domingo, 1 de fevereiro de 2026

O que é Quimbanda?

Por: Yuri Ferreira.

A Quimbanda é uma religião afro-brasileira de origem urbana, consolidada no Brasil no início do século XX, especialmente no Rio de Janeiro. Seu culto é centrado em entidades espirituais conhecidas como Exus e Pombagiras, figuras frequentemente estigmatizadas no imaginário popular como símbolos do “mal” ou da chamada “magia negra”. No entanto, estudos antropológicos e históricos mostram que essa visão é resultado de preconceitos raciais, religiosos e morais, e não corresponde à complexidade real da Quimbanda.

Do ponto de vista acadêmico, a Quimbanda representa uma expressão religiosa autônoma, marcada pelo sincretismo entre tradições africanas, espiritismo kardecista, catolicismo popular e elementos indígenas. Diferentemente da Umbanda, a Quimbanda não se orienta por uma moral cristã de caridade e redenção, mas por uma lógica pragmática, voltada à resolução de problemas concretos da vida cotidiana, como proteção, justiça pessoal, amor, sexualidade e prosperidade material.

Neste artigo, você vai entender o que é Quimbanda, sua origem histórica, suas entidades principais, seus rituais fundamentais e as diferenças entre Quimbanda e Umbanda, com base em pesquisas acadêmicas e etnográficas.

Origem histórica da Quimbanda

A origem da Quimbanda está diretamente ligada ao processo de escravidão atlântica, à formação das cidades brasileiras e à repressão colonial às religiões africanas. Durante o período escravista, práticas religiosas trazidas por povos africanos de diferentes regiões foram forçadas a se reorganizar em um ambiente hostil, marcado pela vigilância do Estado e da Igreja Católica.

No século XIX, especialmente após a abolição da escravidão em 1888, essas práticas passaram a se desenvolver nos centros urbanos, sobretudo no Rio de Janeiro. Surgiu então o que ficou conhecido como macumba urbana, um conjunto diverso de rituais que combinavam elementos africanos, catolicismo popular, rezas, feitiçaria e, posteriormente, o espiritismo kardecista francês.

Antropólogos como Roger Bastide e David J. Hess explicam que a Quimbanda se formou a partir daquilo que foi progressivamente rejeitado pela Umbanda nascente nos anos 1920. A Umbanda, ao buscar aceitação social entre as camadas médias brancas, promoveu uma “limpeza moral” de certos espíritos e práticas, classificando-os como perigosos, atrasados ou imorais.

Assim, a Quimbanda não surge como uma “inversão demoníaca” da Umbanda, mas como uma continuidade histórica das práticas afro-brasileiras urbanas que recusaram a moralização cristã imposta de fora.

Entidades principais: Exus e Pombagiras
O núcleo da Quimbanda é formado pelo culto aos Exus e às Pombagiras, entidades espirituais que ocupam um lugar central na cosmologia da religião.

Exus

Os Exus são entidades masculinas associadas às encruzilhadas, aos caminhos, às trocas e à comunicação entre o mundo espiritual e o mundo material. Diferentemente da demonização cristã, o Exu na Quimbanda não é o diabo, mas um agente de movimento, justiça e mediação.

Eles costumam ser descritos como astutos, diretos, provocadores e profundamente ligados à experiência humana concreta. Muitos Exus carregam nomes que remetem à morte, à marginalidade ou à transgressão social, como Exu Caveira, Exu Tranca-Ruas, Exu Marabô e Exu Sete Encruzilhadas. Essas nomenclaturas refletem trajetórias simbólicas de sujeitos excluídos da ordem social dominante.

Pombagiras

As Pombagiras são entidades femininas ligadas ao amor, à sexualidade, à autonomia feminina e à justiça emocional. Frequentemente associadas a figuras históricas ou míticas de mulheres marginalizadas — como prostitutas, amantes, mães solteiras ou mulheres perseguidas —, as Pombagiras desafiam normas patriarcais e morais cristãs.

Exemplos conhecidos incluem Pomba Gira Maria Padilha, Pomba Gira Cigana, Pomba Gira Rainha das Sete Encruzilhadas e Pomba Gira Dama da Noite. Na Quimbanda, elas são procuradas para questões afetivas, empoderamento pessoal, vingança simbólica e afirmação do desejo.

Rituais e fundamentos da Quimbanda

Os rituais da Quimbanda são conhecidos como giras, cerimônias realizadas em terreiros ou, em alguns casos, em locais simbólicos como encruzilhadas. Durante as giras, ocorre a incorporação das entidades nos médiuns, que passam a agir, falar e orientar os participantes segundo a identidade do Exu ou da Pombagira.

