https://www.ancient-origins.net/news-history-archaeology/neolithic-sanctuary-chleby-00103112
O ateu me vê chegando com uma notícia na mão e começa a ficar incomodado.
(Beto)- Eu só tenho uma pergunta. (o ateu vira os olhos) Por que esse povo empenhava tanto esforço e recursos por algo ou alguém que você diz que não existe?
Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.
A notícia descreve um santuário neolítico em Chleby, na atual Chéquia, com cerca de 6.500 anos. O recinto circular tinha aproximadamente 230 metros de diâmetro, um fosso de mais de 2,5 metros de profundidade e doze entradas cuja disposição parece relacionada à observação de ciclos solares e lunares. Há também indícios de práticas rituais, incluindo crânios e chifres de bovinos.
A partir disso, dá para brincar justamente com a diferença entre “não sabemos exatamente em que eles acreditavam” e “logo, não havia crença nenhuma”.
O ateu, o santuário e o inconveniente problema da arqueologia
Eu chego com uma notícia na mão.
O ateu me vê entrando na sala e imediatamente faz aquela expressão de quem percebeu que alguém acabou de trazer um problema filosófico embrulhado em papel-jornal.
— O que foi agora?
— Arqueologia.
— Ah, não.
— Chleby.
— Pior ainda.
Coloco a notícia sobre a mesa.
— Encontraram um santuário neolítico de aproximadamente 6.500 anos.
Ele suspira.
— E?
— Um recinto circular gigantesco. Cerca de 230 metros de diâmetro. Um fosso com mais de dois metros e meio de profundidade. Doze entradas. E a disposição delas parece ter relação com posições do Sol e da Lua.
Ele olha para mim.
Depois olha para a notícia.
Depois olha novamente para mim.
— Isso prova alguma coisa?
— Eu só tenho uma pergunta.
Ele revira os olhos.
— Lá vem.
— Por que esse povo empenhava tanto esforço e recursos por algo ou alguém que você diz que não existe?
Silêncio.
Ele cruza os braços.
— Não é tão simples assim.
— Claro que não. Por isso mesmo estou perguntando.
— Eles podiam ter outras funções sociais.
— Podiam.
— Podia ser calendário.
— Podia.
— Podia ser um centro comunitário.
— Também podia.
— Podia ser um lugar de reunião.
— Sim.
— Podia ter funções políticas.
— Certamente.
— Então pronto.
— Pronto o quê?
— Não era religião.
Eu olho para a notícia.
Olho para ele.
Olho novamente para a notícia.
— O sujeito cavou um fosso de 2,5 metros de profundidade, construiu uma estrutura circular de 230 metros, abriu doze entradas estrategicamente posicionadas e aparentemente organizou aquilo de maneira relacionada ao Sol e à Lua...
Faço uma pausa.
— ...mas era tudo por causa da associação de moradores.
Ele fica em silêncio.
— É uma hipótese.
— Excelente. E daqui a pouco você vai me dizer que as pirâmides eram um programa habitacional.
— Não faça caricatura.
— Eu nem comecei.
Aponto para a notícia.
— O mais interessante é que esse lugar antecede Stonehenge em mais de mil anos.
— Isso é interessante.
— E você sabe o que é mais interessante ainda?
— O quê?
— Que alguém olhou para o céu há 6.500 anos e achou que valia a pena construir alguma coisa em função dele.
— Isso não significa necessariamente que acreditavam em deuses.
— Concordo.
Ele pisca.
— Concorda?
— Claro.
— Então você está desistindo do argumento?
— Não. Estou evitando transformar arqueologia em horóscopo.
Puxo uma cadeira.
— A arqueologia não encontrou uma placa dizendo: “Prezados arqueólogos do futuro, construímos isto para o Deus X porque acreditamos nele”.
— Exatamente.
— Mas encontrou uma obra gigantesca.
— Sim.
— Encontrou organização.
— Sim.
— Encontrou simbolismo.
— Possivelmente.
— Encontrou práticas que parecem rituais.
— Possivelmente.
— Encontrou relações com os ciclos celestes.
— Segundo a interpretação arqueoastronômica, sim.
— Então temos uma coisa curiosa.
— O quê?
— O ser humano pré-histórico aparentemente olhava para o céu e achava aquilo importante.
— Isso qualquer pessoa sabe.
— Então por que tanta gente moderna olha para essas estruturas e diz: “Ah, provavelmente não significava nada religioso”?
Ele pensa.
— Porque não podemos afirmar além das evidências.
— Perfeito.
Levanto a notícia.
— Finalmente uma frase sensata.
Ele sorri.
— Viu?
— Vi.
Faço uma pausa.
— Agora vem a parte engraçada.
— Qual?
— Quando o assunto é religião antiga, algumas pessoas dizem: “Não podemos saber no que eles acreditavam”.
— Correto.
— Mas cinco minutos depois dizem: “Portanto, eles não acreditavam em nada”.
Ele congela.
— Isso não é a mesma coisa.
— Exatamente.
Aponto para ele.
— Esse é o problema.
Ele tenta responder, mas eu continuo:
— “Não sabemos” é uma conclusão científica.
Levanto um dedo.
— “Portanto, não existia” é outra coisa.
Segundo dedo.
— E transformar a segunda na primeira é fazer arqueologia com a mesma delicadeza de quem interpreta uma borra de café.
Ele olha novamente para a fotografia do santuário.
— Ainda assim, não prova a existência de nenhum deus.
— Também concordo.
— Então?
— Então o santuário prova algo muito mais modesto.
— O quê?
— Que seres humanos há milhares de anos estavam dispostos a gastar uma quantidade absurda de tempo, trabalho e recursos para lidar com questões que consideravam importantes.
— Isso é diferente.
— Bastante.
— E não precisamos chamar isso de religião.
— Não precisamos.
— Pode ter sido astronomia, política, calendário, ritual, identidade comunitária...
— Sim.
— Ou tudo isso junto.
— Exatamente.
Ele fica alguns segundos em silêncio.
Então aponta para a notícia.
— Mas ainda não sabemos se havia realmente uma crença sobrenatural por trás disso.
— Não.
— Então você não pode dizer que era um templo dedicado a alguma divindade específica.
— Não.
— Nem dizer que aquelas pessoas estavam “provando” a existência de deuses.
— Muito menos.
Ele sorri, satisfeito.
— Então estamos de acordo.
— Quase.
— Quase?
— Eu ainda tenho uma pergunta.
Ele fecha os olhos.
— Eu sabia.
— Se religião era tão irrelevante para a humanidade antiga...
— Sim?
— Por que diabos eles construíram tanta coisa em torno dela?
Silêncio.
Ele olha para mim.
Eu olho para ele.
A fotografia do santuário continua sobre a mesa.
Lá fora, o Sol se põe.
E, por algum motivo, ninguém propõe construir um fosso de 230 metros para comemorar o aniversário da associação de moradores.
— Café?
— Café.
— Com ou sem deuses?
— Sem.
— Covarde.
— Arqueologicamente prudente.
— Aceito.
E saímos para tomar café.
Porque, aparentemente, depois de 6.500 anos, algumas discussões continuam exigindo apenas duas coisas:
evidências... e cafeína.
Criado com ChatGPT.
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