terça-feira, 2 de agosto de 2011

Liberdade religiosa ameaçada

A polícia peruana apreendeu nesta segunda-feira (1º) 180 crânios humanos que estavam em poder de um homem que foi detido no Centro de Lima. Segundo a polícia, o homem é curandeiro.
A Polícia Nacional, que invadiu o local após uma denúncia anônima, informou que as caveiras serviam para sessões de magia negra e eram comercializadas por Augusto Cisneros Quispecondori, de 31 anos.
Quispecondori foi detido, e a polícia informou que investiga a procedência dos crânios. Autoridades suspeitam que as caveiras foram furtadas de um cemitério local.
Segundo a polícia, no local havia um altar no qual eram realizados os rituais. A polícia também informou que confiscou produtos sem licença sanitária, como pós "supostamente mágicos" que eram comercializados pelo curandeiro.
Pela lei peruana, a pena para o tráfico de restos humanos ou por ofender a memória dos mortos é de seis anos de prisão.
Fonte: G1
Nota da casa: Se usar crânios é crime, acabou-se a Fiesta de Los Muertos. Existe a possibilidade de que os crânios sejam de "indigentes" ou podem muito bem ser doação de familiares.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Vivendo na Extrema

Então, Joãozinho, você saiu da cidade grande em busca de seu grande ideal. Tudo naquele dia parecia comum, você acordou, tomou café, vestiu-se e foi até a rodoviária. Tudo rotina, exceto a expectativa e a ansiedade.
Não foi muito longe, Joãozinho, uma hora e meia não é coisa alguma pelo tamanho do Brasil. O ônibus percorre a estrada e a cidade grande some, dando lugar aos morros, às rochas, ao campo, ao gado, ao mato.
Você chegou em Extrema, Joãozinho, mas esta é a primeira fase. Ainda tem que se embrenhar mais, se você realmente quer resgatar sua origem, sua essência. Em um pedaço, o asfalto acaba, agora você está chegando lá, Joãozinho.
Na entrada, a saudação do Porteiro. Na recepção, as boas-vindas de três cachorros negros. A casa dos seus sonhos, Joãozinho, habitada por espíritos e entidades. Você está bem longe de Sampa City, longe de seu aquário, longe de sua zona de conforto, longe da natureza urbana, longe de sua gaiola de cimento, aço e vidro.
Ninguém te forçou a isto, ninguém te obrigou, foi você mesmo, Joãozinho, que se propôs a vir, que procurou e pediu por isto. Este foi um ato de fé, não há como voltar atrás, não há como desistir.
Antes, um almoço. O peru precisa ser engordado, Joãozinho. Depois caminhar até o círculo, noite adentro, sem qualquer luz, exceto por uma lanterna, tudo mais envolto em sombra indistinta, não há formas. O longo passeio de um condenado.
Lenha é colhida e empilahda. Para assar o peru é necessário fogo, Joãozinho. Ato de misericórdia, você tem os olhos vendados, sua única âncora é o portal de entrada do círculo. Sentidos, só a audição e o tato. Seus pés não estão mais no seu mundo seguro, Joãozinho. Mesmo agasalhado, suas costas arrepiam de frio.
A sacerdotisa te intima, Joãozinho, você balbucia algumas palavras e é puxado para dentro do círculo. Todo (re)nascimento é bruto, Joãozinho. Achou que seria simples, bom e fácil ter uma sacerdotisa, Joãozinho? Péssima decisão, Joãozinho, se acha que o caminho Entre os Mundos é uma fuga, um passatempo, uma diversão. Você vai trabalhar, Joãozinho, como nunca alguém tinha trabalhado antes. Você vai ter que sentir a vida e a natureza como nunca alguém tinha sentido antes. Você vai ter compromisso e responsabilidade como nunca alguèm tinha tido antes.
A hóstia foi o cogumelo, sua cabeça lavada com água lustral e, por fim, os Deuses te mordem com um beijo. Primeiro passo, Joãozinho, de uma longa caminhada. Seja bem-vindo ao mundo das bruxas.