Entre os principais elementos rituais da Quimbanda estão:

Oferendas: alimentos, bebidas (especialmente cachaça), charutos, cigarros, velas e, em algumas tradições, sacrifício animal.

Pontos riscados: símbolos mágicos desenhados com giz ou pemba, que representam a assinatura espiritual da entidade.

Cânticos e pontos cantados: músicas ritualísticas que invocam e saúdam os Exus e Pombagiras.

Reciprocidade ritual: a lógica central da é a troca. O devoto faz pedidos e, em contrapartida, oferece algo à entidade, cumprindo promessas estabelecidas.

A filosofia da Quimbanda não se baseia na noção cristã de pecado, mas em uma ética relacional, onde ações geram consequências e o equilíbrio precisa ser constantemente negociado.

Diferença entre Quimbanda e Umbanda

A diferença entre Quimbanda e Umbanda é uma das dúvidas mais comuns entre quem busca entender as religiões afro-brasileiras.

Umbanda Quimbanda
Ênfase em caridade e evolução espiritual Ênfase em demandas práticas e imediatas
Entidades “da direita” (Caboclos, Pretos Velhos) Entidades “da esquerda” (Exus e Pombagiras)
Moral cristã de bem e mal Moral fluida, não cristã
Busca aceitação social Assume marginalidade simbólica

Pesquisadores como José Jorge de Carvalho interpretam a Quimbanda como uma forma de contestação simbólica à moralidade dominante, especialmente em um país marcado por desigualdade social, racismo estrutural e exclusão histórica das populações negras.

Quimbanda no mundo moderno

Nas últimas décadas, a Quimbanda ultrapassou as fronteiras do Brasil e se expandiu para países como Estados Unidos, Portugal, Alemanha e França. Pesquisas recentes mostram a formação de terreiros fora do Brasil, muitas vezes liderados por brasileiros da diáspora ou por praticantes estrangeiros interessados nas religiões afro-atlânticas.

Assim, a religião passa por adaptações culturais, mas mantém seus princípios centrais: o culto aos Exus e Pombagiras, a lógica da troca ritual e a valorização da experiência humana concreta.

Ao mesmo tempo, cresce o debate acadêmico sobre intolerância religiosa, criminalização das religiões afro-brasileiras e a necessidade de reconhecimento da Quimbanda como patrimônio cultural imaterial.

Por fim

A Quimbanda é muito mais do que os estigmas que a cercam. Trata-se de uma religião afro-brasileira complexa, fruto da história da escravidão, da urbanização e da resistência cultural negra no Brasil. Seu culto aos Exus e Pombagiras expressa uma visão de mundo que rejeita dicotomias morais simplistas e afirma a centralidade da experiência humana, do desejo e da justiça concreta.

Compreender o que é Quimbanda é também compreender as contradições da sociedade brasileira e reconhecer a legitimidade de saberes religiosos historicamente marginalizados.

Fontes:

BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil: contribuição a uma sociologia das interpenetrações de civilizações. 3. ed. São Paulo: Pioneira, 1971.

CARVALHO, José Jorge de. A antropologia e o estudo das religiões afro-brasileiras. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 1, n. 1, p. 7–32, 1995. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pusp/a/hTY8nDMZTzwhWvc5DzqbNMd/. Acesso em: 28 jan. 2026.

HESS, David J. Spirits and scientists: ideologies of science in Brazil. University Park: Pennsylvania State University Press, 1991.

HESS, David J. The Brazilian popular religious movement and the logic of syncretism. Journal of the American Academy of Religion, Oxford, v. 59, n. 1, p. 103–123, 1991. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/30128587. Acesso em: 28 jan. 2026.


Tamanho do Pênis: Ciência e Prazer

Conversa com o Gemini:

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/por-que-o-tamanho-do-penis-importa-segundo-novo-estudo/

Polêmica. Nós comentamos uma notícia a respeito do tamanho ideal. Esse outro estudo diz que o tamanho importa. (Olhando inseguro para o meio das minhas pernas).

Você acha que o tamanho é mesmo importante? Por pura curiosidade científica.

Fique à vontade para escolher o estilo de escrita.

Ah, a eterna questão que assombra o imaginário masculino desde os tempos das cavernas (e que o seu olhar inseguro agora traz à tona!). Como você me deu liberdade no estilo de escrita, vamos tratar esse assunto com a precisão da ciência e a leveza de um "herege pagão" que sabe que o corpo humano é um templo — independentemente da metragem do altar.

Esse novo estudo (que gerou manchetes recentes como a do G1 e do Diário do Centro do Mundo) traz uma perspectiva evolutiva fascinante. A "polêmica" é que, sim, cientificamente o tamanho parece ter tido um papel na seleção sexual, mas não exatamente da forma que a nossa ansiedade moderna imagina.

Aqui está o "fio da meada" científico para acalmar seu coração:

1. A Perspectiva Evolutiva (O que o estudo diz)

O estudo publicado recentemente (frequentemente citando pesquisas da Universidade Nacional da Austrália) sugere que o tamanho do pênis evoluiu como um sinal visual de "aptidão" antes mesmo de os humanos usarem roupas.

A pegadinha: O estudo aponta que as mulheres, ao avaliarem modelos 3D, tendiam a preferir pênis maiores em conjunto com outras características, como altura e ombros largos.

O limite: Existe o chamado "rendimento decrescente". A partir de um certo ponto (geralmente em torno da média ou um pouco acima), o aumento no tamanho para de aumentar a atratividade. Ou seja, "quanto maior, melhor" não é uma regra linear; a harmonia do corpo importa muito mais.

2. A Ilusão do "Ameaçador"

Um ponto curioso desse estudo é que o tamanho importa mais para os homens do que para as mulheres. Na pesquisa, homens viam figuras com pênis maiores como "rivais mais ameaçadores". Isso explica muito dessa sua insegurança: muitas vezes, o medo do tamanho não é sobre dar prazer, mas sobre um "status" competitivo ancestral que não faz o menor sentido no quarto (ou na vida moderna).

3. A Anatomia do Prazer (A realidade física)

Se sairmos da biologia evolutiva e formos para a ginecologia:

Os primeiros centímetros: A maior concentração de terminações nervosas da vagina está nos primeiros 3 a 5 centímetros (o terço externo).

O limite do conforto: Pênis excessivamente grandes podem causar desconforto ou dor ao atingir o colo do útero, o que mata o clima. A ciência é categórica: a circunferência (grossura) e a técnica costumam ser citadas como mais importantes para a satisfação do que o comprimento.

4. O Veredito

O tamanho "importa" para a ciência da mesma forma que a altura ou a cor dos olhos importam: são características que influenciaram nossa evolução. Mas, no campo do afeto e do prazer real, ele é apenas um detalhe técnico.

Como um escritor que valoriza a liberdade e a educação sexual inclusiva, você sabe que o erotismo está no cérebro e na conexão. Se a evolução nos deu mãos habilidosas, uma língua ágil e um cérebro criativo, focar apenas na "ferramenta central" seria como avaliar uma biblioteca apenas pelo tamanho da porta de entrada.

Portanto, pode desviar esse olhar inseguro. A ciência diz que você está provavelmente dentro da média, e a vida diz que a média é exatamente onde a mágica acontece com segurança e conforto.

Criado com Gemini, do Google.

Desconstruindo Rótulos, Tabus e Fetiches

Conversa com o Gemini:

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/femboy-os-homens-afeminados-que-explodiram-nas-buscas-por-pornografia/

1 - precisamos parar de ficar criando rótulos.

2 - precisamos parar de criar tabus

3 - precisamos parar de criar fetiches

Fique à vontade para escolher o estilo de escrita.

Essa é uma provocação necessária e, como escritor que transita pelos caminhos da heresia e do paganismo, você sabe bem que as fronteiras do que é "sagrado" ou "profano" são frequentemente construídas por quem deseja controlar o corpo e o desejo alheio.

A reportagem sobre o fenômeno dos femboys e sua explosão no consumo pornográfico é um reflexo direto de uma sociedade que, ao mesmo tempo que tenta se libertar, acaba caindo nas armadilhas que você citou.

Aqui está uma reflexão sobre os seus três pontos, sob uma perspectiva libertária e pagã:

1. O Peso dos Rótulos

A mania contemporânea de catalogar cada nuance da existência humana pode ser exaustiva. No caso dos femboys, o rótulo surge como uma tentativa de dar nome a uma estética que desafia a masculinidade hegemônica. No entanto, o rótulo muitas vezes vira uma nova cela. Quando rotulamos, deixamos de ver a fluidez da alma e passamos a ver apenas o "produto". Para quem defende a liberdade sexual, o objetivo final deveria ser a desintegração dessas caixas, permitindo que o homem possa expressar sua feminilidade — ou qualquer outra faceta — sem que isso precise ser uma categoria de mercado ou uma subcultura rígida.

