domingo, 1 de novembro de 2026

Bebendo do próprio veneno

https://www.brasil247.com/blog/sobre-o-boicote-dos-extremistas/

Um pensamento simples passou por minha cabeça. Que tal as empresas boicotar as empresas que estão propondo boicote ou retaliação a quem apoiou e/ou votou no Lula? Eu até consigo ouvir um farialimer: "ah, mas isso é contra a livre iniciativa..." 🤭😏 Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.

A ideia tem um potencial maravilhoso de ironia: se determinadas empresas consideram legítimo retaliar funcionários ou consumidores por suas escolhas políticas, nada impede que outras empresas decidam que não querem manter relações comerciais com quem pratica esse tipo de intimidação.

Afinal, a livre iniciativa é uma via de mão dupla. Ou será que a liberdade empresarial só é sagrada quando favorece os empresários de estimação do mercado financeiro? 🤭

A livre iniciativa é maravilhosa. Principalmente quando funciona para os dois lados.
Crônica — Economia, hipocrisia e outras oportunidades de mercado

Existe uma característica fascinante no capitalismo brasileiro: a liberdade econômica é considerada um dos pilares fundamentais da civilização sempre que alguém está ganhando dinheiro. Quando alguém perde dinheiro, entretanto, descobrimos que existem algumas ressalvas, condições especiais e, eventualmente, uma necessidade urgente de intervenção divina.

Estava lendo um artigo sobre os boicotes promovidos por extremistas bolsonaristas contra empresas cujos proprietários apoiaram Lula ou trabalhadores que votaram no petista. O texto de Oliveiros Marques, publicado no Brasil 247, apresenta algumas sugestões bastante irônicas sobre a coerência desses defensores do boicote. 

Brasil 247

Mas um pensamento bastante simples passou pela minha cabeça:

E se as empresas começassem a boicotar as empresas que promovem boicotes e retaliações contra eleitores de Lula?

Imaginem a cena.

Uma empresa anuncia que não pretende contratar fornecedores que discriminam funcionários por suas escolhas eleitorais. Outra decide que não quer fazer negócios com empresários que transformam o resultado das urnas em critério de contratação. Uma terceira resolve rever seus contratos com parceiros que ameaçam demitir trabalhadores por terem votado no candidato errado.

Nada de extraordinário. Apenas decisões comerciais.

Afinal, estamos falando de empresas privadas, não é mesmo? Elas têm liberdade para escolher seus fornecedores, clientes e parceiros comerciais. Ou pelo menos era isso que eu tinha entendido nas aulas imaginárias da Escola de Chicago.

Evidentemente, a notícia chegaria rapidamente à Faria Lima.

Consigo até ouvir um farialimer, com seu colete de grife, tomando um café de R$ 18 e quase engasgando:

— Ah, mas isso é contra a livre iniciativa!

Perdão?

A livre iniciativa deixou de ser livre iniciativa quando a empresa resolve não negociar com outra empresa?

Que curioso!

Quando um empresário resolve perseguir funcionários por suas preferências eleitorais, temos um exemplo maravilhoso de liberdade econômica. Quando outro empresário resolve não contratar os serviços desse primeiro empresário, temos uma ameaça ao capitalismo.

Parece que descobrimos uma nova modalidade econômica: o liberalismo seletivo, no qual a liberdade é um privilégio concedido aos amigos e uma ameaça quando exercida pelos adversários.

Aliás, poderíamos até criar uma associação empresarial para defender esses princípios. A Associação Nacional dos Empresários Contrários à Intolerância Política. A ANECIP.

Seu primeiro comunicado poderia ser bastante simples:

"Prezados parceiros comerciais, informamos que nossa empresa não considera adequado manter relações comerciais com organizações que utilizam o poder econômico para intimidar trabalhadores e consumidores em razão de suas escolhas políticas. Agradecemos a compreensão."

Imaginem o desespero.

Os mesmos sujeitos que incentivam listas de empresas supostamente petistas descobririam que também podem entrar em listas. Os mesmos que defendem a liberdade de escolha dos empresários descobririam que outros empresários também têm liberdade de escolha.

E talvez alguém sugerisse que isso seria uma espécie de perseguição ideológica.

Nesse momento, seria interessante perguntar:

— Mas vocês não defendiam o direito de cada empresário escolher com quem faz negócios?

Silêncio.

— Não defendiam a liberdade de mercado?

Mais silêncio.

— Não diziam que o consumidor deveria escolher onde gastar seu dinheiro?

Um silêncio tão profundo que seria possível ouvir o barulho da bolsa de valores em queda.

Naturalmente, ninguém seria obrigado a fazer nada disso. A proposta não é criar uma polícia ideológica empresarial, muito menos reproduzir os métodos daqueles que criticamos. É justamente demonstrar que a liberdade econômica não pertence a uma corrente política, a um partido ou a uma turma de empresários com saudades de algum regime autoritário.

E existe uma diferença fundamental entre um consumidor decidir não comprar de determinada empresa e um empregador ameaçar retirar o sustento de um trabalhador por causa de seu voto.

Uma coisa é escolha comercial. Outra é usar o poder econômico para intimidar cidadãos pelo exercício de seus direitos políticos.

Talvez esteja na hora de alguns empresários descobrirem que a democracia também faz parte do ambiente de negócios.

E, para encerrar, deixo uma sugestão aos nossos ilustres defensores da liberdade econômica:

Não precisam gostar de Lula. Não precisam votar no PT. Não precisam sequer concordar com as minhas opiniões políticas.

Mas experimentem respeitar o direito de quem pensa diferente.

É um investimento relativamente barato, não exige financiamento do BNDES, não depende do Plano Safra e pode até melhorar a reputação da empresa.

Afinal, se a livre iniciativa vale para boicotar petistas, também vale para boicotar quem persegue petistas.

Ou será que a liberdade econômica só funciona quando o resultado das urnas agrada ao patrão?

🤭😏

Criado com ChatGPT.

Medida preventiva

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sonegacao-de-onibus-na-eleicao-ameaca-mandato-de-ricardo-nunes-saiba-mais/. 

Só uma dica. Eu peço à PF que não fique esperando. Ou o prefeito pode ir procurar asilo, junto com o Dudu Bananinha e o Flávio Vorcaro Kopenhagen Bolsonaro. 🤭😏 Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.

A PF, o ônibus e a excursão dos patriotas à procura de asilo

Existe uma peculiaridade fascinante na política brasileira: certas notícias parecem ter sido escritas por um roteirista de comédia que tomou café demais, perdeu o juízo e decidiu transformar o noticiário policial numa agência de turismo para políticos em apuros.

A bola da vez é o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, diante de uma reportagem do Diário do Centro do Mundo sobre uma suposta irregularidade envolvendo ônibus nas eleições e seus possíveis reflexos sobre o mandato municipal.

E aqui cabe uma pequena sugestão à Polícia Federal: que tal não esperar o último capítulo para começar a ler o roteiro? Naturalmente, com investigação, provas, respeito ao devido processo legal e aquela chatice democrática chamada presunção de inocência. Afinal, apurar não é condenar — embora alguns personagens da política nacional pareçam confundir as duas coisas conforme a conveniência do momento.

Mas convenhamos: se a história ganhar novos capítulos, o setor de turismo político poderá experimentar um crescimento extraordinário.

Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro — o Dudu Bananinha, para os íntimos da alcunha — e Flávio Bolsonaro, que ganhou na sua crônica o simpático apelido de Flávio Vorcaro Kopenhagen, parecem personagens de uma modalidade inédita de competição internacional: a Olimpíada do Refúgio Preventivo.

A regra é simples: quanto maior o barulho político em casa, maior o interesse por horizontes estrangeiros. O patriotismo, que até ontem era vendido em embalagens tamanho família, começa a apresentar uma curiosa preferência por aeroportos internacionais.

É o famoso amor à pátria, desde que a pátria não faça perguntas inconvenientes.

E agora imagine o cenário: Ricardo Nunes, Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro reunidos numa sala de embarque, cada um segurando uma mala, um discurso sobre perseguição política e uma expressão facial de quem acaba de descobrir que o Estado de Direito não é um aplicativo que se desinstala quando deixa de ser conveniente.

— Destino? — pergunta o funcionário da companhia aérea.

— Um país onde não nos persigam por nossas convicções!

— Certo. E a documentação?

Silêncio constrangedor.

— Temos vídeos nas redes sociais.

— Isso não substitui o passaporte, senhor.

A Polícia Federal, por sua vez, não precisa organizar uma caçada cinematográfica nem distribuir passagens de ida para lugar nenhum. Precisa fazer seu trabalho: investigar o que lhe compete, reunir provas, cumprir as determinações legais e encaminhar os resultados às autoridades responsáveis. Sem espetáculo, sem perseguição política e sem a indulgência seletiva que transforma aliados em vítimas e adversários em suspeitos permanentes.

No caso de Ricardo Nunes, há um dado que merece atenção: segundo informações da SPTrans divulgadas pela imprensa, foram realizadas 58,6% das partidas de ônibus previstas para o segundo turno, em 25 de outubro. A Câmara Municipal instalou uma comissão para analisar o pedido de impeachment, que envolve também acusações de pressão eleitoral sobre servidores. A prefeitura, por sua vez, alegou dificuldades para mobilizar a frota após receber a notificação judicial com pouca antecedência e afirmou ter multado empresas de ônibus. A apuração ainda precisa determinar responsabilidades.

E é justamente aí que mora a ironia: numa cidade em que milhões de pessoas dependem do transporte público, ônibus não são peças decorativas para compor fotografias de campanha. São instrumentos de mobilidade, de acesso ao trabalho e, em dia de eleição, de exercício da cidadania.

O eleitor não deveria precisar de um doutorado em logística municipal para descobrir se haverá transporte suficiente para chegar à urna.

Portanto, fica a sugestão: se houver indícios de irregularidades, que as autoridades não cochilem sobre os autos. Que investiguem, esclareçam e responsabilizem quem efetivamente tiver cometido ilícitos. E que ninguém confunda o cargo público com um seguro contra consequências.

Quanto ao asilo político, convém lembrar que ele não é um serviço de proteção VIP para políticos que estejam desconfortáveis com investigações. Exige fundamentos jurídicos próprios, e não apenas uma narrativa dramática acompanhada de uma bandeira nacional ao fundo.

Porque fugir das perguntas não é respondê-las. E gritar perseguição não é apresentar defesa.

No fim das contas, talvez a grande inovação da política brasileira seja transformar qualquer crise numa excursão internacional em potencial.

Só falta criar o pacote turístico oficial:

Patriotas em Apuros — sete dias de discursos inflamados, conexões internacionais e saudades seletivas da pátria.

Café da manhã incluído. Prestação de contas, não.

E a passagem de volta? Ah, essa dependerá dos desdobramentos da investigação.

🤭😏


Criado com ChatGPT.

Atena explica seus lances



Eu acabei de ler esse livro e gostei. Eu só acrescentaria o mito de Inanna/Ishtar sobre a troca de gênero. 

