antes de declarar que todos os atos de amor e prazer serem os rituais da Deusa, a carga primeiro chama pelo louvor da Deusa  estar "no coração de quem regozija." Isto é igualmente significante. Imediatamente seguindo esta cláusula e como uma guia para as cláusulas bem conhecidas, vem a frase conectiva "pois vede." Isto nos diz que um coração que regozija é também significativo para que todos os atos de amor e prazer. Em verdade, para os corações que regozijam estão o resultado final e efeito direto de um real "ato de amor e prazer." Assim sendo, aquele que realmente deseja avaliar se seus "atos de amor e prazer" devem não apenas serem considerados quão bem refletem, possuem e suportam as virtudes discutidas, mas tabém deve considerar o estado resultante nos corações daqueles envolvidos.
Neste blog há diversos outros textos e tópicos sobre o assunto. E mesmo assim estamos longe de compreender e praticar absolutamente esta doutrina aparentemente tão simples.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Antiguidades místicas paraguaias

Você quer adicionar um pouco mais de sentido e profundidade na vida? Não está mais encontrando respostas apenas em latinhas de cerveja? Se você está em busca de novas crenças, ou tem apenas curiosidade de conhecê-las, porque não se aprofundar em uma antiga e mística?
Mas tome cuidado quando você está escolhendo, porque algumas dessas "antigas" práticas são tão autênticas quanto uma nota de três reais. Confira abaixo 7 formas de crenças "antigas" que tiveram uma invenção recente:
Ioga
Se você perguntar para qualquer expert em ioga a quanto tempo existe essa atividade, ele possivelmente dirá que ela é praticada há mais ou menos 5 mil anos. Em outras palavras, centenas de anos antes dos aliens construírem as pirâmides egípcias, pessoas já se alongavam e refletiam serenamente.
A realidade: a ioga como conhecemos hoje – um conjunto de posturas combinadas com técnicas de respiração – remontam aos anos 1960. "Mas como assim? Estão me enganando!", você grita rasgando seu colchonete de ioga em dois. Bem, é que 5 mil anos de idade foi a quando foi encontrada uma imagem no Vale do Indo de um homem sentado de pernas cruzadas. Mas convenhamos, embora essa seja uma das principais posições do ioga, é também uma maneira de se sentar em uma superfície plana.
A palavra ioga também é mencionada em alguns textos religiosos hindus de 2,5 mil anos de idade, mas é provável que tenha sido usada com outro significado, relacionado com cavalos.
Apenas no século 19 um príncipe indiano chamado Krishnaraja Wodeyar III produziu algo parecido com o que chamamos de ioga hoje: um manual chamado Sritattvanidhi, que listou 122 posições inspiradas principalmente na ginástica indiana. O que realmente influenciou o ioga moderno, entretanto, foi o Império Britânico que introduziu aos índios à nova mania de exercícios que varria a Europa no momento.
Depois, um cara chamado B.K.S. Iyengar veio com a ideia de combinar essas técnicas de exercício com alguns dos ensinamentos descritos nos textos antigos hindus, como o Yoga Sutras, na década de 1960. Desde então, os fãs de ioga têm crescido aos milhões, mas poucos percebem que estão praticando uma versão de aula de ginástica do início do século 20.
Tarô
Qualquer coisa relacionada com cartas de tarô provavelmente vai ser descrita como antiga e misteriosa. De acordo com os fãs das cartas, elas têm origem no Egito antigo, e através do tempo, por algum motivo, acabaram relacionadas com cabala e com mitos do Santo Graal.
A realidade: as cartas de tarô foram originalmente concebidas não para serem observadas por pessoas enquanto elas ouvem música de harpa e fazem adivinhações, mas para servirem para um jogo de cartas semelhante a qualquer outro dos dias atuais.
As pessoas só começaram a usar o tarô para descobrir sua fortuna há cerca de 250 anos. Isso representa bons 400 anos depois que as cartas foram importadas do Oriente Médio para as outras partes do mundo. Cartões normais de jogo têm uma história mais longa na Europa do que cartas de tarô, precedendo-as por no mínimo 50 anos.
