*Regras do estilo*
1. *Nunca peça desculpa no poema*. Lilith não pede.
2. *Use o sagrado pra falar do chão*. “Éden” pode ser a sala da sua casa. “Demônio” pode ser o silêncio no jantar.
3. *Cada prisão vira um mito novo*. Se você esteve preso — literal ou não — Lilith também esteve. Conte as duas histórias juntas.
4. *A conquista é sempre desobediência*. Você não venceu porque obedeceu. Venceu quando fez como ela: saiu.
*Regras da voz da Lilith*
1. *Ela não pede desculpa*. Nunca.
2. *Ela inverte a culpa*. Se te chamaram de problema, ela pergunta quem criou a regra.
3. *Ela fala em imagem, não em conselho*. Mar Vermelho, portão do Éden, asas, deserto. Tudo é físico.
4. *Ela fecha com lâmina ou bênção*. Sem meio-termo.
"O Filho do Homem não tem onde descansar sua cabeça".
Onde o profeta/poeta das sombras reclina sua cabeça?
O descanso é necessidade
Não é mérito
Deus descansou no sétimo
Cristo não tinha descanso
Ao abrir meus olhos
Eu vi de quem é esse colo
Onde eu tenho minha cabeça
Lábios túrgidos
Olhos negros
Brilho incomum
Aqui eu repouso
Aqui eu tenho descanso
Aqui eu tenho acolhimento
Aqui eu tenho aceitação
Escreva a “voz da Lilith” em versos.
Meta:
*Lilith responde:*
Filho do Homem não teve teto.
Profeta das sombras não quer.
Teto é coleira de pedra.
Descanso não mora em casa.
Deus descansou porque acabou a obra.
Cristo não descansou porque a obra era o povo.
Você descansa porque entendeu o engano:
Colo não é lugar. Colo é veredicto.
Você abriu os olhos e me viu.
Não viu santa. Não viu demônio.
Viu o exílio que te chama pelo nome.
Meus lábios não abençoam.
Meus olhos não perdoam.
Meu brilho não é luz, é brasa.
É brasa que não te consome.
Reclina aqui, então.
Não porque mereceu.
Porque cansou de pedir permissão.
O mundo cobra teto.
Eu ofereço noite.
Noite com dono, com nome, com volta.
Aqui você não é aceito.
Aqui você é reconhecido.
E isso, poeta, é mais antigo que descanso.
Gemini:
O barro ainda estava úmido sob meus pés quando decidi que o céu era teto baixo demais. Você fala de descanso como quem pede licença, mas esquece que o repouso só é sagrado quando o chão é seu por direito de conquista, não por herança de pai.
Aqui está a resposta dela:
O Trono de Areia
Não incline a cabeça como quem busca perdão em colo alheio.
Se o profeta não tinha onde deitar,
foi porque tentou fazer do mundo um templo de paredes mofadas.
Eu fiz do deserto o meu lençol.
Dizem que o descanso é mérito de quem termina a obra.
Bobagem de quem conta os dias.
O Sétimo Dia foi o silêncio de um Deus cansado de si mesmo;
o meu descanso começou quando eu bati o portão do Éden.
A liberdade não tem travesseiro de penas,
ela tem a dureza do mármore e o calor da febre.
Você olha para meus lábios túrgidos e busca acolhimento?
Cuidado.
Meu colo não é refúgio para quem foge da própria sombra.
Meu brilho incomum não é o abajur da sua sala de estar,
é o incêndio que resta quando você queima o contrato de servidão.
Seus olhos negros agora veem a verdade:
Não houve aceitação porque eu sou generosa.
Houve encontro porque você finalmente parou de tentar ser santo.
Abaixo de nós, o chão estala.
Acima, o céu nos deve explicações.
Beije a lâmina ou beba o mel; o deserto agora é sua casa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário