sexta-feira, 28 de março de 2025

A monogamia como objetivo econômico

Autor: Matías Zibell.
BBC News Mundo.

Sentados ao redor de uma mesa, um grupo de amigos começa a falar sobre amor.

Um deles conta uma história antiga: no passado, havia seres compostos por duas pessoas (com dois sexos, quatro braços, quatro pernas, dois rostos e uma cabeça) que desafiaram os deuses e, por isso, foram divididos ao meio. Daí a nossa busca constante por aquele ou aquela que nos completa.

A narrativa foi apresentada em O Banquete, uma das obras mais conhecidas do filósofo grego Platão, que é centrada em vários discursos sobre o amor. A antiga crença é conhecida como o mito dos andróginos, e o personagem que a suscita é Aristófanes.

Durante séculos, seu relato tem sido usado como uma alegoria para entender por que nos apaixonamos, o que os amantes buscam em um relacionamento, e qual o papel do amor em nossas vidas.

Em seu último livro, El amor es imposible ("O amor é impossível", em tradução livre), o filósofo argentino Darío Sztajnszrajber desvenda justamente estas e outras facetas deste tema que toma grande parte do nosso tempo.

É uma obra provocadora, dividida em oito teses filosóficas, cuja capa mostra Cupido abatido por sua própria flecha.

Mas se Cupido está morto, quem o matou? O casamento, a monogamia, o poliamor, o desamor, o ideal romântico, Aristófanes? Ou será que, na realidade, o amor não está morto, é apenas impossível, e graças a essa impossibilidade ele sobrevive.

A BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, conversou com o autor.

BBC News Mundo - Você sempre tentou difundir a filosofia para o público em geral. Por que você decidiu escrever especificamente sobre o amor agora?

Darío Sztajnszrajber - Basicamente porque, durante a pandemia, dei alguns cursos online, incluindo um chamado Filosofia do Amor, que me fez passar muito tempo organizando essas aulas e lendo, e isso me despertou o desejo de pensar sobre isso a partir de outras perspectivas.

E quando terminei, me dei conta que tinha um livro.

O que acontece comigo é que há uma maneira de viver isso que (Friedrich) Nietzsche chamava de grandes valores, que sempre me incomodou.

Não sei por que nem a quem responsabilizar por isso: meus pais, minha educação religiosa ou o fato de ter nascido na década de 1960, mas desde muito garoto tenho essa espécie de desejo de sempre tentar, como dizem popularmente: "procurar pelo em ovo".

A mesma coisa aconteceu comigo com o amor, talvez porque eu tenha nascido e crescido em um lar com um pai e uma mãe que se casaram e viveram juntos até morrerem, um tipo de lar com um ideal romântico e administrativo de amor: uma família prototípica.

E essa experiência de amor que me foi passada me causou muita frustração. Acho que se eu tivesse me apaixonado de acordo com o arquétipo tradicional, e tivesse sido feliz, não estaria pensando sobre isso nem escrevendo nada.

Mas era tão poderoso esse ideal romântico que eu "carregava comigo", que toda vez que eu me apaixonava, acabava sofrendo.

É algo que também acontece comigo com Deus, ou com a verdade; Há idealizações que são tão distantes que, infelizmente, acabamos não conseguindo alcançá-las.

BBC News Mundo - Tão altas que ninguém está à altura…

Sztajnszrajber - Exatamente, ficamos ali, agarrados a algo que está se esvaindo, que está escapando de nós.

BBC News Mundo - Provavelmente, até mesmo os mais ignorantes em termos filosóficos já ouviram a história de O Banquete, de Platão, mas então a filosofia evoluiu em outras direções... Se os primeiros filósofos falavam sobre o amor, por que os que vieram depois parecem ter deixado o assunto de lado?

Sztajnszrajber - É verdade que, na Antiguidade, era um assunto muito mais exposto, e que depois outros assuntos se tornaram mais hegemônicos.

Mas atualmente, na filosofia, fala-se da virada afetiva e do retorno da questão do amor como tema fundamental, principalmente nos últimos anos, com a contribuição decisiva do feminismo.

Mas devemos lembrar que etimologicamente philia — philo é uma forma de amor, um amor mais amistoso, um amor mais comunitário, mas ainda é uma forma de amor; e não podemos esquecer a famosa definição da filosofia: amor pelo conhecimento.

Como, então, a filosofia pode deixar de abordar a questão do amor? Seria deixar de tratar de si mesma.

Em toda investigação filosófica, o amor está sempre presente, porque fazer filosofia supõe esse desejo de transcender aquilo que nos é apresentado como real, único e definitivo.

BBC News Mundo - Você mesmo admite que o título do seu livro, "O amor é impossível", é uma provocação, uma declaração que desafia o senso comum. Você convida o leitor a discutir o impossível e a pensar no impensável, mas, acima de tudo, a desconstruir "a concepção hegemônica do amor".

Qual é essa concepção hegemônica?

Sztajnszrajber - Esta concepção, também chamada de ideal romântico ou amor no senso comum, não tem uma definição única — mas, sim, abordagens diversas com uma infinidade de variáveis.

A mais importante delas pode ser resumida na ideia do amor como a busca pela minha cara metade, com o propósito de me completar e alcançar uma certa forma de plenitude, alcançando o que Platão chama de "aquilo que te falta".

Nesse sentido, o amor me permite encontrar sentido na vida, ou pelo menos parar de sentir falta dele.

Ironicamente, no livro eu me pergunto o que fazer depois de encontrar a plenitude, porque supostamente o que nos motiva a fazer a maioria das coisas é a busca, não a descoberta.

BBC News Mundo - Você sugere que isso também implica uma série de coisas...

Sztajnszrajber - Claro. Em primeiro lugar, que só há uma pessoa que me corresponde, o que é muito. Quero dizer: há 7 bilhões de pessoas no mundo, suficiente para que tenha a possibilidade técnica de encontrar a pessoa certa.

E que essa correspondência é eterna, quando na realidade as pessoas mudam, os corpos mudam, e o quebra-cabeça começa a se deteriorar um pouco.

Também supõe uma ideia fusionista do amor que me incomoda, porque essas duas metades formam então uma unidade, e essa unidade supõe uma fusão que, em algum momento, dissolve as singularidades, as diferenças.

Para mim, no entanto, o que mais importa no amor é o encontro com o outro que realça a diferença, e não a diminui em prol de uma fusão na qual sempre há um que funde mais ao outro. Não é uma fusão equivalente.

Ao mesmo tempo, em teoria, o amor é o encontro com o outro, mas muitas vezes acabamos pensando nele como algo que me faz bem, que me nutre, que me realiza, que me preenche: eu, eu, eu, eu...

E o outro?

O olhar está tão focado no que o amor gera em alguém, que eu trabalho com essa ideia de que o amor se torna uma questão de ganho, de algo que engrandece o sujeito e, então, nas palavras da filosofia, desconsidera o outro.

BBC News Mundo - O que devemos fazer então?

Sztajnszrajber - Se a verdadeira intenção é conhecer o outro, o outro geralmente acaba ultrapassando os limites dentro dos quais a pessoa se sente confortável.

É por isso que o amor para mim é a experiência de um desmoronamento, porque o que você achava que estava funcionando perfeitamente até aquele momento, desmorona.

A flecha do Cupido basicamente faz com que aquele indivíduo tão dono de si mesmo, que acha que sabe o que quer da vida, se mude para outro lugar.

Isso se a pessoa se deixar levar.

Porque também é possível se blindar imunologicamente contra qualquer paixão, se proteger atrás de uma concepção fechada de amor, e fazer do amor simplesmente um combustível para se ratificar o que é.

BBC News Mundo - Você diz que o amor é uma coisa, e o dispositivo amoroso é outra. Como funciona este dispositivo institucional e administrativo ao qual você se refere no livro?

Sztajnszrajber - Todo o livro é uma proposta de desconstrução do amor, de evidenciar as contradições internas de qualquer proposta que se apresente como superlativa.

Desconstruir o amor não é mostrar que existem outras maneiras de vivenciá-lo — mas, sim, revelar os interesses que estão em jogo na versão canônica.

Vivemos em uma sociedade marcada pelo vínculo matrimonial que rege a maioria das relações afetivas. A questão é como alguém se relaciona com essa instituição.

Uma coisa é pensar que o casamento consuma o significado da existência e da transcendência divina, e outra é se casar porque legalmente é muito mais conveniente, e até divertido estabelecer o vínculo matrimonial.

E, no dia em que o casamento não der mais certo, se possa ter a mesma leveza para sair dele.

O que permeia permanentemente o senso comum é que em cada experiência de vida, tudo está em jogo, e me parece que temos que nos afastar disso

A necessidade de que cada ato consuma um significado é uma forma de tirar a nossa liberdade, porque é preciso estar ali cumprindo os mandatos, os papéis, o que é exigido de nós.

BBC News Mundo - No livro, você sugere que o amor pode aprender algo com a amizade.

Sztajnszrajber - Na tese 7 do livro, tento esboçar uma relação conceitual entre o amor e a amizade, porque vejo que é um amor com muito menos amarras.

Talvez o mais importante seja sua não institucionalização. Não existe casamento para amigos. Não há uma instituição legal para a amizade.

Isso mostra que o amor acaba caindo em uma institucionalidade que de alguma forma o leva para outro plano, onde há outros interesses em jogo que usam o amor mais como uma maquiagem.

Em nome do amor, as instituições jurídicas consolidam uma estrutura social que exige um formato de família no qual se supõe que a pessoa entre por amor, mas, na realidade, as regras e os valores em jogo são os das instituições.

BBC News Mundo - Não as regras do desejo…

Sztajnszrajber - Não as regras do desejo, não as regras da emoção…

Um casamento funciona mesmo que não haja amor, e isso é terrível.

Isso não acontece em uma amizade, e não é por acaso.

BBC News Mundo - Você também ressalta que a amizade não é monogâmica. O amor, sim.

Sztajnszrajber - A intenção do livro não é discutir a monogamia em termos de por quantas pessoas você pode se apaixonar.

O que mais me interessa na questão da monogamia é entender que se trata de uma estrutura que tem um propósito econômico e político, não afetivo.

BBC News Mundo - Você destaca que a dissolução da monogamia acarretaria o fim de toda uma ordem social que vai além do mundo dos afetos. O que você quer dizer?

Sztajnszrajber - Me parece que se a matriz monogâmica não funcionasse, não haveria como organizar nossas energias produtivas.

No livro, brinco com um imaginário em que, se vivêssemos em uma sociedade pós-monogâmica e tivéssemos vários relacionamentos amorosos, o tempo que dedicaríamos ao trabalho seria nulo, porque estaríamos sempre vivendo de paixão em paixão.

Há algo sobre a administração temporal do erótico, confinado a estruturas que permitem que sejamos produtivos a maior parte do tempo.

E o amor, ao que me parece, é um alerta contra a produtividade.

Uma paixão não apenas te deixa apaixonado por alguém, como também te deixa idiota e, em algum momento, incapaz de ser produtivo da maneira que se espera de você.

BBC News Mundo - Falando em monogamia, no livro você diz que o desafio poliamoroso não a ameaça, mas confirma sua vigência. Por que você acha que o poliamor é funcional para a monogamia?

Sztajnszrajber - Acredito que é fundamental questionar os rótulos, e acho que nos últimos anos o poliamor tem sido rotulado de forma exagerada, caricatural, descrevendo-o mais com a intenção de mostrar suas contradições e rir das suas ambiguidades.

Esses pontos caricatos acabam virando mais assunto de programa de fofoca na TV do que uma reflexão filosófica sobre o que está em jogo em um relacionamento amoroso.

Então essa imagem jocosa do poliamor acaba sendo absolutamente funcional para uma monogamia que se reveste de normalidade.

BBC News Mundo - Vou voltar ao que você disse antes sobre o senso comum nos impor essa lógica de que apostamos tudo em cada experiência de vida, e pergunto sobre a desilusão amorosa, que desempenha um papel muito importante no livro.

Em uma de suas teses, você argumenta que, para aqueles que acham que o amor os complementa, o desamor é uma desolação. Existe outra maneira de lidar com isso?

Sztajnszrajber - Se a pessoa acredita que o outro pertence a ela, então o término é uma perda que causa uma dor comparável à dor de perder algo próprio.

Na medida em que a pessoa não supõe que o outro pertence a ela, mas que o amor é o encontro com outro que vai além de mim, então a desilusão amorosa se mostra a partir de outra perspectiva: não se trata mais de perder algo, porque você nunca teve.

Você teve um encontro e uma troca contingente e finita que durou o tempo necessário.

Como disse Epicuro sobre a amizade, são duas singularidades que percorrem trilhas diferentes que em algum momento coincidem, e depois percorrem a mesma rota até que cada trilha siga seu próprio rumo.

Isso significa que, quando você tem uma desilusão amorosa, você tem que fingir que não dói? Não, significa aceitar que a dor faz parte de um amor que nunca alcança seu objetivo.

É o mesmo que aceitar que, independentemente do que você faça, você vai morrer.

Em algum momento, de fato, o desamor dá a sensação de que algo morre. É por isso que falamos em luto amoroso.

É uma questão de fazer as pazes com o desamor como parte da narrativa amorosa, e não tentar extirpá-lo, assim como eu acho que não faz bem parar de pensar sobre a finitude ou não falar sobre a morte.

Quanto mais alguém consegue transitar por todas as sensações em sua validade, acredito que melhor você consegue lidar com elas.

BBC News Mundo - Para terminar, gostaria de propor algo muito pouco filosófico, se entendermos o exercício da filosofia como um momento de reflexão que nos ajuda a apresentar argumentos diversos.

Vamos fazer uma espécie de "pingue-pongue" de perguntas e respostas com algumas das ideias do seu livro. Vou dizer uma frase de El amor es imposible, e você responde com a primeira frase que vier à sua cabeça...

Sztajnszrajber - Combinado.

1) "O amor é o oposto da conquista."

Sztajnszrajber - Acredito que existe uma concepção do amor como a conquista do outro e, para mim, o mais interessante sobre o amor é exatamente o oposto: é o encontro impossível com o outro.

2) "O amor é impossível. E só por isso, existe amor."

Sztajnszrajber - Acho que a missão fundamental é conseguir desconstruir as formas instituídas de amor.

3) "O amor sempre é uma diáspora."

Sztajnszrajber - Nada me interessa mais no amor do que a possibilidade de me exilar de mim mesmo.

4) "Ninguém é o amor da sua vida"

Sztajnszrajber - Sou um admirador absoluto dos 'ninguéns'. Acredito que os 'ninguéns' são aqueles que foram capazes de empreender esta espécie de exílio do sujeito.

5) "No amor você sempre perde."

