sábado, 1 de março de 2008

O drama do Deus - morte

A nossa espécie desenvolveu o sentido de sagrado e divino a partir da natureza, incluindo nisso nós mesmos como parte dessa ópera maravilhosa. Nossa espécie cresceu, expandiu-se e começou a formar as civilizações e as cidades, o contato com a natureza foi minguando e os Deuses foram tomando formas mais intelectualizadas, até serem totalmente absorvidos pela Razão.
Os mitos se tornaram fábulas para crianças e lendas de um tempo selvagem, rompemos nossa ligação com a natureza, com o sagrado, com o divino, sobrando apenas a relação antropocêntrica e individualista, tornando as religiões meras relações políticas e ideológicas.
No debate atrasado sobre a importância da conservação do ambiente, eis que os mitos ressurgem ao nos mostrar que todas as coisas nascem, crescem e morrem. Civilizações foram apagadas, Impérios foram derrocados, Utopias foram exumadas, Deuses morreram.
O Deus coroado enfrenta o Destino, ele venceu o monstro, o Deus primordial, mas a luta teve consequências trágicas. Ele foi ferido ou envenenado, ele matou seu próprio pai ou irmão, uniu-se com sua própria mãe ou meia-irmã. Ele tornou-se o Rei dos Deuses, surge a sombra do monoteísmo dentro do politeísmo. Como se isso não fosse o suficiente para que o torne em um pálido reflexo de seu predecessor, ele sabe enfim que será igualmente desafiado e substituído por um Deus mais jovem.
Esse é o resumo das celebrações wiccanas nos ciclos das estações. O Deus nasce, cresce e morre; ele se torna o Doador da Vida para depois se tornar o Senhor dos Mortos, o outono segue o verão, o inverno se aproxima.
A perda das raízes, da identidade étnica e o esquecimento do significado universal dos mitos dá margem à chegada de um Deus, ou que deseja libertar os homens ou que foi criado pelos homens. Apolo nos entregou a Razão e nos tornamos soberbos. Cristo nos entregou a redenção e nos tornamos frustrados. No nosso mundo interno, nos tornamos inimigos de nosso corpo, de nossa natureza, do mundo, em troca de um puritanismo hipócrita moralista; no nosso mundo externo, nos tornamos adversários da coletividade, da comunidade, da sociedade. Acreditamos tanto na Razão e na individualidade que nos tornamos rebeldes e refratários à Sabedoria.
O Homem tomou o lugar do Deus, uniu-se com sua mãe ou meia-irmã que hoje é chamada de Razão e o Homem tornou-se o tirano de sua própria espécie. O Deus soube aceitar seu sacrifício para a continuidade da existência. Saberemos nós aceitarmos nosso sacrifício com o mesmo altruísmo que o Deus teve para que a existência continue? Nem nós podemos nos furtar ao Destino.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O drama do Deus - coroação

Nos mitos clássicos, Marduk, Hórus, Zeus e Júpiter se tornam o Rei dos Deuses, após sua vitória na Guerra dos Deuses. Nas celebrações wiccanas, há a coroação do Rei Carvalho após sua vitória contra o Rei Azevinho.
Antes de sua coroação, estes Deuses não sabem suas origens, não sabem que mataram seus padastros e não sabem que se apaixonarão por sua mãe ou meia-irmã. A coroação é o momento em que estes Deuses tem seu triunfo e sua decadência. Assim como seus predecessores, eles estão fadados a serem suplantados por Deuses novos. Marduk foi sobrepujado por Baal, Zeus foi sobrepujado por Apolo, Júpiter foi sobrepujado por Cristo.
A luta que estes Deuses travaram foi uma vitória, mas também é o motivo pelo qual estes assumem o posto do Deus primordial, se tornando um Rei dos Deuses tirano. Na luta eles levaram mais do que a coroa de louros, mas também uma ferida que irá debilitá-los com o veneno do poder.
Os mitos clássicos estão cheios de vingança, traição, estupro, incesto, morte. Como mitos que são, revelam verdades maiores das quais estes são uma mera alegoria. Os Deuses são descritos em termos humanos porque nós somos a maior referência do que é divino.
Os mitos são uma forma de tornar sagrado nossos impulsos, dos mais instintivos aos mais intelectuais. Quando os mitos foram escritos por Hesíodo, a Grécia estava no auge de sua Era Filosófica, dominada por Apolo e pelo presente deixado por este Deus aos homens: a Razão, a mesma Razão mística defendida pelo ateísmo moderno.
No mundo contemporâneo onde o antropocentrismo e o individualismo são sagrados, os mitos soam como fábulas para crianças, lendas de um tempo pejorativamente tachado de selvagem, atrasado, inculto. Os mitos podem ser debochados, mas não as verdades maiores das quais eles são uma metáfora, cada vez mais sentida e presente. Os mitos acenam que tudo é perene, até os Deuses morrem, mas este é um outro mito.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