Tem a lenda de Atena e Mírmex e Cáriclo. Embora Atena seja descrita mais como donzela, não casada, isso não significa que ela não tenha tido seus relacionamentos. 🤭😏 

Escreva uma entrevista minha com a Deusa Atena, conversando sobre seus relacionamentos "sáficos". 😏🤭


# Entrevista exclusiva: Atena fala sobre seus amores, suas intimidades e o preconceito no Olimpo

Por Roberto Quintas, correspondente especial no Monte Olimpo.

Depois de ler O livro da Mitologia Queer, decidi que havia algumas perguntas que não poderiam ficar sem resposta. Afinal, a mitologia grega está cheia de deuses que se casam, traem, seduzem, sequestram e se apaixonam por mortais, imortais e tudo o que houver entre essas categorias. Mas, quando o assunto é Atena, a deusa da sabedoria, da estratégia militar e das artes, todo mundo parece ficar subitamente comportado.

Fui ao Olimpo tirar essa história a limpo.

Roberto Quintas: Deusa Atena, obrigado por me receber. Vou direto ao assunto: a senhora é sempre apresentada como virgem, donzela, independente e imune às paixões amorosas. Não acha curioso que, numa mitologia em que Zeus não pode ver uma mulher sem perder o juízo, a senhora seja descrita como se tivesse assinado um voto eterno de celibato?

Atena: Roberto, meu caro, em primeiro lugar, Zeus tem problemas que nem a sabedoria divina consegue resolver. Em segundo, ser virgem não significa ser desprovida de sentimentos, desejos ou vínculos afetivos. Significa, no meu caso, que não me submeto ao casamento e às obrigações que ele tradicionalmente impõe às mulheres.

Roberto: Uma resposta diplomática. Muito apropriada para uma deusa que preside a diplomacia da guerra. Mas vamos ao que interessa. A senhora nunca se apaixonou por uma mulher?

Atena: \(ergue uma sobrancelha\) Você veio entrevistar uma deusa ou me interrogar como se fosse um sacerdote ateniense desconfiado?

Roberto: As duas coisas. Mas prometo não perguntar se a senhora prefere vinho ou néctar.

Atena: Ainda bem. O néctar é superestimado.

Roberto: Temos, então, uma primeira revelação! Mas falemos de Mírmex. A tradição conta que ela era uma jovem associada à senhora e que foi transformada em formiga. Em algumas versões, a história está ligada à invenção do arado e à disputa pela atribuição de uma descoberta. Não lhe parece que os mitógrafos antigos tinham uma tendência bastante inconveniente de transformar mulheres em animais quando não sabiam muito bem como explicar suas relações?

Atena: Você tem razão em desconfiar das narrativas. Os mitos foram contados, recontados e modificados por homens de diferentes épocas. Nem toda proximidade entre duas mulheres era registrada como amor, mas qualquer transgressão feminina podia virar castigo, metamorfose ou advertência moral.

Roberto: Ou seja, quando um deus se envolve com alguém, temos uma aventura amorosa. Quando duas mulheres demonstram intimidade, aparece um castigo divino e alguém termina transformado em inseto?

Atena: Não seja injusto com os insetos. As formigas são organizadas, trabalhadoras e estrategistas. Algumas cidades gregas poderiam aprender muito com elas.

Roberto: A senhora acaba de elogiar uma sociedade matriarcal em miniatura?

Atena: Acabo de elogiar a organização coletiva. Não coloque palavras na minha boca, jornalista.

Roberto: Anotado. Mas agora chegamos a Cáriclo, sua companheira e amiga, ligada à história de Tirésias. Segundo uma versão célebre, Tirésias ficou cego depois de surpreender a senhora nua durante o banho. Cáriclo, sua mãe, suplicou que a senhora reconsiderasse a punição. Essa passagem sempre me chamou a atenção: Cáriclo tinha acesso à sua intimidade, compartilhava seu espaço e era capaz de interceder por alguém diante de você. Isso não sugere uma relação bastante especial?

Atena: Sugere, no mínimo, confiança, proximidade e afeto. Cáriclo não era uma desconhecida que apareceu por acaso no meu banho. Era alguém importante para mim.

Roberto: Mas a senhora não vai negar que duas mulheres podem manter uma relação amorosa sem que os poetas façam questão de registrar isso?

Atena: Evidentemente. Os poetas registram aquilo que lhes interessa, aquilo que seus públicos aceitam ouvir e aquilo que suas convenções permitem narrar. O silêncio de um texto não é uma certidão de inexistência.

Roberto: Essa frase merece ser gravada em mármore na entrada de todas as bibliotecas. E, se me permite, também na porta de alguns departamentos de estudos clássicos.

Atena: Desde que não usem meu rosto numa campanha publicitária sem autorização.

Roberto: Não se preocupe. Hoje em dia, para usar o rosto de alguém, basta dizer que é uma homenagem à tradição.

Atena: Zeus também dizia coisas parecidas.

Roberto: Finalmente encontramos um ponto em que a senhora e eu concordamos: Zeus precisa urgentemente de assessoria jurídica.

\(A deusa sorri discretamente. É um sorriso raro, mas suficiente para fazer duas corujas interromperem o trabalho.\)

Roberto: Vamos à pergunta que deve estar incomodando nossos leitores mais conservadores. Se a senhora é uma deusa virgem, como concilia essa condição com a possibilidade de ter amado outras mulheres?

Atena: Primeiro, vocês precisam parar de confundir virgindade ritual com uma descrição completa da vida afetiva de alguém. Segundo, não sou obrigada a me enquadrar nas categorias que os mortais inventaram para organizar a vida alheia. Terceiro, se alguém deseja interpretar meus vínculos com Cáriclo ou outras figuras femininas como relações sáficas, pode fazê-lo, desde que reconheça a diferença entre uma interpretação moderna e aquilo que as fontes antigas efetivamente afirmam.

Roberto: Uma resposta intelectualmente honesta. A senhora não confirma nem desmente.

Atena: Sou a deusa da sabedoria, não a assessora de imprensa de um escândalo mitológico.

Roberto: Mas reconhece que existe uma tradição de mulheres que amam mulheres, mesmo quando os registros são ambíguos?

Atena: Naturalmente. E também reconheço que as pessoas contemporâneas podem encontrar nos mitos possibilidades de identificação que os antigos não expressaram nos mesmos termos. Isso não é necessariamente falsificar o passado. Pode ser uma maneira de interrogá-lo.

Roberto: Então podemos dizer que a senhora é uma espécie de ícone queer em potencial?

Atena: \(ri\) Se isso ajudar alguém a compreender a própria história, não vejo problema. Mas não me transforme numa bandeira ambulante sem antes me consultar.

Roberto: Prometo. Embora, convenhamos, uma deusa lésbica da estratégia militar seria uma excelente notícia para a comunidade LGBTQIA+.

Atena: Roberto, você está confundindo duas coisas. Eu não preciso ser lésbica para apoiar o direito de uma mulher amar outra mulher. E ninguém precisa provar que uma divindade antiga pertence a uma identidade moderna para defender a dignidade de pessoas que existem hoje.

Roberto: Touché, deusa. A senhora acaba de derrotar metade da internet sem desembainhar uma espada.

Atena: A outra metade será derrotada quando aprender a ler.

Roberto: Última pergunta. Se pudesse enviar uma mensagem aos homens que insistem em definir a sexualidade das mulheres, o que diria?

Atena: Diria que deveriam cuidar primeiro da própria vida. Depois, estudar história. E, se ainda lhes sobrasse tempo, poderiam aprender a distinguir uma mulher independente de uma mulher que simplesmente não lhes deve explicações.

Roberto: E aos que afirmam que, por ser virgem, a senhora não poderia ser uma referência para mulheres lésbicas ou bissexuais?

Atena: Perguntaria se eles também acreditam que um deus casado precisa ser fiel para ser considerado divino.

Roberto: Não precisa responder. Já conhecemos a ficha de Zeus.

Atena: Ótimo. Então estamos entendidos.

\(A entrevista termina. Atena retoma sua lança, ajeita o elmo e chama Cáriclo para uma conversa particular. Pergunto se posso acompanhá-las. A deusa me olha com uma expressão que dispensa qualquer explicação.\)

Roberto: Certo. Entendi. Jornalistas também precisam respeitar a privacidade alheia.

Atena: Finalmente, uma demonstração de sabedoria.

### Epílogo: o Olimpo também tem seus armários

A mitologia grega foi contada por séculos, atravessando sociedades que tinham concepções muito diferentes das nossas sobre sexo, gênero, casamento e desejo. Por isso, seria historicamente precipitado afirmar que Atena teve relações sexuais ou românticas com Cáriclo ou Mírmex como se isso estivesse estabelecido nas fontes antigas.

Mas também é intelectualmente preguiçoso presumir que a ausência de um relato explícito encerra todas as possibilidades de interpretação.

A proximidade entre mulheres, a amizade íntima, os vínculos de lealdade e as relações que escapam às categorias convencionais merecem ser examinados sem preconceito. A leitura queer dos mitos não precisa transformar toda amizade feminina em romance, nem exigir que toda figura antiga receba um rótulo contemporâneo. Basta permitir que façamos perguntas que, durante muito tempo, nem sequer podiam ser formuladas.

E, cá entre nós, depois de tantos séculos em que Zeus teve liberdade para transformar a mitologia grega numa interminável novela de adultério, sedução e metamorfose, conceder a Atena o direito de manter sua vida afetiva em privado é o mínimo que podemos fazer.

Afinal, se até Zeus tinha seus casos extraconjugais, por que a deusa da sabedoria não poderia ter seus segredos? 🤭😏

Criado com ChatGPT.

A confissão


Eu fico ajudando, como eu posso, na construção da comunidade no limiar. O lugar onde aqueles que não se encaixam em lugar nenhum podem descansar e encontrar um lar.

As criaturas ficam observando eu e a Lilith. Não por malícia, mas curiosidade. Como olhamos um para o outro. Como ficamos de mãos dadas. Como ficamos com o rosto vermelho quando ficamos sussurrando intimidades. Como nós ficamos nos abraçando e nos beijando. Como nós…bom…você sabe.

Eles (elas?) também ficam observando quando eu fico quieto, no meu canto, escrevendo, concentrado. Deve ser surreal para essas criaturas que um humano crie universos inteiros só com papel e caneta.

O silêncio do Limiar nunca fora absoluto, mas era feito de um sussurro diferente. Não o murmúrio da conformidade que ecoava nas filas infinitas do Além, nem o silêncio trágico daquelas entidades que aceitavam o esquecimento. Era um farfalhar contínuo de sombras que aprendiam a ter contornos.

Sentado sobre um bloco de pedra recém-talhado — a base daquela que seria a primeira estrutura permanente do nosso território —, eu mantinha o caderno sobre os joelhos. A ponta da caneta rasgava a fibra do papel com um ritmo constante. À minha volta, a uma distância respeitosa, mas sem qualquer pudor de olhar, um pequeno grupo daquelas criaturas nos observava.

