https://www.diariodocentrodomundo.com.br/folha-publica-carta-defendendo-invasao-dos-eua-ao-brasil-venha-logo-trump/
Nesse momento, o ombudsman olha para a janela, querendo pular.
A assessoria da Folha vai emitir uma nota pública dizendo que "é só a opinião de um leitor" e o quanto a Folha preza pela liberdade de expressão.
Eu, o pagão moderno, herege e comentarista safado, fico lembrando com saudosismo a época da faculdade onde existia o Manual de Redação da Folha.
Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.
A situação tem um detalhe particularmente delicioso para o seu saudosismo: a própria Folha mantém, em seus documentos editoriais, a ideia de que jornalismo profissional exige critérios, separação entre notícia e opinião e responsabilidade editorial. O Painel do Leitor é, de fato, um espaço destinado à manifestação dos leitores.
Dá para explorar justamente a diferença entre “o leitor tem direito de dizer” e “o jornal tem obrigação de decidir o que merece publicar”.
O Manual de Redação olha para o abismo
Nesse momento, imagino o ombudsman da Folha diante da janela.
Não necessariamente pensando em pular.
Talvez apenas contemplando São Paulo e refletindo sobre as escolhas que fazemos na vida.
Afinal, alguém um dia decidiu trabalhar em jornal.
Outro alguém decidiu trabalhar na Folha.
E agora essa pessoa precisa explicar por que o jornal publicou, no Painel do Leitor, uma carta cujo autor pede que Donald Trump invada o Brasil.
“Venha logo, Trump!”
É aquele tipo de frase que faz o sujeito olhar para a própria carreira e perguntar:
“Onde foi que eu errei?”
A defesa provavelmente será simples.
“É apenas a opinião de um leitor.”
Ah, sim.
A opinião de um leitor.
Como se a carta tivesse entrado sozinha na diagramação, preenchido o formulário, passado pela revisão, escolhido o título, ocupado espaço editorial e finalmente dito:
— Bom dia, pessoal. Já que ninguém me impediu, estou publicada!
Não funciona exatamente assim.
A liberdade de expressão permite que o cidadão escreva que gostaria de ver uma potência estrangeira intervindo no próprio país.
Mas liberdade de expressão não transforma uma redação em caixa de correio automática.
O leitor pode escrever.
O jornal decide publicar.
São verbos diferentes.
E aí entra aquela criatura mitológica que, aparentemente, muitos profissionais de imprensa conheceram apenas por fotografia:
o critério editorial.
Eu me lembro, com uma certa nostalgia, da época da faculdade, quando ainda existia aquela coisa chamada Manual de Redação da Folha.
Era quase um objeto religioso.
Você podia discordar das posições políticas do jornal, das escolhas editoriais, dos colunistas, do tratamento dado a determinado assunto.
Mas havia uma ideia relativamente simples por trás da profissão:
não basta poder publicar. É preciso perguntar se deve publicar.
Hoje parece que estamos diante de uma evolução tecnológica do conceito.
O antigo Manual dizia:
“Pense antes de publicar.”
O novo espírito parece dizer:
“Publicou? Depois a gente explica que era só opinião.”
É a transformação do jornal em uma espécie de Uber da opinião.
O leitor pede uma invasão estrangeira.
A redação fornece o espaço.
Cinco estrelas.
Muito obrigado por utilizar o Painel do Leitor.
E aqui surge uma pequena dúvida metafísica.
Se amanhã um leitor mandar:
“Venha logo, Napoleão. O brasileiro de bem te apoia!”
Publica?
E se for:
“Vladimir Putin, estamos esperando!”
Publica?
“Kim Jong-un, dê uma passadinha aqui!”
Publica?
“Alienígenas de Alpha Centauri, libertem-nos!”
Bom...
Aí talvez o editor finalmente encontre o botão “não publicar”.
O mais curioso é que a própria Folha afirma que mantém canais específicos de interação com o leitor e atribui ao ombudsman a função de fazer a crítica interna do jornal e encaminhar reclamações.