Sztajnszrajber - O amor é a possibilidade de colocar em xeque o paradigma de ganhar.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy9dwzzjvrlo

quinta-feira, 27 de março de 2025

Leitinho nos lábios


Quando ser de esquerda é sinônimo de ser chato?

Essa é uma questão que martela na minha cabeça quando eu vejo um texto de alguém que se diz de esquerda, mas tenta disfarçar seu conservadorismo e moralismo em um discurso ideológico capenga.

O texto é de Iara Vidal. Citando:

A Evie é uma revista digital feminina (não feminista) dos EUA que está bombando entre as mulheres ultraconservadoras que apoiam Donald Trump. Ela lançou recentemente um de seus produtos mais simbólicos: o vestido "Raw Milkmaid", uma peça inspirada nas camponesas do século 18, vendida por US$ 189 (cerca de R$ 1.083 reais).

A peça hipersexualizada exibe a estética aspiracional promovida pela publicação, que romantiza um ideal de feminilidade tradicional (mas nem tanto) e celebra a maternidade e o casamento como as maiores realizações da mulher. Em tradução literal, em português, seria "Leiteira Rústica", mas "Vestido Camponesa" soa melhor.

Um dos anúncios do vestido e que ilustra essa matéria faz referência a supremacismo branco. A modelo está com a face suja de leite, que se tornou um símbolo na extrema direita graças à sua relação com discursos pseudocientíficos sobre raça, além da conexão histórica com a propaganda nazista e sua apropriação por subculturas online.

Embora para a maioria das pessoas beber leite não tenha conotação política, em certos círculos supremacistas ele funciona como um marcador de identidade e um meio de sinalização ideológica. Um apito de cachorro.

Retomando.

Eu inseri a imagem que provocou a indignação seletiva da autora. O dito "apito de cachorro" não deveria funcionar com pessoas que se dizem de esquerda.
Uma mulher com um bigode de leite. 
Sim, supremacistas brancos e neonazistas fazem essa alusão, supostamente baseada na intolerância à lactose encontrada em pessoas afrodescendentes.
Mas o fio de líquido branco nos lábios da mulher pode ser... sêmen...😏🤭
O Azarão verá o mesmo que eu.
Um discurso ideológico tentando disfarçar o conservadorismo e o moralismo.

Não sejamos chatos.
Porre, só de cerveja.

Check in na prisão

O pastor norte-americano David Eldridge, conhecido por sua atuação em eventos religiosos, foi indiciado por homofobia pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin). O caso está relacionado a uma pregação realizada durante a União de Mocidades das Assembleias de Deus de Brasília (UMADEB) em 2023.

Durante sua fala, Eldridge afirmou que homossexuais têm “uma reserva no inferno”, além de condenar transgênerose bissexuais, drag queens, prostitutas e até mesmo espectadores de conteúdo sexual televisivo. O religioso também criticou mulheres que usam saias curtas e homens que vestem calças justas, associando tais comportamentos a “espíritos de homossexualidade”.

A pregação foi conduzida em inglês, com tradução simultânea. Em um dos trechos, ele declarou: “Você, moço, que está usando calça apertada, que é o espírito de homossexual: isso vai para o inferno! Você, moça, que quando sai de casa a saia está curta e apertada, você sabe o que está fazendo? Você tem uma reserva lá no inferno”.

Diante das declarações, a Decrin instaurou inquérito para apurar possível crime de homofobia, cuja pena varia de quatro a dez anos de prisão. Além do indiciamento, foi sugerida a proibição de Eldridge realizar palestras e pregações no Brasil por um período de três anos.

O caso levanta discussões sobre os limites da liberdade religiosa e o combate à discriminação no país. A investigação segue em andamento, e o pastor poderá responder judicialmente caso a Justiça aceite a denúncia.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pastor-e-indiciado-por-dizer-que-homossexuais-tem-uma-reserva-no-inferno/

Nota: o cristão acredita no Deus de Abraão (contradição étnica) e em Cristo, mas o padre/pastor mais fala no Diabo e no Inferno.🤷

Inquisição na Bahia


Por Roberto Midlej.

O escritor e roteirista baiano Alexey Dodsworth já se aproximava dos 30 anos de idade quando se surpreendeu ao saber que a Inquisição - tribunal da Igreja Católica que punia pessoas acusadas de heresia - esteve presente com muita força na Bahia, especialmente entre os séculos XVI e XVIII. “Conversei com pessoas que haviam estudado em boas escolas, mas ninguém sabia que a Inquisição tinha passado pela Bahia e que havia sido muito presente no Nordeste. Na Bahia, foram centenas de anos de perseguições”, assegura Alexey.

Para aumentar sua surpresa, o autor desvendou sua árvore genealógica e descobriu que um antepassado havia sido perseguido pela Inquisição. “Se pesquisarmos bem, veremos que todos nós, baianos, temos um ancestral que sofreu com a Inquisição”, diz.