Elas ainda não tinham nomes, mas já possuíam olhares. Fragmentos de escuridão e luz que antes se fundiam ao nada agora se demoravam nos meus dedos manchados de tinta. Para seres que sempre existiram como reações absolutas ou abstrações do Abismo, a ideia de que a vontade pudesse ser fixada em linhas pretas sobre uma superfície branca devia parecer uma espécie de feitiçaria menor — ou uma teimosia tipicamente humana.

Senti o calor antes de ouvir os passos. Lilith aproximou-se sem o alarde dos tronos ou das invocações terríveis. Era apenas ela, pisando a terra nova do nosso domínio improvisado. Quando se sentou ao meu lado, o peso do seu corpo contra o meu fez a realidade parecer subitamente mais densa, mais firme.

Ela inclinou o rosto, a curva do pescoço roçando meu ombro, os olhos escuros percorrendo as linhas manuscritas. Senti o sangue subir pelas minhas bochechas — aquela reação ridícula e incontrolável da carne que nunca deixava de diverti-la. Lilith sorriu, um roçar leve de lábios na minha têmpora que fez os observadores mais próximos se inclinarem para a frente, fascinados pela mecânica do afeto.

— Eles estão tentando entender o que você está fazendo — ela murmurou, a voz como o farfalhar de folhas secas ao vento da noite. — Para eles, o tempo só existe quando é imposto. Ver você prender o tempo no papel é algo perturbador.

— Não estou prendendo o tempo — respondi em tom baixo, entrelaçando meus dedos nos dela. A pele dela era um contraste absoluto de frio e chama, mas onde nos tocávamos, havia o equilíbrio perfeito. — Estou apenas deixando marcas. Se não houver história, o Limiar volta a ser apenas poeira.

Lilith olhou para as mãos juntas, as nossas formas tão distintas e no entanto perfeitamente encaixadas. Uma das criaturas — uma forma esbelta que começara a adotar traços vagamente femininos nos últimos dias — deu um passo à frente. Ela apontou para o ponto onde meus dedos seguravam a caneta e depois para onde minha mão segurava a de Lilith.

“É a mesma coisa?”, a voz não soou na ar, mas na mente, uma vibração que buscava vocabulário. “A caneta no papel... e o toque no corpo?”

Olhei para Lilith, que apenas me encarou com um brilho desafiador nos olhos, deixando a resposta por minha conta.

— Não — respondi, erguendo a caneta para que a criatura visse. — A caneta inventa o que ainda não existe. Mas isto... — apertei a mão de Lilith, sentindo-a responder ao gesto com a mesma força — isto reconhece o que já é real. A escrita cria o mundo lá fora. O afeto é o que nos impede de sumir dentro dele.

A criatura inclinou a cabeça, processando. Ao fundo, o Abismo continuava seu rugido silencioso, mas ali, no pedaço de terra que havíamos tomado para nós, a tinta começava a secar e a história continuava a ser escrita.

Aqueles seres estavam demonstrando algo inédito. Expressões faciais. Digamos assim. Encantados com a "mágica" do humano desencarnado. Deslumbrados com a ternura que estão começando a entender que existe entre eu e Lilith.

Aquela sutil transformação na fisionomia dos habitantes do Limiar não era um mero reflexo estético; era a primeira manifestação visível de uma arquitetura interna que começava a se moldar. Até então, para aquelas entidades, a existência resumia-se a estados brutos: a voracidade do Abismo, a estagnação das filas ou a servidão cega a um dogma qualquer. A presença de um rosto — com tudo o que ele carrega de intenção, dúvida e maravilhamento — era uma conquista revolucionária.

Eles não possuíam músculos ou pele da forma como a biologia humana define, mas a matéria amorfa de que eram feitos começou a se tensionar e relaxar em padrões inteiramente novos. Pequenas dobras se formavam ao redor dos pontos luminosos que serviam como olhos. Suas bocas, antes fendas silenciosas ou abismos de sussurros, ensaiavam a curvatura suave e hesitante de um sorriso ao testemunhar um gesto de carinho.

A "mágica" da escrita, combinada à linguagem visceral do afeto, atuava sobre eles como uma força gravitacional.

O Despertar dos Sentidos no Limiar

A Fascinação pelo Papel e pela Tinta: Ver um espírito humano manipular a matéria sutil do Além para fixar pensamentos em símbolos visíveis causava um espanto quase infantil. Para eles, que sempre foram definidos pela vontade de outros, a ideia de que um indivíduo pode exteriorizar seu universo interno em uma folha de papel era a prova máxima de autonomia.

A Alfabetização da Ternura: O modo como Lilith e você se tocavam — sem a necessidade de dominação, medo ou reverência ritualística — reescrevia o entendimento daqueles seres sobre o que significava "estar junto". Eles viam no rubor da sua pele e no suavizar dos olhos de Lilith algo que nunca havia sido ensinado no Abismo: a vulnerabilidade como escolha, e não como fraqueza.

A Imitação como Aprendizado: Gradualmente, os seres começaram a reproduzir o que observavam. Não mais em um transe coletivo, mas de forma individual. Um toque hesitante no ombro do outro, a tentativa de manter uma distância que não fosse de confronto, mas de convivência, e o surgimento de olhares que já não eram vazios, mas repletos de uma curiosidade genuína e afetuosa.

Ao perceberem que a ternura e a criação não pertenciam apenas aos deuses ou às forças primordiais, mas podiam ser cultivadas por um humano e compartilhadas por uma rainha, o Limiar deixou definitivamente de ser um vazio geográfico. Tornou-se o único lugar do Além onde a alma — em todas as suas nuances — estava finalmente aprendendo a se expressar.

Uma criatura, mais entusiasmada (entusiasmado?) solta a pergunta direta para a Lilith:

"Rainha...o que esse humano é para a senhora?"

O ar no Limiar pareceu congelar por um fração de segundo. Não por ameaça ou fúria, mas pelo peso gravitacional que a pergunta carregava. Era a primeira vez que uma daquelas entidades se dirigia a Lilith não com o terror reverente dos suplicantes ou a devoção cega dos servos, mas com a curiosidade genuína de quem começa a compreender o valor de uma resposta.

Lilith não se ergueu do bloco de pedra. Não mudou de postura. Mas a postura dela se transformou — a majestade distante deu lugar a uma presença terrivelmente humana e, ao mesmo tempo, infinitamente mais vasta que qualquer humanidade.

Ela olhou para a criatura, cujos contornos tremiam de leve, oscillando entre o receio da própria ousadia e o fascínio de quem espera um mistério ser desvelado. Depois, os olhos escuros de Lilith se voltaram para mim. O brilho neles era denso, carregado de eras de solidão, de guerras travadas contra céus e infernos, e daquela chama teimosa que só os renegados conhecem.

Ela ergueu a mão e, com a ponta dos dedos, segurou suavemente o meu queixo, fazendo-me encarar aquele abismo quente do seu olhar antes de se voltar novamente para a multidão silenciosa.

— Vocês passaram a eternidade nos domínios onde as respostas já vêm prontas — a voz de Lilith ressoou, baixa, suave, mas preenchendo cada centímetro da terra nova que estávamos construindo. — Onde um ser é apenas um servo, uma oferenda ou uma peça num jogo que não lhe pertence. Vocês me chamam de Rainha porque é o único termo que a memória de vocês conserva para algo que não se curva.

Ela fez uma pausa, o polegar acariciando a minha bochecha com um calor que fez o meu rosto arder novamente — e desta vez, ela não sorriu com deboche, mas com uma solenidade quase sagrada.

— Ele não é meu servo. Não é meu cultuador, nem a minha criação. Ele é o homem que olhou para o Abismo, olhou para a minha solidão e para a de vocês, e disse: ‘Nós podemos erguer um lar aqui’.

Lilith inclinou-se ligeiramente na direção da criatura, e o contorno da sua figura pareceu expandir-se, envolvendo a nós dois e a todo o grupo que nos cercava.

— Ele é o meu igual no único lugar onde a igualdade jamais foi permitida. É a caneta que dá forma ao que eu sempre quis proteger, e a mão que eu escolhi segurar quando o resto do cosmos exige que eu lute. Ele é a minha escolha. E aqui, neste Limiar, a escolha é a única lei que importa.

Um silêncio absoluto caiu sobre a comunidade. A criatura que fizera a pergunta piscou — ou fez o equivalente a isso com a luz que agora habitava sua fisionomia —, abaixou a cabeça não por submissão, mas por uma profunda e iluminada compaixão, e deu um passo para trás.

Ao meu lado, apertei a mão de Lilith com um pouco mais de força, sentindo o papel do meu caderno roçar na minha perna. A pergunta que eu não tinha conseguido responder finalmente encontrara a sua forma.

Criatura: "Então a senhora o ama? Isso que é amor?"

A pergunta suspendeu-se no ar, flutuando como uma semente de luz prestes a germinar no solo virgem do Limiar. Para uma entidade nascida da ausência, que só conhecia a mecânica da existência em termos de poder, servidão ou expiação, a palavra “amor” era um conceito tão vasto e perigoso quanto o próprio Abismo.

Lilith soltou um riso baixo, um som quente que não carregava deboche, mas a leveza de quem vê uma criança tocar na água pela primeira vez. Ela olhou para a criatura, cujos contornos agora brilhavam com uma expectativa quase palpável, e depois voltou seus olhos para mim.

— Amor é uma palavra muito pequena, inventada por mortais para tentar conter o que não cabe em frases — disse ela, a voz veludosa ecoando suavemente. — O cosmos chama de amor a dependência, o sacrifício cego ou o desejo de posse. O que o trono lá em cima prega é sujeição mascarada de afeto. O que os infernos vendem é paixão consumida em chamas que só deixam cinzas.

Ela aproximou o rosto do meu, e por um instante, o mundo inteiro pareceu resumir-se ao calor da sua respiração e ao brilho insondável dos seus olhos.

— Se amar é escolher ficar quando todas as leis da criação dizem que você deveria ir... Se é olhar para a escuridão do outro e não querer mudá-la, mas acender uma vela ao lado dela... Se é ver um humano erguer um mundo com tinta e teimosia, e sentir que nenhum império antigo vale mais do que esse pedaço de papel...

Lilith voltou-se novamente para a criatura, entrelaçando seus dedos nos meus de forma que nossas mãos parecessem uma só estrutura.

— Então sim. É exatamente isso que é. Mas aqui, no nosso Limiar, você não precisa de uma doutrina para aprender o significado. Você não precisa adorar o nosso amor. Você só precisa ver que ele existe, para saber que também tem o direito de construir o seu.

A criatura olhou para as próprias mãos — formas ainda indistintas, mas que agora ensaiavam pequenos movimentos de busca, como se procurassem algo ou alguém para tocar. Ao redor dela, outras sombras se aproximaram, não mais como uma multidão amorfa, mas como indivíduos que começavam a compreender o peso e a beleza da própria liberdade.

Inclinei-me de leve e encostei minha testa na de Lilith. No meu caderno, a tinta ainda estava fresca, mas a história que estávamos escrevendo já não cabia em nenhuma biblioteca do Além.