Satanismo
Se formos ter a cultura popular como base, o satanismo teria existido desde nossos primeiros antepassados. Filmes como A Nona Porta, estrelado por Christopher Lee, retratam satanistas praticamente na Idade Média.
A realidade: o satanismo como conhecemos hoje, com pentagramas, cruzes invertidas e devoção por roupas pretas desbotadas, data do ano de 1966 e foi inventado por um músico chamado Anton LaVey. Isso torna o satanismo mais jovem do que os Rolling Stones. Claro, você pode encontrar descrições de atividades satanistas de vários séculos passados. Mas esse "satanismo" deve ser uma má interpretação de uma prática religiosa obscura e não o que conhecemos hoje.
Ouija
Há quem ache que o tabuleiro Ouija é um passatempo inofensivo ou um portal para o inferno feito de papelão. Sejam amantes ou inimigos de Ouija, todos concordam com uma coisa: as placas para evocar espírito têm uma história longa e misteriosa, tendo surgido na China antiga ou até mesmo com os romanos.
A realidade: o tabuleiro Ouija é tão místico como uma boneca da Optimus Prime: na verdade, as duas criações são de propriedade da mesma pessoa. O tabuleiro foi inventado por empresários em 1890, e ainda hoje a palavra "Ouija" é uma marca registrada da companhia Parker Brothers.
Os ritos Ouija são confundidos com a prática chinesa "Fuji", que envolve um método completamente diferente de adivinhação e usa uma vara para escolher os caracteres chineses escritos em areia. Outras culturas antigas podem ter usado métodos vagamente semelhantes para obter conhecimentos ocultos sobre o futuro, através de "espíritos". Mas dizer que estes ritos eram Ouija é como dizer que as corridas de carruagem romana eram uma antiga forma de Stock Car.
Ninjitsu
A coleção secreta de sabedorias e habilidades ninjas conhecida como "ninjutsu" tem em torno de mil anos, segundo alguns praticantes. Mas você pode aprendê-la ainda hoje! Mesmo que na América atual não exista um sistema de classes rígidas com senhores feudais para lutar contra.
A realidade: ninjas nunca usaram macacões pretos e máscaras, como Hollywood nos ensinou. Mas eles existiram, certo? Sim, provavelmente, mas não antes do século 20. A escola de Stephen Hayes, que popularizou ninjutsu no Ocidente na década de 1970, não foi nem sequer levada a sério pelas tradicionais escolas de artes marciais no Japão. Suas pretensões de legitimidade histórica são baseadas em um monte de antigos pergaminhos que seu líder se recusa a mostrar para qualquer pessoa.
Fryday 13th
De acordo com Dan Brown, a má reputação da sexta-feira 13 remonta a 13 de outubro de 1307. Dezenas de cavaleiros templários foram presos pelo rei corrupto da França, enquanto ansiavam pelo fim de semana. Os cavaleiros, cuja missão era proteger os peregrinos na Terra Santa, foram presos e torturados, e seu líder foi queimado na fogueira. Antes de morrer, ele lançou uma maldição sobre os presentes, e muitos morreram dentro de um ano. Os franceses ficaram tão impressionados com isso que obedientemente decidiram não só lembrar da maldição para sempre, mas também maldizer as sextas 13.
A realidade: há abundantes referências históricas para explicar o motivo da sexta-feira 13 e do próprio número ser considerado azarado. Mas, em um exemplo da vida imitando a arte, ninguém ligava em se casar ou não às sextas ou dias 13 até o início do século 20, depois de um romance best-seller com o nome de "Friday the Thirteenth" (Sexta-Feira 13) ter sido lançado.
Esse livro de 1907 conta a história de um empresário desonesto que conspirava para derrubar o mercado de ações. Sim, sem máscaras de hóqueis, apenas negócios. Mas, inexplicavelmente, a partir daí a data ficou marcada negativamente em nosso calendário.