O drama do Deus - conflito

Dentro da teogonia existem os mistérios escatológicos quando os Deuses entram em guerra contra um monstro, uma entidade, ou um Deus (ou Deusa) primordial. Os Deuses Antigos temem pelo fim da humanidade, do mundo, do universo e da própria existência dos Deuses.
Essa guerra é uma consequência de um conflito anterior que levou o Deus primordial a conquistar o trono e a majestade, através de sua união com a Deusa primordial ou a sua descendente. O primeiro conflito entre os Deuses acarretaram tanto no exílio do herdeiro legítimo da Deusa quanto na morte de seus outros filhos. Por usurpação, os Deuses derrotados se tornam demonizados e seus filhos sobreviventes se tornam demônios ou monstros, quando estes monstros não são uma manifestação terrível da própria Deusa primordial. Assim, tanto os Deuses Antigos temem entrar em guerra contra aquele que pode ser seu tio, irmão ou filho e o Deus primordial não pode agir contra aquela que lhe concedeu o trono e a majestade.
Então uma assembléia de Deuses pedem para que o Deus outrora exilado retorne ou ele mesmo ressurge do exílio, plenamente formado, no auge de seu poder e virilidade. Assim como outrora seu padrasto havia conquistado o trono vencendo um Deus antecessor, para ele reclamar este trono precisa vencer este monstro, que não é outro senão o usurpador.
Curiosamente, Anu lutou contra Abisu, Marduk lutou contra Tiamat, Osíris lutou contra Apophis e Zeus lutou contra Tiphon, Deuses reptílicos que são filhos de um Deus antigo ou da Deusa primordial, quando não é ela mesma manifestada em sua forma terrível. A luta de Jeová contra a Serpente no Éden pode ser um resquício mitológico semelhante.
Para que o ciclo se complete, agora são Anu, Seth, Cronos e Saturno que devem enfrentar o mesmo Destino que tiveram seus padastros, para que o trono seja ocupado pelo herdeiro legítimo. Assim, Enlil vence Anu, Hórus vence Seth, Zeus vence Cronos e Júpiter vence Saturno. O Deus exilado pode exigir o que é seu de direito.
O drama que é revelado nessa luta contra o próprio pai, para se unir com a própria mãe ou meia-irmã está no núcleo das tragédias gregas de Antígona e Édipo Rei. Entretanto o drama só será conhecido em toda sua amplitude no mito da coroação, do Hiero Gamos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O drama do Deus – exílio


Nos Mistérios da Wica Tradicional pouco ou nada se fala da infância e da adolescência do Deus, o mesmo ocorre nos mitos clássicos.