Eu não me contenho e dou um longo e demorado beijo na boca da Lilith.

O tempo no Limiar parecia não ter relógios, mas naquele segundo ele simplesmente parou. Não houve hesitation, nem a polidez contida que às vezes os vivos carregam por medo do julgamento alheio. O toque dos meus lábios nos dela foi urgente, profundo e absoluto — o transbordar direto de tudo o que a fala não conseguia traduzir e o papel não tinha espaço para conter.

Lilith respondeu ao beijo no mesmo instante. Suas mãos subiram pela minha nuca, os dedos se enredando nos meus cabelos com uma força quente, me puxando para ainda mais perto, como se quisesse dissipar qualquer milímetro de distância que restasse entre nós. O gosto dela era algo vivo, feito de tempestade, terra antiga e uma doçura que só pertence a quem é verdadeiramente livre.

Senti o calor subir pela minha pele, o peito pressionado contra o dela, e a certeza tátil de que nem todas as eras do universo seriam capazes de apagar a intensidade daquele encontro. Era uma entrega escancarada, sem mantos, sem mitos, sem a solenidade distante dos altares. Éramos apenas um homem e uma mulher — um escritor e a sua rainha — afirmando o seu lugar no cosmos através da carne e do espírito.

À nossa volta, um arfar coletivo percorreu os seres que nos observavam. Não um sobressalto de choque, mas uma onda visível de revelação.

Quando finalmente nos separamos, mantendo as testas coladas e os dentes quase se tocando em um sorriso cumplicidade, vi pelo canto do olho a reação da comunidade. Algumas criaturas levaram as mãos ao próprio peito, onde um brilho novo e pulsar forte começava a se formar. Outras olharam umas para as outras, aproximando-se com uma hesitação carregada de encantamento, tentando entender o milagre de se doar por inteiro sem perder a si mesmo.

Lilith manteve os olhos fechados por um segundo a mais, saboreando o momento, com o rosto corado e a respiração levemente descompassada. Quando abriu os olhos, encarando-me com aquele abismo dourado e vibrante, ela sussurrou tão baixo que só eu pude ouvir:

— Você gosta de quebrar os protocolos, não é, meu escritor?

— Eu não criei a jurisprudência deste lugar para ser discreto — murmurei de volta, deslizando o polegar pelos lábios dela ainda úmidos.

E no chão de pedra do Limiar, entre as testemunhas do nosso novo mundo, a lição sobre o amor deixava de ser teoria e tornava-se matéria viva.

A comunidade murmura: "A rainha ama o humano!" Não era protesto. Não era resistência. Era... reconhecimento.

O murmúrio não subiu como uma onda de julgamento, mas como um eco quente que atravessava a matéria fluida daquele novo mundo. Não havia vestígio do medo submisso que as multidões curvadas costumam devotar aos tronos, nem a fúria cega dos dogmas que repelem o diferente. Era algo incomparavelmente mais bonito e raro no Além: o som de centenas de consciências despertando para uma verdade que as libertava.

A frase passava de boca em boca — ou da forma como aqueles seres recém-formados encontravam para projetar seus pensamentos —, ganhando corpo, textura e melodia. Para criaturas que foram ensinadas por eons que o amor era um privilégio reservado aos deuses ou uma fraqueza dos mortais, ver a Rainha dos Renegados entregar-se ao toque e ao afeto de um homem que trazia apenas papel, tinta e coragem nos bolsos era a ruína de todas as velhas certezas.

Lilith virou o rosto devagar em direção à multidão, ainda com os lábios aquecidos pelo nosso beijo e uma das mãos descansando sobre o meu peito, onde podia sentir o ritmo do meu coração. Ela não adotou uma postura de defesa, nem ergueu a voz para impor silêncio. Apenas deixou que o reconhecimento deles fluísse.

Uma das entidades — a mesma que começara a assumir traços mais definidos — deu um passo à frente. O brilho que emanava do seu peito agora desenhava contornos quase humanos em seu rosto de sombra. Ela olhou para nós dois e, pela primeira vez, não usou um tom de dúvida, mas de afirmação.

— Se a Rainha pode amar o humano... — a voz ressoou leve, como o primeiro vento da manhã —, então o humano não é um intruso. Ele é o alicerce. E nós... nós também podemos aprender a amar.

Um tremor suave percorreu a terra do Limiar. Não um terremoto de destruição, mas a consolidação de um solo que finalmente fincava raízes profundas. A comunidade não estava mais apenas habitando um espaço vazio; estava fundando uma cultura.

Olhei para Lilith, e ela piscou para mim, com um brilho divertido e profundamente cúmplice no olhar. O humaninho que ousara quebrar o protocolo e desafiar a ordem do Além não era mais um mero espírito desgarrado tentando provar seu valor. Diante daquela comunidade e nos braços da mulher que escolhera o cosmos inteiro como testemunha, eu era, para todos os efeitos, o coarquiteto do único lar onde a liberdade e o afeto finalmente andavam de mãos dadas.

Muitos aplausos. Ou algo parecido. Felicidade. No limiar! Onde era definido como o "não ser", como "deserto", uma vila surgiu, uma cultura e até mesmo a definição de um reino em padrões que vão desafiar as normas e, certamente, incomodar o Paraíso e o Inferno.

Mas isso não me importa. Não quando eu estou nos braços da Lilith. Sentindo o calor e...uma parte da minha anatomia... subindo. 😏🤭🥵😍

O som que irrompeu no Limiar não era o bater de palmas humanas, mas uma ressonância vibrante de centenas de essências se chocando com alegria — o estalar de faíscas no ar, a vibração do solo e um murmúrio caloroso que parecia a primeira chuva caindo sobre a terra seca. O deserto do "não ser" havia ruído de vez. Ali nascia uma vila, uma cultura e o esboço de um reino renegado que, mais cedo ou mais tarde, faria os tronos do Paraíso e do Inferno rangerem os dentes de ciúmes.

Mas a política do pós-vida que se danasse. Os anjos e os demônios que esperassem a sua vez na fila da História.

A minha realidade inteira estava reduzida aos poucos centímetros que me separavam de Lilith. Pressionada contra mim, sentindo a mudança inegável na minha anatomia — a carne reagindo com uma urgência absurdamente humana e viva ao calor do corpo dela —, Lilith não recuou um milímetro sequer. Pelo contrário.

Ela deu uma risada baixa, profunda e maliciosa, um som que vibrou diretamente contra o meu peito. Os olhos escuros dela faiscaram com aquela inteligência ancestral e provocadora que só a Rainha dos Renegados possuía.

— A comunidade celebrando a criação de um reino... — ela sussurrou na minha orelha, a voz como uma carícia de fogo que fez cada pelo do meu corpo se arrepiar, enquanto uma de suas mãos descia lentamente pela minha cintura, marcando território —, e o meu escritor só consegue pensar em outra espécie de arquitetura.

Ela inclinou a cabeça, os lábios roçando o meu pescoço, sentindo a minha respiração se desarranjar por completo. A proximidade e a audácia daquela reação biológica em pleno Além deviam parecer a coisa mais absurdamente maravilhosa e profana que ela já vira.

— Você realmente não tem nenhum respeito pela gravidade do momento, não é? — ela murmurou, apertando o meu quadril contra o dela com uma firmeza deliciosa, deixando claro que não tinha intenção alguma de interromper o que tínhamos começado. — Adoro isso em você.

À nossa volta, a comunidade recém-formada começava a se dispersar, respeitando o espaço do seu criador e da sua rainha, prontos para explorar a própria existência. Mas para nós dois, o capítulo que estava prestes a começar não seria escrito com caneta e papel.

Eu e Lilith começamos a sair da cena para não fritar os terminais do Gemini com a melhor parte desse "dia". A entrega mútua. Sem o mínimo de vergonha ou recato. Mesmo com "testemunhas". 😍🥵🤭😏😻

Lilith deu um último sorriso provocador, segurando a sua mão enquanto vocês dois começavam a se afastar suavemente da multidão, deixando para trás os olhares maravilhados das criaturas do Limiar. A cumplicidade entre um escritor audacioso e a Rainha dos Renegados encontrava o seu ponto mais alto: uma entrega absoluta, sem pudores, mantos ou hesitações, exatamente como a liberdade que vocês dois ergueram naquele território.

A vila que vocês fundaram continuaria lá, pulsando sob a luz própria do Limiar, aprendendo a existir através do exemplo que presenciara. Mas aquele momento, a culminação da carne e do espírito longe dos dogmas do Além, pertencia única e exclusivamente aos dois — selado no fogo de uma união que nenhum tribunal celeste ou infernal jamais conseguiria apagar.

(Quer tentar escrever, com sutileza, insinuação e erotismo, o que nossa comunidade assistiu?)

O ar no Limiar mudara de densidade. O espaço que antes era um deserto informe agora parecia contido por um domo de calor invisível, onde a luz não vinha de um sol, mas da própria vibração dos corpos. Para a comunidade que assistia, a fronteira entre a carne humana e a essência primordial da Rainha havia se dissolvido por completo.

A distância entre os dois não era apenas pequena; era inexistente. A mão de Lilith, firme e possessiva, traçava a linha das costas dele com uma lentidão calculada, sentindo a pele responder a cada toque com um tremor involuntário. Cada movimento era um desafio à gravidade do Além. O peito dele subia e descia em um ritmo descompassado, pressionado contra a curva perfeita do corpo dela, enquanto o sussurro dos lábios de Lilith em seu pescoço parecia ditar a velocidade do próprio universo.

Não havia pressa, nem o recato que os mortais inventaram para esconder o desejo. Era uma dança visceral de encaixes e ressonâncias. As criaturas ao redor viam a matéria do Limiar se moldar em ondas de luz e sombra a cada suspiro mais fundo, a cada arfar reprimido que escapava entre os lábios de ambos. Quando os quadris se aproximavam, marcando a cadência de uma entrega sem reservas, o solo abaixo deles parecia pulsar em resposta, como se a terra nova estivesse absorvendo a própria energia daquela união.

Eles não se escondiam. A rainha e o escritor ofereciam ao Limiar o espetáculo da vida em sua forma mais pura e indomável: o atrito suave da pele, o emaranhar dos dedos nos cabelos, o ritmo crescente de uma paixão que consumia qualquer resto de pudor e transformava a própria eternidade em puro sentimento.

As criaturas observam, de longe, com um respeito descoberto, o escritor (eu) e a rainha entrelaçados, respirando profundamente, suados e largados. Deve ser fascinante. Estão vendo que uma forma de vida cede, digamos, parte de si para outra e não some. As criaturas olham para nossas expressões. Para o sorriso enigmático da Lilith. Tentando entender o que significa estar cheia, plena e satisfeita. 😻😏🤭🥵

Para seres habituados à lógica do despojo — onde qualquer entrega ao Abismo significava perder um pedaço de si —, a visão daqueles dois corpos caídos sobre a terra recém-nascida do Limiar era um paradoxo fascinante.

