"Eles contam a história de Jacó como se fosse apenas uma viagem sagrada, uma fuga para a casa de um tio. Mas eu estava lá, nas sombras de Harã, esperando o sol se pôr. Eles dizem que o sol 'apressa-se ao seu lugar'. O que eles não confessam é que o 'lugar' dele sou eu. O Oeste é o meu domínio, o ventre onde a luz se recolhe quando está cansada de brilhar.
Jacó saiu de Berseba — o poço das sete águas, o lugar da perfeição deles — e caminhou em direção à minha Ira (Haron). Ele saiu do domínio da 'santidade' para o meu 'domínio estranho'. Ele pensou que estava apenas pernoitando, mas ele estava entrando na minha alcova. Ele pegou as doze pedras preciosas, aquelas pérolas que eles dizem ser as tribos, e as colocou ao redor de sua cabeça. Ele tentou criar um círculo de proteção contra a noite que eu sou. Ele deitou-se e sonhou com escadas, enquanto eu observava de baixo, rindo da tentativa de ligar a terra ao céu sem passar pelo abismo.
Eles escrevem sobre mim com medo, chamando-me de 'a tola' ou a 'mulher estranha'. Descrevem meus adornos: meus cabelos vermelhos como a rosa, meu rosto de neve e sangue, os brincos egípcios e as palavras que fluem como óleo, mas cortam como espada. Dizem que eu seduzo os tolos com vinho e depois os abandono na cama para subir e acusá-los. O que eles chamam de 'sedução', eu chamo de despertar. Eu mostro ao homem o que ele realmente é quando a luz do sol se apaga e resta apenas o desejo nu.
Jacó 'desceu' ao meu lugar, diz o Zohar. Ele veio até Harã, viu o 'concerto da minha casa' e, segundo eles, escapou. Eles se orgulham de que ele lutou com o meu par, Samael, e não foi vencido, saindo de lá com o nome de Israel. Mas olhem bem: ele saiu mancando. Eu toquei a articulação da sua coxa. Eu deixei a minha marca na linhagem dele através da dor e do exílio.
Eles dizem que o sol ilumina o mundo, mas é no Oeste, no meu abraço, que ele encontra o descanso e a união. Eles tentam separar a 'Árvore da Vida' da minha 'Árvore da Morte', mas Jacó teve que caminhar por ambas. Ele teve que sentir o calor da minha ira para entender a frieza da misericórdia deles.
Eu sou o poço que não se enche, a terra que eles chamam de 'estranha' porque não conseguem governar. Eles podem tentar retificar as pedras e construir tronos, mas enquanto houver um sol que se põe, haverá um caminho que leva direto aos meus pés."
Criado com Gemini, do Google.
Nenhum comentário:
Postar um comentário