Alexey percebeu que, como pouca gente sabia da passagem da Inquisição pela Bahia, era muito importante registrar isso e tornar a informação mais acessível: daí que surgiu a história em quadrinhos As Confissões da Bahia (Edição dos Autores/ 112 págs./ R$ 85), com roteiro dele mesmo e Cristina Lasaitis. Para os desenhos, foram convidados sete artistas, todos baianos ou, ao menos, com ascendência baiana.

A HQ começa a partir da vinda do padre Heitor Furtado de Mendonça à Bahia, em 1591. O religioso era o responsável pelo Tempo da Graça, onde aqueles que confessassem seus pecados e delatassem outros pecadores seriam perdoados pela Igreja. Os "descobertos", então, estariam expostos aos piores castigos, inclusive a fome, penúria, morte, excomunhão e condenação eterna.

Os quadrinhos são baseados nos depoimentos reais daqueles que se confessavam e admitiam os mais diversos “pecados” conforme os princípios católicos. Um deles é o padre de 65 anos que admite ter transado com mais de 40 homens. Em outro, uma mulher confessa ter se relacionado com outras mulheres. E há ainda quem era perseguido por ser acusado de praticar feitiçaria.

O visitador da inquisição vinha ao Brasil para perseguir e punir principalmente aqueles que praticavam o judaísmo e isso ocorreu principalmente em Pernambuco. Mas na Bahia, como o judaísmo não era tão comum, as práticas sexuais “não convencionais” é que acabaram chamando a atenção. “Além disso, a Inquisição na Bahia perseguia os tupinambás, que haviam criado um culto chamado A Santidade de Jaguaripe”, diz Alexey. A seita se baseava em elementos cristãos e os sincretiza com elementos indígenas. “O que choca a Igreja é descobrir que havia portugueses frequentando aquele culto”, revela o autor.

Atenção: os mais conservadores, sensíveis a conteúdos explícitos, vão se chocar nos desenhos que reproduzem as confissões sexuais, afinal os desenhistas tiveram liberdade plena concedida pelos autores e libertaram a imaginação. São imagens que fazem os catecismos de Carlos Zéfiro parecerem HQ infantil.

E por que essa opção, em vez de fazer algo mais “sensual”? “As imagens chocam mesmo. Mas quando nos reunimos percebemos que os textos originais das confissões eram muito explícitos. Os padres detalham com muito esmero o que as pessoas diziam ter feito na cama. Então, por que eu esconderia isso? Seria hipocrisia eu colocar de maneira insinuante o que estava explícito no depoimento”, diz o autor.

Alexey estará nesta quarta-feira (19), a partir das 16h30, no Museu Geológico da Bahia, para uma sessão de autógrafos e debate do autor com Hugo Canuto (ilustrador) e Luiz Mott (antropólogo e fundador do Grupo Gay da Bahia). A entrada é gratuita e os 30 primeiros que chegarem ao local ganharão um exemplar do livro, desde que sejam maiores de 18 anos. Mais tarde, às 19h, Alexey faz mais uma sessão de autógrafos, na Midialouca (Rua Fonte do Boi, Rio Vermelho). A HQ estará à venda nas duas ocasiões, mas, se quiser antecipar sua compra, corra para o site da Loja Monstra ou para a Amazon.

Fonte, citado parcialmente: https://www.correio24horas.com.br/entretenimento/hq-revela-os-tempos-em-que-lesbianismo-e-bruxaria-eram-pecados-imperdoaveis-0325 

quarta-feira, 26 de março de 2025

Evoluir por amor

Aos olhos da filha de santo Mariane Lopes, o terreiro de axé é mais do que as coisas que ficam no imaginário de quem faz questão de expor o preconceito religioso disfarçado de opinião. Ali, ela compartilha momentos da vida com os irmãos de fé. Na lente da sua câmera, as polêmicas macumbas ganharam protagonismo e a palavra Ifé (amor) pôde ser traduzida.

Danças, velas, oferendas, guias e a própria palavra "pai de santo" são imagens já atribuídas às religiões de matrizes africanas, mas a vida em um terreiro de candomblé ainda é desconhecida e se constrói além dos rituais.

A ideia de retratar o cotidiano ali surgiu quando Mariane conheceu a casa, mas a vontade bateu mais forte quando o local participou de um edital da Fundação Palmares e o vídeo produzido ganhou a competição. 

Inspirada por pessoas que fazem parte da rotina, as cenas da limpeza do axé e preparação dos banhos viraram documentário que leva o nome da casa Ilè Asé Efunsola Àjagúnà, localizada no bairro Seminário, em Campo Grande. O conteúdo será exibido no Campão Cultural.

Segundo a produtora, o objetivo é tirar o foco dos grande rituais e mostrar que a coletividade, família e o amor são pilares da religião e fazem parte do dia a dia do axé.

"Tem muitos momentos importantes em uma casa de santo, mas eu aproveitei e quis narrar o viés da macumba, o que é macumba mesmo? É um ogã tocando atabaque, uma ekedy fazendo comida para orixá, limpando uma cozinha, um irmão fazendo um banho de folhas. Todas essas ações do cotidiano são meios de se fazer macumba. Antes mesmo de qualquer coisa somos uma família que busca evolução por meio do amor”.