sábado, 30 de julho de 2011

Toda nudez será reconsagrada


Notícia divulgada no Fantástico que não deveria chamar a atenção da forma como chamou:
Natália Avseenko teve coragem em dose dupla. Primeiro, de enfrentar o gelo. Segundo, de se despir diante do mundo.
"Disseram-me que as baleias belugas conseguem sentir quando alguém está vulnerável. Por isso, decidimos que eu entraria na água da maneira mais vulnerável possível: nua", contou ela, pela internet ao Fantástico.
"Eu mostraria não só meu corpo, mas minha alma. E ficaria vulnerável diante da sociedade, que eu sabia, iria me julgar de qualquer maneira", completou.
Natália é antropóloga. Foi professora da Universidade de Moscou por dez anos. Apaixonada por mergulho, largou a vida acadêmica para se dedicar profissionalmente ao esporte. Foi campeã mundial duas vezes em freediving, o mergulho livre em apneia, modalidade em que o atleta usa apenas o próprio fôlego para submergir.
Nadar com as belugas era um sonho antigo, que ela realizou em abril, em um santuário ecológico no norte da Rússia, onde as imagens foram feitas.
"As belugas são muito sensíveis, como os golfinhos, e costumam interagir com quem faz mergulho livre, porque nós não usamos equipamentos pesados e não produzimos bolhas", diz Natália.
“Tanto as belugas quanto os golfinhos fazem parte de um grupo de mamíferos que a gente chama de cetáceos. Apresentam um sistema de orientação dentro do meio aquático bem sofisticado, que é chamado de ecolocalização, que nada mais é que a orientação no ambiente através de sons, emissão de som e recepção de som através do eco que esse som produz. Então, a beluga é conhecida até por alguns pesquisadores como canário do mar, porque realmente é uma das espécies que produz maior número de tipos diferentes de sons”, explica o biólogo Paulo Henrique Ott, da Universidade Estadual do RS.
Natália diz que foi aconselhada a mergulhar nua porque nunca havia sido feita uma pesquisa sobre a reação das belugas a alguém sem roupa. "E elas realmente sentiram que eu estava mais vulnerável e tentaram me resgatar, me levar à superfície", conta.
“O fato de estar sem roupa acho que isso, na verdade, não tem relação nenhuma. Como os cetáceos são mamíferos que precisam subir para superfície para respirar, de repente, ou pelo fato dela permanecer muito tempo embaixo da água sem respirar, eles podem ter interpretado aquilo como sendo que a pessoa estaria em situação de perigo e ter ajudado a chegar à superfície. Isso eles fazem entre eles”, destaca o biólogo.
“Eu não acho que fiz algo especial. Treinei seis meses em águas geladas para suportar o frio, com o qual já estava até acostumada, por ser russa. É uma questão de motivação e dedicação. Qualquer um consegue!”, diz ela.
Fonte: Fantástico [link perdido/morto]
Nota da casa: Perturbador como, em pleno século XXI, a nudez [em especial a feminina] causa tanto assombro ou escândalo. Tudo que é belo é sagrado e divino. O mundo está ficando muito sensível à nudez, em especial a feminina.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Justiça poética