Asatru
Vikings são tão impressionantes quanto os mitos da Escandinávia pré-cristã que os acompanham. Há desde martelos gigantes até cavalos de oito patas nas histórias épicas. Mas para muitas pessoas – aqueles que sentem uma profunda ligação com a cultura nórdica e querem se juntar a uma gangue ou apenas estão zangadas por seus pais fazerem elas se levantarem cedo para ir à igreja – o paganismo escandinavo continua vivo. Ele é conhecido como Odinismo ou Asatru por seus seguidores modernos.
A realidade: praticamente tudo que sabemos sobre o paganismo escandinavo vem do Eddas, dois livros compilados no século 13 por um cara hilariante, conhecido como Snorri Sturluson. Mas espere, o século 13 ainda é bastante antigo, certo? Sim, mas há um problema aqui: Snorri escreveu os livros centenas de anos após a Escandinávia ter sido cristianizada. Para muitos estudiosos o Ragnarok – o conhecido fim do mundo viking – é apenas uma releitura do Apocalipse.
Fonte: Hypescience
Nota da casa: Não pensem, caros diletos e eventuais leitores, que é fácil ser um pagão moderno e estudar as Religiões Antigas, o Paganismo e a Bruxaria Modernos e a Wica.

sábado, 16 de julho de 2011

Castor e Polux

Castor e Polux [Gladius]
Dia 15 de Julho é marcado por um festejo, realizado de cinco em cinco anos, em honra dos gémeos Castor e Pollux, o qual consistia numa grande parada de cavalaria.
Os Gémeos apareceram neste dia em 585 a.u.c. (ab urbe condita, isto é, antes da formação da cidade, de Roma, fundada em 753 a.e.c.) ou 168 a.e.c. (antes da era cristã), profetizando a vitória romana sobre a Macedónia.
Junto ao lago Régilo, durante a batalha entre as forças romanas, lideradas pelo ditador Aulo Postumio, e as tropas de Octavio Mamilio, líder da cidade de Túsculo, os Gémeos Castor e Pollux foram vistos lutando, a cavalo, ao lado da Cidade da Loba (Roma).
E, neste dia, 15 de Julho, sucedeu que os Tindáridas (filhos de Tíndáreo, espartano, e de Leda) apareceram a Publio Vatinio (possivelmente, um prefeito da cidade de Reata), durante a noite, quando este se deslocava de Reata para Roma: dois jovens, montados em cavalos brancos, disseram a Publio que, nesse dia, as hostes romanas lideradas por Lucio Emílio Paulo tinham capturado Perses, rei da Macedónia. Publio Vatinio foi encarcerado por ter dito isto ao Senado, acusado de ter falado de assuntos estatais importantíssimos de um modo demasiado ligeiro; doze dias depois, chegava a missiva (tabellae ou litterae laureatae, que dava conhecimento de uma vitória militar), entregue a Gaio Licinio, que noticiava a dita vitória, motivo pelo qual Publio Vatinio foi solto e compensado, ou com isenção do serviço militar, ou com uma isenção de carácter tributário. Este evento levou os Romanos a construirem um templo dedicado a Castor ao pé do poço onde davam de beber aos cavalos. Castor representava com efeito os cavaleiros, enquanto Pollux simbolizava os pugilistas, os lutadores propriamente ditos.
A parada começava no Templo de Marte, fora da cidade, e terminava no Forum. Era a chamada Tranvectio Equitum: uma procissão de Equites ou Cavaleiros, com togas vermelhas, montados em cavalos brancos, que iam da Porta Capena até ao Capitolium, parando ao longo do caminho para sacrificar no templo de Castor e Pollux.
Os Gémeos Castor e Pollux, de origem helénica, constituem a versão meridional da figura dos Gémeos que faz parte de várias tradições indo-europeias, tais como a védica (ariana da Índia) e a germânica.