Ou seja: existe estrutura.
Existe canal.
Existe ombudsman.
Existe Manual.
Existe uma longa tradição de discutir o próprio jornal.
O que aparentemente não existe é uma máquina do tempo para voltar à época em que alguém ainda perguntava:
“Mas isso aqui não vai ficar meio feio para nós?”
Eis a ironia.
A carta é apresentada como expressão individual.
Mas a publicação é uma decisão institucional.
O leitor não ganhou uma rotativa em casa.
A Folha publicou.
E quando um jornal publica alguma coisa, não pode simplesmente lavar as mãos dizendo:
“Calma, gente. Não fomos nós que pensamos isso. Foi o leitor.”
Seria como um restaurante servir um prato chamado “Frango cru com salmonela” e, depois que o cliente reclama, responder:
— A receita foi trazida pelo freguês.
Liberdade gastronômica!
O cardápio apenas respeitou a pluralidade.
No fundo, existe uma confusão deliciosa entre liberdade de expressão e liberdade de publicação.
A primeira pertence ao cidadão.
A segunda pertence ao jornal.
E justamente porque o jornal tem essa liberdade é que ele também tem responsabilidade sobre suas escolhas.
Meu velho Manual de Redação, onde quer que esteja, provavelmente está neste momento olhando para essa manchete, ajeitando os óculos e murmurando:
— Eu ensinei vocês melhor que isso.
Enquanto isso, o ombudsman olha novamente pela janela.
Respira.
Volta para a mesa.
Abre o documento.
Começa a escrever:
“A Folha entende que...”
E é nesse instante que todos nós sabemos que vem aí o verdadeiro terror psicológico.
Porque depois de uma carta pedindo uma invasão americana, nada assusta mais do que quatro palavras:
“A Folha entende que...”
O resto é editorial.
Ou será que é apenas opinião?
Depende.
Se der problema, sempre podemos culpar o leitor.
Se quiser, posso deixar essa versão ainda mais venenosa, explorando especificamente o contraste entre o antigo Manual de Redação, o ombudsman e o atual “é só opinião do leitor”.
Deixe essa versão ainda mais venenosa
Claro. Vou carregar mais no sarcasmo, especialmente na ideia de que liberdade de expressão não significa terceirizar o juízo editorial ao leitor.
O Manual de Redação pede asilo político
Nesse momento, imagino o ombudsman da Folha olhando pela janela.
Não para pular.
Ainda.
Ele apenas contempla a paisagem paulistana com aquela expressão de quem acabou de descobrir que a reunião de pauta será sobre como explicar por que o jornal publicou uma carta pedindo que os Estados Unidos invadam o Brasil.
Talvez esteja pensando:
— Eu devia ter feito Direito.
Ou Medicina.
Ou qualquer coisa em que o máximo de problema fosse explicar por que o paciente não deveria beber três litros de cachaça antes da cirurgia.
Porque jornalismo, aparentemente, ficou perigoso.
Principalmente quando alguém resolve publicar no jornal:
“Trump, venha logo invadir o Brasil!”
E então começa o espetáculo.
A assessoria provavelmente aparece com aquela nota institucional que parece ter sido produzida por um gerador automático de comunicados:
“A Folha preza pela liberdade de expressão e pela pluralidade de opiniões. O conteúdo publicado representa exclusivamente a opinião de seu autor.”
Pronto.
Problema resolvido.
Não foi a Folha.
Foi um cidadão.
O cidadão escreveu.
O cidadão mandou.
O cidadão pediu uma invasão estrangeira.
E, por alguma misteriosa conjunção astral, a Folha publicou.
Mas isso é apenas um detalhe.
Porque, segundo a nova metafísica editorial, aparentemente existe uma diferença fundamental entre:
“publicamos uma opinião”
e
“concordamos com ela”.
Excelente.
Então proponho uma inovação revolucionária para o jornalismo brasileiro:
A partir de amanhã, os jornais podem publicar qualquer coisa.