Na Grécia, uma equipa de arqueólogos, a do Projecto de Pesquisa de Amycles, obteve finalmente autorização do Conselho Central de Arqueologia para tirar partes de edifícios de igrejas para as colocar de volta no seu devido lugar, o original - o templo de Apolo em Amyclae, localidade perto do sítio da antiga Esparta.
O templo de Apolo em Amyclae é considerado como uma das mais enigmáticas edificações religiosas da Antiguidade. Trata-se de um templo de alguma dimensão erigido no século sexto a.c.. Inclui um grande trono no seu centro, destinado ao Deus. A estátua de Apolo seria eventualmente mais alta do que o próprio templo, alcançando os catorze metros e meio. O templo foi inteiramente feito em mármore e elaboradamente decorado pelo famoso escultor e arquitecto Vathycles, de Magnésia, cidade grega sita na Ásia Menor.
Durante quarenta anos, os arqueólogos, começando com Angelos Delivorrias, que trabalhou nas ruínas de Esparta entre 1966 e 1968, e é actualmente director do Projecto de Pesquisa, começou a registar fragmentos do templo espalhados pela região. Foram identificados vários elementos arquitectónicos, maioritariamente do trono acima referido, entre os quais se encontram duas bases na forma de pés de leão, de noventa centímetros de comprimento cada. O arqueólogo Manolis Korres, por seu turno, apresentou ao Conselho Central de Arqueologia um plano, delineado desde 2005, de escavação e restauração para dignificar o monumento, que está de momento desfigurado e irreconhecível. Sabe-se que as partes perdidas deste templo estão actualmente integrados na igreja cristã de Agia Kyriaki, construída entre 1907 e 1920. Significa isto que quem fez esta igreja, fê-la parcialmente com peças tiradas ao antigo templo de Apolo, portanto, do templo de um Deus pagão, prática habitual dos cristãos da época em que o Cristianismo começou a ser imposto no Ocidente pela intimidação e pela força. Foram encontradas no pórtico desta igreja nada menos do que vinte partes arquitectónicas do altar e do trono do templo. Adicionalmente, identificaram-se vários outros pedaços do templo de Apolo incorporados em várias outras igrejas da região, tais como a do profeta Elias, em Sklavochori, a de S. Nicolau e a de S. Teodoro. Outras peças do templo estão guardadas no Museu de Esparta. O professor Delivorrias sugeriu que estas peças deveriam ser restituídas ao templo de Apolo. O arquitecto Themistocles Mpilis afirmou por sua vez, no Conselho Central de Arqueologia, que é necessária a extracção de antigas partes do templo de Apolo que hoje fazem parte do interior de igrejas, para que a equipa possa observar os outros lados das paredes em busca de mais partes do templo pagão. Um outro arquitecto afirma que as igrejas não serão afectadas, porque no lugar das peças retiradas serão colocadas réplicas das mesmas.
O caso está a suscitar grande oposição da parte de cultores da cultura bizantina (cristã greco-romana), mas a caravana segue caminho.
Um exemplo para ser seguido em todo o continente europeu e adjacências indo-europeias, dos Urais aos Açores, para que se faça Justiça não apenas histórica e até sagrada - para que, mil e setecentos anos depois do início da grande usurpação cristã, seja restaurada a verdadeira grandeza europeia, a pré-cristã, e acima de tudo, voluntariamente ou não, seja devolvido aos verdadeiros Deuses da Europa o que Lhes pertence por direito.
Contra os imperialismos religiosos totalitários,  urge tomar este e o caso de Ayodhya como modelos.
Autor: Caturo, no blog Gladius.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Resistir!

Nos EUA, um grupo cristão prepara uma grande acção de oração e exigência a nível nacional, que terá inicio em Outubro, e que visa alterar o nome do distrito de Columbia para distrito de Cristo, além de declarar publicamente que só a lei cristã é verdadeiramente vinculativa para os cristãos.
Trata-se da Reformation Prayer Network, liderada por Cindy Jacobs, e da Heartland Apostolic Prayer Network, liderada por John Benefiel, que juntaram forças para produzir um grande evento a nivel nacional denominado DC40.
Jacobs e Benefiel, apoiantes do candidato presidencial republicano James Richard Perry, pretendem com este DC40 operar o que nas suas palavras descrevem como «uma alteração eterna no capitólio da nossa nação de modo a que os nossos políticos eleitos possam governar a partir de uma nova posição de descomprometida luz e entendimento à medida que mudamos a atmosfera espiritual sobre Washington DC para sempre.» O evento DC40, também chamado Quarenta Dias de Luz Sobre D.C., e 51 Dias de Intercessão Reformadora, quer que sejam eleitos líderes tementes ao Deus cristão e, conforme dizem, «acham que o compromisso não é o caminho» uma vez que é impossível «comprometer-se com a injustiça». Isto é referência a uma declaração da Heartland Apostolic Prayer Network, que diz que a palavra de Deus deve ser a autoridade legal nos EUA e que os cristãos não devem aceitar nenhuma outra, «nenhum poder para propôr ou aceitar qualquer compromisso das promessas de Deus, e declaramos ilegal na Terra qualquer acção ou qualquer Povo, Nação ou Nações que sigam o que contradiz a Palavra de Deus.»
Como primeiro passo, o DC40 atacará Columbia, que consideram ser a Deusa padroeira dos EUA... Benefiel diz que a América está «amaldiçoada» por viver sob uma Deusa pagã, à Qual ele chama alternadamente Columbia ou Baal (que na verdade é um Deus semita da Fertilidade, enquanto Columbia é simplesmente uma personificação da Liberdade da América). Benefiel afirma que nomear o capitólio a partir do nome de Columbia, e ter uma estátua da dita sobre o capitólio, «dá-Lhe um direito legal para dar cabo das coisas na capital da nossa nação» e é a razão pela qual os legisladores «enlouquecem» quando lá chegam. O DC40 nomeia por isso o distrito de Colúmbia, onde está a capital (Washington DC), como Distrito de Cristo, com a intenção de reclamá-lo para Jesus e levar a América a repudiar Columbia.
Alguns pagãos americanos preparam a contra-ofensiva espiritual, orando a Columbia, para a honrar e impedir que a liberdade religiosa seja destruída na América.
Fonte [e tradução]: Caturo, no Gladius
Nota da casa: Os pagãos do mundo inteiro devem se unir, se quiserem que haja efetivamente essa tal de liberdade religiosa.