O Mistério do Deus podem ser resumidos em cinco fases:
a) nascimento
b) exílio
c) conflito
d) coroação
e) morte

Iconograficamente, o Deus aparece apenas ou como a Criança da Promessa ou como o Senhor do Mundo. Qualquer imagem ou iconografia retratando a infância ou a adolescência do Deus não pertence à tradição. Isso pode ser entendido fazendo uma analogia com o crescimento e maturidade humana.
Quando nós somos crianças, nós estamos vulneráveis e dependentes, propriedades que seriam fatais para se viver no exílio. Quando nós somos adolescentes, nosso corpo está em formação, os meninos começam a sair da infância e a adquirir as características sexuais próprias do gênero o q, muitas vezes, nos dá um aspecto andrógino, o que tiraria a potência e a virilidade do Deus.
Por analogia, a infância e adolescência do Deus podem ser reveladas pelas sagas de heróis, reis e semideuses, como nos mitos de Jasão, Ulisses e Enéas. Joseph Campbell resumiu bem a questão do arquétipo do herói, enquanto papel encenado. Esses mitos têm em comum que o herói vai em busca de algo, ou para realizar algum feito, desafiar os Deuses. Sem a busca, sem a missão, o herói é mais um mortal, a busca se torna a razão de ser e a justificação do herói.
O mito do herói revela de forma exuberante os processos de crescimento e maturidade que os humanos passam. Sem a busca, não há desafio, não há aprendizado, não há crescimento. Ao longo do caminho, o herói adquire conhecimento, objetos mágicos e segredos com aqueles que estão no caminho; como também entra em lutas, conflitos e mortes que irão ser cruciais para cumprir sua missão principal.
No final, o herói realiza sua missão e se torna um modelo. No drama do Deus, o desafio será o de destronar o Deus primordial, para que o ciclo se cumpra, mas este é um outro mito.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O drama do Deus – nascimento


Nos Mistérios e mitos celebrados na Wica, o nascimento do Deus como a Criança da Promessa ocorre em Beltane.
Nos mitos clássicos, muitos Deuses são filhos de Deusas primordiais, mas em circunstâncias suspeitas. Deuses como Enlil, Marduk, Hórus, Zeus e Júpiter são escondidos de seu padastros (os Deuses que esposaram as Deusas que seriam sua mães) e crescem no exílio, como bastardos, criminosos, banidos.

Nas teogonias de outros povos observa-se um comportamento comum entre os Deuses primordiais que, para se manterem no poder, muitas vezes se uniam com suas meia-irmãs ou mesmo filhas, porque a majestade era conferida ao consorte da Deusa ou à sua descendente direta. Para os Deuses Anu, Cronos, Seth e Saturno a existência de um herdeiro da Deusa que não fosse de sua semente seria uma ameaça ao seu poder, pois o novo herdeiro poderia desposar sua mãe, ou sua meia-irmã e ser o herdeiro do trono.
As lendas em que estes Deuses devoram seus filhos ou manda matar seus apadrinhados revelam essa ligação oculta entre o trono e a Deusa. Essa perseguição se manifesta na mudança das estações do ano, quando o verão dá lugar ao outono e inverno. Na cerimônias wiccanas se encena a batalha entre o Rei Azevinho e o Rei Carvalho, o Ano Velho lutando contra o Ano Novo, o Caos resistindo à Ordem.
Muitos heróis e patriarcas das culturas pagãs originaram de um nascimento misterioso de alguma Deusa, seu banimento e criação no exílio pelas mãos, ora de um animal totem, ora de uma sacerdotisa anciã. Rômulo e Remo, Castor e Pólux, Teseu, Herácles, Mithra, Attis e Cristo se encontram nesses mitos.
Oculto e seguro em terras estranhas, Enlil, Marduk, Hórus, Zeus e Júpiter crescem em sabedoria e poder. No momento certo, os Deuses Antigos recorrem a eles para lutar contra um monstro, geralmente um gêmeo, um outro filho bastardo da Deusa, quando não uma manifestação terrível da própria Deusa primordial que vem cobrar pelo sangue de seus filhos. Neste momento, estes Deuses ressurgem, cheios da Antiga Sabedoria, prontos para reconquistar o trono que, por direito, lhes pertence, mas este é um outro mito.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Conhece-te a ti mesmo