Autor: Caturo
Fonte: Gladius

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A bruxa como fato

Não queremos reviver a bruxaria, uma vez que ela nunca morreu pra nós, mas sim continuou seu legado através de nossa linhagem sanguínea e espiritual.
Não temos porque erguer a bandeira do paganismo, uma vez que vivemos na era cristã e não defendemos uma era, mas sim fazemos um egresso, seja na era que for.
A bruxaria não é pagã ou cristã, ela simplesmente é!
Ela não se veste de bandeiras nem religiões, quem a veste dessa forma são as pessoas que querem ser bruxas sem o ser de fato.
Reavivar um caminho espiritual mágico fundamentando-o numa defesa onde os argumentos são mais parecidos como se fossem um povo que nunca morreu, é balela, pois a bruxaria passou por modificações, transformações em sua longa vida, e todo mundo morre um dia, deixando descendentes que transmitiram a semente às novas gerações, assim como tudo na natureza é mutável, assim como são em todos os anos, as estações, e as estações reencarnam como nós também reencarnamos e nos dirigimos aos nossos iguais. As estações não são pagãs nem cristãs, nem mulçumanas, nem judaicas, elas são fluxos da natureza, assim como nós, e estamos todos interligados, e tradicionalmente não precisamos ditar regras de controle, apenas podemos deixar a Arte Bruxa fluir como nossos antepassados fizeram. Controle é o seguinte: "tudo que prende, não pode libertar". Quem vive na barra da saia de uma instituição é porque não cresceu o suficiente para andar sozinho e fazer suas escolhas próprias.
A Arte Bruxa vive em nós e em tudo, não precisamos gesticular igual, vestir roupa igual e pensar igualmente, cada ser humano é um ser ímpar, com pensamentos próprios, gestos próprios e gostos próprios, e isso deve ser preservado em sua individualidade. Nós não somos um povo que viveu numa única ilha do mundo, nós estamos em todos os lugares, e em nós, flui a tradição. Se você tem poder em sua voz bruxa, certamente conseguirá conjurar um espírito, um santo, um deus, uma deusa, um diabo, um encanto, etc, mas se não tiver, ficará anos e anos chamando e nunca terá uma resposta.
É comum para a verdadeira bruxa, utilizar elementos de todas as religiões, espiritualidades, folclores do mundo inteiro que se alinham consigo, e filosofias que bem entender, pois a bruxa lida com tudo que bem entender, ela não é um movimento pagão, nem mesmo é pagã de fato, pois quem já foi verdadeiramente uma bruxa pagã já está morta há muito tempo e se encontra no rol de nossos ancestrais, e de certo que ela teve um filho ou filha como herdeiros, e até mesmo seus agregados que transcenderam a carne.
O legado deixado por ela, é a semente que se encontra hoje em nós, que vivemos na era cristã numa boa e sem conflito com isso, afinal, somos hereges e abarcamos o todo, não nos limitamos à uma única religião, culto, filosofia, entidade, deidade, demônio, instituição, cultura, povo, etc, enfim, não nos limitamos, somos indomados.
A visão de mundo dos antigos ocultistas (aqui entre nós, eles foram os fodões de sua época enquanto bruxos e magos), que ensinavam aquilo que é perene, é TRADICIONAL para nós, por isso, UNO. Por isso somos bruxos tradicionais.
Podemos chegar para um Asatrú, um Wiccano, um Neo-Druída, um Thelemita, e dizer: sou bruxo tradicional, ou seja, sou bruxo a moda antiga, a filosofia que mais me agrada é a perene, sou herege, não fui feito de religião pois nunca precisei me religar a fonte da qual eu nunca estive desconectado, não fui feito pelas mãos de Gardner, nem por Tribann, nem por Crowley ou La Vey, o que carrego comigo, vem de família, e se cheguei de algum modo passar por essas artes modernas, eu já era bruxo quando cheguei nelas pra conhecê-las.
Então:
Se você recebeu uma cultura de um país, então você recebeu somente uma cultura de um país, isso não faz de você uma bruxa.