O fim do mito da fidelidade

Nossa sociedade cobra a exclusividade sexual, mas é possível ser feliz de outro jeito.
Anete, casada há dez anos, relata o conflito que a atormenta:
"Tenho um casamento estável e feliz, amo meu marido e sinto que ele me ama. Fui traída e perdoei. Em primeiro lugar, pela dependência financeira, em segundo, pelos meus filhos, e em terceiro, porque eu o amava muito e homem para mim só existia ele. Com o passar dos anos, fui amadurecendo, me tornado mais independente financeira e emocionalmente, e isso fez com eu me sentisse mais segura também. Conheci uma pessoa, um vizinho, que de tanto passar na minha porta acabou despertando o meu interesse. Depois de alguns meses, conversamos pelo celular e resolvemos nos conhecer pessoalmente. Estamos nesse relacionamento há três anos. Ele também é casado".
"Depois disso meu casamento melhorou. Meu marido me trata com carinho e demonstra amor como nunca tinha feito antes. A qualidade do sexo também melhorou; ele me acha mais gostosa, me curte mais e eu tenho o maior tesão por ele. Meu conflito interior é o seguinte: como posso estar num casamento tão bom e satisfatório para mim e ainda conseguir levar adiante um relacionamento extra? Até que ponto isso é bom pra mim e para meu casamento? Como devo agir diante de tal situação? O conflito se torna ainda maior, pois sou católica. Pela minha criação, o adultério sempre foi visto com um grave pecado."
Apesar de nosso tabu cultural contra a infidelidade, as relações extraconjugais são muito comuns. Todos os ensinamentos que recebemos desde que nascemos – família, escola, amigos, religião – nos estimulam a investir nossa energia sexual em uma única pessoa. Mas a prática é bem diferente. Uma porcentagem significativa de homens e mulheres casados compartilha seu tempo e seu prazer com outros parceiros.
A antropóloga americana Helen Fisher conclui que nossa tendência para as ligações extraconjugais parece ser o triunfo da natureza sobre a cultura. "Dezenas de estudos etnográficos, sem mencionar inúmeras obras de história e de ficção, são testemunhos da prevalência das atividades sexuais extraconjugais entre homens e mulheres do mundo inteiro. Embora os seres humanos flertem, apaixonem-se e se casem, eles também tendem a ser sexualmente infiéis a seus cônjuges." , diz ela.
A poligamia – o homem ter mais de uma esposa de cada vez – é permitida em 84% das sociedades. Durante muito tempo se acreditou que só os homens tinham relações múltiplas. Entretanto, houve uma mudança no comportamento feminino quando surgiram os métodos contraceptivos eficazes e as mulheres entraram no mercado de trabalho.
Um dos pressupostos mais universalmente aceito em nossa sociedade é de que o casal monogâmico é a única estrutura válida de relacionamento sexual humano, sendo tão superior que não necessitaria ser questionado. Na verdade, nossa cultura coloca tanta ênfase nisso, que uma discussão séria sobre relacionamentos alternativos é muito rara. Entretanto, as sociedades que adotam a monogamia têm dificuldades em comprovar que ela funciona. Ao contrário, parece haver grandes evidências, expressas pelas altas taxas de relações extraconjugais, de que a monogamia não funciona muito bem para os ocidentais.
É comum pessoas deixarem um bom casamento porque se apaixonaram por alguém novo – o que vem sendo chamado de "monogamia sequencial". O argumento de que o ser humano é "predestinado" à monogamia é difícil de sustentar. Portanto, uma vez que nós humanos nos damos tão mal com a monogamia, outras estruturas de relacionamento livremente escolhidas também devem ser consideradas.
A exclusividade sexual do parceiro (a) é a grande preocupação de homens e mulheres. Mas ninguém deveria ficar preocupado se o parceiro transa ou não com outra pessoa. Homens e mulheres só deveriam se preocupar em responder a duas perguntas: Sinto-me amado (a)? Sinto-me desejado (a)? Se a resposta for "sim" para as duas, o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito. Não tenho dúvida de que as pessoas viveriam muito mais satisfeitas.
Em 1976, o psicoterapeuta e escritor Roberto Freire tomou como base a letra da música "O Seu Amor", de Gilberto Gil, para a discussão da sua proposta de amor libertário. "O seu amor/ame-o e deixe-o livre para amar/O seu amor/ ame-o e deixe-o ir aonde quiser/ O seu amor/ame-o e deixe-o brincar/ ame-o e deixe-o correr/ ame-o e deixe-o cansar/ame-o e deixe-o dormir em paz/ O seu amor/ame-o e deixe-o ser o que ele é".
Na música de Gil é ressaltada a ideia de que o verdadeiro ato de amor é o que garante a quem amamos a liberdade de amar. Ele acredita que apesar de muita gente considerar que essa ideologia amorosa é pura utopia, quase todos sonham com essa possibilidade. "Pessoalmente é tudo o que desejo: o meu amor, tanto meu sentimento quanto a pessoa que amo, além de amá-los apenas do jeito que gosto, deixo-os livres para amar do jeito que gostam, até mesmo além e apesar de mim. Procuro pessoas que também amam assim. Tem sido difícil, mas acabo sempre por encontrá-las. É fascinante, assustador, maravilhoso, doloroso, prazeroso, novo, imprevisível, incontrolável, rico, maluco, romântico, caótico, aventureiro.", afirma Freire, que foi um dos pensadores mais libertários do país.
Fonte:
Delas Ig [link morto]
Nota da casa: Moção mais do que apoiada por este pagão.