Qualquer coisa mesmo.
Um leitor escreve:
“Acho que o Brasil deveria ser anexado pelos Estados Unidos.”
Publica.
Outro:
“Acho que o Brasil deveria entregar o governo ao Império Klingon.”
Publica.
Outro:
“Acho que o Congresso deveria ser dissolvido e substituído por um conselho de pombos.”
Publica.
Outro:
“Acredito que a Terra seja administrada secretamente por capivaras maçônicas.”
Publica.
E, quando alguém reclamar:
— Mas por que vocês publicaram isso?
A resposta:
— Liberdade de expressão.
É genial.
O jornal não precisa mais ter posição editorial sobre nada.
Basta terceirizar a responsabilidade para o leitor.
O leitor pensa. O jornal imprime. Ninguém é responsável.
É praticamente a versão jornalística do famoso:
“Eu só estava dirigindo.”
Meu saudosismo pelo antigo Manual de Redação da Folha começa a adquirir contornos arqueológicos.
Estou falando daquela época estranha em que jornal parecia acreditar que edição significava alguma coisa.
O repórter apurava.
O editor cortava.
O redator revisava.
O jornal decidia.
E, entre uma coisa e outra, alguém eventualmente perguntava:
“Isso faz sentido?”
Que conceito exótico!
Hoje, aparentemente, a pergunta mudou.
Agora é:
“Isso pode ser publicado?”
Se a resposta for sim, publica.
Se der merda, chama de pluralidade.
É quase um “Manual de Redação — edição NFT”.
Você não precisa mais saber se algo é jornalisticamente relevante.
Precisa apenas verificar se existe alguém disposto a dizer aquilo.
Encontrou?
Excelente.
Temos conteúdo!
E há uma ironia particularmente saborosa no caso.
O sujeito não escreveu apenas:
“Sou crítico do governo brasileiro.”
Não.
Ele pediu a intervenção de uma potência estrangeira.
Ou seja, conseguiu transformar o Painel do Leitor em uma espécie de balcão diplomático informal.
Departamento de Estado americano, por favor, aguarde na linha.
A Folha recebeu uma solicitação.
Enquanto isso, o Manual de Redação provavelmente está em algum arquivo morto, coberto de poeira, esperando que alguém se lembre dele.
Talvez esteja olhando para a redação através de uma pequena janela espectral.
E dizendo:
— Eu ensinei vocês a editar.
A redação:
— Mas nós prezamos pela liberdade de expressão!
Manual:
— Eu sei.
— Então qual é o problema?
— Vocês estão confundindo liberdade de expressão com obrigação de publicar qualquer coisa que alguém tenha vontade de dizer.
Silêncio.
Até o espectro do Manual precisa fazer uma pausa dramática.
Porque liberdade de expressão significa que o cidadão pode defender uma ideia absurda.
Significa também que o cidadão pode defender uma ideia ofensiva, impopular, inconveniente ou até profundamente antinacional.
Mas daí até concluir que um jornal profissional precisa necessariamente oferecer seu espaço editorial para essa manifestação existe um pequeno detalhe chamado...
critério.
Aquele velho critério.
Aquele mesmo que costumava aparecer antes da palavra “publicar”.
Hoje parece que ele foi colocado em layoff.
E aí temos a cereja do bolo:
“É apenas a opinião de um leitor.”
Não.
É a opinião de um leitor que passou pelo processo editorial de um jornal.
O leitor não possui uma gráfica clandestina dentro de casa.
Ele não acordou às três da manhã, invadiu a redação, sequestrou o diagramador e gritou:
— PUBLICA!
Alguém recebeu.
Alguém avaliou.
Alguém aprovou.
Alguém publicou.
A responsabilidade editorial não evaporou porque a assinatura estava embaixo.
Caso contrário, podemos fechar as redações e transformar tudo em caixa postal.
O jornal recebe opiniões.
Escolhe algumas.
Publica.