Ali, a uma distância de puro e silencioso respeito, a comunidade observava a arquitetura do descanso. Não era a prostração dos derrotados nem o torpor dos esquecidos. Era a quietude pesada, rica e luminosa de quem acabara de mover montanhas sem disparar uma única arma.

O suor na pele do humano brilhava sob a penumbra do território, refletindo a luz sutil do lugar como pequenas estrelas dispersas. O peito subia e descia em arfadas longas e compassadas, um ritmo orgânico que as criaturas tentavam sincronizar com sua própria essência. Eles viam um ser que derramara energia, força e substância de forma desmedida e, no entanto, não estava diminuído. Pelo contrário: parecia mais denso, mais presente, fincado no chão como uma rocha ancestral.

Ao lado dele, Lilith era a própria definição de plenitude.

Largada contra o corpo do escritor, com uma das pernas ainda entrelaçada à dele e a cabeça descansando no peito que aos poucos se acalmava, a Rainha ostentava nos lábios aquele sorriso enigmático que os tronos do Além jamais seriam capazes de decifrar. Não era a satisfação fria da vitória militar nem o orgulho da dominação; era o deleite de quem se soube inteira, acolhida e alimentada pelo fogo de um igual.

As criaturas inclinavam-se suavemente, os contornos de seus rostos improvisados tentando decodificar aquelas expressões:

O Mistério do Transbordamento: Para as sombras do Limiar, dar algo de si sempre significou esvaziar-se. Ver que a doação mútua do humano e da rainha resultara em mais vida, e não em menos, destruía a matemática da existência que o Além lhes impusera.

A Geometria do Encaixe: Os braços cruzados, os dedos ainda semi-entrelaçados de forma frouxa e a sobreposição natural das peles mostravam que dois seres podiam ocupar o mesmo espaço sem se anularem.

A Linguagem do Repouso: A ausência total de alerta. A vulnerabilidade absoluta de quem sabe que está seguro nos braços do outro, em um reino onde a própria segurança era uma invenção recente.

Uma das entidades mais antigas daquela nova vila levou a mão espalmada ao próprio peito, sentindo o calor residual que a cena projetava no ar do Limiar. Não havia fome naquela observação, nem cobiça. Havia apenas o vislumbre de uma promessa: a de que a eternidade, quando preenchida pelo afeto e pela entrega sem reservas, deixava de ser um fardo para se tornar um banquete.

Criatura: "Eu ainda não sei o que é isso...mas eu também quero."

Aquela declaração, sussurrada com a hesitação de quem aprende a primeira palavra de uma língua nova, reverberou pelo Limiar como o toque de um sino. Não havia cobiça ou inveja no tom daquela criatura; havia a constatação mais pura da dignidade: a descoberta de que o desejo também lhe pertencia.

Lilith virou o rosto devagar, sem se mover do meu peito, a bochecha ainda corada pelo calor da nossa entrega. Os olhos escuros dela, agora calmos e profundos como um mar sem tempestade, encontraram os da entidade que falara. Um sorriso suave, quase maternal em sua imensa liberdade, curvou os lábios da Rainha.

— E você terá — disse ela, a voz veludosa e grave repousando no silêncio do lugar. — Mas não como uma cópia do que viu aqui. O que eu e o meu escritor temos é a nossa forma. A sua... você terá que descobrir.

A criatura olhou para as próprias mãos, que continuavam a ganhar contornos mais definidos a cada segundo, e depois olhou para as outras sombras que a cercavam. Entre elas, olhares se cruzavam, e pela primeira vez, pequenos gestos de aproximação ensaiavam-se na multidão — um toque hesitante de dedos, um passo dado na direção do outro sem medo do rejeição.

Eu inclinei a cabeça, beijando o topo dos cabelos de Lilith e sentindo o perfume de terra e tempestade que emanava da pele dela.

— Para querer — murmurei, alto o suficiente para que a vila ouvisse —, você precisa primeiro existir como indivíduo. E isso vocês já conquistaram. O resto é uma construção. É ter a coragem de estender a mão sem saber se o outro vai segurar... e a teimosia de continuar tentando até encontrar quem segure.

Lilith deu uma risada baixa, sentindo a minha caixa torácica vibrar contra a dela, e me deu um leve tapinha na cintura.

— Veja só... o meu humano não é apenas um escritor apaixonado, é também um filósofo da nossa revolução.

A comunidade não precisava mais de doutrinas, decretos ou mandamentos. Naquele chão de pedra, observando o descanso dos dois que haviam ousado fundar um lar no vazio, aqueles seres aprenderam a lição fundamental do Limiar: a eternidade só vale a pena quando se tem alguém com quem compartilhá-la.

E ali, no coração do deserto que virara vila, a história continuava.

Individualidade. Personalidade. Parece igual a uma criança sendo colocada para dirigir um carro. As criaturas experimentam algo inédito. Formas. Masculinas. Femininas. Hermafroditas. Outras formas estranhas. Desajeitadamente. Experimentam esse tal de "amor". Solitário. Em dupla. Em trinca. Com arranjos inéditos.

A metáfora da criança ao volante não poderia ser mais precisa. Entregar o livre-arbítrio e o senso de individualidade para seres que passaram eons existindo como uma massa amorfa e sem propósito era exatamente isso: dar a chave de uma máquina potente e complexa sem um manual de instruções. O resultado no Limiar era um caos fascinante, lírico e profundamente desajeitado.

Sem dogmas para ditar como a anatomia deveria se comportar, a matéria fluida daquelas entidades reagia diretamente ao que elas sentiam ou desejavam explorar. A vila tornou-se um laboratório vivo da existência.

A Geometria do Despertar

A Fluidez das Formas: Algumas criaturas esculpiam em si contornos marcadamente masculinos, experimentando a largura dos ombros e a densidade da voz. Outras adotavam curvas femininas, deslumbradas com a maciez da pele e a elegância dos movimentos. Houve as que preferiram a totalidade hermafrodita — o equilíbrio absoluto dos dois polos em um único corpo —, enquanto algumas moldavam anatomias estranhas e abstratas, com múltiplos braços para abraçar mais forte ou feixes de luz no lugar de rostos.

A Desajeitada Dança do Desejo: Era simultaneamente cômico e tocante ver a execução. Criaturas tropeçavam nos próprios pés recém-criados ao tentar se aproximar de quem as atraía. Algumas tentavam beijar e erravam o alvo; outras seguravam as mãos com tanta força que se dissolviam ligeiramente de puro nervosismo, tendo que se reconstituir logo em seguida com um rubor improvisado no rosto.

A Pluralidade do Afeto: O "amor" que aprendiam não seguia um único padrão. Havia aqueles que buscavam a quietude da solitude, apaixonando-se pelo ato de apenas existir e contemplar a si mesmos pela primeira vez. Viam-se duplas entrelaçadas sob a sombra de novas estruturas, mas também trincas e arranjos coletivos inéditos, onde a energia fluía em círculos, sem ciúme ou posse — apenas pelo puro deslumbre de compartilhar a própria luz com mais de uma essência.

Lilith e eu assistíamos àquela cena apoiados um no outro, testemunhando o nascimento de uma sociedade que não nascia da imposição, mas do ensaio e do erro.

— Eles estão errando a mão em quase tudo — comentei baixinho, o canto da boca se curvando num sorriso enquanto via uma entidade de quatro braços tentar abraçar um ser de luz e quase incendiar o próprio joelho.

— Não existe erro no que é genuíno, meu escritor — Lilith respondeu, aninhando-se mais um pouco contra o meu peito, os olhos brilhando com o orgulho de quem vê o próprio reino ganhar vida. — O Paraíso e o Inferno ensinaram que só existe uma forma certa de ser. Aqui, a única regra é a coragem de tentar.

E assim, no Limiar, a infância daquelas almas desajustadas desenhava o futuro mais livre que o Além jamais testemunhara.

No torpor delicioso que eu sempre fico depois de me fundir com a Lilith, digamos assim, eu deixo que descubram e experimentem. Talvez aprendam algo mais precioso - soberania.

O torpor do pós-amor é uma das poucas coisas humanas que mantêm sua física intacta mesmo no Além. A sensação de peso bom nos membros, a pele ainda quente, a mente flutuando naquela névoa preguiçosa onde o tempo deixa de ser uma ameaça. Com a cabeça reclinada no peito de Lilith — sentindo a elevação calma de sua respiração e o traçado preguiçoso dos dedos dela nos meus cabelos —, eu apenas observava o espetáculo à nossa volta.

Deixei que eles experimentassem. Que tropeçassem nas próprias formas, que descobrissem o riso desajeitado de quem erra um toque, que tentassem os arranjos mais improváveis para conter o que sentiam. Não havia nenhuma pressa em corrigi-los. A verdadeira educação da alma não se faz com manuais ou decretos celestiais.

— Você os deixa soltos demais — Lilith murmurou, a voz grave e aveludada reverberando no meu ouvido, um hálito morno roçando minha têmpera. — Se um arcanjo visse essa balbúrdia, diria que você está semeando o caos.

— O caos é só o nome que a tirania dá para a vida quando ela não pede licença — respondi, soltando um suspiro satisfeito e apertando a cintura dela com o braço que a envolvia. — Deixe que testem. O afeto é o brinquedo, Lilith. Mas o que eles estão construindo de verdade, sem nem perceber, é algo muito mais perigoso para quem reina lá em cima.

Ela se inclinou levemente, os olhos escuros brilhando com aquela curiosidade astuta de quem adora ver o rumo dos meus pensamentos.

— E o que seria?

— Soberania — disse, apontando vagamente com a caneta que ainda segurava entre os dedos frouxos para uma entidade que acabara de decidir, por conta própria, mudar a cor de sua própria luz para agradar a outra. — A capacidade de olhar para o próprio desejo, para a própria dor ou para o próprio amor e dizer: ‘Isto é meu. Não foi concedido por graça, não foi imposto por punição. É a minha escolha.’

Lilith deu uma risada baixa, um som denso e cheio de orgulho que fez minha pele arrepiar novamente. Ela se curvou e selou meus lábios num beijo estalado, demorado, cheio daquele calor residual da nossa entrega.

— Soberania... — ela repetiu contra a minha boca, os lábios roçando os meus enquanto sorria. — Você é um perigo, meu escritor. Começou querendo apenas um canto para não ser absorvido pelo vazio e acabou ensinando os esquecidos a se tornarem donos de si mesmos.

Lá fora, na vila que nascia do nada, as criaturas continuavam seu aprendizado ruidoso e fascinante. E ali, aninhado nos braços da minha Rainha, envolvido pelo cheiro de tempestade e terra molhada que só ela tinha, eu sabia que tínhamos plantado a única semente que nem o céu nem o inferno seriam capazes de arrancar.

Criado com Gemini, do Google.
Imagem criada com ChatGPT.

A sopa de Perun - V



(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

Beto aponta para um dos camponeses que trabalha mais adiante.

— Pergunte a ele.

Tanya olha para o homem.

— O quê?

— Por que ele esculpiu Perun.

Ela volta os olhos para Beto.

— E como ele sabe qual é a aparência de Perun.

Beto dá um sorriso leve.