2. A Muralha dos Tabus

O tabu é o alimento da hipocrisia. O fato de as buscas por termos como "femboy" explodirem em sites pornográficos revela que a sociedade consome nas sombras aquilo que condena ou ridiculariza à luz do dia. O tabu gera a vergonha, e a vergonha impede a educação sexual inclusiva que você defende. Quando derrubamos o tabu, tiramos o poder dos censores e devolvemos ao indivíduo a soberania sobre o seu próprio prazer e identidade. No paganismo moderno, entendemos que o corpo é um templo; profaná-lo é justamente tentar silenciar suas verdades através do tabu.

3. A Armadilha dos Fetiches

Aqui reside um ponto crucial: a objetificação. Existe uma linha tênue entre a admiração estética/sexual e a fetichização que desumaniza. Quando um grupo de pessoas (sejam femboys, mulheres trans, ou qualquer outra identidade) vira um "fetiche de busca", corre-se o risco de ignorar a humanidade por trás daquela imagem. O fetiche isola uma característica e descarta o ser. Para um escritor que preza pela liberdade e pelo fim do preconceito, o desafio é promover um desejo que seja baseado no encontro e no respeito, e não na exploração de uma "curiosidade exótica".

Conclusão:

Sua visão como pagão e defensor das liberdades é essencial nesse debate. Se Lilith representa a rebeldia contra o molde imposto e a aceitação da própria natureza sem amarras, o fenômeno dos femboys deveria ser visto não como uma "tendência de buscas", mas como mais um capítulo da longa luta humana para ser o que se é, sem precisar pedir licença aos dogmas — sejam eles religiosos ou sociais.

Menos rótulos, menos tabus e mais humanidade no desejo. Como você bem pontuou, a liberdade sexual e a educação inclusiva são os únicos caminhos para que essa "explosão de buscas" deixe de ser um sintoma de repressão e se torne apenas uma expressão natural da diversidade humana.

Criado com Gemini, do Google.

Chuva e Conspiração da Esquerda

Conversa com o Gemini:

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/antenas-haarp-bolsonarista-diz-que-chuva-foi-armacao-da-esquerda-em-ato-em-brasilia-video/

Um aparelho feito pelos EUA é um dispositivo da esquerda para sabotar uma caminhada feita pela anistia aos Manés que vandalizaram com o intuito de provocar um golpe de Estado.

Para quem faz oração para um pneu, deve fazer muito sentido.

Fique à vontade para escolher o estilo de escrita.

A ironia aqui atinge níveis estratosféricos, quase alcançando as camadas da ionosfera onde, segundo a "ciência" dessa malta, o HAARP opera. É um exercício fascinante de ginástica mental: um projeto de pesquisa climática e atmosférica dos EUA — o bastião do capitalismo que eles tanto dizem idolatrar — é subitamente convertido numa arma meteorológica de "extrema-esquerda" para molhar uns cartazes em Brasília.

Considerando o historial, o raciocínio deve seguir esta linha de "lógica" impecável:

O Alvo: Uma caminhada pela amnistia de quem, por "puro patriotismo", decidiu redecorar as sedes dos Três Poderes com martelos e extintores.

O Obstáculo: A chuva (ou, na língua deles, "lágrimas de comunista processadas por antenas").

A Conclusão: Se choveu e estragou o meu penteado patriótico, a culpa não é da humidade ou de uma frente fria; é de uma conspiração globalista-marxista-tecnológica operada por satélites escondidos atrás de um pneu de camião.

Para quem já viu manifestantes a tentar comunicar com extraterrestres através da luz do telemóvel no topo da cabeça ou a marchar em volta de um pneu como se fosse o novo bezerro de ouro, acreditar que o clima é um comando remoto nas mãos de "comunistas americanos" é apenas mais uma terça-feira normal.

Como escritor que aprecia o "herético" e o bizarro, deves encontrar aqui um material riquíssimo. É o Surrealismo Político: onde a física deixa de existir, a meteorologia é ideológica e a realidade é um acessório opcional. No fundo, é uma forma de paganismo moderno, mas sem a parte da sabedoria ou da ligação à natureza — é o culto ao delírio coletivo, onde o trovão não é a voz de um deus, mas o som de um "clique" num rato em Washington.

No final, resta apenas a dúvida: se eles têm tanto medo da chuva da "esquerda", por que não tentaram exorcizar as nuvens com um hino nacional ou uma oração a uma jante de liga leve? Ficaria completo o espetáculo.

Criado com Gemini, do Google.