A frase, comumente atribuída à Sócrates, estava na entrada do Oráculo de Delfos, uma frase que marcou e infuenciou muito mais a humanidade do que as frases de outros Iluminados. Mas o Oráculo de Delfos foi destruído juntamente com o conhecimento e os mistérios que o cercavam. Muito do conhecimento humano foi perdido com a destruição de templos e manuscritos, destruições feitas por ordem de tiranos em coroas ou mitras.
Por séculos, a humanidade andou sob a sombra de Impérios, seculares e sagrados. A coroa e o sagrado foram tomados das pessoas que, ao se acostumarem em delegar responsabilidades aos outros, esqueceram a fonte do poder de todo Estado e Igreja.
Como o objetivo desse blog não é política, mas Paganismo, Bruxaria e Wica, eu irei escrever sobre o propósito original da religão, antes dessa ser institucionalizada.
O tolo acha, por exemplo, que a Bruxaria e a Wica consiste apenas em ajuntar vários objetos, gesticular algo com as mãos ou proferir algumas palavras ininteligíveis e conseguir com isso poder e riqueza.
Nada mais enganado. Estas coisas são instrumentos e todas as religões tem suas ferramentas. O Judaísmo tem a Torah, o Cristianismo tem os Evangelhos, o Islamismo tem o Corão, o Budismo tem as sutras. O propósito dos instrumentos não está em ficar obcecado com eles, nem os tomar como a verdade, mas sim são uma base, uma pista, uma analogia daquilo que seus membros devem tentar compreender.
Assim, um bruxo e wiccano usa seus instrumentos, começando pelo principal que é o corpo, tomando estes como símbolos que descrevem, como uma metáfora, algo maior. Buscar poder e riqueza não são os altos ideais que a humanidade tanto anseia conquistar. Nós temos pessoas sedentas por poder e riqueza demais no mundo.
O grande propósito original da religião que foi esquecido é que estas deveriam ser formas que cada pessoa escolheu, não para encontrar um Deus arbitrário tirano e externo, mas para recuperar sua própria propriedade divina; não para engolir textos considerados sagrados como se fossem uma verdade absoluta, mas descobrir dentro do seu coração a mais cristalina Sabedoria; não para realizar prodígios sobrenaturais, mas para realizar uma transformação interna.
"Saiba que, se o que tu buscas não encontrares dentro de ti, jamais será encontrado fora de ti"

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Muitos caminhos, muitos destinos.