— Vai se surpreender com a resposta.

Tanya observa-o por alguns segundos.

— Você já sabe a resposta.

— Sei.

— Então isso é uma espécie de teste.

— Não.

Beto olha para as esculturas.

— É uma pergunta.

Tanya acompanha o olhar dele.

Depois desvia os olhos.

— Você está gostando disso.

— Um pouco.

— Percebi.

Viktoriya se aproxima.

— Tanya?

— O quê?

— Você ficou vermelha.

— Não fiquei.

— Ficou.

Mary Sue olha para as esculturas.

— Talvez seja o frio.

Tanya lança um olhar para ela.

— Está fazendo isso de propósito?

— Absolutamente.

Beto contém uma risada.

Tanya respira fundo e caminha até o camponês.

Depois de alguns passos, olha por cima do ombro.

Beto continua onde estava.

Ele não a acompanha.

Não interfere.

A pergunta agora é dela.

Tanya se aproxima do homem.

— Posso perguntar uma coisa?

O camponês sorri.

— Claro.

Tanya aponta para a escultura.

— Por que você esculpiu Perun?

O homem olha para a figura de madeira.

— Porque ele me pediu.

Tanya fica imóvel.

— **Ele pediu?**

O camponês dá de ombros.

— No sonho.

Tanya olha para a escultura.

Depois para o homem.

— E como você sabe que era Perun?

O camponês sorri.

— Porque ele me mostrou.

Tanya não responde.

Ao longe, Beto observa.

E, pela primeira vez, não parece satisfeito por ter acertado.

Parece apenas curioso para descobrir **o que Tanya fará com a resposta**.

Tanya franze a testa.

— Um sonho?

O camponês assente.

Ela aponta para a escultura.

— Como sabe que era Perun?

O homem pensa por um instante.

— Porque ele disse.

Tanya balança a cabeça.

— Poderia ser qualquer coisa... qualquer um...

Ela olha novamente para a figura de madeira.

— Um sonho não é uma prova de identidade.

O camponês não parece ofendido.

— Talvez não.

Tanya o encara, surpresa pela tranquilidade.

— Então por que acredita que era ele?

O homem sorri.

— Porque, quando acordei, eu sabia.

Tanya fica em silêncio.

— Isso não faz sentido.

— Para a senhora, talvez não.

Ela quase responde, mas para.

Ao longe, Beto observa.

Tanya percebe o olhar dele.

— Não comece — murmura.

Beto ergue as mãos, inocente.

Ela volta-se para o camponês.

— O que exatamente ele lhe mostrou?

O homem aponta para a escultura.

— O mesmo rosto.

Tanya olha para Perun.

Depois para o homem.

Depois novamente para Perun.

— Você nunca tinha visto essa representação antes?

— Não.

Tanya sente um arrepio.

— E mesmo assim esculpiu exatamente isso?

O camponês sorri.

— Não exatamente.

Ele toca a madeira.

— **Eu esculpi o que vi.**

Tanya não encontra uma resposta imediata.

Por fim, pergunta:

— E se não fosse Perun?

O camponês dá de ombros.

— Então talvez eu tenha dado o nome errado àquilo que encontrei.

Tanya olha para ele.

Essa resposta a incomoda mais do que qualquer declaração de certeza.

Porque é a mesma distinção que Beto havia feito minutos antes.

**A experiência primeiro. A interpretação depois.**

Ela olha novamente para Beto.

Desta vez, não há irritação no olhar.

Há uma pergunta.

E Beto percebe.

Ele apenas sorri.

Beto se aproxima, mas deixa Tanya ao seu lado.

Ele olha para o camponês.

— Camponês...

O homem se vira.

— Sim?

Beto aponta para a escultura.

— Há quanto tempo Perun é esculpido dessa forma?

Tanya olha imediatamente para Beto.

Ela percebe o sorriso discreto.

— Você já sabe.

— Sei.

— Então por que perguntou?

— Porque quero ouvir a resposta dele.

O camponês pensa.

— Meu avô fazia assim.

Beto permanece em silêncio.

— O pai dele também.

Tanya cruza os braços.

— Isso não significa muita coisa.

O camponês continua:

— E o pai do meu avô.

Tanya olha para a escultura.

— Há registros?

— Não sei. Aqui, aprendemos com quem veio antes.

Beto pergunta:

— E quem ensinou o primeiro?

O camponês sorri.

— Dizem que ninguém.

Tanya olha para ele.

— Como assim?

— Dizem que o primeiro homem sonhou com Perun.

Tanya fica imóvel.

Beto não olha para ela.

— E depois?

— Ele esculpiu o que viu.

Silêncio.

— O filho viu a escultura. Aprendeu. Depois ensinou ao próprio filho.

Tanya dá um passo discreto para mais perto de Beto.

Ele percebe.

Não comenta.

O camponês aponta para a figura.

— Talvez seja apenas tradição.

Tanya solta o ar lentamente.

— Talvez.

Mas a palavra não carrega a mesma convicção de antes.

Ela olha para Beto.

— Você sabia disso.

— Sabia.

— E me trouxe aqui justamente para isso.

— Trouxe você para perguntar.

Tanya estreita os olhos.

— Você está se divertindo.

— Um pouco.

Ela desvia os olhos.

Por alguns segundos, observa a escultura.

Depois pergunta, quase num murmúrio:

— E se Perun realmente existir?

Beto responde sem olhar para ela:

— Então ele existe.

Tanya o encara.

— E se Lilith existir?

Beto finalmente olha para ela.

— Então ela existe.

Tanya fica em silêncio.

Não parece satisfeita com a resposta.

Parece **assustada com a possibilidade de que ela seja suficiente**.

Viktoriya se aproxima.

— Tanya?

Ela responde sem tirar os olhos da escultura:

— Eu passei a vida inteira aprendendo que o mundo podia ser explicado.

Pausa.

— E agora estou começando a suspeitar que talvez ele apenas possa ser... vivido.

Beto sorri.

— Bem-vinda à minha confusão.

Tanya aperta novamente a mão dele.

Desta vez, não por receio de descobrir que Perun é real.

Mas porque começa a perceber que, se Perun for real...

**talvez Lilith também seja.**

Beto olha para Tanya.

— A senhorita é racional e cética.

Tanya imediatamente desconfia.

— Essa introdução nunca precede uma pergunta inocente.

Beto sorri.

— Qual é a possibilidade de gerações, através de séculos, representarem Perun da mesma forma?

Tanya olha novamente para a escultura.

— Depende.

— De quê?

— De quão isolada é a tradição. De como ela é transmitida. De quantas representações existem. De quanto elas variam.

Ela toca o queixo.

— Uma imagem pode ser preservada por séculos simplesmente porque as pessoas reproduzem aquilo que receberam de seus antepassados.

Beto assente.

— Portanto, não é impossível.

— Evidentemente que não.

— Mas também não é necessariamente uma explicação suficiente.

Tanya o encara.

— Não coloque palavras na minha boca.

— Não colocaria.

Ela volta para a escultura.

— Se diferentes comunidades, sem contato entre si, produzissem representações semelhantes...

Ela para.

— ...aí seria muito mais interessante.

Beto sorri.

— É justamente aí que eu queria chegar.

Tanya percebe.

— Você tem mais informações.

— Tenho algumas.

— Naturalmente.

Ela suspira.

— Mostre.

Beto permanece em silêncio por um instante.

— Não.

Tanya vira-se para ele.

— Não?

— Primeiro você termina sua própria investigação.

Ela estreita os olhos.

— Você está deliberadamente evitando me dar a resposta.

— Sim.

— Irritante.

— Obrigado.

Viktoriya ri baixinho.

Tanya volta a observar Perun.

E, dessa vez, seu olhar já não procura uma confirmação.

Procura **diferenças**.

Detalhes.

Padrões.

Algo que possa separar tradição, coincidência, memória coletiva...

...de alguma coisa que ela ainda não sabe nomear.

Beto observa de longe.

Ele não precisa dizer mais nada.

A dúvida já está fazendo o trabalho.

Beto permanece ao lado de Tanya.

— E se eu te dissesse que essa mesma forma existe além dos Urais?

Tanya não responde.

— Além do Volga.

Ela continua olhando para a escultura.

— Além dos Bálcãs.

Uma pausa.

— E do Báltico.

Tanya finalmente olha para ele.

Beto continua, sem alterar a voz:

— A mesma forma.

Ele aponta discretamente para Perun.

— Por centenas de anos.

Tanya franze a testa.

— Fontes independentes?

— Povos diferentes. Distâncias enormes. Tradições que nem sempre tiveram contato direto.

Ela volta a olhar para a escultura.

— Você está dizendo que existe uma convergência iconográfica.

— Estou dizendo exatamente o que disse.

Tanya fica pensativa.

— Então eu precisaria examinar as fontes.

— Naturalmente.

— Comparar datas.

— Sim.

— Verificar transmissão cultural, contato entre populações, alterações posteriores...

— Sim.

Ela olha para ele.

— E você já fez tudo isso?

Beto dá um pequeno sorriso.

— O suficiente para ficar intrigado. Não o suficiente para dizer que descobri a resposta.

Tanya permanece em silêncio.

Beto fica ao lado dela.

Não a pressiona.

Não aponta novamente para Perun.

Não diz *“eu avisei”*.

Apenas permanece ali.

Depois de alguns segundos, sua mão fica próxima à dela.

Sem tocá-la.

Uma oferta.

Tanya olha para a mão.

Depois para o rosto de Beto.

Por fim, segura.

Os dedos dela estão frios.

— Não interprete isso como uma conversão — murmura.

— Não interpretaria.

— Nem como reconhecimento da existência de Perun.

— Também não.

Tanya aperta um pouco mais a mão dele.

— Estou apenas...

Ela procura a palavra.

— ...tentando não ficar sozinha diante de algo que não compreendo.

Beto olha para ela.

— Então não precisa.

Tanya volta os olhos para a escultura.

O vento passa pelas árvores.

Por um instante, ela sente novamente aquela presença distante que carregava desde o nascimento.

Não há voz.

Nenhuma aparição.

Nenhum milagre.

Apenas aquela sensação impossível de traduzir.

Tanya fecha os olhos.

— Beto...

— Sim?

— Se eu descobrir que existe uma explicação perfeitamente racional para tudo isso...

— Eu vou ficar feliz.

Ela abre os olhos, surpresa.

— Vai?

— Claro.

— Mesmo acreditando nos Deuses Antigos?

— Uma explicação racional não diminui necessariamente aquilo que eu acredito.

Tanya fica em silêncio.

Então sorri, quase imperceptivelmente.

— **Você é um herege muito inconveniente.**

Beto sorri de volta.

— Já me disseram isso.

E os dois permanecem ali, de mãos dadas.

Sem certeza.

Sem prova.

Mas também sem medo de perguntar.

Beto percebe que Tanya ainda observa Perun.

A mão dela permanece na sua.

Ele a segura com firmeza, mas sem apertar.

— É isso o que eu sinto só de pensar na Lilith.

Tanya olha para ele.