Se você nasceu bruxa e reencontrou sua família, bom pra você, é o que queremos pra nossa gente, mas ninguém lhe obriga a se filiar em alguma instituição filantrópica de magia, da qual o pseudo-imperador vive de marketing no orkut, no youtube, no facebook, etc, sempre de alguma forma se auto promovendo e ditando a moda dele usando o nome da bruxaria tradicional, só para lhe dar o diploma de bruxa, afinal, ou você nasceu bruxa ou não nasceu, e se nasceu, é bem comum e esperado que você se junte com seus iguais, isso marca seu carater ou a falta dele.
Nossa marca é visível aos olhos de nossos iguais. Quem não enxerga ela, não pode provar que ela não existe, e podemos facilmente desmascarar alguém que se passe por um de nós, principalmente por aquilo que ele escreve e pensa.
Nascer bruxa é reconhecer-se bruxa desde cedo e deixar seu dom fluir como as águas, independente do berço, da bandeira religiosa, e do sexo.
Uma vez aberta as comportas de uma represa, não tem como voltar a água para traz!
Assim é o dom da bruxa.
Cada um de nós carregamos a tradição perene (eterna, que não morre), a filosofia perene (eterna, que não morre), e cada tradição bruxa existente, é perene (eterna, que não morre), por isso não precisa ser reinventada, mas sim, egressamos nela quando reencarnamos e nos juntamos com nossa família bruxa, não precisamos e não queremos aprender a ser bruxos da forma que foram nossos antepassados, nós somos bruxos atuais, que vivemos nessa época da vida, e somos assim, carregamos a tradição e sabemos o que sabemos, os costumes são mantidos, cada um com seu perfil, e cada geração bruxa que nasce, vem mais forte, portanto, somos mais fortes que nossos antepassados, somos eles reencarnados, nós evoluímos com progresso, e não temos conflitos em sermos bruxos numa era cristã, vide o tradicional sincretismo de imagens cuja sobrevivência superou e transgrediu séculos de 'ditadura' religiosa, e hoje você não encontra um bruxo se quer, que não tenha virado santo antonio de cabeça pra baixo, dentro d'água na pia da cozinha, ameaçando-o deixá-lo ali até que ele faça o que se pediu. Da mesma forma, as Stregas sempre colocaram Diana no forno ameaçando assá-la se ela não realizar um pedido.
Não somos controlados, a não ser por nós mesmos, com ou sem nossa transformação interna.
Diga NÃO as filiações institucionais e controladoras, e DIGA SIM à sua liberdade Bruxa!
Caso contrário, daqui um tempo, nós os bruxos livres, vamos ter de pedir 'bênçãos' para essa tal instituição legalizada para que possamos nos manifestar no mundo como somos, ou seja, como bruxos que somos. E isso não é certo.
Nós não temos controle e não podemos ser controlados, e é por isso que somos temidos por gente com complexo da baratinha de Lispector, e isso não nos intimida, nem nos faz melhor nem pior. Somos o que somos, e existimos desde sempre.
Chega de preconceitos e de gente querendo controlar a gente através de instituições!
Bruxos livres, defendam seu direito de livre manifesto no mundo, e enfeiticem o controle alheio com paz generosa, para que eles também aprendam conosco, como é ser livre de fato.
Autor: Sett Ben Qayin
Fonte: Semelharte [blog invadido/link morto]
Nota da casa: A Bruxaria nunca precisou de permissão ou legalização.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Celtas e Iberos

Trabalho citado pelo Caturo, no Gladius.

Os povos célticos ocuparam uma larga faixa do interior da península Ibérica, entre o vale do Ebro e Portugal. A sociedade céltica era formada por um grande número de povos com identidade própria e uma forma de vida baseada na exploração agrícola e pecuarista.
Entre eles se destacam os Vetões, os Váceos, os Arévacos e os Pelendões, entre outros. Os Íberos viveram em um amplo território aberto para a costa mediterrânea.