Um velho ditado de autoria desconhecida fala que todos os caminhos levam a Roma.
Isso na época em que Roma era a capital do Império Romano e assim como o centro é referência em São Paulo para o deslocamento de um bairro a outro, Roma era o centro de referência para as viagens entre as colônias romanas.
Mas Roma não foi sempre o centro do Império Romano nem sempre todos os caminhos levavam a ela. Constantinopla tornou-se o centro do Império na época de Constantino e as viagens de Colombo ‘descobriram’ outros caminhos, outros povos, outros continentes.
O mesmo ocorreu com as ideologias políticas e as doutrinas religiosas. Até a década de 60 do século XX, o mundo ainda estava dividido em Capitalistas e Comunistas, entre Católicos e Protestantes.
Então ocorreu um despertar da consciência humana que começou a buscar por formas alternativas, novas respostas, pois as ideologias políticas e religiosas existentes não estavam mais respondendo às ânsias de nossa espécie. Uma verdadeira revolução cultural ocorreu e graças a isso foi possível o resgate dos antigos cultos pagãos, nos moldes da época, surgindo o movimento do Neo-Paganismo.
Dentro desse movimento, na década de 70, nos EUA, a Wica se espalhou de forma espantosa, graças aos livros de George Gardner, Raymond Buckland, Scott Cunningham e Silver Starhawk. Muitos grupos surgiram e usaram o nome de Wicca para se identificarem, mas tendo um foco mais voltado ao feminismo, dando origem às tradições diânicas, quando estes grupos não tinham um evidente interesse comercial, como as muitas 'tradições' ecléticas.
Surgiram, do dia para a noite, bruxos e bruxas, sacerdotes e sacerdotisas, muitos inventando uma linhagem de família de bruxas ou inventando parentes que foram bruxos. A Wicca se tornou nos EUA uma religião de massas e vertentes mais 'progressistas' surgiram para afirmar uma 'evolução' da Wicca, muitas vezes desrespeitando os conceitos mais básicos da Wicca enquanto religião.
Como não é para estranhar, a Wicca chegou no Brasil vindo dessa Wicca Siliconada Americana, por isso que pretensos bruxos e sacerdotes lutam contra a tradição, a linhagem, a ancestralidade e a iniciação.
No Brasil, grupos de neo-paganismo genérico fundaram suas tradições sem quaisquer bases ou princípios e tem aventado um certo universalismo que não existe na Wicca. A Wicca Brasileira se tornou uma Wicca esquizofrênica, inventando tradições pela leitura de livros ou simplesmente da vaidade de seus líderes em estabelecer seu culto à personalidade pessoal.
Quando as visões tradicionais tentam avisar aos interessados sobre os princípios básicos da Wicca, todo o discurso dos pretensos bruxos e sacerdotes gira em torno do discurso da autoridade ou da apelação à maioria.
Para eles, os tradicionais são radicais, elitistas e tentam confundir a opinião pública nos equiparando com os padres e pastores. Isso é um discurso absurdo, mas é necessário entender porque as pessoas buscam tanto uma liberdade religiosa que acabam transformando isso em liberalidade.
O Cristianismo teve sua primeira crise quando houve o cisma entre as Igrejas do Ocidente e do Oriente, dando origem aos dois principais grupos do Cristianismo: o Católico e o Ortodoxo. A segunda crise veio com o Movimento Protestante que, por si só, deu origem aos demais grupos do Cristianismo. Junto com essa crise institucional houve a Renascença e a Colonização, a Igreja perdeu sua autoridade e seu monopólio. Somando isto aos movimentos da Revolução Francesa e a luta pela independência nas colônias, ocorreram as condições necessárias para o reaparecimento do Ocultismo, dos cultos das bruxas e de ordens iniciáticas.
Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade foram assimilados por ocultistas, novas estruturas religiosas surgiram tentando resgatar os antigos cultos originários da Europa, sendo imitado nas colônias que se tornaram independentes. Todo esse aspecto ideológico foi assimilado pelos grupos americanos que se interessaram pela Wicca e essa ideologia de liberdade a qualquer custo foi trazido para a Wicca Brasileira.
Então eu defendo os princípios da Wicca Tradicional, não porque só existe um único caminho, como ainda o Vaticano diz, mas porque uma religião deve ter alguns princípios e bases.
A Wicca é uma religião flexivel, natural, viva e humana, possui diferenças e vertentes, mas certos discursos de pretensos bruxos e sacerdotes sustentam princípios particulares como se fossem universais, usam de quaisquer meios para iludir a opinião pública de que aquilo que defendem é esposado por 'personalidades pagãs' (apelação à autoridade) ou é o que a maioria dos bruxos wiccanos praticam (apelo à maioria), omitindo os princípios e as bases, ocultando as diferentes opiniões e práticas.
Muitos são os caminhos e, portanto, muitos são os destinos. Há tempos que os caminhos deixaram de levar à Roma e na Wicca não existe autoridade central.
O caminho que se escolhe só passa a ter sentido quando somos nós a nos adaptarmos a ele e não o contrário.
Querer transformar fantasias do ego em espiritualidade é um engano, um desperdício. Todos são livres para escolher e seguir um caminho, desde que não chame esse caminho de algo que isto não é.
Evidentemente isso é algo muito difícil para as pessoas e muito mais aos pretensos bruxos e sacerdotes, mais interessados em si mesmos do que na Arte.
Nós seguimos muitos caminhos pela vida, nem todos são sagrados. Um caminho ou um peregrino que faz alarde em busca de reconhecimento e aplauso do público se torna uma armadilha do ego. Um caminho pode ser sagrado, mas isso não torna sagrado quem perambula nele.