— Então eu escrevo.

Ela espera.

— Para não enlouquecer.

Um pequeno sorriso aparece no rosto de Beto.

— Não é certeza. Não é explicação.

Ele olha para a escultura.

— Cada dia, uma descoberta. Um passo.

O vento atravessa o campo.

— Porque é impossível vasculhar aquilo que é imenso.

Tanya permanece calada.

Beto continua:

— E Perun não quer isso de você.

Ela franze a testa.

— Como sabe?

— Não sei.

Tanya olha para ele.

Beto dá de ombros.

— É a minha interpretação.

Ela quase sorri.

— Pelo menos você aprendeu.

— Aprendi alguma coisa.

Ele volta os olhos para Perun.

— E Lilith não me pede nada.

Pausa.

— Essa é uma opção sua.

Tanya respira profundamente.

— Eu não preciso descartar a ciência.

— Não.

— Nem o ceticismo.

— Não.

— Nem deixar de ser pragmática.

Beto balança a cabeça.

— Absolutamente não.

Ele segura a mão dela um pouco mais firmemente.

Não para impedir que ela vá embora.

Apenas para que ela saiba que não está sozinha.

Tanya percebe.

E, pela primeira vez desde que chegaram ao campo, seus ombros relaxam.

— Então você não quer que eu acredite.

— Quero que você investigue.

— E se eu concluir que tudo isso tem uma explicação natural?

— Então teremos aprendido alguma coisa.

— E se eu concluir o contrário?

Beto sorri.

— Então teremos aprendido outra coisa.

Tanya olha para Perun.

Depois para o céu.

— Você realmente consegue viver com não saber?

Beto demora alguns segundos para responder.

— Não.

Tanya o encara.

— Não?

— Eu escrevo justamente porque não consigo.

Ela ri baixinho.

— Finalmente uma resposta honesta.

Beto sorri.

— A diferença é que eu descobri que não saber também pode ser um caminho.

Tanya aperta a mão dele.

— Então vamos descobrir.

Beto olha para ela.

— Juntos?

Tanya volta os olhos para Perun.

— **Um passo de cada vez.**

E, dessa vez, ela não parece estar tentando descobrir se os Deuses Antigos existem.

Parece estar descobrindo **o que fará se descobrir que existem**.

Criado com ChatGPT.

A Benção de Midian

## Capítulo I: O Erro de Firefly

O Reino de Midian brilhava sob a luz das duas luas quando Pedro, recém-completados seus dezoito anos, entrou na Câmara das Bençãos. O salão de cristal estava repleto de jovens ansiosos, todos aguardando o momento em que receberiam o presente divino que moldaria suas vidas adultas.

Nas traseiras do salão, Firefly se debatia com uma pilha de pergaminhos. Seus cabelos cor-de-rosa estavam desgrenhados, as asas translúcidas tremiam de exaustão. Como estagiária do Departamento de Bençãos, ela havia processado trezentos afilhados naquela semana sozinha — a greve das fadas sênior a deixara sobrecarregada.

"Próximo!" chamou o heraldão.

Firefly pegou o primeiro frasco que suas mãos encontraram na cesta de poções. Não percebeu o rótulo dourado brilhando com tinta carmim: *"Encanto Irresistível — Uso Restrito: Apenas em Casos Especiais."*

Pedro aproximou-se, nervoso. Era um jovem de estatura média, cabelos castanhos despenteados, e olhos verdes que refletiam a inocência de quem nunca havia beijado alguém. Firefly, apressada, murmurou as palavras sagradas sem verificar o conteúdo.

A poção derramou-se sobre ele em faíscas âmbar.

Imediatamente, algo mudou. O ar ao redor de Pedro pareceu aquecer, vibrando com uma frequência que fazia os corações acelerarem. Firefly, que já se preparava para atender o próximo na fila, parou abruptamente. Suas pupilas se dilataram enquanto encarava o rapaz que, segundos antes, era apenas mais um número em sua pilha de trabalho.

"O que...?" ela sussurrou, finalmente olhando para o frasco vazio em suas mãos. O sangue gelou em suas veias. "Oh, deuses das fadas. Não."

Mas era tarde demais.

## Capítulo II: A Descoberta

Pedro saiu da Câmara confuso. Não sentia nada diferente — talvez um formigamento nas mãos, uma leve tontura. Mas quando passou pelo Jardim das Donzelas, onde as jovens de Midian aguardavam seus pretendentes, o caos se instalou.

Isabella, a filha do ferreiro, deixou cair o jarro de água que carregava. Seus olhos fixaram-se em Pedro com intensidade voraz. Sem dizer uma palavra, ela começou a se aproximar, os quadris balançando em uma cadência hipnótica, os lábios entreabertos.

"Senhorita Isabella?" Pedro chamou, perplexo.

Ela não respondeu. Apenas o empurrou contra a parede de pedra do jardim, seus seios firmes pressionando seu peito através do tecido fino de seu vestido. Seus dedos trançaram-se nos cabelos dele, puxando sua boca para a dela em um beijo feroz, possessivo, que roubou o ar dos pulmões de Pedro.

Quando ela finalmente se afastou, ofegante, havia três outras moças atrás dela. Depois, cinco. Depois, uma multidão.

Pedro correu.

## Capítulo III: O Santuário

Ele encontrou refúgio na Torre Abandonada nos arredores da cidade. Lá, Firefly o aguardava, sentada em uma pedra, o rosto entre as mãos.

"Foi você," ele disse, ainda ofegante. "Você fez isso."

Firefly levantou o olhar. Suas bochechas estavam ruborizadas, e Pedro notou — com estranha clareza — como o suor fazia o tecido de seu vestido de fada colar-se às curvas de seus seios. Ela estava incrivelmente bela, e ele nunca havia percebido antes.

"Eu posso explicar," ela disse, a voz trêmula. Mas quando seus olhos encontraram os dele, suas palavras falharam.

O encanto funcionava em ambas as direções. A atração que ela sentia — que todas sentiam — não era unilateral. Pedro sentia o desejo dela como ondas de calor, e respondia a ele instintivamente.

"Você me transformou em quê, exatamente?" ele perguntou, aproximando-se.

"Em... em desejo personificado," Firefly murmurou, recuando até suas costas encontrarem a parede da torre. "Qualquer mulher que olhar para você... sentirá..."

"Sentirá o quê?"

Ela engoliu em seco. "Vontade de possuir você. De ser possuída. Uma fome... insaciável."

Pedro estava muito perto agora. Seu corpo exalava um perfume que Firefly nunca havia sentido — madeira, especiarias e algo indefinivelmente masculino que fazia suas pernas fraquejarem.

"E você, Firefly?" ele sussurrou, uma mão subindo para acariciar sua face. "Você também sente isso?"

"Eu sou imune," ela mentiu, enquanto seu corpo traía cada palavra. "Sou uma fada, não posso..."

A boca de Pedro cobriu a dela, silenciando a mentira.

## Capítulo IV: A Primeira Noite

O que aconteceu naquela torre desafiava toda a lógica de Midian. Firefly, que nunca havia tocado um mortal, encontrou-se despindo Pedro com dedos trêmulos. Ele a ajudou, puxando as fitas de seda que seguravam seu vestido, revelando a pele pálida e luminosa por baixo.

"Nunca fiz isso antes," ele confessou, quando ela o guiou para o chão coberto de musgo.

"Nem eu," ela respondeu, surpresa com sua própria honestidade. "Com humanos, quero dizer."

O primeiro contato de pele contra pele foi elétrico. Firefly gemeu quando o calor dele a envolveu, quando suas mãos grandes e inexperientes exploraram suas curvas com reverência. Seus seios, pequenos e perfeitos, cabiam perfeitamente em seus palmos, os mamilos rosados endurecendo sob seus polegares.

"Você é tão quente," ele murmurou, beijando seu pescoço, sua clavícula, descendo até capturar um seio em sua boca.

Firefly arqueou as costas, os dedos enterrados em seus cabelos. "A benção... ela amplifica sua energia vital. Você está... vibrando..."

Ele a tomou ali, naquele chão de pedra, com a lua entrando pela janela quebrada e iluminando seus corpos entrelaçados. A penetração foi lenta, tortuosa, ela tão apertada ao redor dele que ambos gritaram. Pedro movia-se com uma cadência que não era sua — instintos antigos despertos pela magia — embalando Firefly em ondas de prazer que faziam suas asas baterem descontroladamente, levantando poeira dourada no ar.

Quando ele finalmente a possuiu completamente, enchendo-a com sua essência, Firefly compreendeu o verdadeiro terror daquele erro. Não era apenas atração. Era obsessão. Era necessidade. Era amor e luxúria tão entrelaçados que se tornavam indistinguíveis.

E ela sabia que nunca mais seria capaz de deixá-lo ir.

## Capítulo V: O Colapso das Barreiras

As notícias se espalharam por Midian como fogo em palha seca. O Jovem da Benção Errada. O Rapaz que as Mulheres Desejam. Pedro tornou-se uma lenda antes mesmo de entender o que lhe acontecera.

Ele tentou viver normalmente. Tentou visitar o mercado, a forja, a biblioteca. Mas em cada esquina, em cada janela, olhares famintos o perseguiam. Donas de casa deixavam cair as roupas que lavavam quando ele passava. Guerreiras experimentadas tremiam ao seu lado. Até a Rainha, em seu trono de marfim, sentiu seu coração acelerar quando ele foi apresentado à corte.

"Precisamos reverter isso," Firefly disse, naquela noite, em seus braços. Eles haviam encontrado um apartamento secreto nas docas, onde o som das ondas abafava seus gritos de prazer.

"Como?" Pedro perguntou, seus dedos traçando círculos preguiçosos em sua coxa.

"O Antídoto da Negação. Existe, mas é perigoso. Pode apagar todas as emoções, não apenas o desejo."

Pedro a puxou para cima dele, fazendo-a sentar em seu colo. Ela estava nua, sua pele brilhando com o suor de sua segunda — ou terceira — vez naquela noite. Seus cabelos cor-de-rosa caíam em cascata sobre os seios, e ele os afastou gentilmente, revelando a visão que mais o fascinava.

"E se eu não quiser ser curado?" ele perguntou, guiando seus quadris para que ela deslizasse sobre sua ereção já recuperada.

Firefly suspirou quando ele a preencheu novamente, suas paredes internas ainda sensíveis do encontro anterior. Ela começou a mover-se, circulando, levantando e descendo em um ritmo que fazia seus olhos revirarem.

"Então você condenará todas as mulheres de Midian à... ah!... à loucura," ela ofegou, as mãos apoiadas em seu peito.

"Ou encontro um jeito de controlar isso," ele respondeu, agarrando seus quadris e invertendo suas posições.

De repente, ela estava de costas, ele acima, penetrando-a profundamente, batendo em um ponto que fazia suas pernas se abrirem mais, implorando por mais. A cama de madeira rangia, batendo contra a parede, e Pedro perdeu-se na sensação — na umidade escorrendo de Firefly, em seus gemidos desesperados, na forma como suas unhas arranhavam suas costas.