domingo, 24 de julho de 2011

O fruto do mistério

Grécia Antiga
A romã selvagem não aparece na região do Egeu no neolítico. Ela é originária do leste do Irã e veio ao mundo Egeu pelos mesmos caminhos que trouxe a Deusa que os Anatolianos adoravam como Cibele e os Mesopotâmicos como Ishtar.
O mito de Persefone, a Deusa do Submundo, a romã aparece proficuamente. Em uma versão da mitologia grega, Persefone foi raptada por Hades e levada a viver no Submundo como sua esposa. Sua mãe, Demeter, lamentou por sua filha perdida e então toda plantação cessou de crescer. Zeus, o rei dos Deuses, não poderia deixar que a terra perecesse, então ele mandou que Hades devolvesse Persefone. Era uma lei das Moiras que todo aquele que consumisse comida ou bebida no Submundo estava condenado a viver eternamente ali. Persefone não havia comido, mas Hades a enganou fazendo-a comer seis sementes de romã enquanto ela esteve prisioneira e então, por causa disto, ela estava condenada a passar seis meses no Submundo todo ano. Durante estes seis meses, quando Persefone está sentada em seu trono no Submundo próxima a seu marido Hades, sua mãe Demeter lamenta e não traz a fertilidade à terra. Esta tornou-se uma explicação da Grécia Antiga para as estações.
A romã também evoca a presença da Deusa Tripla do Egeu que se desenvolveu na olímpica Hera, que às vezes representada ofereçendo a roma, como na imagem votiva de Policleto no Argive Heraion [templo de Hera]. De acordo com Carl A. P. Ruck e Danny Staples, a camara da romã é também um substituto da cápsula da papoula narcótica, que é comparável interiormente em forma e divisão. Em um selo de Micenas ilustrado no [livro] Mitologia Ocidental de Joseph Campbell, a Deusa do machado duplo (o labrys) oferece três papoulas em sua mão direita e sustenta seu seio com sua mão esquerda. Ela encarna ambos os aspectos de uma Deusa dual, doadora da vida e portadora da morte. O titã Orion era representado "casando" com Side, um nome que na Beócia significa "romã", consagrado o caçador primordial à Deusa. Outros dialetos chamam a romã de rhoa; uma conexão possível para o nome da Deusa da Terra Reia, sugerindo que a consonância pode derivar de uma origem pré-indoeuropéia.
No século 6 AC, Policleto esculpiu a Argive Hera sentada em seu templo. Ela segura um cetro em uma mão e oferece uma romã, como uma "orbe real", na outra. "Sobre a romã eu não devo dizer coisa alguma", sussurrou Pausânias no século 2 AC, "pois sua história é um mistério". Em verdade, na história de Orion nós ouvimos que Hera lança Side (uma cidade antiga em Antália) dentro do escuro Erebus - "por ousar rivalizar com a beleza de Hera". Hera usa, não uma guirlanda, nem uma tiara ou um diadema, mas o cálice da romã que tornou-se sua coroa serrilhada. A romã tem um cálice com a forma de uma coroa.
Nos tempos modernos a romã ainda guarda forte significado simbólico para os Gregos. Em dias importantes no calendário Grego Ortodoxo, é tradição ter "poliesporia", também conhecida pelo seu antigo nome, "panspermia", em algumas regiões da Grécia. Nos tempos antigos eram oferecidas a Demeter e a outros Deuses por terras férteis, para os espírito dos mortos e em honra do compassivo Dioniso. Quando alguém compra uma casa nova, é convencional para os visitantes da casa trazer como primeiro presente uma romã, que é deixada debaixo ou próximo do ikonostasi (altar caseiro) da casa, como um símbolo de abundância, fetilidade e boa sorte. Romãs estão presentes também em casamentos e funerais gregos. Quando os Gregos comemoram a morte, eles fazem [o prato] kollyva como oferenda, que consiste em trigo cozido, misturado com açúcar e decorado com romãs. Tmabém é uma tradição na Grécia pisar em uma romã nos casamentos e no ano novo.
Judaismo
Romãs eram comidas na Antiga Israel. Romãs eram uma das frutas que foram trazidas a Moises pelos espias para mostrar que a Terra Prometida era fértil. O LIvro do Êxodo descreve que o robe vestido pelo alto sacerdote hebreu tinha romãs adornando a borda. De acordo com o Livro dos Reis, os capitéis das duas colunas que ficavam em frente ao Templo de Salomão em Jerusalem tinham romãs engravados neles.
É tradição comer romãs no Rosh Hashana porque a romã, com suas inúmeras sementes, simboliza fertilidade.
Alguns sábios judeus acreditam que a romã era a fruta proibida do Jardim do Eden. A romã é citada muitas vezes na bíblia, icluindo esta passagem do Cantares de Salomão, 4-3: "Os teus lábios são como um fio de escarlate, e o teu falar é agradável; a tua fronte é qual um pedaço de romã entre os teus cabelos". A romã simboliza também a experiência mística na tradição judaica da cabala, com a a referência típica sendo a entrada no "jardim das romãs" ou "pardes rimonim".
Cristianismo Primitivo
Na mais antiga aparição incontroversa de Cristo em um mosaico, um mosaico do século 4 DC, o busto de Cristo e [as letras] chi e rho estão cercadas por romãs. Romãs continuam a ser um motivo muito encontrado na decoração religiosa cristã. Romãs figuram em muitas pinturas religiosas como as de Sandro Botticelli e Leonardo da Vinci, a maioria nas mãos da Virgem Maria ou do infante Jesus. A fruta, quebrada ou aberta, é um símbolo do sofrimento e ressurreição de Jesus.
Islam
De acordo com o Alcorão, as romãs crescem nos Jardins do Paraíso. As romãs são citadas duas vezes como exemplos de boas coisas criadas por Deus [Allah].
Fonte: wikipedia
Nota da casa: A versão "brasileira" não traduz este trecho. Preconceito? Medo?