Mariane acha que o recorte é apenas uma pequena parte do que é a religião e a casa de santo. Entre os momentos retardados estão também a alimentação em grupo chamada de ajeum. É nessa ocasião que os filhos de santo falam sobre a vida, brincam e comentam sobre coisas banais, como preço dos produtos no mercado, por exemplo.

“Somos uma família que vive candomblé para sí e muito além dos rituais. Tenho amor e respeito pela minha casa, meu pai de santo e meus irmãos. Aqui não se tem uma fala de perfeição não, somos o que somos e procuramos evolução por amor não pela dor ou culpa. O filme não trará nitidamente o que fazemos ou como somos mas alguns momentos”.

Mariane usa a palavra beleza para descrever a relação com o candomblé e explica que estar no caminho é evolutivo, grandioso e bom para quem se propõe a viver a ancestralidade e todo o simbolismo dentro de um ilê. Além disso, ela pontua que o espaço é mais que um lugar de crença pois também significa resistir.

“É um caminho bonito e muito evolutivo. Ter uma casa de candomblé em pé é a mesma reparação que se ter um quilombo em pé. Que as narrativas não sejam apagadas, que os territórios afrodiasporacos [pessoas que descendem de africanos que foram forçados a migrar para outros países] permaneçam de pé em nosso país e no Mato Grosso do Sul”.

A produtora, que se classifica como multiartista, se enxerga como uma contadora de histórias e se posiciona como uma narradora de tradições. Ela acrescenta que o filme será exibido no dia 04 às 18h no MIS (Museu da Imagem e Som), no terceiro andar do prédio da Fundação de Cultura, localizada na Avenida. Fernando Corrêa da Costa. 

O documentário está presente na programação por meio do Pantanal Film Fest, novidade desta edição. Na ficha técnica nomes como Lua Maria, Ana Karolinna, Juliana Benetiz, Caique Bonfietti Martins, Henrique Luiz e Gabrielly Sorti compõe a produção.

Fonte: https://www.campograndenews.com.br/lado-b/artes-23-08-2011-08/enquanto-muitos-demonizam-em-terreiro-a-busca-e-evoluir-pelo-amor

A primeira ativista da história

A Idade Média não foi marcada apenas pelas trevas. Em meio à escuridão científica, cultural e social geralmente associada à era medieval na Europa, importantes pontos de luz lutaram contra esse apagão humanístico e foram precursores de movimentos que perduram até hoje, como o feminismo e os direitos das mulheres na sociedade.

Um desses pontos iluminados é a robusta obra da escritora franco-italiana Christine de Pizan que, no período compreendido entre o final do século 14 e começo do 15, foi a responsável por levantar e discutir questões muito atuais, como a violência sexual contra as mulheres, o combate à misoginia praticada pelos homens e a igualdade de gênero masculino e feminino.

Nascida em 1364, na italiana Veneza, Christine mudou-se ainda na infância para Paris, na França. Seu pai, o bolonhês Tomazzo di Benvenutto da Pizzano, era um avançado homem de ciências para sua época e tornou-se físico e médico, trabalhando como secretário e astrólogo, além de médico na corte do rei Carlos V, o Sábio.

A vivência familiar em um meio esclarecido do ponto de vista intelectual e rodeado de conhecimento por todos os lados certamente pesou muito na formação da pequena, já que naquele tempo o simples fato de uma mulher saber ler e escrever já era um feito de enormes proporções.

Quando a filha completou 15 anos, Tomazzo di Benvenutto escolheu para esposo dela o jovem Étienne du Castel, estudante de família nobre e secretário do rei. Apesar do costume dos casamentos arranjados entre praticamente dois adolescentes, foi uma união feliz, embora curta, como declarou a própria Christine em diversas ocasiões. Um marido que, segundo a esposa, “era uma pessoa bondosa, leal, doce e amorosa”.

O destino, porém, pregou-lhe uma peça com a morte precoce de Étienne, em 1389, vítima de uma epidemia quando cumpria uma missão longe de Paris. Viúva com apenas 25 anos e três filhos para criar, além da mãe idosa e de uma sobrinha, Christine recusou o caminho tradicional que a levaria a um segundo casamento e passou a escrever e vender seus escritos para garantir o sustento da família — algo já bastante revolucionário na época.

Para dar vazão ao negócio editorial, montou um pequeno ateliê na capital francesa, com um grupo de copistas e encadernadores, sob sua supervisão. Cuidando pessoalmente da produção com dedicação e capricho, a escritora exerceu um papel importante na elaboração e distribuição de livros manuscritos, que circulavam na corte francesa e outras casas imperiais europeias.

Seus primeiros escritos eram poesias trovadorescas editadas e distribuídas no próprio ateliê mantido por Christine em Paris. Com o tempo, a autora, historiadora, filósofa e editora começou a tecer reflexões mais profundas sobre filosofia, política, moral, costumes e o papel das mulheres à época. Trata-se de um trabalho que a tornou precursora do feminismo e a primeira ativista conhecida na História dedicada às causas em defesa das mulheres, por meio da literatura.

