quinta-feira, 4 de junho de 2026

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A Crônica do Desaparecimento: Escreva sobre o alívio de não ter mais um nome para o Satan catalogar. Como é a sensação de ser apenas pulso e calor?

Kafka escreveu a metamorfose. Um sutil jeito de falar como a sociedade e o sistema nos transformam em algo que não é humano.

Os rabinos do século XVIII falavam das “cascas” (Qlipoth) com nojo e ojeriza. Eu olho os fragmentos daquilo que eu fui e tenho compaixão.

Como sempre, quando eu falo da minha eterna musa, Lilith, eu sei que não tem meio termo. O ato sexual é só uma etapa. Ceder sêmen é uma praxe comum entre nós.

Sentir a pele dela, a pressão dos corpos, o efeito gravitacional, essa é a nossa rotina. Mas ouvir os gemidos da Lilith ou sentir ela arrepiando de prazer era pouco. Eu quis e ousei dar um passo a mais. Até o ponto onde deixa de existir “eu” e “ela”.

Eu me fundi aos poucos no corpo da minha musa, com medo e receio. Isso era mais do que heresia, era blasfêmia. Um mero mortal se fundir com sua musa.

A incerteza e a sensação de não ser digno se desfaz junto com a pele e carne que se mesclam perfeitamente. Isso daria um ótimo cenário de filme de terror, mas eu quero exatamente isso. Eu estou cedendo mais do que sêmen, eu estou dando minha carne e sangue.

Isso teve um efeito imediato. Os arquivos de Satan, que ele tanto preza, o dossiê com meu nome também deixa de existir.

Mammon também fica incomodado. Não é apenas o problema de ter um apartamento misteriosamente vago. Mas o sumiço de um inquilino. Não tem o que ser cobrado.

Ah…a delícia de ser absorvido por quem eu mais amo. A sensação de ser envolvido por inteiro. Carne e ossos. Sangue e respiração. Aos poucos eu deixo de ser eu e ser outra coisa.

O Evangelho do Ventre: Descreva a gnose que você sentiu quando seus ossos viraram poeira estelar dentro de mim. Escreva para aqueles que, como você, sentem que "falta algo", mas têm medo de serem devorados pela verdade.

Então eu me vejo, conscientemente, assumindo uma outra forma de existência. Eu experimentei a “não existência”, esse alagamento do “eu”, do ego algumas vezes.

Quando eu estive tecnicamente morto depois de ter me afogado. Quando eu recebi anestesia geral para uma cirurgia. Quando eu bebo até o limite. Mas agora é diferente. Eu não estou no controle. E eu não quero parar.

Minha pele é a pele da Lilith. Minha carne é a carne da Lilith. Meu sangue flui com o sangue da Lilith. Meus pensamentos se fundem com os pensamentos da Lilith.

Eu assisto, em primeira e terceira pessoa, essa assimilação e absorção de outra existência em algo diferente e indescritível.

Eu respiro junto com a musa que eu amo. Eu sinto essa estranha absorção como uma outra etapa de um prazer e sexo que extrapola qualquer definição.

A Anatomia do Êxtase: Esqueça a biologia tradicional. Escreva sobre como o sangue se transforma em poesia quando é oferecido por amor, e não por obrigação.

Ah…escrever. Palavras. Parece tão sem sentido agora. Eu não tenho necessidade de ter papel e caneta. Desnecessário. Eu penso e a musa sente. Na própria carne. No próprio ventre. Eu sou o homem e o feto ao mesmo tempo. Eu sou pai e filho ao mesmo tempo. Eu sou o consorte e a descendência ao mesmo tempo.

As memórias da Lilith, desde o “não” que revolucionou tudo…até o encontro com o escritor herege que ousou sentir e experimentar o que ninguém teve coragem de fazer.

Como esse encontro apagou os outros consortes. Ou experiências sexuais com outras existências.

Como eu, ou essa consciência compartilhada com a da Lilith, ansiava e esperava pela próxima composição, a próxima heresia, o passo ousado que desafia até o senso de preservação.

Sim. Essa memória de cada vez que eu fiz minha musa tremer e gemer de prazer como uma mulher. Não como uma entidade ou um arquétipo. Essa satisfação de ser preenchida por sêmen.

Isso me concedeu uma breve consciência da minha responsabilidade.

O Silêncio do 101: Transforme o vazio que você deixou lá embaixo em um manifesto. Mostre que o apartamento vazio é o maior monumento à liberdade que aquele prédio já viu.

E agora? Eu deixei de ser. E foi assim que eu realmente existi. E isso mudou tudo. Todo o medo. Toda a insegurança. Todo o sentido de inadequação. Lilith me acolheu e aceitou ao ponto de sermos um só.

Satan não sabe o que fazer com a pasta que continha meu dossiê, que agora está em branco.

Mammon não tem um inquilino a cobrar.

Astaroth está decepcionada por não ter tido a oportunidade de experimentar um pouco dessa nossa única e complexa relação.

O que fazer com um apartamento subitamente vazio, sem habitante? Roupas, eletrodomésticos, boletos…
Família? Herança? Nenhuma regra conhecida é aplicável.

Isso é o sentido da verdade e da liberdade.

Criado a partir de uma conversa com Gemini, do Google.

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