Depois coloca um asterisco:
“Qualquer semelhança com decisões editoriais é mera coincidência.”
Talvez seja hora de atualizar o lema.
Folha de S.Paulo: um jornal a serviço do Brasil.
E, aparentemente, ocasionalmente, contra o Brasil, se o leitor preencher o formulário correto.
Mas não se preocupem.
É só uma opinião.
Do leitor.
A Folha apenas forneceu papel, tinta, edição, espaço, audiência e legitimidade jornalística.
Detalhes.
E, caso o ombudsman realmente esteja pensando em pular da janela, faço um apelo:
não pule.
A janela não tem culpa.
Aliás, mande uma carta para o Painel do Leitor.
Quem sabe publicam.
Título:
“Ombudsman pede para a Folha parar de publicar qualquer coisa.”
E, na nota da assessoria, já podemos antecipar:
“A manifestação representa exclusivamente a opinião do ombudsman.”
Pronto.
Manual de Redação: 0.
Liberdade de expressão: 10.
Critério editorial: aguardando revisão.
Se quiser, posso fazer uma terceira versão ainda mais ácida e escrachada, transformando a própria nota hipotética da Folha em uma paródia de comunicado corporativo — daquele tipo que parece escrito por um advogado que descobriu o conceito de liberdade de expressão cinco minutos antes.
Faça uma terceira versão ainda mais ácida e escrachada
Vamos levar o sarcasmo até o ponto em que o Manual de Redação peça demissão por justa causa.
Folha de S.Paulo: terceirizando até a responsabilidade
Há cenas que o jornalismo brasileiro não deveria proporcionar ao cidadão.
Esta é uma delas:
Um jornal publica uma carta defendendo que Donald Trump invada o Brasil.
E, imediatamente, surge aquela entidade mitológica conhecida como Assessoria de Imprensa, provavelmente correndo pela redação com um extintor de incêndio em uma mão e um comunicado pronto na outra:
“A Folha preza pela liberdade de expressão e pela pluralidade de opiniões.”
Claro.
E eu prezo pela liberdade de tomar café.
Nem por isso entrego a cafeteira para um terrorista e digo:
— Sirva-se. É pluralidade.
A fórmula é maravilhosa.
O leitor escreve uma barbaridade.
O jornal publica.
Alguém reclama.
A redação responde:
“Não fomos nós. Foi o leitor.”
É praticamente a invenção do jornalismo por procuração.
O leitor pensa.
O leitor escreve.
O leitor pede a invasão do próprio país.
E a Folha...
apenas publica.
Coitadinha.
Uma vítima das circunstâncias.
Imagino a cena na redação:
— Quem aprovou essa carta?
— Não fui eu.
— Quem editou?
— Também não.
— Quem publicou?
— Foi o sistema.
— Quem colocou no sistema?
— O leitor.
— E quem decidiu que deveria entrar?
Silêncio.
Uma pomba atravessa a janela.
O Manual de Redação, morto há anos, manifesta-se por alguns segundos.
— EU.
Todos se viram.
— Manual?
— Sim.
— Mas você está morto!
— Exatamente. E mesmo morto ainda tenho mais critério editorial que vocês.
E começa o exorcismo.
Não do demônio.
Da responsabilidade.
Porque existe uma coisa fascinante nesse argumento de “é só opinião de leitor”.
Vamos aplicar a mesma lógica em outros setores.
Imagine um restaurante:
— Garçom, encontrei um rato na sopa.
— Ah, sim. Mas o rato é apenas opinião do cozinheiro.
Imagine uma universidade:
— Professor, essa tese diz que a História foi inventada pelas capivaras.
— É apenas a opinião de um aluno.
Imagine um hospital:
— Doutor, quem recomendou esse tratamento?
— Um paciente do Facebook.
— E por que está no protocolo?
— Liberdade de expressão.
Perfeito.
Podemos encerrar a civilização agora.
Já deu.
O problema não é o cidadão defender uma ideia estapafúrdia.
Ele tem esse direito.