A sociedade ibérica estava constituída por um grande número de povos diferenciados, como os Turdetanos, os Contestanos ou Ilergetes, que tiveram em comum uma série de traços culturais, pois haviam se originado pelo contato que tiveram com outros povos mediterrâneos.
Assim, falavam a mesma língua e tiveram uma forma de viver e crenças parecidas. Os traços culturais dos povos célticos se originaram pela influência exercida sobre as populações indígenas por povos centro-europeus que, ao final da Idade do Bronze e ao entrar nos Pirineus, avançaram até Meseta buscando novas terras. Isto fez com que as populações autóctones adotassem as línguas indo-européias, assim como a incineração dos defuntos e outros costumes.
Também pela influência dos Íberos e Púnicos adotaram técnicas como o torno de olaria; e pela dupla influência européia e mediterrânea conheceram novos materiais, como o ferro. Este, mais resistente que o bronze, foi empregado para fabricar armas, utensílios e materiais, como o rastelo do arado de Izana. Também usaram a moeda para a paga de salários e impostos.
Os povos ibéricos, abertos para o Mediterrâneo, adotaram produtos estrangeiros e assimilaram ideias, costumes e técnicas do exterior, que permitiram trabalhar materiais novos [como o ferro], melhorar a produção [como o torno de olaria], ou facilitar as transações comerciais [como a moeda]. Com ferro fabricaram ferramentas, utensílios e armas, algumas das quais decoradas com diversas técnicas, como a falcata [espécie de espada - NT] de Almedinilla.
Os povos célticos costumavam habitar em povoados fortificados, que controlavam as vias de passagem e os campos de cultivo ou pastoreio. A demarcação do território controlado era feito mediante a colocação de berrões, como o de Segovia, em lugares visíveis e estratégicos. Estas medidas de controle se baseavam na existência de uma elite dedicada a estas atividades.
A sociedade ibérica estava fortemente hierarquizada. Detinha o poder a aristocracia militar, que controlava a ideologia que a legitimava, a produção de bens e o comércio. As atividades destes aristocratas foram a guerra e a caça. A mortes destes chefes militares refletiu seu poder pela construção de grandes monumentos funerários, como o de Pozo Moro.
Os povos célticos incineravam aos defuntos, colocavam suas cinzas em urnas e as enterravam com as oferendas funerárias e patrimônio pessoal. Este rito funerário demonstra que acreditavam na passagem do espírito do morto ao além. As representações de aves se relacionam com esta viagem do espírito, tal e como se mostra no vaso de Uxama.
Os povos ibéricos renderam culto a diferentes Deuses e pediram por sua proteção oferecendo ex-votos em lugares sagrados. De todas as divindades se destacam uma Deusa-mãe à qual regressam os adoradores depois de morrerem. Ocasionalmente a apresentam sentada em um trono, como a chamada Dama de Baza.

Os Berrões são estátuas proto-históricas de pedra, esculpidas em pleno relevo com figuras zoomórficas. A temática que estas esculturas apresentam é sempre de animais terrestres, como porcos domésticos, javalis, touros, bodes, cães e raramente ursos, em tamanho natural. O material em que são esculpidas é geralmente de granito, embora também se possa encontrar estátuas esculpidas em outros materiais como mármore e talco. Estima-se que a época em que estas estátuas foram esculpidas foi entre a metade do século IV a.C. e o século I a.C.. Das cerca de 400 esculturas conhecidas, as figuras mais frequentes são as de porcos machos. O vocábulo berrão foi inspirado no termo usado para designar os porcos não castrados.

As dimensões dos berrões podem atingir mais de dois metros, no entanto existem vários outros que chegam a ter apenas 30 centímetros. A zona da cultura dos Berrões é no nordeste de Portugal, principalmente a província de Trás-os-Montes e Beira interior e estende-se até à Espanha às províncias de Cáceres, Zamora, Ávila e Salamanca.
A conhecida Porca de Murça, Berrão, Portugal.A cultura dos Berrões, em Portugal, está associada aos castros transmontanos, onde foi feito um grande número de achados, à tribo dos Draganos, um povo pré-céltico que vivia nesta região, e à tribo dos Vetões.