Com boa circulação na sociedade parisiense, a escritora ganhou notoriedade em 1401, ao iniciar uma polêmica em torno de um poema muito difundido na época, Roman de la Rose, de Jean de Meung.

Na ocasião, Christine acusou o autor de misoginia e de perpetuar estereótipos negativos contra as mulheres em uma disputa que ficou conhecida como “Querelle du Roman de la Rose” (querelle, em francês, é “briga”). Nesse caso, uma batalha intelectual.

Entre as obras de Christine, a principal, com título traduzido para A Cidade das Mulheres, foi relançada no Brasil recentemente pela editora 34. Oriundo de 1405, o livro pode ser considerado o primeiro tratado em defesa da causa feminista, tendo em vista sua produção feita muito antes de os movimentos sufragistas europeus darem corpo às primeiras causas feministas, nos séculos 18 e 19.

Em um mundo atormentado pelas pestes e onde as mulheres não exerciam qualquer papel diferente da servidão aos pais, maridos e filhos, ou ficavam trancafiadas em algum convento, Christine desafiou o sistema e trouxe luz à importância da presença feminina na sociedade.

Embora fosse uma mulher cristã privilegiada por sua classe e pelos estudos que pôde fazer em casa, percebeu como poucas as injustiças das quais as mulheres eram vítimas. E a tal ponto percebeu que essa questão se tornou para ela uma questão teológica”, afirma Ivone Gebara, em texto de apresentação da obra.

Em uma linguagem simples, quando comparada ao estilo mais rebuscado das escrituras medievais, a publicação faz um contraponto ao domínio masculino e descreve uma cidade utópica construída, administrada e habitada exclusivamente pelas mulheres.

Logo na abertura, Christine de Pizan indaga a Deus como podem os homens rebaixarem e desprezarem tanto as mulheres, já que elas também foram criadas à Sua semelhança e sabedoria? “Não consigo compreender tamanha aberração”, registra.

Escrito em primeira pessoa, a concepção da cidade das mulheres se dá a partir de visões da protagonista com três divindades que surgem, para ela, à semelhança dos anjos bíblicos, com a diferença de que, neste caso, são três damas divinas: Razão, Retidão e Justiça.

Por meio dos diálogos, são levantadas questões sobre o papel das mulheres na sociedade, seus direitos políticos e sociais e a submissão imposta pelos homens. Uma delas é a exclusão do poder feminino no sistema judiciário. Christine não entende o porquê de as mulheres serem impedidas de exercer um papel de protagonismo nas decisões judiciais.

“Os homens afirmam que a culpa é do mau governo de uma mulher perante a corte de Justiça. Contudo, se com tal premissa se queira pretender que as mulheres não são bastante inteligentes para estudar direito, a experiência demonstra o contrário”, diz trecho. “A História gerara muitas mulheres que foram grandes filósofas, suscetíveis de reger disciplinas muito mais complexas, requintadas e altivas que o direito escrito e os regulamentos estabelecidos pelos homens”, completa.

Depositários da palavra escrita em livros e textos, os homens, na visão de Christine, ocultaram e reprimiram a trajetória das mulheres ao longo da História, dando sempre a impressão de que elas “não são boas para nada além de afagar os homens, trazer filhos ao mundo e criá-los”.

Na cidade utópica, a palavra e as ações estavam, pela primeira vez, com as mulheres e Christine pretendia silenciar o partido da misoginia: “Que se calem, daqui por diante, esses clérigos que difamam as mulheres”, diz a autora, que procurou fazer um trabalho didático contra o domínio cultural machista imposto pelos homens ao longo do tempo, por meio de palavras e ações.

Em pleno século 15, as mulheres eram conclamadas a refletir, reivindicar e ocupar o papel que lhes pertence na sociedade, algo que, 500 anos mais tarde, seria resumido pela escritora, filósofa e ativista francesa Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”.

Christine destaca a questão da educação escolar como fator de desigualdade entre homens e mulheres: “Se fosse costume enviar as meninas à escola e lhes ensinar metodicamente as ciências, como se faz com os meninos, elas aprenderiam e compreenderiam as dificuldades de todas as artes e ciências tão bem quanto eles”.

Em um dos pontos mais fortes da obra medieval, assustadoramente atual, a autora toca na questão do abuso sexual sofrido pelas mulheres. Christine se diz “desolada e indignada ao ouvir homens repetirem que as mulheres desejam ser estupradas e que não lhes desagrada nem um pouco serem forçadas, ainda que protestem em voz alta. Não posso acreditar que sintam prazer com algo tão abominável”.

Outras questões levantadas no texto são a revolta de Christine contra o sistema de dotes, casamentos entre meninas e homens muito mais velhos e a luta por desejo e prazer feminino — que, em sua visão, era um direito.

No último capítulo, Christine de Pizan dirige-se diretamente às mulheres. Aqui, pode parecer contraditório o fato de a autora defender o casamento — mesmo o seu, apesar de curto, era confessadamente feliz — e desestimular qualquer sublevação das esposas em relação aos seus esposos, independentemente de serem bons ou maus maridos.