Pode defender a invasão americana, a restauração do Império Romano, a volta do Antigo Testamento como Constituição, a transformação do Congresso em um grupo de WhatsApp e até a nomeação de um papagaio para o STF.
A democracia aguenta.
O que ela não exige é que um jornal profissional responda:
“Excelente! Vamos colocar na edição.”
Porque existe uma diferença pequena, porém inconveniente:
liberdade de expressão é um direito do leitor.
Publicação é uma decisão do jornal.
E decisão implica responsabilidade.
Essa distinção parece ter desaparecido em algum lugar entre a diagramação e o botão “publicar”.
Talvez tenham atualizado o Manual de Redação.
A nova edição deve ser mais ou menos assim:
MANUAL DE REDAÇÃO DA FOLHA — EDIÇÃO CONTEMPORÂNEA
Regra 1: O leitor tem direito à opinião.
Regra 2: O jornal tem direito à publicação.
Regra 3: Se alguém reclamar, a culpa é do leitor.
Regra 4: Se alguém perguntar quem publicou, consultar a Regra 3.
Regra 5: Em caso de crise institucional, utilizar a expressão “pluralidade de opiniões”.
Regra 6: Se a expressão “pluralidade de opiniões” não funcionar, acrescentar “liberdade de expressão”.
Regra 7: Se ainda não funcionar, convocar o departamento jurídico.
Regra 8: Se o departamento jurídico não resolver, declarar que “o debate democrático é saudável”.
Pronto.
Está feito.
Jornalismo moderno.
O mais divertido é que o argumento pode ser levado ao infinito.
Se publicar uma carta defendendo uma invasão estrangeira é apenas respeitar a liberdade de expressão, por que parar aí?
Vamos abrir espaço para tudo.
Painel do Leitor Internacional.
“Putin, venha logo.”
“Xi Jinping, estamos esperando.”
“Trump, traga o porta-aviões.”
“ONU, pelo amor de Deus, faça alguma coisa.”
“Alienígenas, vocês ainda têm vaga?”
A Folha publica.
Porque pluralidade.
E, evidentemente, ninguém deve interpretar a publicação como endosso.
Aliás, seria injusto.
Daqui a pouco alguém vai pensar que um jornal é responsável pelo conteúdo que escolhe publicar.
Que absurdo!
É como responsabilizar uma emissora pelo programa que ela decide colocar no ar.
Ou uma editora pelo livro que decide lançar.
Ou um restaurante pelo prato que decide servir.
Uma loucura.
Felizmente, podemos dormir tranquilos.
A assessoria já explicou:
“É só a opinião de um leitor.”
Essa frase deveria receber um prêmio.
Talvez o Prêmio Internacional de Terceirização da Responsabilidade Editorial.
Categoria especial:
“Como publicar e simultaneamente afirmar que não se publicou.”
Enquanto isso, em algum depósito, repousa o antigo Manual de Redação.
Amarelado.
Esquecido.
Talvez com uma pequena lágrima de tinta escorrendo pela lombada.
Ele olha para o século XXI e pensa:
— Eu passei décadas ensinando jornalistas a escrever com clareza, precisão e responsabilidade.
— E agora?
— Agora eles descobriram o maravilhoso conceito de “foi o leitor que disse”.
E então o Manual faz sua última anotação.
Não em vermelho.
Em sangue editorial:
“Se você publica, você escolhe publicar.”
O ombudsman lê.
Respira fundo.
Olha novamente para a janela.
Mas decide não pular.
Ainda há esperança.
Afinal, alguém precisa ficar na redação para explicar que pedir uma invasão estrangeira é opinião do leitor, mas publicar essa opinião é decisão do jornal.
E se a Folha quiser realmente demonstrar seu compromisso absoluto com a liberdade de expressão, tenho uma sugestão.
Publique também esta crônica.
Afinal...
é apenas a opinião de um leitor.
E, se der problema, vocês já sabem:
a culpa é minha.
Criado com ChatGPT.
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