Acredita-se que as estátuas dos berrões eram utilizados para fins de caracter religioso. As esculturas representariam animais sagrados, ou mesmo divindades protectoras do gado, a quem se prestava culto; um outro possível uso seria o de monumento funerário, como se leva a crer pelas inscrições que algumas destas esculturas exibem. Temos por exemplo a tradução que foi feita da inscrição, em língua ibérica, do berrão de Las Cojotas que suporta esta teoria: "Deus Porco bravo protector da cidade de Adorja" [wikipédia]

Nota da casa: Como eu afirmei antes, no Editorial, Celtas e Íberos são povos distintos. Qualquer um que venha falar em manter uma pura "tradição cultural celtìbera" é um farsante, um vigarista, um mentiroso.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A "rede" wiccana

Muitos neo-wicanos afirmam que a Wiccan Rede é o único "dogma" wicano, mas ao afirmarem isso, estão passando um atestado de que desconhecem completamente suas origens. A Wiccan Rede não é, e nem nunca foi um texto tradicional da Arte. Além disso, Wica possui dogmas, mas a Rede não está incluída neles.
Não existe nenhuma evidência direta sobre a veracidade das alegações de Lady Gwen Thompson, de que sua avó foi a criadora do poema (outra vez uma historia da avós). Infelizmente, ela, sua avó e todas as pessoas que poderiam nos dar a informação em primeira mão estão mortas agora e qualquer documento que eles pudessem ter nunca se tornou público.
Como sabemos, a curta frase de oito palavras foi ouvida pela primeira vez em uma palestra ou discurso feito por Doreen Valiente em 1964. Mais uma razão para não se chamar isso de "Wiccan" Rede. Doreen Valiente não se considerava mais uma wicana, e afirmou isso publicamente em várias ocasiões, desde 1957, quando promoveu aquela confusão no Coven de Bricket Wood. Então, como é que alguém que renegou Gardner e juntou-se com um dos seus maiores detratores (Cochrane), poderia ter chamado isso de "Wiccan" Rede ? Valiente não tinha nenhum direito nem de falar em nome da Wica, que ela renegou, quanto mais escrever uma "Wiccan" Rede.
Depois disso, dez anos depois em 1974, o texto completo do poema intitulado "The Wiccan Rede" apareceu na revista Earth Religion News, publicada por Ed Buczynski e Herman Slater. A isso seguiu-se uma outra versão ligeiramente diferente em 1975, chamada de "Rede of the Wiccae", escrita em um artigo pela própria Gwen e que apareceu na revista Green Egg, publicada por Oberon Zell. Nele, ela a atribuiu à sua avó Adriana Porter, afirmando que o primeiro texto publicado foi distorcido da sua forma original.
Este é um assunto que deveria ser revisto com muito cuidado e existe um trabalho escrito pelo Prof. Robert Mathiesen, especialista em filologia medieval e professor da Brown University, em parceria com Theitic, um Elder da New England Covens of Traditionalist Witches (N.E.C.T.W.) , uma tradição que Lady Gwen Thompson fundou em 1972. O trabalho foi publicado como um livro sob o título: The Rede of the Wiccae: Adriana Porter, Gwen Thompson and the Birth of a Tradition of Witchcraft (Olympian Press, 2005).
Para falar a verdade, eu só descobri a existência da tal "Wiccan" Rede em 1982. Em meu Coven de origem nós nunca tinhamos ouvido falar nisso, e isso também não constava dos nossos BoS. Desse modo, se o texto foi inventado por Doreen Valiente, com que autoridade ela criaria um texto "wicano", se ela nem mesmo se considerava mais uma wicana ?
Creio que vale a pena comprar o livro e se inteirar das alegações de Gwen Thompson. Mas que esse texto não é tradicional e nem tem coisa alguma a ver com Wica, não tem mesmo.
Fonte: Ishiaro [link morto]