A compensação por suportar um companheiro ruim ou até mesmo perverso, nas palavras de Christine, virá com a redenção da alma. De acordo com os estudiosos, é compreensível a posição da autora, dado o contexto da época em que vivia.

Ela sabe que a única escolha é entre um marido, o convento ou a rua, e sua própria vida lhe mostrou que a dependência, assim como a independência, pode acarretar muitos problemas”, explica a introdução da edição brasileira.

Para entender o que seria uma aparente contradição, basta comparar o mundo medieval com a situação de mulheres que vivem atualmente em estados teocráticos.

Christine viveu seus últimos anos em um convento nos arredores de Paris, onde continuou a produzir e divulgar seus escritos em defesa de ideias feministas, o que torna sua história símbolo de resistência das mulheres durante a Idade Média.

Em 1430, ela publicou o poema Ditié de Jeanne d´Arc, em homenagem à guerreira Joana d'Arc. Christine morreu no ano seguinte, em 1431, o mesmo em que a heroína francesa, com participação ativa na Guerra dos Cem Anos, foi condenada e morta na fogueira por heresia.

Fonte: https://aventurasnahistoria-com-br.cdn.ampproject.org/v/s/aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/reportagem/feminismo-na-idade-media-christine-de-pizan-primeira-ativista-da-historia.phtml

terça-feira, 25 de março de 2025

O que é o ritual de equinócio

Anitta surpreendeu seus seguidores ao postar o ritual de equinócio que fez para celebrar o Ano Novo Astrológico. Segundo a cantora, a intenção foi elevar a frequência, olhar para dentro e se libertar do que não quer mais.

"Para nós, o Ano novo começa hoje. Primeiro dia de Áries. Início do Outono, celebramos essa nova estação com um ritual de equinócio, elevando nossa frequência, olhando pra dentro, nos libertando de tudo aquilo que a gente não quer mais, e convidando o novo pra fazer parte da jornada de 2025. A vida é feita de ciclos, não da pra querer verão o ano inteiro. A natureza nos ensina que as fases de cada estação são importantes pra gerar os frutos. Respeitando essa lei da natureza, a gente se conecta com o real movimento da vida", compartilhou a cantora.

Assim como Anitta, muitas pessoas realizam rituais para o Equinócio de Outono. Um dos mais conhecidos é Mabon – um ritual de equilíbrio, gratidão e renovação.

Além de promover harmonia, Mabon pode trazer uma limpeza profunda na área da vida que mais precisa de atenção.

O que é o Rito de Mabon

Segundo a terapeuta e líder espiritual Joanita Molina, Mabon é um dos oito rituais sagrados do calendário celta (veja todos no final deste artigo), cada um ligado às energias da natureza. Ele acontece no Equinócio de Outono, marcando um momento de equilíbrio perfeito entre luz e escuridão.

Os equinócios de Outono e Primavera são momentos de equilíbrio, quando o dia e a noite têm a mesma duração. Com a chegada de Mabon, as noites começam a se alongar, marcando a transição para o inverno.

Esse ritual nos lembra da importância do equilíbrio e do preparo para um período mais introspectivo. É um momento de agradecer pelas conquistas do ano, refletir sobre os ciclos da vida e se conectar com a renovação que vem pela frente.

Mabon e as deusas da colheita

Mabon está ligado a divindades que representam fertilidade, colheita e equilíbrio, como Deméter, Perséfone, Cerridwen e Modron. Honrar essas deusas fortalece a conexão com a energia desse Sabbat e potencializa as intenções do ritual.

Seja em um rito tradicional ou em uma celebração mais pessoal, Mabon é um momento sagrado de gratidão, reflexão e preparação para um novo ciclo.

A energia de Mabon em 2025

Joanita explica que, todo ano, o Rito de Mabon traz uma vibração única, alinhada com as necessidades do planeta. Em 2025, além do equilíbrio e da cura, esse ritual será um poderoso momento de limpeza, ajudando cada pessoa a liberar o que já não serve mais.

Estamos em um período de transição: encerramos um ciclo com Peixes e nos preparamos para um novo começo com Áries, marcado pelo Ano Novo Astrológico. É também uma fase ideal para enviar boas energias a quem precisa, fortalecendo laços de compaixão e renovação.

Roda da Vida Celta

Conheça os oito rituais sagrados de luz realizados durante o ano conforme o calendário celta. Cada um deles se conecta com uma energia diferente:

Samhain (noite das bruxas)
Litha (solstício de verão)
Imbolc (noite do fogo)
Mabon (equinócio de outono)
Beltane (ritual do amor)
Yule (solstício de inverno)
Lammas (ritual da colheita e prosperidade)
Ostara (equinócio de primavera)

Fonte: https://gshow.globo.com/horoscopo-etc/noticia/ritual-de-equinocio-saiba-o-que-e-e-entenda-o-poder-da-data-celebrada-por-anitta.ghtml