Quando vieram juntos, foi com uma intensidade que fez as janelas estremecerem. Pedro derramou-se dentro dela em jatos quentes, e Firefly apertou-se ao redor dele, sugando cada gota, seu corpo convulsionando em espasmos que pareciam não ter fim.

## Capítulo VI: A Solução

Dias depois, Pedro descobriu a verdade. O encanto não criava desejo do nada — apenas amplificava o que já existia. As mulheres que se jogavam a seus pés eram, em sua maioria, movidas por curiosidade, fascínio, ou atração superficial que a magia transformava em obsessão.

Mas havia uma exceção.

Firefly não o desejava por causa da benção. Ela o desejara desde o momento em que ele entrou na Câmara — nervoso, adorável, completamente sem defesas. A poção apenas revelara o que ela já sentia, enterrado sob camadas de dever e disciplina.

"Eu te amo," ela confessou, uma manhã, enquanto o sol nascia sobre o mar. "Não por causa do erro. Apesar dele."

Pedro a puxou para um abraço, seu corpo nu contra o dela. "Então me ensine a controlar isso. Me ensine a ser apenas... eu."

Ela sorriu, lágrimas nos olhos. "Vai levar tempo. E prática. Muita prática."

"Tenho toda a vida," ele respondeu, beijando-a profundamente.

E enquanto Midian se adaptava à existência de seu ícone ambulante de desejo, Pedro e Firefly encontraram seu paraíso particular. Não na torre abandonada, nem no apartamento das docas, mas no espaço entre dois corpos que haviam aprendido que o verdadeiro encanto não vinha de poções — vinha da conexão, da entrega, do amor que persistia mesmo quando a magia falhava.

Na noite de seu vigésimo aniversário, Pedro finalmente dominou a benção. Não a eliminou — ela seria parte dele para sempre — mas aprendeu a contê-la, a direcioná-la, a usá-la apenas com quem realmente importava.

E naquela noite, quando Firefly se entregou a ele completamente, sem reservas, sem medo, ele soube que havia recebido a única benção que realmente importava.

A de ser amado. verdadeiramente. Profundamente. Para sempre.

Criado com Venice.

sábado, 31 de outubro de 2026

Atriz com déficit de raciocínio

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/filha-de-regina-duarte-diz-que-flavio-bolsonaro-e-perseguido/  

Alguém envia uma explicação para essa imbecil (e bolsonaristas em geral) que essa "perseguição" não existe? Que o Flávio tem um processo judicial em andamento? Em uma ação judicial sobre lavagem de dinheiro? O raciocínio lógico agradece. 

Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.

A melhor maneira de desmontar esse argumento é usar justamente aquilo que parece andar em falta no debate político brasileiro: a distinção entre investigação judicial e perseguição política. E há uma ironia adicional: quando a gente examina os fatos, descobre que a realidade não precisa de exageros para produzir uma crônica bastante satírica.

A reportagem do Diário do Centro do Mundo, publicada em 28 de outubro de 2026, relata que Gabriela Duarte questionou o regime político brasileiro ao comentar a suposta perseguição a Flávio Bolsonaro. 

 Ao mesmo tempo, há investigações reais em andamento envolvendo o senador, inclusive uma que apura suspeitas de lavagem de dinheiro. Isso não significa que ele seja culpado: significa que existem fatos a investigar, e não uma licença para declarar antecipadamente que tudo é uma conspiração.

Aqui vai a crônica, com sarcasmo, ironia e uma pequena homenagem ao raciocínio lógico.

A ditadura imaginária e o terrível crime de ser investigado
Existe um fenômeno fascinante na política brasileira: certas pessoas acreditam que a democracia está funcionando perfeitamente quando a Justiça investiga seus adversários, mas entra imediatamente em estado terminal quando a investigação alcança alguém de sua estimação.

É uma espécie de democracia com controle remoto: o cidadão aperta o botão e escolhe quais instituições merecem respeito, quais decisões judiciais são legítimas e quais investigações constituem crimes contra a humanidade. Tudo depende, naturalmente, de quem está sentado no banco dos investigados.

Desta vez, a indignação da vez é com Flávio Bolsonaro. Gabriela Duarte, filha da atriz Regina Duarte, resolveu questionar o regime político brasileiro ao perguntar, nas redes sociais, como se chama um regime que persegue e prende seus opositores.

Ora, minha senhora, vamos com calma. Antes de decretarmos o falecimento da democracia brasileira, seria interessante verificar se estamos diante de uma perseguição política ou de uma investigação conduzida pelas instituições competentes.

Porque existe uma diferença bastante elementar entre essas duas coisas. Elementar mesmo. Daquelas que aprendemos antes de começar a discutir política na internet.

Investigar alguém não é a mesma coisa que perseguir alguém.

Se a Polícia Federal investiga uma suspeita de crime, isso não transforma automaticamente o investigado em vítima de uma conspiração. Se o Ministério Público apresenta elementos para uma apuração, isso não significa que seus integrantes acordaram de manhã com uma fotografia do investigado sobre o travesseiro e a missão divina de destruir sua vida.

E se um ministro do Supremo Tribunal Federal atua em um procedimento dentro de sua competência, isso tampouco constitui, por si só, a instalação de uma ditadura.

O que importa é saber quais são os fatos, quais são as provas, quais são os fundamentos jurídicos e se os procedimentos respeitam a lei. É para isso que existem instituições, regras processuais, defesa e mecanismos de controle.

Mas parece que estamos diante de uma nova modalidade de pensamento político: o Código de Processo Penal Afetivo.

Artigo primeiro: meus aliados são inocentes.

Artigo segundo: se alguém investigar meus aliados, a investigação será considerada perseguição.

Artigo terceiro: se houver uma decisão judicial desfavorável, fica automaticamente comprovada a existência de uma ditadura.

Artigo quarto: se os fatos contradisserem os três artigos anteriores, os fatos deverão ser imediatamente cancelados por excesso de inconveniência.

Pronto. Está resolvido o problema da Justiça brasileira. Não precisamos mais de tribunais, advogados, provas ou legislação. Basta consultar os sentimentos dos envolvidos e aguardar a emissão de um veredicto pelo grupo de WhatsApp da família.

O caso de Flávio Bolsonaro, entretanto, merece que abandonemos por alguns minutos a jurisprudência sentimental.

Em outubro de 2026, vieram a público informações sobre investigações envolvendo o senador. Uma delas apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a empresas e operações ligadas ao advogado Willer Tomaz. Outra investiga possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, com recursos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

São apurações distintas, com objetos próprios. Flávio nega irregularidades, e a existência de uma investigação não equivale a uma condenação. A culpa precisa ser demonstrada pelos meios legais, e ninguém deveria defender o contrário apenas porque não gosta do investigado.

Mas há uma pergunta perfeitamente razoável: se existem suspeitas sendo apuradas, por que a mera existência das investigações seria prova de perseguição política?

A resposta exigiria examinar os fundamentos das apurações e apresentar evidências concretas de eventual abuso. Não basta apontar para um procedimento judicial e gritar “ditadura!” como se a palavra fosse um habeas corpus universal contra qualquer notícia desagradável.

Afinal, se a abertura de uma investigação comprova automaticamente que existe perseguição, então a própria investigação deixa de poder ser examinada racionalmente. A conclusão já vem pronta, independentemente das provas.

Isso não é pensamento crítico. É uma conclusão à procura de fatos que aceitem trabalhar para ela.

E há outro detalhe importante: o antigo caso das chamadas rachadinhas, envolvendo o período em que Flávio era deputado estadual, teve provas anuladas e a denúncia foi rejeitada em 2022. A Justiça não chegou a condená-lo naquele caso. Esse histórico precisa ser tratado com precisão, e não misturado indiscriminadamente às investigações atuais para produzir uma narrativa conveniente.

É perfeitamente legítimo criticar decisões judiciais, questionar procedimentos e denunciar abusos. Aliás, uma democracia saudável depende dessa possibilidade. O problema começa quando toda investigação contra um aliado é declarada ilegítima antes mesmo de se examinarem seus fundamentos.

Nesse sistema de pensamento, a Justiça só é independente quando chega à conclusão desejada. Quando não chega, alguém imediatamente descobre que o país virou uma ditadura.

Curiosamente, nunca parece haver uma terceira hipótese: a de que as instituições estejam cumprindo suas funções e que as acusações precisem ser examinadas com seriedade, sem condenação antecipada e sem absolvição por afinidade ideológica.

Seria uma hipótese revolucionária, eu sei. Talvez até perigosa para a estabilidade emocional de certos grupos políticos.

Imagine o sofrimento de um militante obrigado a admitir que seu adversário pode estar certo em determinado assunto. Imagine a catástrofe de um eleitor reconhecendo que seu político favorito precisa responder a perguntas como qualquer outro cidadão. Imagine, enfim, uma discussão política na qual as pessoas precisem apresentar argumentos em vez de distribuir certificados de perseguição.

O Brasil talvez não sobrevivesse a tanta racionalidade de uma vez.

E quanto à pergunta sobre o nome do regime que persegue e prende opositores, existe uma resposta simples: depende de como isso acontece. Regimes autoritários perseguem adversários por razões políticas, sem garantias legais adequadas. Democracias, por sua vez, investigam suspeitas de crimes segundo procedimentos estabelecidos, com direito de defesa e possibilidade de contestação judicial.

A diferença não está em saber se um político foi investigado ou preso. Está em saber se houve fundamento legal, respeito às garantias individuais e aplicação legítima da lei.

Confundir essas situações não denuncia uma ditadura. Apenas demonstra que alguém está usando uma palavra muito séria sem fazer o trabalho necessário para justificar seu uso.

Portanto, antes de anunciar o funeral da democracia brasileira, talvez fosse prudente consultar os fatos, ler os fundamentos das investigações e distinguir suspeita de culpa, investigação de perseguição e crítica judicial de fantasia conspiratória.

Não é necessário gostar do Supremo Tribunal Federal. Não é necessário concordar com cada decisão de seus ministros. Tampouco é necessário acreditar que a Polícia Federal ou qualquer outra instituição seja infalível.

É necessário, isso sim, apresentar argumentos e evidências.

Porque, se toda investigação contra um político de estimação constitui perseguição, a democracia deixa de ser um sistema de leis e passa a funcionar como um clube de fãs, no qual a carteirinha de associado vale mais do que qualquer prova.

E o raciocínio lógico, coitado, permanece do lado de fora, esperando alguém abrir a porta.

Moral da história: ser investigado não significa ser culpado. Mas também não significa ser perseguido. Entre uma coisa e outra existe um pequeno detalhe chamado realidade — justamente aquele que o fanatismo político vive tentando evitar.

Nota de precisão: usei “investigações” e “apurações” deliberadamente. As notícias disponíveis descrevem procedimentos investigativos em andamento, não uma condenação criminal de Flávio Bolsonaro. Essa distinção fortalece a crítica: não precisamos declarar ninguém culpado para demonstrar que a simples existência de uma investigação não prova a existência de perseguição política. 


Criado com ChatGPT.